Normal view

Big Noise

I’m Dan Piraro, the creator of the Bizarro newspaper comic, and this is my weekly blog post. The large Sunday comic above is mine, as are all of the below-cartoon comments to follow. 

Since January 2018, the Monday-Saturday Bizarro comics have been written and drawn by my comics partner, Wayno. For more fun, check out Wayno’s weekly blog post.

And here’s this week’s ANSWER KEY to my Sunday comic’s Secret Symbols.


Season’s greetings, Jazz Pickles. No, it isn’t Christmastime yet—thank Santa—but it is still a season, and I greet you.

Gulliver’s Travels was a favorite story of mine as a kid. I loved how it inspired me to think of the highly relative nature of size. Quite naturally, it is easy to unconsciously assume that the starting point for size is us, and that anything smaller is “small,” and anything larger is “large.” 

A couple of seconds is all you need to realize how misleading that can be. Compared to us, an ant is small, but compared to the Grand Canyon, we are smaller than an ant’s turd.

To envision your size relative to the Earth, imagine a ball with a diameter that reaches from Seattle to Baltimore—30% larger than our moon. If it were sitting atop Kansas (it would crush everything beneath it, but that’s not the point), its equator would stretch from California to the East Coast.

Now imagine the period at the end of this sentence on a ball that size, and you’ll be approximating the size of a single human relative to the Earth. 

That’s why, for millions of years, humans thought the Earth was flat. Where you’re standing, it doesn’t look like a globe, but even on a flat, featureless plane, you’re only seeing 0.0000157% of the surface. To the period in my example above, it would be as if it were in the middle of a dinner plate sitting on Mercury.

At this scale, it is impossible to get a sense of the sphere on which we spin. To do that, you’d have to observe the movement of other celestial bodies and understand what that implies, and watch tall ships slipping below the horizon as they sail away, and be smart enough to figure out what all that meant. That was well beyond the capabilities of common Homo sapiens for a very long time, and still is. 

However, why so many modern humans in possession of cell phones that work because of satellites orbiting this globe still think the Earth is flat is beyond even those brilliant early astronomers. More evidence that not every member of a species evolves at the same rate, I guess.

I’ll add that I’m not nearly as smart as those who figured out the world is round before space travel was possible. I would never be able to figure that out on my own had I not benefitted from the knowledge of so many much smarter people before me. I’m just not smart enough.

But I am smart enough to know that others are smarter than I am, and therein lies the key to why trusting experts is essential: most of us are dumbasses, but there are geniuses among us willing to help keep us from shooting ourselves in the face. One big trick to success in life is being smart enough not to refuse their help.

And that’s the reason that those who wish to dominate a society with authoritarianism routinely denounce experts and encourage people to disparage them. Once the masses distrust experts, they are living in a bubble of ignorance in which they will believe any nonsense you repeat often enough. 

Anthony Fauci knows this very well, as do all of the scientists, medical professionals, academics, historians, and other invaluable experts who’ve lost their jobs or research funding since January of 2025.

Surely you didn’t think I’d make it through an entire post without going there.


Now let’s turn those frowns upside down by seeing where Wayno’s week of Bizarro cartoons goes…

In today’s world, unless you’re already a billionaire, that seminar isn’t going to do anything but remove a few more bucks from your pocket.

I submitted a similar comic years ago with the caption: The Princess and the Pee. My editor at King Features felt it was too coarse to publish. Shows you how much times have changed since the spoiled potty-mouth has been in office.

“Trump.”

“Where do you see yourself in five years?” “Grappling with hormonal forces.”

You just know they’re going to pee in that fountain before they leave.

They’d sleep better if they didn’t read that stuff.


That concludes another week of running poolside with scissors, Jazz Pickles. If you’re enjoying our free content each week, please recommend it to your friends and consider helping us keep it that way via the links below. We promise not to pee in your fountain out of gratitude.

The Naked Cartoonist…My every-other-week creative-writing subscription service.

Limited edition, signed & numbered prints of BIZARRO CARTOONS, and some ORIGINALS!

Bizarro TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!

WAYNO’S TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!

My (free) graphic novel in progress, PEYOTE COWBOY.

Watch my PITCH VIDEO and become a supporter of Peyote Cowboy here.

Super fun BIZARRO SWAG from ComicsKingdom, including women’s V-neck styles! (And some weird shit from other comics that doesn’t even belong in our shop. Sorry about that.)

Nara Leão fazia muito barulho na surdina

“Não é verdade que a bossa nova nasceu em minha casa. Não nasceu, nem poderia nascer na casa de ninguém. Minha casa era somente um dos pontos de pessoas que gostavam da mesma música, e tinham os mesmos problemas em relação à música brasileira, calcada em boleros e música americana. As gravadoras não davam acesso à nossa verdadeira música: o samba de morro, maxixe, maculelê e outros ritmos nacionais.

Com o desenvolvimento econômico do país, foi sacudido por um forte sentimento de nacionalismo. Até então, qualquer coisa brasileira ou feita por brasileiros era considera feia, indecente ou de mau gosto. Paralelamente a este desenvolvimento econômico, houve o desenvolvimento cultural.  Começou uma maior solicitação para se fazer uma arte brasileira. A nacionalização da nossa arte.

