🎥 Documentário “Eenonai” registra o manejo da fauna do povo Baniwa.
Eenonai é a casa dos animais na língua Baniwa, povo que vive no Alto Rio Negro (AM) e mantém um sistema milenar de manejo da fauna, passado de geração em geração. Um saber essencial para a segurança alimentar, para a floresta em pé e para a regulação climática, que integra o sistema agrícola e de conhecimentos tradicionais do Rio Negro, reconhecido como patrimônio cultural do Brasil.
Numa das áreas mais preservadas da Amazônia, esse manejo é registrado por pesquisadores indígenas, que identificam os efeitos da emergência climática e de outras pressões. Um estudo publicado na Nature em 2025 confirma sua importância: na Amazônia, esse manejo sustenta 11 milhões de habitantes e protege a floresta.
O registro é fruto do trabalho da Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs), em parceria entre ISA, FOIRN, Rede Fauna e organizações indígenas locais.
Assista ao documentário “Eenonai: Conservação e manejo na casa dos animais”: https://isa.to/4wemGQ8
Saiba mais: https://isa.to/3TJapEI
Eenonai é o termo da língua Baniwa que se refere aos animais e dá nome a este documentário sobre o manejo ancestral da fauna no Alto Rio Negro, uma das regiões mais conservadas da Amazônia.
O filme registra conhecimentos milenares do povo Baniwa sobre conservação sustentável e como essas práticas tradicionais enfrentam os desafios das mudanças climáticas.
Gravado no território Baniwa no Amazonas e lançado na COP 30, em Belém (PA), o documentário revela saberes sobre o manejo responsável dos recursos naturais e a importância da partilha comunitária. Essas práticas integram o Sistema Agrícola Tradicional (SAT) do Rio Negro, reconhecido pelo IPHAN como patrimônio cultural brasileiro, que representa um dos mais sofisticados sistemas de conhecimento indígena da Amazônia.
Saiba mais: https://isa.to/3TJapEI
Ficha técnica:
Idealização: Natalia Camps Pimenta, André Pinassi Antunes e Walter Lopes da Silva
Produção: Natalia Camps Pimenta, André Pinassi Antunes, Walter Lopes da Silva, Dzoodzo Baniwa e Ana Amélia Hamdan Gontijo
Direção: Fellipe Abreu e Giselle Sousa
Direção de fotografia e captação de áudio: Fellipe Abreu
Entrevistas em Baniwa: Laise Cardoso
Roteiro: Luiz Felipe Silva
Edição/finalização: Elder Barbosa
Agradecimentos: Aos moradores e conhecedores de Canadá e demais comunidades do rio Ayari, Escola Baniwa Eeno Hiepole, Centro de Pesquisa e Formação Eenopana, National Geographic, Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) da Bacia do Rio Negro.
Realização: ISA, FOIRN, Rede Fauna, Nadzoeri
Apoio: Ipê/Lira e Nia Tero
Toda vez que Flávio Bolsonaro cai nas pesquisas, pede para a Casa Branca punir os brasileiros. Do jeito que a coisa vai, temo que o Brasil seja alvo de um ataque nuclear americano se vazarem vídeos do filho do Jair pelado na festa do Vorcaro.
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Creio que nasci no momento certo. Não que esta época me pareça superior a outras, o caso é que assim não vou ter de estudar na escola a história deste tempo. Acho que vai ser uma tarefa difícil.
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✊🏿 Conheça a potência que vem da mandioca, do artesanato e das mãos das mulheres negras quilombolas do Agreste!
🌱 No segundo dia da Caatinga Climate Week, amanhecemos nos Quilombos Castainho e Estivas, em Garanhuns (PE).
✊🏿 Alda Félix e Vanessa Barbosa, do grupo Guerreiras Quilombolas do Castainho, falam de bisavó, de renda, de força e de como ancestralidade e resiliência se sustentam.
🎥 Lutas que se sentam à mesma mesa e inspiram o mundo. Assista ao vídeo completo: https://isa.to/4f7rH70
Confira como foi a 2ª edição da Caatinga Climate Week: https://isa.to/458xd3c
As investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Parcours revelaram uma sequência de novas provas que indicam um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo dois servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM): o então gerente regional da ANM em Minas Gerais, Leandro Cesar Ferreira de Carvalho, e o superintendente substituto de segurança de Barragens de Mineração, Claudinei Oliveira Cruz.
A análise do material apreendido também mostra as conexões de Carvalho com Lucas Kallas, empresário apontado com o mentor das fraudes que produziu a “distopia ambiental” na extração ilegal de minério de ferro na mina Corumi na Serra do Curral em Belo Horizonte. E a relação dos dois servidores da agência reguladora com Luis Fernando Franceschini da Rosa, apontado como o principal gestor e controlador do grupo econômico que reúne Empabra, Green Metals e Fides, por meio de um intermediário do esquema de crimes investigados pela PF.
Os dois servidores foram afastados dos seus cargos, como revelou o Observatório da Mineração em maio de 2025, com base em dois relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) envolvendo movimentações suspeitas das suas esposas. No caso de Leandro Cesar, movimentações atípicas de mais de R$ 2 milhões e no de Claudinei, de R$ 1,1 milhão.
O relatório da PF aprofunda a participação das companheiras dos dois investigados, tanto que ambas foram agora indiciadas por lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Janaísa Dias Mendes, esposa de Carvalho, é identificada como estudante e sem renda formal compatível com os milhões que movimentava em sua conta pessoal, servindo de anteparo para as vantagens recebidas pelo marido. A investigação destaca que os aparelhos do servidor tinham pouco conteúdo, sugerindo o uso de mensagens temporárias para “autoproteção e preocupação com monitoramento estatal” e que devem “ser valorados no contexto de movimentações financeiras incompatíveis e de suspeita de favorecimento de mineradoras”.
Num dos trechos do documento em que detalha as ações do casal, a PF informa que numa conversa entre Carvalho e Janaísa em fevereiro de 2025, o gerente regional da ANM diz que está em Brasília “correndo atrás de deputados” para conseguir uma vaga na diretoria colegiada da agência reguladora. Neste trecho da conversa, ele diz para a esposa ter conversado com “Calas”, uma referência que a PF conecta a Lucas Kallas. Na mesma mensagem, ele diz que o empresário era “quem mandava” e teria prometido ajudá-lo a conseguir o novo posto na ANM.
A aquisição de um imóvel de luxo em Belo Horizonte é o principal indício de lavagem de capitais do núcleo de Carvalho. O casal comprou um apartamento em março de 2023 no Edifício La Pienezza, empreendimento de alto padrão no bairro Cruzeiro porR$ 2,9 milhões, tendo quitado mais de R$ 1,2 milhão em maio de 2025. Além do valor do imóvel, Janaísa negociou personalizações e mobiliário de alto padrão, totalizando mais de R$ 700.000,00, informando expressamente aos fornecedores que o “pagamento seria à vista e em dinheiro” para obter descontos.
