Daily Cartoon: Wednesday, August 26th
O jornalista Dave Marsh (um grande da crítica de música dos 60 e 70, falecido na semana passada) escreveu um ótimo livro sobre Louie Louie, o único grande sucesso do grupo de garagem The Kingsmen, em 1963. E que só não chegou ao primeiro lugar na Billboard porque foi barrada por uma freira belga com Dominique, seu único sucesso (um mega hit no Brasil). Sœur Sourire (“Irmã Sorriso” em Francês) madre da ordem dominicana compôs uma canção pop folk pra São Domingos, que foi sucesso mundo afora. No Brasil, no original, e na versão de Giane (por Paulo Queiroz).
Louie Louie completa 70 anos em 2026, só perdendo em quantidade de regravações pra Yesterday, dos Beatles, e Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius. Foi composta e lançada, em 1956, por um jovem de 21 anos, Richard Berry, sem sucesso. Ele venderia, em 1959, os direitos da música por 750 dólares.
Com apenas três acordes (copiados mais tarde em dezenas de canções), letra boba, Louie Louie começou, de repente , a ser regravada, por tudo o que foi de bandinha de garagem, e por superstars. Dos Beatles a Bruce Springsteen, de Julie London a Jimi Hendrix, dos Beach Boys ao White Stripes, todo mundo gravou, e ainda grava Louie Louie. Há discos inteiros cujo repertório são de versões de Louie Louie.
Até Edgar J. Hoover, chefão do FBI, colocou agentes especialistas em decifrar códigos e mensagens subliminares pra perscrutar a letra da música, denunciada como pornográfica. Talvez uma artimanha comunista para contaminar a juventude americana. Espalhou-se que se escutavam as obscenidades caso o compacto, em 45 rpm, fosse rodado em 33 rotações. Adolescentes gastaram muitos disquinhos (e acumularam calos na mão) de tanto tocar o compacto em 33 .
Se você conhece Pobre Menina (versão de Hang on Sloopy, de The McCoys), de Leno & Lilian, Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, ou Twist and Shout, do Isley Brothers (dos primeiros sucessos dos Beatles), todas se valem dos três acordes de Louie Louie, os mesmos da canção mexicana La Bamba, talvez a inspiração para Richard Berry. La Bamba foi gravada a primeira em 1938, e de tornou sucesso nos EUA, vinte anos depois com Richie Valens.

I’m Dan Piraro, the creator of the Bizarro newspaper comic, and this is my weekly blog post. The large Sunday comic above is mine, as are all of the below-cartoon comments to follow.
Since January 2018, the Monday-Saturday Bizarro comics have been written and drawn by my comics partner, Wayno. For more fun, check out Wayno’s weekly blog post.
And here’s this week’s ANSWER KEY to my Sunday comic’s Secret Symbols.
Bienvenido, Pepinillos de Jazz.
That’s Spanish for “welcome, Jazz Pickles.” I’m visiting my family in Oklahoma this weekend, haven’t spoken any Spanish for a few days, and didn’t want to get rusty. Use it or lose it, as they say. Nobody wants to lose their pepinillos.
So I’m visiting my dad, who is about to complete his 91st year on this brutal planet, and up until recently, everything was going pretty well. My mom left a few months ago, and Dad says he’s more than ready to join her. But the body sometimes refuses to leave politely all at once and prefers to fall apart slowly, piece by piece.
That’s where my dad is these days. He feels trapped in an increasingly broken department-store mannequin. The mind and body he’s always trusted to come up with words to express his thoughts and movements to get him where he wants to go are now routinely raising a metaphorical middle finger to his desires.
He’s frustrated but hasn’t lost his sense of humor, and is still able to laugh in between bouts of complaining. A visit with Dad these days is a bit like a Rodney Dangerfield routine.
He regularly tells me that if he believed in suicide, he’d be gone by now, but he insists on leaving “on God’s schedule.” I warned him that with that attitude, if there is no god, he may live forever, but he remains undaunted in his determination to wait it out. I offered to slip something into his drink when he wasn’t paying attention, and he looked at me side-eyed with a wicked smile.
Yesterday, I went to visit one of my favorite teachers from high school, Darryl Goode. He’s 88 and spent his life directing who knows how many high school theater productions, some award-winning. I was in a few of them in the mid-70s.