Dessa necessidade, resultaram bossa nova, cinema novo e a afirmação de novas formas de arte. A essa altura Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Carlos Lyra, se reuniram para fazer uma música nova, embora muito influenciado pelo jazz, muito ouvido por eles. Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes já faziam um samba que nada tinha a ver com o samba tradicional.  João Gilberto aparecia com um novo ritmo, influenciando toda uma geração de cantores. Era samba de branco, dizia-se.

O samba começa a ser feito por pessoas que tinham acesso à cultura. A forma do samba mudou, modernizando-se. O problema do intérprete era: conseguir o melhor som que ele pudesse. Elevou-se à enésima potência a preocupação da forma. O resultado disso, depois de esgotados os esquemas, foram músicas bonitas mas sem sentido. Em favor de uma constante abusiva das palavras flor e passarinhos. Eram cortadas as que consideradas fora de moda correspondiam ao exato sentido da letras que se pretendia.

II

“A bossa nova que se apresentava como como movimento renovador – e foi até determinado momento – tornava-se caduca, acadêmica. Este problema foi superado por alguns autores que atualmente têm a preocupação e ouvir e se deixar influenciar por compositores populares. Carlos Lyra procura em Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e Cartola ideias para suas composições, estes, por sua vez, se inspiram em Carlos Lyra. Baden Powell busca seus temas nos samba de roda e capoeira. Moacir Santos revê em sua composição sua infância no Maranhão (sic).”

(…) também da parte de alguns letristas há a preocupação de fazer letras que atinjam público maior, e dizer coisas importantes a esse público. Ha a consciência de que a nossas música pode servir como veículo de informação. É o que acontece com a música de Zé Kéti, João do Vale. Retratam uma época, uma região, seus problemas, seus costumes. A bossa nova começa a perder seu caráter intimista para, com esses autores sofrer uma renovação (…)”

Texto transcrito da revista O Cruzeiro, de agosto de 1963. Nara Leão, praticamente, a vida inteira procurou desfazer a lenda de que a bossa nova nasceu na sala do apartamento dos seus pais, num dos edifícios mais requintado na Avenida Atlântica,

O valor da vergonha

Há anos uma cena me persegue. Vou narrá-la aqui de uma vez porque, se não o fizer agora, jamais farei. Eu tinha 11 anos. E havia conseguido, com algum jogo de cintura infantil, uma colega de escola que tinha em casa computador e impressora. Foi um achado e tanto, pois estávamos em 1995 e eu morava com minha família em Vitória, capital do Espírito Santo. Eu estava empolgado, afinal iria ter em mãos algo muito precioso: uma cópia impressa e “profissional” do meu primeiro livro – uma história de assassinato inteiramente plagiada do Edgard Allan Poe de Assassinatos da rua Morgue. Meses antes, o professor de literatura tinha feito uma leitura dirigida dessa história, adaptada para o público infantojuvenil, que muito me fascinou. A partir dali, decidi criar minhas próprias histórias de terror.

Havia, entretanto, um pequeno detalhe: a colega que faria a impressão me cobrou um valor simbólico pelo trabalho – não me lembro exatamente quanto –, de modo que precisaria conversar com meu pai sobre o pagamento. Ele prontamente topou. Mas, no dia combinado para a entrega do livro, não tinha o dinheiro. Na época, o ganha-pão familiar era um esquema de preparo de pizzas e lasanhas caseiras que meu pai, recém-saído de um infarto fulminante, vendia nos prédios comerciais do centro da cidade. Ele me sugeriu oferecer uma lasanha congelada como pagamento pelo serviço. Aquilo me devastou. Fui imediatamente inundado pela vergonha.

Alguns lapsos de memória se sucedem até uma lembrança derradeira dessa história: estou com o livro impresso em mãos. Eu o atiro à lixeira, como que para deitar fora minha grande vergonha. Desse instante eu me lembro em detalhes: a cor da lixeira, a textura do papel encadernado – vergonha sobre vergonha, a colega tinha até mandado encadernar o impresso, de modo a dar a ele um ar de livro. Precisava me livrar daquilo. A vergonha foi o instrumento mais eficaz que encontrei.

Conto esse caso porque me parece um ponto de entrada honesto para o que me proponho a fazer aqui: pensar o conceito de vergonha nas escritas autoficcionais de Annie Ernaux, Édouard Louis e Didier Eribon, três autores franceses que acompanho de perto. É importante destacar que não falarei da vergonha como fraqueza ou pecado, tampouco como coisa a ser superada. Interessa-me pensar a vergonha como estrutura. Como sintoma. A vergonha como aquilo que, uma vez nomeado, começa a se tornar matéria do saber.

O episódio dos meus 11 anos ressurgiu como memória sensorial durante a leitura de A vergonha,1 quando a menina de 12 anos protagonista do livro de Annie Ernaux vai a um colégio de freiras e percebe pela primeira vez, na geometria dos quartos das coleguinhas, no vocabulário das professoras, no modo como a própria língua circula naquele espaço, que há um mundo para o qual ela não tem passaporte. O mesmo se passou com Didier Eribon, décadas antes de mim, no corredor da universidade. A mesma sensação viveu Doudou (apelido que dei a Édouard Louis com a intimidade que a leitura autoriza) no pátio da escola de Hallencourt, onde virar a bunda para ser sodomizado era o preço para não ser espancado.

Esses três textos, essas três trajetórias, essas três vergonhas, com localizações e histórias distintas, me chegam com uma familiaridade e uma força que não são puramente de ordem literária. É também clínica, no sentido mais amplo e menos confortável da palavra, um sentido inextricavelmente político. Essa vergonha é de tal modo íntima que ainda me custa articulá-la sem que a voz falhe.