O consumo de bens de luxo por Janaísa reforça a disparidade entre a renda declarada do servidor e a realidade financeira da família. Ela era tratada como “cliente VIP” em joalherias, onde negociava peças como uma pulseira de R$ 23.438,00, além de realizar viagens internacionais para destinos como Miami. Documentos bancários revelaram que a conta de Janaísa chegou a receber um único depósito em espécie de R$ 180 mil em janeiro de 2025, valor que, somado a outros créditos, elevou seu saldo para mais de R$ 461 mil.
Já o servidor Claudinei Oliveira Cruz utilizava sua esposa, Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz, e a empresa familiar Casa-Escola Organiza como principais veículos para a movimentação de recursos ilícitos, segundo a PF. A investigação aponta que a Organiza funcionava como uma “conta de passagem” para dar aparência lícita aos valores, apresentando um fluxo financeiro totalmente incompatível com sua atividade econômica, como em outubro de 2023, quando a conta registrou “entradas de R$ 154.223,02 e saídas de R$ 136.734,60”, apesar de a empresa possuir dívidas e operar formalmente no prejuízo.
A guarda de grandes quantias em dinheiro vivo na residência do casal era uma prática comum identificada por meio de interceptações telemáticas. Em uma das mensagens, Claudinei orientou a esposa a “retirar dinheiro guardado no guarda-roupas” para realizar depósitos, enquanto outro registro visual no celular de Kelly mostrou um “maço de dinheiro preso por elástico no interior de uma bolsa”. Para evitar detecção, o casal adotava códigos como “vidros de limpeza” (cada vidro equivaleria a R$ 10 mil) e “blocos” para se referir a montantes que chegaram a somar R$ 129.700,00 guardados na sede da empresa.
Para internalizar esses valores no sistema bancário, o casal utilizava o pagamento de boletos de despesas pessoais com dinheiro em espécie. Claudinei chegou a pedir expressamente que Kelly emitisse boletos de R$ 5.000,00 para serem pagos em lotéricas com o objetivo de “ir desovando o que tá aqui em casa”. Esse método permitia que o casal mantivesse um padrão de vida luxuoso, com gastos em cartões de crédito superiores a R$ 40.000,00 mensais, viagem para a Grécia, festas de aniversário orçadas em R$ 26.000,00 e interesse na compra de um flat na Savassi, em Belo Horizonte.
O inquérito conclui que as duas esposas atuavam ativamente na operacionalização financeira das vantagens indevidas. Enquanto Kelly geria a empresa de fachada e o “caixa” doméstico de Claudinei, Janaísa figurava como a proprietária formal dos ativos de luxo de Leandro.
Mineração da Empabra na Serra do Curral. Foto: Léo Boi/CBH Velhas Divulgação
Empresário Lucas Kallas teria custeado título de sócio-torcedor para delegado
As investigações sobre Kallas, segundo a PF, também revelaram indícios de corrupção envolvendo o delegado Wagner Sales, ex-superintendente da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) e responsável por assinar, em 2015, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que viabilizou a operação da Empabra.
Dados compartilhados com a PF da Operação Ouro Negro da Polícia Civil de Minas Gerais em 2020 e que teve uma das empresas de Kallas como alvo, a Cedro Mineração, mostram Kallas enviando dados pessoais do delegado para uma funcionária da Cedro para o pagamento de um cadastro de “sócio torcedor do Cruzeiro, com valor de R$ 12.000,00”.
O relatório da Polícia Federal conclui de forma direta que “o conteúdo sugere que Lucas Kallas estaria custeando o sócio torcedor de Wagner Sales”, o que reforça as suspeitas de “pagamento de vantagem indevida ou tráfico de influência” envolvendo agente público com histórico de atuação em órgão ambiental diretamente relacionado à Empabra.
“Há indícios de articulação pessoal com agente público que assinou TAC ambiental da Empabra, o que deve ser analisado no eixo de corrupção, captura institucional e favorecimento administrativo, especialmente porque o instrumento de regularização ambiental foi reiteradamente utilizado como suporte formal para a continuidade da exploração da Mina Granja Corumi”, diz o relatório da PF.
No eixo da lavagem de capitais, a PF afirma será necessário aprofundar a investigação sobre a “estrutura patrimonial paralela, com uso de pessoa interposta, ocultação de beneficiário final” no núcleo econômico relacionado à Kallas.
Também usando os dados da Ouro Negro, a PF destaca o registro de patrimônio de R$ 204 milhões, sendo R$ 4 milhões referentes a um apartamento em nome de uma parente de Kallas, no fundo Reag. “O dado não permite afirmar, isoladamente, que recursos oriundos da Mina Granja Corumi tenham sido destinados ao Reag; contudo, reforça a necessidade de aprofundamento da linha investigativa”, informa a PF.
O intermediário “compadre” de Franceschini
No relatório de indiciamento, o advogado Luis Fernando Franceschini da Rosa aparece usando Nívio Tadeu Lasmar Pereira para fazer contato com os dois servidores da ANM. Geólogo e consultor, ele foi indiciado por corrupção ativa, intermediação de influência, associação criminosa, falsidade ideológica e fraude processual. É descrito como o elo de ligação entre os interesses de Franceschini e os servidores da agência.
Segundo o relatório, ele não era apenas um consultor formalmente contratado pela Empabra, mas verdadeiro intermediário de acesso a servidores estratégicos da ANM”.
No núcleo de Claudinei, diz a PF, o geólogo aparece desde, pelo menos, 2020, como contato de confiança do casal, salvo no aparelho de Kelly como “Nivio.compadre”, sendo posteriormente acionado em contextos de aperto financeiro, pedidos de auxílio e circulação de valores.
“Nesse contexto, os pagamentos feitos por FRANCESCHINI a NÍVIO, embora formalmente travestidos de consultoria, adiantamentos, ‘agrado’, ‘comissão’ ou ‘prêmio liberação’, ganham contornos de contrapartida indevida, sobretudo quando confrontados com os vínculos de NÍVIO com CLAUDINEI, LEANDRO e com a atuação funcional desses servidores em benefício da EMPABRA”, diz a PF.
Essa proximidade era monetizada por Franceschini para resolver pendências administrativas complexas. O inquérito relata que o empresário “recorria a NÍVIO sempre que precisava destravar temas sensíveis perante a ANM, como autorização de escoamento de minério, retificação do RAL, desinterdição parcial e atos relacionados à Pilha A”.
Mensagens de WhatsApp confirmam pedidos expressos de Franceschini para que Nívio agendasse reuniões informais. Em agosto de 2023, o empresário solicitou: “Marca com Leandro e Claudinei”, ao que Nívio respondeu pedindo ligação prévia para “combinar alguns detalhes”.
O consultor demonstrava ter acesso privilegiado a decisões internas antes de sua publicação oficial. Em diálogos interceptados, Nívio informou Franceschini sobre andamentos de processos afirmando que o expediente estava “no forno”.
