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Mal-estar econômico: quando a renda já não dá mais conta - Durma com Essa: Eleições 2026

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Apresentação: Marcelo Roubicek e Mariana Vick
Roteiro: Marcelo Roubicek
Edição de texto: Antonio Mammi
Pesquisa: Victoria Rengel
Edição de áudio: Brunno Bimbati
Produção de arte: Yasmin Menezes
Ilustração: Lua Lopes
Distribuição: Paulo Cantalice e Pedro Bardini
O veneno atravessa a cerca e destrói roças em todo o Brasil
“Mitã opyrõ hatã haguã ko yvyre” é uma reza repetida pelo povo indígena Avá-Guarani durante uma cerimônia importante para o seu nhanderekó, ou “modo de vida”: a apresentação de recém-nascidos para as roças. A frase pode ser traduzida como “para que possam as crianças pisar firmes nessa terra”. “É para que elas consigam se desenvolver sem doença, igual as sementes que vêm resistindo ao longo…
- Vinícius Torres Freire
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Casas Bahia e Habib's fazem país acordar para problema faz meia década no forno
Flávio Bolsonaro chama Lei Maria da Penha de “pedaço de papel”

Episódio já disponível nos principais tocadores de áudio.
Musikilu Mojeed, do Premium Times, estará no 10º Festival piauí de Jornalismo

Um dos convidados é Musikilu Mojeed, editor-chefe do Premium Times, da Nigéria. Ele será entrevistado por Angélica Santa Cruz (piauí) e Pedro Borges (Alma Preta).
Compre seu ingresso em piaui.co/festival2026
- Instituto Socioambiental

- Lançamento do PNL 2050 - Fala de Mariel Nakane, do Instituto Socioambiental (ISA)
Lançamento do PNL 2050 - Fala de Mariel Nakane, do Instituto Socioambiental (ISA)

A inclusão das diretrizes socioambientais no PNL 2050 é resultado de constantes diálogos entre o Ministério dos Transportes e organizações da sociedade civil, como o Instituto Socioambiental (ISA), o Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra) e o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA).
A analista do ISA, Mariel Nakane, avalia positivamente as inclusões da temática socioambiental no novo plano, mas ressalta o desafio de colocá-lo em prática com os projetos que já estão em andamento.
“O PNL 2050 avança no reconhecimento dos riscos socioambientais que têm sido historicamente ignorados no planejamento de transportes, como o risco de desmatamento induzido, por exemplo”, disse Nakane.
“No entanto, o desafio é fazer com que esse plano provoque, de fato, mudanças concretas na política de transportes, que se reflitam na revisão de projetos de alto risco do Arco Norte, como o derrocamento do pedral do Lourenço no Rio Tocantins, a Ferrogrão e as intervenções no Tapajós, todas que ainda não foram consultadas junto aos povos indígenas e ribeirinhos”, avaliou.
Vídeo: Ministério dos Transportes.
Saiba mais: https://isa.to/4g3HOmn
- Instituto Socioambiental
- ONU reconhece iniciativa brasileira Araticum como Referência da Restauração Mundial
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- Instituto Socioambiental
- Conheça as Terras Indígenas reconhecidas pela Funai na região sob pressão da BR-319
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- Instituto Socioambiental
- Audiência pública discute impactos do consumo excessivo de álcool em São Gabriel da Cachoeira (AM)
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- o joio e o trigo
- Cartilha apresenta instrumentos de proteção territorial diante dos mercados de carbono
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À medida que projetos privados de créditos de carbono avançam sobre territórios e governos estaduais criam sistemas jurisdicionais de REDD+, aumentam também as dúvidas sobre os impactos dessas iniciativas nos direitos de povos indígenas, comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares assentados da Reforma Agrária. A cartilha Na floresta tem direitos…
Uma gestora entre o PCC e o Master

Casas Bahia... Braskem...
Trump barbariza o Canadá, Brasil está na fila da agressão
Hoje na História Socioambiental: entenda o que foi o Reformatório Krenak
É biscoito ou bolacha?
O lanche onipresente na despensa brasileira tem uma história cheia de reviravoltas, do monopólio estatal do trigo às fusões e aquisições que concentraram um mercado multibilionário em poucas mãos. Neste episódio, investigamos o que sobra quando o pacote acaba e onde foi parar aquele “gostinho de antigamente”. Entrevistas: Fontes de informação citadas no episódio…
Guia para jornalistas coloca alimentação como prioridade para cobertura eleitoral
A pauta da alimentação conecta algumas das principais questões em disputa nas eleições. Está no preço da comida e na renda das famílias, na saúde pública, no desmatamento, na crise climática, no uso da terra e na definição de quais setores recebem incentivos e recursos públicos. Ainda assim, os sistemas alimentares raramente aparecem como um tema articulado na cobertura eleitoral.
O Berro do Boi #5 - A desossa