David Bernard abre o ensaio Lacan e a vergonha2 com uma constatação só aparentemente simples: embora a vergonha seja uma experiência humana fundamental, ela ocupa um lugar marginal na teorização psicanalítica. O próprio Freud preferiu mergulhar nas águas da culpa. A culpa tem a vantagem de ser moral, de ter uma lei, um agente identificável, o supereu como árbitro. A vergonha, em contrapartida, é mais suja. Ela não precisa de nenhum ato. Ela não exige transgressão. Basta um simples olhar.

Com elegância e alguma audácia, Bernard nomeia esse empreendimento como “vergontologia”. Não se trata apenas de um estudo sobre a vergonha, mas de uma ontologia dela, uma investigação sobre seu estatuto estrutural na constituição do sujeito. A vergonha, no esquema lacaniano que ele recupera e elabora, é o afeto que irrompe quando o sujeito percebe estar sendo visto no ponto mais “ín(ex)timo” de si mesmo. Bernard usa esse neologismo lacaniano para nomear o paradoxo, o ponto ao mesmo tempo mais íntimo e mais estranho, mais dentro e mais fora, o que mais nos pertence e mais nos é alheio.

Diferentemente da culpa, que remete ao ato da transgressão de uma lei, a vergonha remete ao ser. Não fiz algo proibido, sou algo inadequado. Não transgredi uma norma, encarno uma falta. Essa distinção, que em Freud não chega a constituir um eixo teórico próprio, é o coração do projeto de Bernard. A vergonha não é um efeito moral. É um efeito escópico: nasce do olhar do Outro que me captura e me fixa. Essa constatação teórica me leva a uma pergunta: então, quem seria esse Outro? É aqui que Eribon entra, e entra com força.

Leitor voraz de Bourdieu, Sartre, Foucault e, nos últimos anos, leitor de si mesmo com uma coragem que me deixa sem ar, Eribon não discordaria de Bernard. Mas acrescentaria: se, para Lacan, o olhar é uma estrutura que excede o outro empírico, esse olhar se encarna historicamente. Tem classe. Tem gênero. Tem raça. Tem orientação sexual. Tem a cara da vizinha no bairro operário que sussurra quando você passa. Tem a cara do professor de faculdade que ergue uma sobrancelha quando você não sabe a pronúncia correta do nome de um filósofo alemão. Tem a cara da cultura legítima, como Bourdieu tão precisamente chamou o sistema de gostos e disposições que separa aqueles que pertencem daqueles que precisam de ingresso para entrar.

Em A sociedade como veredito,3 Eribon formula a ideia da hontoanálise – a análise da vergonha como método autobiográfico e político. Não se trata de uma psicoterapia da vergonha, mas de uma arqueologia: de onde veio essa vergonha? Quais estruturas sociais a produziram? O que a mantém? O que permite que ela se inscreva no corpo como marca duradoura, e não como simples sentimento passageiro? É uma pergunta que Eribon, em Retorno a Reims, formula com uma honestidade brutal a respeito de si mesmo: “Por que eu, que escrevi tanto sobre os mecanismos de dominação, nunca tinha escrito sobre a dominação social? […] Por que eu, que atribuí tanta importância ao sentimento de vergonha nos processos de subjugação e de subjetivação, não tinha escrito quase nada sobre a vergonha social?”

Eribon é um trânsfuga de classe, filho de trabalhadores de Reims que se tornou um dos intelectuais mais lidos da França. Essa vergonha tem uma topologia particular. É uma dupla vergonha. A vergonha diante do mundo de chegada, quando se percebe que falta algo: o capital cultural, o sotaque certo, os gestos aprendidos na infância, o nome da prima do primo do filósofo. E a vergonha diante do mundo de partida, da casa paterna onde o trânsfuga passa a ser o traidor que foi embora para a capital, ficou refinado demais, se tornou alguém que os pais não reconhecem. Dois lados de um mesmo corte que não fecha.

O que Eribon acrescenta ao quadro lacaniano é fundamental: o armário social. Assim como o armário sexual, dispositivo que ele conhece por dentro, o armário social é uma estrutura de dissimulação das origens. Num dos momentos mais lúcidos de Retorno a Reims, ele escreve que sua saída do armário sexual coincidiu com a entrada em um armário social. A vergonha de classe, que ele aprendeu a gerir pela dissimulação, espelha a vergonha sexual que ele aprendeu a gerir pelo silêncio. São duas vergonhas que não se cancelam. Se somam.

De maneira análoga, quando eu engoli aquela lasanha como forma de pagamento por meu trabalho intelectual, eu já estava, sem saber, dentro dessa topologia. Estava envergonhado diante dos que chegaram ao mundo das letras sem ingresso, que não precisaram de convite, porque o lugar, la place, não era meu por direito hereditário. Tudo isso quem me ensinou foi a vergonha.

*

Gostaria de voltar a Ernaux, porque é nela que a cena inaugural da vergonha aparece com a clareza mais devastadora. Em A vergonha, publicado em 1997, a autora narra dois eventos que marcaram o ano de 1952, quando tinha 12 anos. O primeiro: uma cena de violência doméstica que testemunhou entre seus pais e até então não conseguira narrar. O segundo, e este é o que mais me interessa aqui: o dia em que foi ao internato das Ursulinas de Yvetot e descobriu, na geometria dos objetos no quarto das coleguinhas burguesas, uma forma de existir no mundo que lhe era completamente inacessível. A própria cena inaugural do livro já é, em si, uma declaração do que a vergonha faz ao corpo: “Meu pai tentou matar minha mãe num domingo de junho, no começo da tarde”.