O inquérito aponta que os pagamentos feitos a Nívio não correspondiam apenas a honorários técnicos. As remunerações ganham “contornos de contrapartida indevida” quando analisadas junto aos atos funcionais favoráveis praticados pelos servidores da ANM.
Mineração da Empabra na Serra do Curral. Foto: Léo Boi/CBH Velhas Divulgação
Outro lado: indiciados se defendem
Luis Fernando Franceschini da Rosa informou por meio do seu advogado que não dará declarações nesta fase do inquérito da PF.
O advogado de Claudinei Oliveira Cruz e Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz informa que o casal só se manifestará nos autos do processo. Da mesma forma, o escritório que representa Cesar Ferreira de Carvalho e sua esposa, Janaísa Dias Mendes, informa que não apresentará informações à imprensa sobre o caso.
Lucas Kallas não respondeu aos questionamentos sobre a relação com os servidores da ANM, com o delegado da Supram e os apontamentos da PF sobre o fundo Reag. Sua assessoria enviou apenas uma nota alegando que os fatos já foram arquivados.
“A defesa tem plena confiança na demonstração de inocência de Lucas Kallas, pois o indiciamento requenta fatos antigos, já investigados e arquivados pela Justiça. Lucas não tem relação com a empresa investigada desde 2017 e, antes disso, havia sido apenas investidor”, diz sua defesa.
Tentamos contatos com Nívio Tadeu Lasmar Pereira por meio dos seus contatos da sua empresa de consultoria ambiental, mas não recebemos retorno até o fechamento desta edição.
Não conseguimos contato com o delegado Wagner Sales, ex-superintendente da Supram. Sales não está na lista dos indiciados pela PF. No portal da transparência do governo de Minas Gerais, seu perfil registra que o servidor público está inativo.
O espaço para as alegações dele e dos demais citados que não conseguimos contatos continua aberto para a apresentação das suas alegações e contraponto.
Neste vídeo, o Nexo explora as origens do rock’n’roll e mostra como artistas negros foram fundamentais para o surgimento e a consolidação do genero.
Material de apoio:
Ritmos africanos, ideias de pecado e o órgão Hammond. Uma breve história da evolução da música gospel https://www.nexojornal.com.br/externo/2018/04/01/ritmos-africanos-ideias-de-pecado-e-o-orgao-hammond-uma-breve-historia-da-evolucao-da-musica-gospel
Quem foi Rosetta Tharpe, a pioneira que agora integra o Hall da Fama do Rock
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/04/14/quem-foi-rosetta-tharpe-a-pioneira-que-agora-integra-o-hall-da-fama-do-rock
Qual a importância de Chuck Berry, em 7 frases e 5 músicas
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/03/20/qual-a-importancia-de-chuck-berry-em-7-frases-e-5-musicas
Podcast: Ouça aqui quais são as influências dos Rolling Stones
https://www.nexojornal.com.br/podcast/2016/02/19/ouca-aqui-quais-sao-as-influencias-dos-rolling-stones
40 músicas para relembrar Elvis Presley
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/08/16/40-musicas-para-relembrar-elvis-presley
O que Elvis tem a ver com os protestos antirracistas nos EUA
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/09/02/o-que-elvis-tem-a-ver-com-os-protestos-antirracistas-nos-eua
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Edição de vídeo: Brunno Bimbati
Produção de arte: Yasmin Menezes
🚨 *Já se prepare a mobilização: em agosto, o STF decide o futuro da vida no Brasil e nós vamos fazer barulho!
🗓️ 💥 No dia 12/8, os ministros julgam a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, resultado do PL da Devastação, cria do Centrão e dos ruralistas, que liberou obras e empreendimentos com impactos ambientais desastrosos. Saiba mais: https://isa.to/4pjSxvR
🗓️☠️ Em 13/8, o STF analisa uma medida que abre caminho para a mineração em Terras Indígenas, atividade que pode destruir florestas e contaminar a água que chega para todos nós. Saiba mais: https://isa.to/4w8zxU0
🗓️🏹 E de 7 a 18/8, volta ao debate o marco temporal: os ministros decidem entre continuar ou paralisar as demarcações dos territórios indígenas. Saiba mais: https://isa.to/4eMejVs
Desde 1961, a Fundação Körber organiza na Alemanha encontros com lideranças políticas, econômicas e acadêmicas para debater o futuro europeu. Na semana passada participei do encontro mais recente em Berlim com o tema "Potências Médias e Geopolítica da Tecnologia".
Leia mais (07/12/2026 - 14h00)
Quando o New York Times noticiou que Donald Trump tinha telefonado ao presidente da Fifa a pedir a despenalização de um jogador da seleção americana que havia sido expulso, eu soube imediatamente o que ia acontecer: Trump convocaria uma coletiva de imprensa para desmentir a notícia, acusar a imprensa de espalhar falsidades, talvez exigir uma indenização.
Leia mais (07/11/2026 - 16h00)
Flávio Bolsonaro foi a Washington pedir que Donald Trump suspenda o tarifaço temporariamente. O tarifaço, para quem não se lembra, foi organizado por Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Na questão do tarifaço, o bolsonarismo está tentando vender facilidade aos brasileiros depois de ter criado a dificuldade, uma tática clássica no mundo da corrupção.
Leia mais (07/11/2026 - 15h49)
Escrevo esta crônica na quarta-feira, dia 8 de julho. Primeiro dia em um mês sem jogo de Copa. Minhas mãos tremem. Humor alterado. Secura nas mucosas. Todos os sintomas de abstinência. Foi um teste para o que está por vir. Um longo e doloroso desmame. A Copa vai acabar e não estou sabendo lidar.
Leia mais (07/11/2026 - 14h00)
Sem autorização, a irmã de Samir Xaud usou a imagem dos dois principais jogadores da seleção brasileira em seu negócio privado.
Em duas postagens no instagram da “Ponto com Gelo”, Neymar e Vinícius Jr aparecem fazendo propaganda da fábrica. A empresa, cujo nome de registro é “Única Indústria de Gelo ltda”, com sede em Boa Vista, Roraima, tem como proprietária, de acordo com os documentos da Receita Federal e da Junta Comercial daquele estado, Samara de Araujo Xaud, irmã do presidente da CBF. As peças foram feitas com uso de inteligência artificial.
A reportagem do Lance entrou em contato com os dois jogadores para saber se teriam feito publicidade ou consentido as publicações. Através da assessoria de imprensa, Neymar negou qualquer relação. “A NR Sports não mantém nenhuma relação comercial com a indicada empresa, tampouco foi autorizado o uso da imagem do Neymar Jr”. A assessoria de Vinícius Jr também desmentiu a parceria ou cessão de imagem e informou que o corpo jurídico
que trabalha com o atleta iria interpelar a empresa em questão para a retirada da postagem.