Mas a eficiência que impressiona investidores e consumidores também tem um custo. Ao longo da cadeia produtiva, surgem debates fundamentais sobre sustentabilidade, condições de trabalho e influência política.
O Berro do Boi #5 - A desossa

Como Itaituba, polo de garimpos de ouro, virou peça-chave na eleição do Pará
NA ORLA de Itaituba, no oeste do Pará, um garimpeiro de concreto de três metros de altura com uma bateia nas mãos encara o rio Tapajós. A prefeitura instalou o monumento em 2019, durante a gestão de Valmir Clímaco (MDB), para homenagear a atividade que move a economia e organiza a política local. Sete anos depois, o ouro voltou a orientar as alianças da cidade — desta vez, na disputa pelo governo estadual.
De um lado está o grupo do ex-governador Helder Barbalho (MDB), candidato ao Senado e principal articulador da campanha da atual governadora, Hana Ghassan (MDB), que o sucedeu em abril. Em Itaituba, os dois têm o apoio de Clímaco e do deputado estadual Wescley Tomaz (Avante), adversários na eleição municipal de 2024, mas aliados na defesa do garimpo.
Também integra esse grupo o ex-deputado Hilton Aguiar (Republicanos), apresentado em campanhas anteriores como “a voz dos garimpeiros” e candidato a uma vaga na Assembleia.
Do outro está o ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos (Podemos), o Dr. Daniel. Ele escolheu como vice a itaitubense Ellayne D’Almeida (PL), ex-integrante da diretoria de uma cooperativa garimpeira e filha de um dos nomes históricos do setor na região.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de julho mostrou Hana com 24% das intenções de voto no primeiro turno e Dr. Daniel com 20%. No segundo turno, apareciam empatados, com 36% e 35%. Outro levantamento, da Real Time Big Data, divulgado no início de agosto, manteve o cenário: Hana marcou 31% e Dr. Daniel, 29% no primeiro turno; numa disputa direta, ele apareceu com 38% e ela com 36%, também dentro da margem de erro.
A disputa apertada ajuda a explicar por que os dois principais grupos foram garimpar apoio na cidade pepita, como Itaituba é conhecida. Com 62 mil quilômetros quadrados — área superior à da Croácia — e população estimada em 135 mil pessoas, o município é o epicentro da cadeia do ouro no Tapajós.
Placas de “compra-se ouro” dividem as ruas com revendas de escavadeiras, bombas, motores e mangueiras. Hangares, oficinas, postos de combustível, pilotos e transportadoras também vivem do movimento dos garimpos. Em junho, a Assembleia Legislativa aprovou um projeto de Wescley que reconhece Itaituba como “Capital Paraense do Ouro”.
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Barbalho aproxima antigos rivais no palanque de Hana
Na eleição municipal de 2024, Clímaco e Wescley estavam em lados opostos. O então prefeito lançou como sucessor seu vice, Nicodemos Aguiar (MDB), que venceu a disputa. Wescley teve o apoio de Jair Bolsonaro (PL), que gravou um vídeo para sua campanha.
A derrota não afastou o candidato derrotado do grupo vencedor. Seis meses depois, o governo de Barbalho nomeou para a coordenação regional da Secretaria de Meio Ambiente um advogado de cooperativas garimpeiras indicado por Wescley.
Fernando Brandão havia participado de mobilizações contra a destruição de máquinas usadas em garimpos por agentes ambientais e trabalhado na campanha de Wescley à prefeitura. Caçador autorizado de javalis, também publicava nas redes sociais fotografias em que aparecia armado ao lado de animais abatidos, como mostrou a Repórter Brasil.