Uma frase curta. Sem moldura. Sem preparação. É assim que a vergonha opera: ela não avisa. Ela irrompe. E Ernaux reproduz isso na própria sintaxe do texto – uma frase que te pega desprevenido, exatamente como a cena pegou a menina.

Mais adiante, depois de catalogar o universo social que constituía sua infância normanda – o café-mercearia dos pais, a escola particular católica, os códigos de conduta da clientela –, ela escreve: “Ali tínhamos deixado de pertencer à categoria das pessoas corretas, que não bebem, não batem umas nas outras e se vestem de modo adequado para ir à cidade. […] Eu me tornei uma pessoa que não merecia a escola particular, sua excelência e perfeição. Entrei no território da vergonha.”

“Entrei no território da vergonha.” Não é uma sensação. É uma jurisdição. Um espaço com fronteiras, leis, consequências. E ela acrescenta, numa das frases mais densas do livro: “A vergonha se tornou, para mim, um modo de vida. No fim das contas, já nem percebia sua presença, ela estava em meu próprio corpo.”

“Modo de vida.” “Em meu próprio corpo.” Bernard, com Lacan, dirá isso de outra forma: o grito mudo no abdômen, a dorzinha traiçoeira. Ernaux diz isso com a frieza e a intimidade que são sua marca de estilo. Ela aponta para a vergonha como se aponta para um espécime entomológico: aqui está, vejam, isto existiu, isto tem forma e cor e cheiro. E é exatamente por não chorar que seu texto me fez chorar.

O método que Ernaux propõe é nomear com precisão: ser etnóloga de si mesma. Autoetnografia não é autocomiseração. É arqueologia. É, nas palavras dela, a busca pelas linguagens que a constituíam para, a partir delas, decompor e remontar, ao redor da cena daquele domingo de junho, o texto que compunha seu mundo. A hontoanálise de Ernaux não dissolve a vergonha. Pelo contrário, torna a vergonha visível no interior do sistema de forças que a produziu.

Édouard Louis opera em outro registro que também me interessa. Se Ernaux tem o distanciamento da pesquisadora de si mesma, Louis tem a febre juvenil. Tem a urgência de quem narra para não morrer. Em Mudar: método,4 narra sua transformação radical: a mudança de nome, a eliminação do sotaque, as cirurgias, a ascensão como reinvenção pessoal. É um texto que começa com uma constatação que soa como um diagnóstico clínico: “Eu tinha vinte e um anos e já era tarde demais, já tinha vivido demais – tinha conhecido a miséria, a pobreza na infância”.

“Tarde demais.” O tempo da vergonha não é o tempo do relógio. É o tempo da inscrição no corpo. E o corpo, em Louis, é o lugar por excelência da vergonha. Um corpo que não consegue fingir, não consegue performar a virilidade que o ambiente exige, um corpo que denuncia o que você é antes que possa dizer quem você quer ser. A vergonha de Louis não começa com um ato. Começa com um insulto: “Desde os primeiros anos da minha vida o problema foi diagnosticado: […] por que o Eddy fala assim, igual a uma menina, mesmo sendo menino? […] Viado. Aos cinco ou seis anos entendi que essa palavra me definiria e me acompanharia pelo resto da minha existência.”

É a nomeação que Eribon, via Sartre, identifica como o gesto inaugural da vergonha social: ser chamado de algo que você não escolheu ser e ter que habitar essa identidade ou lutar contra ela pelo resto da vida. Em Louis, a vergonha da sexualidade e a vergonha da classe são indissociáveis. Ele compreende isso quando entende que o insulto não agia isolado. O insulto, ele escreve, fazia com que todo o resto fosse insuportável para si: a pobreza, o estilo de vida. A exclusão obrigou-o a inventar um sistema próprio de valores. E desse sistema nasceu a vingança como motor: “Eu queria vencer para me vingar”.

Seis palavras. Nelas está condensada toda a topologia da vergonha como o motor subversivo de que fala Eribon. A vergonha que imagina uma alternativa, concebe um mundo diferente do que encontrou e, por isso, pode, paradoxalmente, mover. Vencer para se vingar não é ressentimento. É uma forma brutalmente honesta de dizer: o que fizeram comigo não vai ficar sem resposta.

O que me comove em Doudou – no sentido físico, de mover, de deslocar – é que ele não narra com ressentimento. Ele narra com uma perplexidade furiosa. Como se ainda não acreditasse inteiramente que aquilo aconteceu. Como se a escrita fosse a única forma de verificar: aconteceu, sim, aconteceu de verdade, eu não inventei, meu corpo guarda a memória disso.

Há um dado que me persegue desde que o encontrei. Contei – com uma obsessão que meus alunos reconheceriam facilmente, pois faço esse tipo de coisa em aula com assombrosa frequência – quantas vezes a palavra “vergonha” aparecia nas obras dos três: nas 11 obras de Ernaux lançadas no Brasil, nas sete do Doudou, nas três do Eribon. Com exceção de Monique se liberta, todas as demais registram ao menos uma ocorrência. Duzentas e noventa entradas. A palavra que, segundo Lacan, ficávamos calados demais para pronunciar foi pronunciada 290 vezes.