Darryl was a creative, open-minded, free-thinking teacher the likes of which I’d never known in any other quarter of my life. He taught us how to express ourselves with both enthusiasm and discipline, wowing the crowd, but keeping our egos in check; no small accomplishment with a herd of hormone-crazed teenagers.
We had a heartfelt visit yesterday, and I told him how important he’d been to my development as a creative being, and how, had it not been for him, I’d have doubtless been a different person. I could’ve easily chosen a different career, and ended up in a cubicle or behind a counter somewhere doing a job that kept me watching the clock, yearning to escape. (I had quite a few of those before I bamboozled my way into a cartoon career.)
I’m convinced that had there been no Darryl Goode in my life, there would have been no Bizarro, so you regular readers have him to thank, too.
Left: Darryl Goode and me now. Right: Darryl standing in front of a theater backdrop that I drew in 1976. (Crayon on canvas)
Now the mushy part: Darryl and I agreed yesterday that every life is interconnected with every other. We have no idea how far every one of our words and actions reverberates, nor the dominoes they set in motion. I like thinking about that and realizing that we’re not just living through history; each of us creates it, a molecule at a time.
Be good to someone today and every day, and change the fucking world. Lord knows it needs it.
Let’s find out what history Wayno created with his latest Bizarro comics…
He’s either discovered a way to float, or a pill that works the opposite of Gas-X.
My dad could’ve written this one.
This is why cartoon buildings rarely survive earthquakes.
If you don’t get this one, you may be either too young, or an eediot.
I can’t help but recall her famous words, “Too soft. Too hard. Just right.”
I’m so crappy at math that I don’t even understand this cartoon.
That’s all I got for this week, Pepinillos de Jazz. I gotta run off to breakfast with my sisters and brothers-in-law now. If you’re digging the groovy vibes we’re laying down here for free, please consider helping us keep it that way via the links below. We’ll be so damned grateful!
The Naked Cartoonist…My every-other-week creative-writing subscription service.
Limited edition, signed & numbered prints of BIZARRO CARTOONS, and some ORIGINALS!
Bizarro TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!
WAYNO’S TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!
My (free) graphic novel in progress, PEYOTE COWBOY.
Watch my PITCH VIDEO and become a supporter of Peyote Cowboy here.
Super fun BIZARRO SWAG from ComicsKingdom, including women’s V-neck styles! (And some weird shit from other comics that doesn’t even belong in our shop. Sorry about that.)

Aldir Blanc completaria 80 anos em 12 de setembro. A Biscoito Fino antecipa-se e, nessa sexta, 21 de agosto celebra o poeta lançando o álbum Salve Aldir!, do Equale, refinado grupo vocal carioca, responsável por outros louvados tributos, a Milton, Gil e Dorival Caymmi.
Neste tributo faz uma imersão nas muitas parcerias de Aldir, que era quase sempre letrista, e traz algumas pérolas pouco conhecidas de sua lavra. Assinadas com Djavan, Cristovão Bastos, Sueli Costa, Moacyr Luz e Maurício Tapajós. Claro, boa parte do repertório é de parcerias com João Bosco.
Viva Aldir! tem como convidados Cristóvão Bastos, Guinga, Ilessi e Marcos Sacramento, e foi produzido por André Protásio, Flavio Mendes e Tom Andrade. Oportunidade de conhecer o Equale, dos melhores grupos do gênero no país, nos palcos desde 1990.