Wescley confirmou a indicação à Repórter Brasil e afirmou que defendia apenas a legalização da atividade. A mulher do deputado também foi nomeada pelo governo estadual para o cargo de secretária adjunta do Centro Regional de Governo do Sudoeste do Pará. Nas redes sociais, Wescley escreveu recentemente que a parceria com Barbalho e Hana “só fortaleceu” seu trabalho.
Wescley cresceu no Crepurizinho, vilarejo garimpeiro no fim da Transgarimpeira, estrada que parte do distrito de Moraes Almeida, cruza o rio Jamanxim e avança cerca de 150 quilômetros por uma região marcada por garimpos e exploração de madeira. A família do deputado mantém negócios no local: em 2025, o pai assinou contratos com a prefeitura para fornecer energia a uma escola e a um posto de saúde, enquanto um irmão mantém empresa de peças e manutenção de veículos, tratores e embarcações.
A própria biografia de Wescley na Assembleia o apresenta como defensor da “classe garimpeira”. Quando ainda era vereador, ele participou de pelo menos 11 reuniões com órgãos federais e fez 13 viagens custeadas pela Câmara Municipal entre 2019 e 2022, segundo levantamento da Agência Pública. As agendas tratavam de licenciamento, estrutura da ANM (Agência Nacional de Mineração) e interrupção da destruição de equipamentos apreendidos em operações.
Procurado, Wescley questionou a abordagem da Repórter Brasil e não respondeu às perguntas. “O material será sempre com cunho esquerdista que mais desinforma do que informa? Ou será uma matéria imparcial?”, perguntou.
Se Wescley chegou ao grupo de Barbalho depois de perder a eleição, Clímaco é correligionário do ex-governador e voltou à política a convite do principal nome do MDB paraense. No vídeo em que anunciou sua candidatura à Assembleia, Barbalho disse que o ex-prefeito representaria “os produtores rurais, a comunidade garimpeira e todos aqueles que trabalham com a logística portuária”.