Em Ernaux, 101 vezes. Em Doudou, 95. Em Eribon, 94. Esses números, que eu poderia tratar como dado frio, são para mim algo mais perturbador: a evidência de que o silêncio foi rompido. São a prova de que a escrita de si, quando é de fato literária, ou seja, quando aposta na forma, na linguagem, na fricção da palavra, não é biscoitagem, não é a confissão vazia do Instagram, nem desejo de seguir a moda da vez. É um ato com consequências.

A palavra “vergonha”, em francês, tem uma história que Bernard recupera a partir do dicionário Littré, e que me parece incontornável aqui. Vergogne, a forma mais antiga, era, na Idade Média, um termo nobre. E a primeira definição que o Littré oferece é esta: “Terme autrefois très noble et qui aujourd’hui est devenu familier”. Um termo outrora muito nobre que hoje se tornou popular. Trânsfuga de classe semântica, diria Eribon. A vergonha desceu na vida, é do seu lugar popular, familiar, que ela hoje fala. E familier em francês tem a mesma raiz que “família”. A vergonha está atada ao que vem de casa.

Ernaux, Louis e Eribon nascem dentro dessas famílias que a língua nobre não alcança. É de dentro dessas famílias que eles escrevem. E por isso a vergonha é o afeto que mais retorna nos seus textos: porque é o afeto que marca o instante em que o mundo lhes disse que eles não pertenciam nem ao lugar onde estavam, nem ao lugar de onde vieram.

Preciso dizer aqui uma coisa que vai contrariar uma certa leitura desses textos. Não estou, de modo algum, propondo que Ernaux, Louis e Eribon escreveram para superar a vergonha. A ideia de que a escrita de si é uma forma de cura, que, depois de escrever A vergonha, Annie ficou bem, que depois de O fim de Eddy Doudou resolveu seus traumas, é uma leitura que empacota esses textos como autoajuda e os esvazia completamente da sua potência literária e política.

David Bernard é preciso nesse ponto. A vergonha não é simplesmente um sofrimento a ser eliminado. Em certas circunstâncias clínicas – aqui eu acrescento, por que não, em certas circunstâncias literárias também –, a vergonha assinala um ponto de real: algo que escapa à fantasia e às identificações defensivas. Livre dessas identificações, ela pode funcionar como operador da verdade. Não se trata de se livrar da vergonha, mas de aprender com ela, de deixar que ela aponte para o ponto que o sujeito preferia não ver. Ou não escrever.

*

A vergonha já é uma revolução, diz Eribon em A sociedade como veredito, retomando as palavras de Marx. Ou seja: sentir vergonha de algo já pressupõe que você concebe uma alternativa. Quem não tem alternativa não sente vergonha, sente resignação. A vergonha, paradoxalmente, é o afeto do sujeito que já imaginou um mundo diferente do que encontrou. É o afeto do potencial subversivo.

Mas a vergonha, claro, pode também paralisar. Pode produzir retraimento. Pode alimentar silêncio. Pode fazer com que o filho operário engula a lasanha com angu, como eu fiz. Pode fazer com que o gay adolescente modifique seus gestos e sua voz no espaço público, como Doudou fez. A tensão entre a vergonha como um operador de subjetivação e a vergonha como um afeto mortificante atravessa os três autores. E é nessa tensão que reside a potência literária desses textos.

O que os três fazem, com variações de temperatura e de estilo, é transformar o silêncio imposto pela vergonha em palavra. E não qualquer palavra. Ernaux com sua precisão clínica. Doudou com sua febre narrativa. Eribon com sua arqueologia crítica. Três gestos distintos diante do mesmo afeto. Três maneiras de romper o cômodo silêncio nomeado por Lacan. Bernard sugere que a psicanálise pode escutar a vergonha como sinal de um ponto de verdade. A literatura, diria eu, pode fazer o mesmo. Com a diferença de que o ponto de verdade que a literatura nomeia não é apenas do sujeito singular que escreve. É social. É histórico. É de todos os que leram e reconheceram, na vergonha do outro, a geometria da sua própria vergonha.

Volto aos números porque eles me parecem uma imagem bonita do que estou tentando dizer. A palavra “vergonha” 290 vezes em 20 obras. Não é efusão. Não é catarse. É insistência. É o sinal de que a vergonha não se dissolve na escrita, ela retorna, em turbilhão. Eribon e Bernard chegam ao mesmo objeto por caminhos distintos. Eribon pelos determinismos sociais: quem envergonha, por que envergonha, em nome de que ordem simbólica a vergonha é produzida. Bernard pela estrutura do sujeito falante: como o olhar captura, como a imagem falha, o que aparece quando a imagem falha. São diagnósticos do mesmo fenômeno que diferem nas causas, e talvez a lição mais valiosa do diálogo entre os dois seja exatamente esta: a vergonha é social e estrutural, o real que ela aponta não se reduz nem a um nem a outro, a subjetividade não existe fora das condições sociais que a produziram e as condições sociais não existem fora dos sujeitos que as habitam. Ernaux, Doudou e Eribon são três testemunhos dessa irredutibilidade. Três escritores que se recusaram a escolher entre a psicanálise e a sociologia, entre o íntimo e o político, entre o singular e o estrutural. Três escritores que apostaram na linguagem como o lugar em que essas tensões jamais se resolvem, fazem apenas morada.