Enviamos pedido de resposta para Samara Xaud via o contato da empresa, sem resposta. Pedimos ainda que a CBF, por meio do departamento de comunicação, informasse se o presidente da entidade estava ciente dos anúncios da irmã. “O presidente Samir Xaud não tinha conhecimento das postagens”, informou a assessoria.
Ainda ontem, logo após o envio do pedido de resposta para a proprietária Samara Xaud por parte desta reportagem, as postagens com as imagens de Vinícius Jr e Neymar Jr foram removidas da página do instagram da fábrica de Samara Xaud. A reportagem printou ambos os posts antes do envio do pedido de “outro lado”.
Além da fraude em si, tanto Neymar quanto Vinícius Júnior estão retratados na montagem de maneira pejorativa para atletas.
Neymar aparece em postagem como se estivesse aplicando gelo em cima de contusão, em alusão ao histórico de lesões do jogador, e com uma legenda irônica, afirmando que “nos bons momentos, a Ponto com Gelo tá junto. Nos tombos de Neymar também”, seguido por um emoji tradicional de risada e outro de gelo. O post da fábrica com Neymar estava no feed da fábrica e foi postado no dia 21 de maio, três dias após o anúncio da convocação do grupo que iria para a Copa do Mundo.
Entre as 48 equipes participantes do Mundial, a seleção brasileira foi a única a realizar um evento grandioso para o anúncio. Na ocasião, no Museu do Amanhã, centro do Rio de Janeiro, empresas com laços de negócios anteriores com o vice-presidente da CBF Gustavo Dias Henrique foram as responsáveis pela realização da dispendiosa superprodução. O auge da cerimônia foi o anúncio da convocação de Neymar, que, ao ter seu nome proferido na lista pelo técnico Carlo Ancelotti foi recebido com urros da plateia, formada por uma mistura de jornalistas, influencers e os denominados “parças”, como são conhecidos os amigos do jogador.
Já a postagem da empresa de Samara Xaud sobre Vinícius Júnior tem características do que, no jargão do mercado publicitário, é chamado de “kitsch”, ou seja, uma peça de gosto duvidoso ou mesmo de mau gosto. No caso em questão, deselegante.
No dia 15 de maio, a Ponto com Gelo publicou uma imagem falsa, feita com utilização de inteligência artificial, na qual o atacante do Real Madrid aparece em uma mesa de bar com expressão consternada e de choro, cabisbaixo, cotovelo sobre a mesa amparando a cabeça e diante de um copo de uísque com gelo. Ao lado, um saco plástico com o logotipo da empresa e uma mensagem: “Nos bons ou maus momentos, a Ponto com Gelo está sempre com você, menino Vini Jr”.
Horas antes da postagem da Ponto com Gelo, logo pela manhã, a influencer Virgínia Fonseca tinha anunciado pelas próprias redes o término do namoro de seis meses com Vinícius Júnior. Ao fundo, como trilha sonora, a empresa de Samara Xaud usou a música “Pra você”, do conjunto “O filé do brega”, onde aparecem os versos “Tu sabes que eu preciso do seu amor/Amor igual ao teu jamais vou encontrar/Não conseguirei ficar longe de você”.
A falsa associação da marca feita via inteligência artificial e sem autorização para uso da imagem e remuneração, além de constituir violação aos direitos autorais e à personalidade, é também um pesado drible financeiro nos atletas.
De acordo com levantamento feito pela reportagem do Lance em publicações nacionais e estrangeiras, o valor no mercado de Neymar e Vinícius Júnior para esse tipo de publicidade chega a milhões.
Divulgada três dias após a convocação, confirmada a inclusão do craque santista na lista, a peça sem consentimento da Ponto com Gelo é paralela no tempo a três postagens oficiais do jogador logo após a confirmação da presença.
Em cada uma, Neymar faturou aproximadamente R$ 10 milhões, ou seja, total de R$ R$ 30 milhões.
Já uma postagem de Vinícius Júnior no feed do instagram, como é chamada a grade principal da rede onde ficam armazenadas fotos e vídeos, é avaliada em cerca de US$ 600 mil, o equivalente a R$ 3.089.100,00.
FÁBRICA DE GELO TEM COMO ATIVIDADE SECUNDÁRIA A EXTRAÇÃO DE MADEIRA
Localizada em uma área de 385,92 metros quadrados no bairro Centenário, na capital roraimense, a empresa teve seu capital social aumentado em 22 de dezembro de 2022, passando de R$ 300 mil para R$ 450 mil. Além do objeto principal, a “fabricação de gelo comum”, a fábrica de Samara Xaud tem, entre outras atividades secundárias registradas a “extração de madeira em florestas plantadas”.
Irmã mais velha do presidente da CBF, com 50 anos, Samara Xaud tem um histórico de envolvimento em casos com denúncias de corrupção. A roraimense ingressou como assessora parlamentar comissionada no gabinete do senador Chico Rodrigues (PSB-RR) em maio de 2019, com salário de R$ 10.447,29 e se desligou em dezembro de 2020. Menos de dois meses depois foi nomeada assessora especial da presidência da Assembleia Legislativa de Roraima.
SAMARA XAUD FOI PEÇA IMPORTANTE NO “ESCÂNDALO DA CUECA”
A saída veio depois de um episódio com repercussão nacional que ficou conhecido como “O escândalo da cueca”, no qual a irmã de Samir Xaud teve importante participação.
Em 14 de outubro de 2020, Chico Rodrigues, à época vice-líder do governo Bolsonaro, foi flagrado com dinheiro escondido na cueca em uma operação da Polícia Federal que investigava o desvio de cerca de R$ 20 milhões em emendas parlamentares destinadas ao combate à covid-19.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa do parlamentar, em Boa Vista, a PF encontrou cédulas de dinheiro escondidas na cueca e até entre as nádegas do senador, num total de R$ 33.150,00. A PF gravou o instante da apreensão, que acabou exibido para todo o Brasil. Na ocasião, Chico Rodrigues negou qualquer irregularidade e afirmou que o dinheiro seria usado para pagar funcionários. O parlamentar justificou ter escondido as notas porque teria entrado em pânico com a batida da PF.
Na ocasião, Chico Rodrigues foi denunciado por peculato, advocacia administrativa, embaraço às investigações e lavagem de dinheiro. Em 6 de dezembro de 2021, Chico Rodrigues foi amplamente citado no relatório da CPI da Saúde.
MARIDO DE SAMARA XAUD É APONTADO COMO O OPERADOR DO “ESCÂNDALO DA CUECA”
Samara e Rodrigues ainda dividem outra ligação no caso. Ela é casada desde 13 de julho de 2010 com Jean Frank Padilha Lobato, ex-deputado estadual por Roraima e apontado como o operador de Chico Rodrigues.