Clímaco administrou Itaituba por três mandatos e, ao longo da vida pública, apresentou-se como garimpeiro, madeireiro e pecuarista. Em entrevista ao jornal O Globo, em 2022, afirmou que a prefeitura havia concedido mais de 500 licenças para garimpo e admitiu que sua gestão nunca fiscalizara os empreendimentos autorizados. Disse ainda que era dono de áreas de garimpo e que já havia usado mercúrio para beneficiar mais de 3 mil quilos de ouro.
Consulta da Repórter Brasil à base de autos de infração do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) localizou 28 registros lavrados contra Clímaco e a Madeireira Clímaco, uma das empresas do político, entre 1996 e 2014. Vinte e sete são multas que somam R$ 4,28 milhões em valores originais; o outro registro é uma advertência.
O histórico de conflitos vai além dos autos ambientais. Em junho de 2019, o Ministério Público Federal abriu investigação depois que servidores da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) relataram que Clímaco teria recomendado que moradores da cidade recebessem “à bala” uma equipe encarregada dos estudos de demarcação das terras Munduruku. O então prefeito negou ter ameaçado atirar nos servidores, mas confirmou que impediria a entrada da Funai em sua propriedade.
Menos de um mês depois, a Polícia Federal apreendeu 583 quilos de cocaína, dois fuzis, uma pistola e munições na Fazenda Borboré, reconhecida por Clímaco como sua. As investigações, no entanto, não estabeleceram ligação entre a droga e o político, que negou qualquer envolvimento. O MPF denunciou oito pessoas no caso e não incluiu Clímaco entre os acusados.
Em fevereiro de 2022, quando a Polícia Federal realizava a Operação Caribe Amazônico contra garimpos ilegais que poluíam o rio Tapajós e operavam perto da Terra Indígena Munduruku, Clímaco foi a Brasília pedir a interrupção da ação. Viajou com o deputado federal José Priante (MDB) e foi recebido pelo então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).
No mês seguinte, ganhou repercussão nacional por outro motivo. Durante uma festa, subiu ao palco, apontou para mulheres na plateia e disse que iria “comer mais de 20”. A Justiça determinou que se retratasse e destinasse R$ 40 mil ao Conselho Municipal de Direito das Mulheres de Itaituba. Clímaco posteriormente publicou um pedido de desculpas.
Procurado pela Repórter Brasil sobre os vínculos com o garimpo, as multas e sua atuação durante as operações ambientais, Clímaco não respondeu às perguntas. As campanhas de Hana e Barbalho também foram procuradas, mas tampouco se manifestaram.
Também integra o grupo de Hana e Helder o ex-deputado estadual Hilton Aguiar (Republicanos), irmão do atual prefeito de Itaituba. Ex-vereador da Cidade Pepita, foi secretário regional do governo de Barbalho e, em abril de 2025, assumiu a presidência da Companhia de Portos e Hidrovias.
Na Assembleia, Hilton apresentou em 2022 um projeto para impedir que órgãos ambientais estaduais destruíssem ou inutilizassem bens apreendidos em infrações. A proposta alcançava escavadeiras e outros equipamentos empregados em garimpos ilegais. Na campanha daquele ano, ele foi apresentado como “a voz dos garimpeiros”.
Em uma publicação recente, afirmou que as operações federais atingiam trabalhadores sem resistência e concluiu: “Isso precisa acabar”.
Procurado, Hilton não retornou às tentativas de contato feitas pela reportagem.
Dr. Daniel leva o garimpo para dentro de sua chapa
O principal adversário da candidata apoiada pelo ex-governador Helder Barbalho fez um movimento diferente. Em vez de concentrar os vínculos com o setor em candidatos proporcionais, Dr. Daniel escolheu uma representante do garimpo para a vaga de vice.
Engenheira civil e empresária, Ellayne D’Almeida nasceu em Itaituba e é filha de Ivan D’Almeida, que se apresenta como dono de garimpo e primeiro presidente da Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós. Em agosto de 2024, o Ibama autuou Ellayne por lavra garimpeira de ouro em 13,61 hectares sem autorização. Segundo o auto, o processo minerário da área ainda estava em fase de requerimento na ANM (Agência Nacional de Mineração).
No mês seguinte, ela passou a integrar a diretoria da Cooperativa dos Garimpeiros do Igarapé Missão, registrada em Itaituba para a extração de metais preciosos. Antes de ser escolhida como vice, Ellayne fazia campanha para deputada estadual e coordenava a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) na região da Transamazônica.
Em abril, durante uma sessão na Câmara dos Deputados, o deputado Delegado Caveira (PL) apresentou-a como uma possível liderança para “proteger o Estado do Pará, proteger o garimpeiro, o madeireiro e o produtor rural”.
A Repórter Brasil procurou a assessoria de imprensa da chapa formada por Dr. Daniel e Ellayne. A resposta foi enviada pelo advogado Vinícius Borba, conhecido por defender pecuaristas retirados da Terra Indígena Apyterewa e por tentar organizar a “COP do Agro”, encontro de produtores rurais e políticos criado como contraponto à COP30, no ano passado.
Segundo o advogado, Ellayne negou ter realizado, autorizado ou financiado a extração de ouro. Afirmou que as imagens de satélite usadas pelo Ibama mostram que houve garimpo na área, mas não identificam quem o realizou.
O Ibama, por sua vez, sustenta que uma operação com aquela dimensão não poderia ter ocorrido sem o consentimento do responsável pelo pedido de autorização de exploração do terreno.
Ellayne apresentou defesa em abril de 2025 e pediu a anulação da multa de R$ 29,8 mil, do embargo e da suspensão das atividades. A defesa argumentou que as imagens analisadas mostram alterações iniciadas em 2019, quase quatro anos antes de Ellayne apresentar o pedido de lavra. Os pedidos ainda não foram julgados.
A chapa disse defender a regularização da mineração, o rastreamento da origem do ouro, a redução do uso de mercúrio, a recuperação das áreas degradadas e o combate à lavagem de minério. Também afirmou que a destruição de máquinas deve ser excepcional e que qualquer atividade em terras indígenas e unidades de conservação precisa respeitar a legislação.
Os dois candidatos ao Senado aliados de Dr. Daniel também têm atuação favorável ao setor. Deputado federal desde 2015, Delegado Éder Mauro (PL) apresentou em 2019 projetos para facilitar o licenciamento de pequenos garimpos e permitir a exploração mineral de pequeno porte em reservas extrativistas.
O PL 5.246/2019, que previa licenciamento municipal para lavras garimpeiras de pequeno porte, foi arquivado. Já o PL 5.822/2019 propõe permitir a atividade em reservas extrativistas quando houver previsão no plano de manejo e aprovação do conselho deliberativo da unidade.
Em nota, a campanha de Éder Mauro afirma que mantém a defesa da mineração de pequeno porte em reservas extrativistas quando autorizada pela legislação e pelo plano de manejo, com licenciamento e fiscalização.
O posicionamento diz ainda que quer garimpos formalizados, com CNPJ, trabalhadores com carteira assinada e plano de recuperação ambiental, e que a pauta será uma das bandeiras de sua campanha ao Senado. Para o deputado, é preciso “descriminalizar o garimpeiro que trabalha”.
Já o senador Zequinha Marinho (Podemos), candidato à reeleição, é autor do PL 2.973/2023, que permite a lavra garimpeira em áreas já destinadas à pesquisa de outro mineral, desde que haja viabilidade técnica e econômica para as duas atividades. Em 2025, ele também apoiou na Comissão de Direitos Humanos do Senado um projeto para regulamentar a exploração mineral em terras indígenas.
Em 2019, o senador acompanhou integrantes da Cooperativa de Garimpeiros e Mineradores de Ourilândia à ANM e pediu agilidade na análise de pedidos de lavra. A Cooperouri foi posteriormente investigada pela Polícia Federal por suspeita de legalizar ouro retirado da Terra Indígena Kayapó. Zequinha não foi alvo da operação e afirmou à Repórter Brasil que havia apenas solicitado a análise regular dos processos protocolados.
A assessoria de Zequinha foi procurada, mas não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem.
Candidatas indígenas confrontam o consenso pró-garimpo