*

Em 2024, durante o julgamento de Mazan – falo aqui do caso de Dominique Pelicot, que drogou a esposa por anos e a entregou a dezenas de homens para que a violassem enquanto ela dormia –, Gisèle Pelicot retomou uma frase atribuída a Gisèle Halimi, célebre advogada feminista. Ao fazer isso impactou o mundo, não porque a frase fosse inesperada para quem acompanhava o debate, mas porque veio de onde as frases custam mais caro: do interior de um horror pessoal que ela não escolheu, num julgamento que ela quis público e que encarou com o rosto descoberto, olhando direto para as câmeras. A frase foi: “A vergonha deve mudar de lado”.

Seis palavras. E nelas está condensada toda a arqueologia que Eribon, Ernaux e Doudou percorreram por décadas de escrita. Porque a vergonha, como estrutura, tem um mecanismo perverso: ela se instala sempre do lado errado. Ela se instala no corpo da mulher violada, não no do agressor. Ela se instala no filho do operário que não sabe pronunciar o nome do filósofo, não no do professor que o constrange. Ela se instala no gay adolescente cujos gestos denunciam o que ele é, não nos que decidiram que esses gestos eram motivo de punição. A vergonha, como Bourdieu mostrou ao catalogar os mecanismos da distinção, é um instrumento de dominação que se inscreve nos corpos dominados como se fosse um dado natural, uma falta intrínseca, uma inadequação irremediável.

O que Ernaux fez com o corpo exposto da mãe que aparece de camisola na porta da mercearia, o que Louis fez com o corpo que não consegue performar a masculinidade operária, o que Eribon fez com o armário social que duplica o armário sexual: todos eles, à sua maneira, fizeram o mesmo que Gisèle Pelicot. Tentaram mudar a vergonha de lado. Tirá-la do corpo que foi constituído como inadequado e devolvê-la ao sistema que produziu essa inadequação.

É aqui que se torna incontornável o recorte de classe, gênero e sexualidade. A vergonha não é democrática. Não é igualitária. Ela recai com mais peso sobre os corpos que o sistema já marcou como inferiores. O corpo da mulher que não cabe no padrão da castidade. O corpo do homossexual cujos gestos denunciam o desvio. O corpo do filho da classe trabalhadora que faz transações financeiras em lasanha. Esses corpos não erram, eles são o erro. É isso que a vergonha ensina a eles, é isso que a vergonha deve parar de ensinar. Isso é o que Ernaux, Louis e Eribon fizeram. Duzentas e noventa vezes, e contando.

Isso, a meu ver, é também literatura.

*

Eu disse no início que joguei meu livro na lata do lixo. Que engoli tudo com lasanha. Duzentas e noventa vergonhas me ensinaram que nomear não é curar. Que escrever não é superar. Que a vergonha permanece, estrutural e histórica, inscrita no corpo e produzida socialmente. Mas que há, no meu gesto de escrever sobre ela, alguma coisa da ordem de um ato. Não um ato de redenção. Um ato de recusa ao silêncio que ela impõe.

Volto à lata de lixo onde jazem minhas palavras encadernadas. Quais eram os detalhes do meu romance policial? Quem era o protagonista? Quem foi morto naquela história? Honestamente, não sei mais. O texto foi engolido junto com a vergonha. Ficou preso em algum lugar entre o estômago e a garganta, onde as coisas que a vergonha paralisa ficam guardadas, indigeridas.

Entretanto, aqui estou, décadas depois, escrevendo sobre a vergonha. Escrevo com os instrumentos que Ernaux me deu: a coragem de analisar sem autocomiseração. Com a febre de Louis que me contagiou: o entendimento de que o corpo não mente. Com o método que Eribon me ofereceu: a arqueologia que transforma o afeto em saber. Com a nitidez que Gisèle Pelicot trouxe: a vergonha deve mudar de lado.

O post O valor da vergonha apareceu primeiro em revista serrote.

To Be or Not To Be Dazzled

I’m Dan Piraro, the creator of the Bizarro newspaper comic, and this is my weekly blog post. The large Sunday comic above is mine, as are all of the below-cartoon comments to follow. 

Since January 2018, the Monday-Saturday Bizarro comics have been written and drawn by my comics partner, Wayno. For more fun, check out Wayno’s weekly blog post.

And here’s this week’s ANSWER KEY to my Sunday comic’s Secret Symbols.


Howdy, Jazz Pickles. It’s nice to imagine your face again.

Let’s start with a quick mention of my Naked Cartoonist creative writing project. I posted a story yesterday titled “Life With a Hand Up Your Butt” that is all about puppets, Muppets, and humanity. Here’s an excerpt:

“We may think puppets are nothing more than children’s toys, but I’m fascinated by the power they wield over us psychologically. Though we know they are not alive, we can easily be mesmerized by them, buying into their feigned words and movements until we are fully captivated by a construction of fabric scraps or wood. In a clever ventriloquism act, it is the puppet that has us in stitches, not the human.”

One of the many cartoons featured in the article

You’ll laugh, you’ll cry, you’ll take a nap afterward to recover your strength. For $5 a month (less than a Starbucks coffee), you can read all my weird musings and help to support my work as a creative kook trying to make the world a smarter and funnier place. 

Thanks to all of you who subscribe. You are deeply appreciated.