REPERTÓRIO
01) Comissão de Frente/Ronco da Cuíca [João Bosco/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Arranjo vocal: André Protásio
Violão: André Protásio
Baixo elétrico: Leandro Vasques
Percussões: Davidson Ilarindo e Tom Andrade
02) Êxtase (feat. Marcos Sacramento) [Djavan/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Artista convidado: Marcos Sacramento (voz)
Arranjo vocal: André Protásio
Pandeiro: Tom Andrade
03) Chá de Panela [Guinga/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Arranjo vocal: Flavio Mendes
Violão: Flavio Mendes
Baixo elétrico: Leandro Vasques Percussões: Davidson Ilarindo
04) Navio Negreiro (feat. Guinga, Ilessi) [Guinga/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Artistas convidados: Guinga e Ilessi (vozes)
Arranjo vocal: André Protásio
Percussões: Tom Andrade
05) Resposta ao Tempo (feat. Cristóvão Bastos) [Cristóvão Bastos/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Artista convidado: Cristóvão Bastos (piano)
Arranjo vocal: André Protásio
Baixo acústico: Leandro Vasques Percussões: Davidson Ilarindo
06) Altos e Baixos [Sueli Costa/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Arranjo vocal: Katarina Assef
Violão: Flavio Mendes
Baixo acústico: Leandro Vasques Percussões: Davidson Ilarindo
07) Coisa Feita [João Bosco/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Arranjo vocal: Taiana Machado
Violão: André Protásio
Baixo elétrico: Leandro Vasques
Percussões: Davidson Ilarindo e Tom Andrade
08) Corsário [João Bosco/Blanc]
Vozes: Equale
Arranjo vocal: André Protásio e Flavio Mendes Violão: Flavio Mendes
Percussões: Tom Andrade
09) A Nível de… (feat. André Protásio) [João Bosco/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Arranjo vocal e solo: André Protásio
10) Profissionalismo é isso aí [João Bosco/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Arranjo vocal: Dalton Coelho
Violão: Dalton Coelho
Baixo elétrico: Leandro Vasques
Percussões: Davidson Ilarindo e Tom Andrade
11) Nação [João Bosco/Aldir Blanc) Vozes: Equale
Arranjo vocal: Dalton Coelho Violão: Dalton Coelho
Baixo elétrico: Leandro Vasques
Percussões: Davidson Ilarindo e Tom Andrade
12) Querelas do Brasil (feat. Muiza Adnet, Flavio Mendes) [Maurício Tapajós/Aldir Blanc] Vozes: Equale
Solos: Flavio Mendes e Muiza Adnet (vozes)
Arranjo vocal: Flavio Mendes
Violão: Flavio Mendes
Baixo elétrico: Leandro Vasques
Percussões: Davidson Ilarind

“Ramones (Sire), pode ser, ou não, o melhor disco do ano até agora, mas seja qual for seu destino – bom ou ruim – terá repercussões que interessarão a qualquer um que ame o rock and roll”. Início da resenha de Paul Nelson, na revista Circus, do disco de estreia do Ramones, em julho de 1976. Aquele LP que o resenhista considera que passa a falsa impressão de simples, com 14 faixas curtas, pouco polidas tratava-se do mais subversivo disco desde que Elvis Presley lançou, pela Sum Records, sua versão de That’s All Right, de Arthur Big Boy Cruddup, 22 anos antes.
Na segunda metade dos anos 70, o rock estava rico, autoindulgente, as bandas e estrelas mais badaladas não diferiam muito dos adolescentes de dentaduras de comerciais de dentifrícios, que invadiram a cena depois que Elvis foi servir o exército em 1958, Vendiam muito, enchiam os cofres das gravadoras, que permitiam-lhes extravagâncias, rios de dinheiro para fazer um disco como lhes aprouvessem.
“Nos últimos cinco anos o custo médio para produzir um álbum subiu de 25 mil para 50 mil dólares. Estimativas modestas, ambas. Até o disco do Ramones, o disco mais barato em que posso pensar foi o disco No More No Less, do Blue Bush (Mercury), que custou 12 mil dólares, e isto porque o estúdio onde foi gravado pertence, em parte, à gravadora, que cobrou um preço bem baixo por hora de uso.
Por outro lado, eu sei de fontes seguras que um disco, de uma banda americana bem famosa custou mais de 600 mil dólares. A 100 dólares por hora, custo médio dos estúdio, isto dá 6 mil horas de gravação. Ou 250 vezes 14 horas. Oito meses a 16 centavos por minutos… Meu ponto é que ninguém precisa gastar 600 mil dólares para gravar um disco de rock. É obsceno, mesmo que o artista possa bancar.
Ramones custou 6.400 dólares, e foi feito em menos de uma semana. E é tão bom quanto, Chega tão perto do verdadeiro espirito do rock na roll do que o de 600 mil dólares. Se a Sire vender 15 mil discos o grupo vai ganhar dinheiro. E já que são tão baratos, continuarão a fazer discos a custos razoáveis, sem sofrer pressões para se tornarem superstars ou debandar.
Acreditem ou não, é preciso coragem para uma banda gravar um disco por 6.400 dólares. Alguns podem achar uma piada. Mas o Ramones não é nenhuma piada… Vamos torcer para que Joey, Johnny, Tommy e Dee Dee acordem alguém antes que um LP médio custe cem mil dólares. E algum babaca torre 1 milhão em dez músicas que soem feito pílulas de dormir de aço inoxidável”.