O relatório da Polícia Federal indica que Chico Rodrigues repassou R$ 3,2 milhões para a Quantum Empreendimentos e Saúde, empresa registrada em nome de Roger Pimentel. No entanto, por ocasião da operação, a PF apontava que o verdadeiro dono da empresa seria Jean Frank, o marido de Samara Xaud.
A PF afirma também que Jean Frank e Chico Rodrigues chegaram a trocar 3,5 mil mensagens de WhatsApp ao longo de dois anos. De acordo com a PF, Jean Frank tratava Chico Rodrigues como “chefe”.
INQUÉRITO DA PF AFIRMOU QUE IRMÃ DO PRESIDENTE DA CBF OPERAVA A CONTA BANCÁRIA UTILIZADA PARA O DESVIO
Na peça, está descrito que Jean Frank e Samara Xaud recebiam depósitos fracionados regularmente provenientes do esquema. Na época da operação, a PF ainda encontrou na residência do casal um cronograma para destinação de verba superior a R$ 19 milhões, que as autoridades concluíram serem provenientes de recursos de emenda do senador.
De acordo com o inquérito da PF, Jean Frank recebia o dinheiro em espécie e em uma conta bancária operada por Samara Xaud.
Em um dos diálogos gravados pela PF no telefone grampeado de Roger Pimentel, de acordo com o inquérito, Samara Xaud relata a função de sacar o dinheiro da conta: “o Jean pega o dinheiro, aí ele já esquece que pegou o dinheiro. No dia seguinte ele acorda e “Nunca peguei dinheiro com você”. Então… é …todo dinheiro que eu to passando pra ele eu tenho comprovante de tudo. Porque eu tenho que sacar, entendeu”?
No último dia 7, em reportagem de Vicente Seda, o Lance publicou que Samara Xaud viajou para Coreia do Sul e Japão em outubro de 2025, em datas que coincidem com amistosos da seleção naquele país, com as notas faturadas na CBF. A entidade nega.
OUTRO LADO:
SAMARA DE ARAUJO XAUD:
A reportagem enviou questões para a empresária mas não obteve resposta.
CBF:
A reportagem questionou a CBF se o presidente da entidade tinha conhecimento de que a irmã utilizava a imagem
dos atletas que estavam defendendo a seleção brasileira na Copa do Mundo para propaganda da própria fábrica pelo
instagram da empresa:
“O presidente Samir Xaud não tinha conhecimento das postagens”
VINÍCIUS JR:
O jogador Vinícius Jr, por meio da assessoria de imprensa, informou que jamais cedeu a imagem para tal uso e que
o corpo jurídico do atleta irá notificar a empresa.
NEYMAR JR:
“A NR Sports não mantém nenhuma relação comercial com a indicada empresa, tampouco foi autorizado o uso da
"Narrar Histórias", publicado pela Fósforo, é a transcrição de uma conversa gravada em 1983, entre o escritor inglês e crítico de arte John Berger e Susan Sontag, para o programa "Voices", da rede britânica de televisão Channel 4, disponível no YouTube.
Leia mais (07/10/2026 - 10h00)
As investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Parcours revelam indícios de ações de órgãos federais favoráveis à mineradora Empabra, a principal empresa do grupo de mineradoras investigadas por lavra ilegal na Serra do Curral em Belo Horizonte. Uma delas, citada no relatório mais recente da investigação, foi classificada como a “obra do Mauro”.
O termo foi usado pelo empresário Luis Fernando Franceschini, um dos principais alvos da Parcours, ao sugerir que a atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) em defesa da mineradora teria sido articulada diretamente por Mauro Henrique Moreira Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), que também foi indiciado pela PF, que permanece no cargo.
Segundo o relatório, o grupo percebia o dirigente da agência reguladora como um patrocinador de seus interesses, uma vez que ele “teria influenciado atuação institucional favorável à Empabra, inclusive junto à Advocacia-Geral da União”, órgão federal onde Sousa começou a atuar a partir de 2005, passando pela consultoria jurídica do Ministério de Minas e Energia (MME), como ele destacou na sua mensagem aos senadores antes de assumir o posto na ANM.
“A IPJ destaca que Mauro é servidor de carreira da AGU. Ainda que o trecho deva ser tratado como indiciário, ele revela a percepção interna do grupo de que Mauro poderia influenciar ou articular atuação institucional favorável à Empabra em disputas administrativas ou judiciais”, diz a PF.
Esse ponto das conversas, informa o relatório, “é especialmente sensível porque a atuação estatal deveria ser guiada pelo interesse público e pela defesa da legalidade, e não pela estratégia privada de empresa regulada investigada por lavra irregular, dano ambiental, fraude documental e usurpação de bens minerais da União”.
Reprodução relatório da PF
A Polícia Federal identifica uma “relação próxima, frequente e informal” entre Mauro Sousa e o controlador da mineradora, Franceschini. Durante o período monitorado pela PF, foram registradas “diversas mensagens e 61 ligações entre ambos”, tratando de temas sensíveis como o Plano de Fechamento de Mina (PFM) da Mina Corumi.
Para os investigadores, o teor das conversas revela uma dinâmica “incompatível com a impessoalidade esperada entre o dirigente máximo de agência reguladora e empresário do setor regulado”.
Além do contato direto com o proprietário, Mauro Sousa mantinha comunicações em tom de intimidade com a coordenadora jurídica da mineradora, Ana Laura Braga de Carvalho. Em mensagens interceptadas, o Diretor-Geral chamava a advogada de “queridinha” e combinava encontros e jantares em Brasília. Esse canal privilegiado permitia que o dirigente adiantasse informações sobre a tramitação de processos, informando, por exemplo, que a equipe técnica da agência se manifestaria em data específica sobre um processo.
A captura institucional da ANM, segundo a PF, incluía também a submissão informal de documentos oficiais à autoridade máxima antes mesmo de sua entrada formal no sistema. O empresário Franceschini chegou a admitir a advogados do grupo ter enviado minutas de ofícios para que o diretor-geral apresentasse eventuais “considerações” prévias. A PF sustenta que essa conduta permitia à empresa ajustar suas petições com base na avaliação da autoridade, violando a “isonomia, impessoalidade e regularidade procedimental”.
PF indiciou Mauro Henrique Sousa por advocacia administrativa e associação criminosa
O relatório final da Operação Parcours conclui que Mauro Sousa atuou de forma decisiva para a “superação de entraves administrativos relacionados a empreendimento sob investigação por lavra irregular”.
Diante das provas de que ele teria utilizado o prestígio do cargo para favorecer interesses particulares, a PF o indiciou por condutas que reúnem “elementos de advocacia administrativa e tráfico de influência”. A investigação aponta que essa proteção interna na agência reguladora era um dos pilares para assegurar a “continuidade da exploração mineral” clandestina na Serra do Curral.