Item #2 this week: I’m happy to see that a certain government admitted there was never any vandalism of the Lincoln Memorial Reflecting Pool, and that the problems it experienced were due to the crappy contractor hastily hired.

This comes as a surprise to a vanishingly small percentage of Americans. Most of us have already realized that anything the bullies who’ve taken over our junior high school say cannot be trusted.

Sadly, the Antifa Algae & Boxknife Terrorism Ninjas will now have to look for another target—maybe Lake Michigan or the Great Salt Lake. Of course, they’re going to need a bigger boxknife.


Finally, I have a correction for last week’s post. That cool house shown in the photo below, which I reported was in San Luis Obispo, is actually in Santa Barbara, California. Thanks to the several Jazz Pickles who pointed that out.

Olive Oyl does all the driving on these road trips, while I gaze out the windows in a haze of reverie, barely knowing what day it is or where I am. It’s a necessary reboot of my otherwise busy mind.


Time now to reboot our chuckle buttons with Wayno’s Bizarro comics from the week…

Unfortunately, I have the real kind, although I think it may have helped me write cartoons.

I tried this compliment on Olive Oyl, but she didn’t like it. It may only work on people with those circular stickers on their head and chest.

That’s the only kind I’d attend, not out of modesty, but because I have a sensitive gag reflex.

I’m pretty sure I’ve been to that show.

Frankenstein’s monster, made of multiple people's parts, is a metaphor for us all, genetically speaking.

I hate to have to tell those little men that book will not tell them where to find little women.


That concludes this week’s chuckle chapter, Jazz Pickles. We hope you enjoyed our silly scribbles and comments. If you did, please consider helping us keep this page free of charge and ads via the links below. We’ll dance in gratitude like giddy leprechauns.

The Naked Cartoonist…My every-other-week creative-writing subscription service.

Limited edition, signed & numbered prints of BIZARRO CARTOONS, and some ORIGINALS!

Bizarro TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!

WAYNO’S TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!

My (free) graphic novel in progress, PEYOTE COWBOY.

Watch my PITCH VIDEO and become a supporter of Peyote Cowboy here.

Super fun BIZARRO SWAG from ComicsKingdom, including women’s V-neck styles! (And some weird shit from other comics that doesn’t even belong in our shop. Sorry about that.)

Don Quixote: The First Modern Novel

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In The Man Behind the Curtain, Tom McCarthy and Thomas Jones examine great novels in terms of the systems and infrastructures at work in them. For their first episode, they turn to the book that invented the modern novel. Don Quixote, the ingenious man from La Mancha, is thought to be mad by everyone he meets because he believes he’s living in a book. But from a certain point of view that makes the hero of Cervantes’ novel the only character who has any idea what’s really going on. Tom and Tom discuss the machinery – narrative, theoretical, economic, psychological and literal (those windmills) – which underpins Cervantes’ masterpiece.

To listen to all our Close Readings series, subscribe:

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In other podcast apps: https://lrb.me/closereadingsyt

ABOUT THE LRB

The LRB is Europe’s leading magazine of books and ideas. Published twice a month, it provides a space for some of the world’s best writers to explore a wide variety of subjects in exhilarating detail – from culture and politics to science and technology via history and philosophy. In the age of the long read, the LRB remains the pre-eminent exponent of the intellectual essay, admired around the world for its fearlessness, its range and its elegance.

As well as essays and book reviews each issue also contains poems, an exhibition review, ‘short cuts’, letters and a diary, and is available in print, online, and offline via our app. Subscribers enjoy unlimited access to almost 15,000 articles in our digital archive. Our website features a regular blog and a channel of audio and video content, including podcasts, author interviews and highlights from the events programme at the London Review Bookshop.

Why the Tories are happy about Burnham

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'The Tories are incredibly optimistic. They're all saying two-party politics is back.'

Sienna Rodgers of the House magazine talks to James Butler and Stephen Bush about Andy Burnham's first week, on the LRB Podcast.

Find the full episode: https://youtu.be/xEeTmoDENOo

Subscribe to the LRB and get up to 75% off the cover price: https://www.mylrb.co.uk/

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Andy Burnham's First Week

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Andy Burnham’s early promises to end rough sleeping and sort out social care won’t surprise anyone who’s followed his political career, but his apparent interest in the structures of Whitehall was less expected. To discuss what we know so far about the direction of Britain’s new government, James is joined by Stephen Bush of the Financial Times and Sienna Rodgers of the House magazine. They talk through what the exclusions from Burnham’s cabinet reveal about his political intentions, and why the tax and spending plans inherited from the last government might push him to call a general election next year.

Read the latest LRB: https://www.lrb.co.uk

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Homer's Odyssey is not 'historically authentic'

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'The are things the Odyssey does that are not things that Nolan specialises in, such as dialogue.'

Emily Wilson, translator of the Odyssey, discusses Nolan's film on the LRB Podcast: https://youtu.be/onDDNKHXMTA

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Tauras Adomavičius ‎– Prisiminimas (FULL EP, easy listening / jazz-funk, Lithuania, USSR, 1984)

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Artist: Tauras Adomavičius
Album: Prisiminimas
Year: 1984 (Recorded in 1983)
Genre: jazz-funk, easy listening
Country: Lithuania, USSR
Label: Мелодия – С62 20473 002

Conductor – A. Končius (tracks: A1, B2)
Orchestra – Lietuvos Televizijos Ir Radijo Lengvosios Muzikos Orkestras (tracks: A1, B2)
Trombone – Tauras Adomavičius

Tracklist:
A1 Pjesė
A2 Muzika Tikiu
B1 Milžinai
B2 Prisiminimas

The Odyssey is about not going anywhere

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'The goal of the travels is for Odysseus to get back to where he started, to achieve something parallel to Penelope's weaving.'