Em um cenário político amplamente ligado aos interesses de garimpos e mineradoras, duas candidaturas indígenas seguem caminho oposto no oeste do Pará.
Alessandra Korap Munduruku (PT) disputa uma vaga na Câmara dos Deputados; Auricélia Arapiun (PSOL), uma cadeira na Assembleia Legislativa. As duas construíram suas trajetórias políticas justamente no enfrentamento ao garimpo, à mineração e a grandes projetos que avançam sobre o Tapajós.
Nascida em Itaituba, na aldeia Praia do Índio, Alessandra se tornou uma das lideranças Munduruku mais conhecidas fora do Brasil. Foi a primeira mulher a coordenar a Associação Indígena Pariri e ganhou, em 2023, o Goldman Environmental Prize, uma das principais premiações internacionais dedicadas a ativistas ambientais. Parte do reconhecimento veio de sua atuação contra projetos de mineração que incidiam sobre o território Munduruku.
A candidatura cria uma contradição dentro do próprio campo político em que Alessandra está inserida. O PT participa da aliança de Hana e ocupa a vaga de vice com o deputado estadual Dirceu Ten Caten, enquanto Clímaco e Wescley pedem votos para a mesma governadora. Alessandra, porém, rejeita justamente a atividade defendida pelos dois aliados locais.
“O garimpo precisa ser combatido, não tratado como desenvolvimento. E, numa eleição, o voto também é uma arma para dizer que esse modelo não pode continuar”, afirmou à Repórter Brasil.
Para a Assembleia, Alessandra apoia Auricélia, liderança indígena do Baixo Tapajós que disputa a eleição pelo PSOL. Ao contrário de Alessandra, ela está fora da aliança governista e integra o campo da candidata ao governo Araceli Lemos (PSOL). Sua relação com Barbalho tem sido marcada pelo confronto.
Em 2023, Auricélia viralizou nas redes ao dizer, diante de outras lideranças indígenas, que o então governador estava “com as mãos sujas de sangue”. Na ocasião, relacionou políticas ambientais e omissões do Estado às mortes de defensores dos territórios, à contaminação por mercúrio e à falta de atendimento de saúde.
Neste ano, Auricélia foi uma das principais articuladoras, ao lado de Alessandra, da ocupação do terminal da Cargill em Santarém. Cerca de 60 indígenas de 14 povos entraram inicialmente na área sem estrutura, água ou alimentação.
A mobilização cresceu até reunir centenas de pessoas e durou 33 dias, com assembleias, cozinhas coletivas, bloqueios e até a interceptação de uma embarcação carregada de grãos no Tapajós. O protesto terminou depois que o governo Lula revogou o Decreto 12.600/2025, que abria caminho para conceder à iniciativa privada as hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
A partir dessa trajetória Auricélia trata o garimpo não como uma atividade econômica isolada, mas como parte de um modelo de ocupação da Amazônia. “Temos que defender nossos rios, nossos peixes, que estão contaminados e envenenando nosso povo”, afirma.
O mercúrio utilizado para separar o ouro da lama alcança os rios, entra nos peixes e chega ao organismo de quem depende deles para viver. Uma pesquisa da Fiocruz e do WWF-Brasil realizada em três aldeias do Médio Tapajós encontrou o metal em todos os 200 participantes examinados; em 57,9%, a concentração estava acima do limite de segurança adotado no estudo.
Dados parciais apresentados pela Fiocruz em 2025 mostraram que gestantes Munduruku estavam expostas, em média, a concentrações cinco vezes superiores ao limite de segurança estabelecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), segundo o Ministério Público Federal.
A Repórter Brasil já mostrou aldeias Munduruku, no interior de Itaituba, onde médicos, agentes de saúde e famílias tentavam entender por que crianças nasciam com malformações ou apresentavam atraso no desenvolvimento, enquanto adultos relatavam tremores, fraqueza e cegueira. A principal linha de investigação era a exposição ao mercúrio, como mostrou a reportagem “A floresta doente”.
Nota da redação: a reportagem foi atualizada às 13h27 de 26/08/2026 para corrigir a informação de que o ex-deputado Hilton Aguiar apoiava a candidatura de Dr. Daniel ao governo do Pará. Aguiar declarou apoio à governadora Hana Ghassan e ao ex-governador Helder Barbalho, candidato ao Senado.
25 anos investigando para mudar.
A Repórter Brasil já ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.
Em 2026, fazemos 25 anos — e vem muito mais por aí!
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