As conversas do diretor-geral da ANM com o controlador da Empabra também citam outros três servidores da agência: Fábio Perlatti, Ronaldo de Azevedo Coimbra e Roger Romão Cabral. Perlatti é gerente de Sustentabilidade e Fechamento de Mina da Superintendência de Fiscalização da ANM e Romão era diretor e deixou o cargo em dezembro de 2025. Coimbra ainda faz parte da ANM.
“Em novembro e dezembro de 2024, Franceschini tratou diretamente com Mauro sobre a equipe da ANM responsável pela análise do PFM, ocasião em que o Diretor-Geral mencionou o Diretor Roger Romão Cabral, integrante da Diretoria Colegiada, e informou movimentações internas relacionadas ao tema”, afirma o relatório.
Reprodução relatório da PF
O inquérito cita ainda que em fevereiro de 2025, ao ser questionado por Franceschini sobre pareceres de servidores da ANM, como Perlatti e Ronaldo Coimbra, Mauro respondeu que encaminharia a demanda à Romão, responsável pela coordenação do assunto.
“A gravidade do contato não está apenas na existência de diálogo entre regulador e regulado, mas no conteúdo e na forma da interlocução. Mauro adiantou a Franceschini informações sobre a tramitação interna do PFM, inclusive que Roger já havia conversado com Marco Túlio Naves De Carvalho e que a equipe deveria se manifestar até determinada data. Tal conduta, em tese, ultrapassa o dever de transparência institucional e sugere tratamento privilegiado, pois Franceschini passava a acompanhar, por canal pessoal e informal, atos internos de análise técnica da ANM relativos a procedimento administrativo de interesse direto de sua empresa”, diz a PF.
Associado ao nome de Coimbra e de Leandro Cesar de Carvalho, servidor indiciado por lavagem de dinheiro, está uma anotação em um quadro no inquérito da PF sobre como o Plano de Lavra de 2016 foi considerado satisfatório, “embora utilizasse a recuperação ambiental/PRAD para justificar a extração máxima de produtos”.
O relatório informa ainda que após denúncia de extração ilegal, relatório de fiscalização de novembro de 2017 afirmou não haver lavra ou extração mineral na poligonal da mineradora. “Informação potencialmente falsa ou enganosa, pois o acervo técnico indicou extração ilegal no período da vistoria. Indício de sonegação de dados em fiscalização e facilitação da continuidade da lavra irregular”, destaca o inquérito.
Reprodução relatório da PF
ANM não comenta e AGU informou que abriu processo interno para apurar os fatos
Procurada pela reportagem, a ANM respondeu que “em relação aos nomes mencionados, a agência não comenta o conteúdo de investigações em andamento nem faz manifestações sobre citações constantes de inquéritos policiais”.
E que a posição institucional da agência sobre o caso permanece a mesma do que foi publicado em uma nota no dia 28 de junho. No texto, a ANM informa que Mauro Sousa participou dessas tratativas “exclusivamente como representante institucional da Agência perante o Poder Judiciário e os demais órgãos envolvidos, no exercício das atribuições inerentes ao cargo”.
“Esclarecemos apenas que pareceres e manifestações técnicas produzidos por servidores da ANM são elaborados no exercício regular de suas atribuições legais, com fundamento em critérios técnicos e administrativos”, diz também a ANM em resposta aos pedidos de contrapontos sobre os servidores citados.
Os outros servidores da ANM citados no relatório da Polícia Federal, Fábio Perlatti, Ronaldo de Azevedo Coimbra e Roger Romão Cabral não estão entre os indiciados pela PF. Mauro Henrique Moreira Sousa foi indiciado por advocacia administrativa e associação criminosa.
Após ser procurada pela reportagem no dia 3 de julho, a AGU informou que abriu um processo interno para apurar os fatos neste mesmo dia. “Diante da referida operação da Polícia Federal, a Corregedoria-Geral da AGU abriu, de ofício, análise prévia sobre a existência de potenciais infrações disciplinares cometidas por membros da instituição. Este procedimento é sigiloso”, diz a nota enviada pela AGU.
O relatório da Polícia Federal aponta que Marco Túlio foi o principal articulador técnico da organização investigada. O geólogo ocupava cargos de alta gestão no conglomerado minerário investigado e atuava como diretor de operações técnicas da Empabra e, simultaneamente, apresentava-se profissionalmente como diretor executivo da Fides Mining, mineradora controlada pelo empresário Luis Fernando Franceschini.
A reportagem não conseguiu retorno das tentativas de contato com Marco Túlio Naves de Carvalho por meio dos canais de comunicação da empresa em que atua com Francischini, a Fides Mining. A defesa de Luis Fernando Franceschini disse que não dará declarações nesta fase do processo.
A reportagem não conseguiu contato com Ana Laura Braga de Carvalho ou seus advogados no processo. Ela foi indiciada por associação criminosa, falsidade ideológica ambiental e participação em estratégias para manter a lavra sob aparência de recuperação ambiental.
O espaço para Ana Laura e os demais citados que não conseguiram contrapontos até o fechamento desta edição continua aberto para suas manifestações e alegações.
A empresa pede a retirada de “toda e qualquer menção” ao seu nome no trecho “Do ferro ao lítio” e que o Observatório se abstenha de novas publicações que a associem a ilícitos ou a investigações das quais não faça parte. A Sigma sustenta, ainda, que “não tem, e nunca teve, qualquer relação com a Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta”, nem participou do estudo técnico que embasou a redução da APA Chapada do Lagoão.
O Observatório da Mineração reitera o conteúdo da reportagem e faz três esclarecimentos.
Primeiro: o texto não afirma — nem sugere — que a Sigma seja investigada, indiciada ou integrante da organização criminosa apurada nas operações Rejeito e Parcours. A reportagem descreve a empresa como uma das mineradoras de lítio interessadas na região do Jequitinhonha que seriam eventualmente favorecidas pela redução da área de proteção ambiental, informação de interesse público e apoiada em documentos, a partir de outra matéria publicada em setembro de 2025, “ONG citada na Operação Rejeito pagou estudo que reduziu mais de 50% de APA no Jequitinhonha, favorecendo mineradoras de lítio”.
Segundo: a afirmação da empresa de que “nunca teve qualquer relação” com a Zeladoria do Planeta é contrariada por registro público da própria empresa. Em novembro de 2023 a Sigma Lithium recebeu da entidade um prêmio de “Gestão Ambiental”. A publicação, nas redes sociais da Sigma Lithium, afirma que a mineradora recebeu “com muito orgulho” o reconhecimento concedido “pela respeitada ONG”. A publicação traz na foto Fernando Benício de Oliveira Paula, dirigente da Zeladoria do Planeta, conselheiro do Copam (Conselho Estadual de Política Ambiental) e indiciado pela PF na Operação Rejeito por organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e crime ambiental (documento falso). O Observatório não afirmou que a Sigma tenha contratado ou custeado o estudo que reduziu a APA; a menção diz respeito ao interesse da empresa na região.