Emily Wilson, translator of the Odyssey and the Iliad, talks about Homer's poem and Christopher Nolan's film on the LRB Podcast: https://youtu.be/onDDNKHXMTA

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Light or Dark?

I’m Dan Piraro, the creator of the Bizarro newspaper comic, and this is my weekly blog post. The large Sunday comic above is mine, as are all of the below-cartoon comments to follow. 

Since January 2018, the Monday-Saturday Bizarro comics have been written and drawn by my comics partner, Wayno. For more fun, check out Wayno’s weekly blog post.

And here’s this week’s ANSWER KEYto my Sunday comic’s Secret Symbols.


Hello again, Jazz Pickles, or for the first time, stranger.

My partner Olive Oyl and I returned this week from our two-week sojourn up the coast of Southern California. We visited various family members and friends along the way, and, before heading back to Mexico, we spent a couple of days in San Luis Obispo, a charming little town in Central California that we wish we could afford to live in. 

It’s not that San Luis Obispo is a gated community for millionaires, but these days, you have to be a millionaire to live in any city in the US that O2 and I would want to wake up in daily. Prices on everything from gas to groceries, and housing to antifa algae-propagating supplies have gone crazy since the Führer Wannabe “lowered prices on day one.” Lucky us. 

Here are some photos that do not capture the highlights of our trip.

This atypical house is in a typical residential neighborhood of San Luis Obispo, and I think it’s really cool.

Left: Two human constructions and some tiny humans. Right: Two seagulls with three legs.

Left: A few minutes from San Luis Obispo is Morro Rock Beach. Not sure how it got its name. Right: Olive Oyl points at the Pacific Ocean in Malibu.

O2 and me too.

Thanks for caring about what Wayno and I do here each week. If you’d like to help us scrape by in these tough times, we hope you’ll consider some of the links at the end of this post. We appreciate your readership and your support.


This seems like a great time to review one of Wayno’s rare thematic weeks of Bizarro cartoons…

He would probably enjoy the proverbial train at the end of the tunnel, too.

Okay, son, but don’t be careful.

This drawing is as close to an Oscar as Wayno or I are likely to get despite our convincing portrayals of slackers doing our best to avoid Walmart jobs.

Have you spotted the theme of this week’s cartoons yet?

Even a dummy can see it coming.

One point in favor of self-driving cars is that they don’t text or check email while driving.


That concludes this week’s crash course for dummies, Jazz Pickles. If you enjoy that we do this for free each week, please consider helping us keep it that way via the links below. We’ll put in a good word for you with the head of Antifa.

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Odyssey translator Emily Wilson on what Nolan's Odyssey is missing

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It could be argued that Christopher Nolan has been remaking the Odyssey for his whole career, and his latest film revisits many of the themes of his earlier movies, as once again a male protagonist embarks on a desperate quest to recover a female love object. But, as Emily Wilson argues, while Homer’s Odyssey might seem the perfect source material for Nolan, the ancient Greek poem also excels at many things the director isn't so good at, not least dialogue and characterisation.

Wilson, who has translated both the Odyssey and the Iliad, joins Thomas Jones to talk through the new adaptation, discussing its echoes of Nolan’s earlier films and his use of the Trojan Horse as a parable about wars built on lies. They also look at the compositional history of Homer’s poem and consider why this archetypal journey narrative is also a story about stasis and the desire to resist time.

Read Emily's review of The Odyssey film here: https://lrb.me/wilsonodysseyyt

Listen to Emily and Tom's Close Readings episode on the Odyssey here:

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Spotify: https://lrb.me/odysseyspotify
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ABOUT CLOSE READINGS

Close Readings is a multi-series podcast subscription from the London Review of Books which looks at different periods and themes in literature through selections of key texts, covering poetry, fiction, history and philosophy from Ancient Greece to the present day.

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The Palantir myth

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'Palantir present as at the cutting edge of everything. The reality of what they actually do is so different. They don't build things, they're not at the cutting edge of AI.'

Peter Geoghegan talks to Thomas Jones about Palantir's origins, rapid rise and expansion into the British state, on the LRB Podcast.

Watch the full episode: https://youtu.be/usR9lZoXaqY

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Palantir and the NHS: How a Silicon Valley Firm Took Over Britain's Health Data

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The US tech giant Palantir ‘holds public contracts worth hundreds of millions of pounds in everything from financial regulation to local government’, Peter Geoghegan and Lucas Amin wrote recently in the LRB. The newsletter where they work, Democracy for Sale, ‘has been looking into Palantir’s business in the UK, and particularly its contracts with the NHS’. On this episode, Peter joins Thomas Jones to discuss the company's origins, rapid rise and expansion – with the help of Peter Mandelson – into the British state. They talk about the risks of handing our most personal data over to a company whose billionaire founders have poured millions into right-wing political campaigns in the US, and ask whether the software’s actually any good at doing what it promises.

Read Peter Geoghegan and Lucas Amin on Palantir: https://lrb.me/palantirpod

Subscribe to the LRB: https://lrb.me/youtube

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