Terceiro: esta é a segunda vez que a Sigma recorre à via da notificação extrajudicial contra o Observatório. A primeira, de maio de 2025, motivou repúdio de entidades como a Abraji e a ABA e apurações por MPF, MPMG, DPU e pela Federação Internacional pelos Direitos Humanos (FIDH) sobre a intimidação ao veículo. Nesse intervalo, o Observatório publicou diversas reportagens sobre a empresa sem que ela se manifestasse pelos canais ordinários de assessoria de imprensa.
O Observatório da Mineração, que já registrou na reportagem original a tentativa de ouvir a empresa, reitera que o espaço permanece aberto: manifestação objetiva da Sigma sobre os fatos será integralmente publicada, na forma da prática jornalística.
Também reiteramos nosso compromisso com o jornalismo e reforçamos a importância de que a Sigma, em respeito à transparência e ao debate público, utilize os canais institucionais de relacionamento com a imprensa para prestar esclarecimentos, abstendo-se de recorrer a expedientes que possam consubstanciar assédio judicial ou tentativa inconstitucional de censura e intimidação.
Há uma área em que o Brasil brilha e pode brilhar mais: a matemática. Desde 2018 fazemos parte do seleto "Grupo 5" da União Matemática Internacional, que reúne as nações mais desenvolvidas em pesquisa matemática. Estamos ao lado da Alemanha, da China, dos EUA e da França. Lá, somos o único país do hemisfério Sul.
Leia mais (07/05/2026 - 14h00)
Já escrevi e falei isso tantas vezes. E certamente irei falar outras tantas.
Todos os meus pensamentos correram para isso quando França x Paraguai acabou e um debate feroz se iniciou.
Era uma ode ao Paraguai, alçado a utopia e símbolo da Pátria Grande possível. O sonho de Bolívar redivivo, os defensores del chaco dizendo presente para nos restituir a glória.
O canto dos espoliados, Taiguara, Mercedes Sosa e Silvio Rodrigues numa zaga inexpugnável, a resistência ao ataque do colonizador.
Tinha muito mais.
De repente, textos em profusão com uma sentença: quem não entendeu isso ou teve a mesma leitura, não entende nada sobre esse jogo. Muito mais: não entende nada sobre a vida.
Era Guimarães Rosa torcido até virar o que vira uma história quando se repete: uma farsa.
Parece que entenderam errado o sentido da vida querer coragem da gente.
Talvez tenha faltado Caetano irromper o debate para gritar: “vocês não estão entendendo nada”.
Faltou Caetano falar que sempre que ganhamos desse colonizador nas quatro linhas foi pelos hermetismos pascoais da bola com seus tons e seus dons geniais e não por tapas, simulações e cotovelaços.
Nunca ganhamos do lado de cima do Equador dando tapa, tiro, porrada e bomba.
É assim desde que Pastinha e Bimba ensinaram como drible para ganhar do colonizador. Aquele que trouxe a bola debaixo do braço e perdeu a receita por aqui.
Nunca.
Voltemos a Galeano.
É dele não só a mais poética explicação do que são nossas veias abertas mas também a didática milimétrica para contar como o Uruguai de 50, o time considerado como maior exemplo de coragem e virtude de todos os tempos, deu a maior aula de coragem da história do futebol.
Foi ele que sintetizou os fatos daquele Brasil x Uruguai da Copa de 50.
Enquanto as redes sociais de outrora exaltavam o tapa de Obdulio em Bigode, o tapa que nunca houve e foi criação abjeta da mente de racistas para criminalizar outro preto além de Barbosa, o maestro uruguaio nos contou com breves palavras o que aconteceu em campo. Muito mais do que isso: explicou como uma mentira sobre uma falsa valentia virou ato fundador de um fracasso de décadas.
Foi a partir do mito do “Uruguai valente que por isso ganhou a Copa de 50” que o país vizinho caiu num buraco de anos. Porque achava que futebol era tapa na cara.
“O Uruguai ganhou quando estava perdendo graças à coragem. E cometeu a metade das faltas do Brasil. Naquele tempo, não confundíamos a coragem com as patadas e jogo sujo”. Zizinho corroborava a tese. O Uruguai ganhou porque tinha mais time e jogou mais bola. Ponto.
De sua mesa fixa no Café Brasilero de Montevideu, que, tal como a mesa de Hemingway na Bodeguita não podia ser tocada sem seu convite, adorava falar sobre o tema.
Tinha profundo asco da herança maldita daquela crença de que o Uruguai teria conquistado uma Copa por sua virilidade, rasteiras e tapas que tanto mal fez ao seu país e por tanto tempo mutilou o DNA futebolístico de um país.
Foi nessa mesa que esse mui humilde reportero ouviu isso dele pela primeira vez.
Foi dali que soltou a frase que dava conta de sua tristeza pelas lições de macheza em campo dos conterrâneos que destruíram um jogo tão bonito quanto vencedor. Uma poética sentença:
“Ali ficamos. Ancorados. Ás vezes, a memória atua como âncora, não como catapulta”.
Galeano teve profunda esperança em ver seu amor pelo futebol do país recuperado quando Juan Ramon Carrasco assumiu a seleção em 2003. Exaltava que no primeiro jogo o time fez apenas 10 faltas. E adorou o discurso de Carrasco em defesa da verdadeira tradição uruguaia e não daquela falsificação de coragem. “Parem de sofrer”.
Seguiu feliz quando o Maestro Tabarez assumiu fiel a essa ideia. Tinha razão.
Não foi só o Uruguai que historicamente sofreu com a distorção que agora ressurge na macheza sudaca tuiteira.
A história do futebol continental é também a história da eficiência do jogo jogado sobre a farsa da velha e surrada canção de que futebol raiz é jogo sujo, Libertadores raiz é eficiente…
Observe atento que ninguém aqui está caindo na falsa e infantil defesa de um “jogo bonito”. É sobre jogo jogado sempre ter sido mais eficiente do que jogo sujo ou que “futebol também se ganha no vale-tudo”.
E sim, aqui futebol e política, como em qualquer lugar, andam e sempre estarão juntos.
O auge da convicção de que o jogo sujo é do jogo e ganha jogo veio junto com a “Operação Condor”.
Ao mesmo tempo em que se rasgavam as leis e constituições de países, rasgavam-se as regras do jogo.
Chile, Paraguai, Uruguai. E por aqui também. Foi muito alto o preço do que agora virou exaltação.
E virou papo sobre quem entende o sentido da vida e quem não entende.
Não existe paralelo na história do futebol de alguém que tenha pago mais caro pela convicção de que “futebol também se joga assim/futebol se ganha assim” do que o Chile nos anos Pinochet.
Ninguém pagou um preço mais alto do que o Chile, agora esquecido no ostracismo dos fora de Copa. Por acreditar nesse pretenso e falso “futebol raiz”. Que de raiz nada tem.
Foi o mesmo país que serviu como o primeiro laboratório da história para a implementação do neoliberalismo com seus Chicago Boys tomando as pastas da economia e cortando direitos da população que viveu o extremo maior dessa convicção do vale-tudo no futebol.
Pinochet sabia exatamente sobre a força do futebol como propaganda.
Ganhar a qualquer custo era seu entendimento sobre a bola.
Com seu títere Gordon Cañas, general carabinero na presidência da Asociación Central de Fútbol (ACF), era hora de botar em prática.
Foi o tempo da “Plata Dulce”, do “Caso Paysandu” e da fogueteira Rosemary. Todos com a mesma convicção: valia tudo para ganhar. E com o mesmo final: perderam tudo.
O dinheiro da ditadura jorrando. Valia tudo.
Falsificar passaportes de jogadores da base para a disputa de um sulamericano e ser fragorosamente derrotado.
Os Chicago Boys enchendo o futebol de dinheiro através do Banco Hipotecario de Chile (BHC) para provar que o modelo neoliberal através do futebol-empresa era a revolução e o caminho da vitória. Esperam até hoje os avós das atuais SAFs.
Na era da “Plata Dulce”, valia manipular resultado e até fazer gol sem adversário em campo num estádio transformado em campo de concentração.
O fim foi isso que está aí: a quase morte de um país futeboleiro.
A Argentina não difere.
A junta assassina de Videla queria a vitória a qualquer custo. E teve.
A parte disso que não te contam e também deturpam é que muito mais do que Videla, foi a vitória de um treinador que era a antítese disso tudo.
Que resgatou o DNA de um modo de jogar bola, “la nuestra” e do “toco e me voy”.
Troca constante de posições, triangulações, desmarques imediatos após o passe e circulação permanente. Tudo isso fala muito mais sobre o campo e bola de 1978 do que qualquer crença em ganhar a qualquer custo dos generais. A monumental biografia “Menotti”, de Ezequiel Fernandez Moores te conta melhor sobre isso.
O Brasil de Saldanha e depois de Zagallo também nada tinha de ganhar a qualquer custo. Muito mais do que deles, de Pelé, Tostão e companhia. Definitivamente, a história desse país no futebol é de pernas tortas e não da vitória com tapa na cara e antijogo.
Seria curiosa, não fosse uma distorção quase grotesca a exaltação que anda rolando do discurso pré-jogo de Alfaro no vestiário antes de encarar a França.
Fique claro que se entende o contexto motivacional de um vestiário. Fora dele, tomar como verdade é quase caricatural.
Nas palavras do treinador, de um lado estavam jovens lutando por um prato de comida. Do outro, almofadinhas fúteis em busca de brilhos individuais para se admirarem diante do espelho.
Curioso é que do mesmo Paraguai, antes do jogo, o fascista Chilavert, fã de Pinochet, dizia que “jogar contra a França era jogar contra uma seleção africana”.
Decidam-se.
Paupérrimo quase tocando no patético é falar sobre isso. Sobre uma França de meninos periféricos que lutaram também por mudar de vida como seus pares do outro lado e que sofreram com a hidrofobia dos Le Pen da vida.
Pescados em projetos sociais e, acima de tudo, políticas públicas exitosas que mudaram suas histórias. E a do futebol francês.
São esses os almofadinhas, os que iriam se assombrar como janotinhas bobinhos com a malandragem? Às vezes a gente torce para ser poupado de ver certas coisas…
Franceses vindos no caminho da volta dos pais subjugados em colônias.
Tão vítimas do general francês, o facínora genocida Paul Aussaresses, quanto nós. O Carrasco de Argel, e também do Brasil, do Paraguai, do Chile, da Argentina, do Uruguai…Carrasco dos avós de todos ali de azul.
Curiosa ainda é a exaltação a uma Libertadores mítica onde, para ganhar, era preciso saber jogar sujo.
É que a memória anda falha para alguns. Em alguns casos. Em outros, é só canalhice mesmo.
Nunca ganhamos uma Libertadores com essas armas por aqui. Pelo contrário.
FOI A GENIALIDADE DE ZICO E DE UM TIME DE SONHOS QUE DERROTOU AS PEDRAS NA MÃO DE MÁRIO SOTTO
Foi a genialidade de Zico e de um time de sonhos que derrotou as pedras na mão de Mário Sotto.
E aqui voltamos a Pinochet, a “Plata Dulce” e a velha convicção de que vale tudo para ganhar.
Pouco se fala do heroísmo daquela conquista.
Não, não era um time do outro lado vestindo laranja.
Era a mais pura criação, representação e obra de Pinochet.
Que havia entendido que aqueles protestos contra a ditadura teriam na distração do futebol sua melhor forma de combate.
Um time para cada recanto do Chile e muita plata dulce. Sim, te lembra “onde a Arena vai mal, um time no nacional”. As ditaduras são monotonamente iguais em suas ideias.
Aquele Cobreloa, fruto direto da plata dulce, criado poucos anos antes para que mineiros do grotão do país se distraíssem e não prestassem atenção em “comunistas”, tinha que ganhar.
O zagueiro entrou com pedra na mão. Os jogos foram uma carnificina.
Foi Zico quem avisou: “para ganhar, só tem um jeito: jogar bola”.
Um mês depois dali, teve 3 x 0 no Liverpool, botando os ingleses na roda.
Foi esse mesmo Flamengo que protagonizou o último grande recital do futebol brasileiro em uma Libertadores. O Flamengo de Jesus. Jogando muita bola.
Teve o Fluminense de Diniz também. Sim, tinha Felipe Melo. Mas o que te faz lembrar desse time é o toco e me voy também.
O coitadismo de um Paraguai onde jorra o dinheiro pelas torneiras de Alejandro Dominguez, cada dia mais forte na FIFA, e suas contas secretas no Catar também não faz bem a história do coirmão.
E ninguém aqui está falando, note-se bem, sobre sistemas de jogo, jogar atrás. O próprio Paraguai fez isso contra a Alemanha e bem. Sem tirar a fantasia de malandro. É sobre atitudes. E sobre a velha convicção que deixou o cemitério cheio de malandro: a de que era mais malandro do que a malandragem toda.
O futebol é tão encantador que, de repente se vê um monte de gente, para fechar com Galeano de novo, “teve como coisa mais emocionante da vida atravessar a rua com o sinal aberto” falando que “futebol é sobre isso também, é sobre malandragem, sobre ser mais esperto…”.
Tem também aquele tipo que se acha mais à esquerda do que o Che porque acredita que isso é contra o sistema. Isso. Alejandro Dominguez, Samir Xaud. Todos contra o sistema… Vão ter que entrar na fila e cantar a Internacional todo dia por mil anos. Aí conversamos.
Vai ser um dia agitado em muito playground. Entre uma pipa e outra solta diante do ventilador, vai ter muito menino de gel defendendo que para ganhar vale-tudo. Pior: que o antijogo para ganhar tem que ser assim. Mesmo que a história diga um rotundo não a tudo isso.