Paul Nelson (faleceu em 2006) era um dos principais jornalistas de música americanos desde o início dos 60. Tinha um texto admirável. Focou no custo da gravação do disco Ramones, porque o rock, há 50 anos, tornara-se flatulento, limado, sem arestas. É provável que o disco que diz ter custado 600 mil dólares seja o Tusk, do Fleetwood Mac. Depois de ter vendido toneladas do álbum Rumours, recebeu sinal verde da gravadora pros gastos. Gravou um disco duplo, que não emplacou, e foi o começo da descida da rampa pra banda. Eis que o Ramones chegou apontando o caminho, que não passava pela autoestrada, mas por uma picada segura, e que encurtou o caminho para o rock voltar a incomodar.

I’m Dan Piraro, the creator of the Bizarro newspaper comic, and this is my weekly blog post. The large Sunday comic above is mine, as are all of the below-cartoon comments to follow.
Since January 2018, the Monday-Saturday Bizarro comics have been written and drawn by my comics partner, Wayno. For more fun, check out Wayno’s weekly blog post. And here’s this week’s ANSWER KEY to my Sunday comic’s Secret Symbols.
Welcome, Jazz Pickles, pickles with other musical preferences, and non-pickled cukes of all kinds.
Promoting myself always feels vain and narcissistic, and I hate it, but these days, if you don’t, you slowly disappear like an ice cube in your pocket. So I’ll say a tiny little something about my graphic novel in progress, Peyote Cowboy, and mention a way you can help me get it published that will only cost 30 seconds of your time.
My latest episode is getting rave reviews, so I want to share a few of them. I’m over the moon that so many people liked it so much.
Wow, Dan! This one is an on-the-edge-of-your-seat thrill ride! Thank you! —Bob
Awesome! I'm so excited to see where we'll be going in the next few episodes! —Tyler
Stunningly vivid illustrations. —Jeff
Fantastic art! —Beth
Yow! —Cass
DAYUM, I hate it when each episode ends, but this one more than most! —Ernest
Holy shit! —Kay
Amazing. Wonderful. Excellent. Fan-Tas-Tic! —Stephen
This is a really great one! You have really outdone yourself with the graphics and your concept of the world beyond. You have a bestseller with this one. —Tracey
I have no opinion about your story. I am an illiterate fictional monkey. —King Kong
Some smartass wrote the one for King Kong, but the rest are real.
When I finish the art, I’ll be approaching publishers, and I hear that these days, if you don’t have a large following online and a big mailing list, they won’t even look at what you’ve got.
Here’s how you can help that won’t cost you anything:
Have a look at my story and, if you don’t hate it, join my Peyote Cowboy free email list. You’ll get an email each time I post a new episode, which lately has been about once a month. I won’t sell your info and won’t bug you constantly, but I will appreciate your help. You can count on it.
You Jazz Pickles are the best!
Let’s find out now what Bizarro cartoons the best partner I could ask for, Wayno, imposed on the public this week…
“How would you qualify yourself in five years?”
Wait until he meets a dung beetle.
Spoiler alert: In the end, he checks into a roach motel and dies.
Move along now, before you expire on my couch.
For an accountant, he sure gets a lot of tail.
Mmmm. Snow pie.
Thus concludes our cheesy chucklefest, Jazz Pickles. Please consider helping us keep the giggles coming, free of ads and paywalls via the links below. We’ll imagine your face and kiss you like a basket of puppies in gratitude.
The Naked Cartoonist…My every-other-week creative-writing subscription service.
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Num sábado à noite, curtindo a leve ressaca pós programa Mesa de Bar, de Wagner Gomes (CBN) em homenagem a Maciel Melo, teço loas ao YouTube, onde achei a trilha do filme You’ve Got to Walk It Like You Talk It, filme obscuro de Peter Locke, de 1971, mas realizado entre 1969 e 70.
Não sei se o filme vale a pena ver. Ele só ainda é lembrado por causa da trilha, assinada por dois músicos então desconhecidos, Walter Beck e Donald Fagen que, no ano em que o filme foi às telas ,fundaram umas das mais refinadas e cultuadas bandas americanas, a Steely Dan.
Essa trilha é o disco perdido do duo. Tive em CD de origem duvidosa, sem informações, comprado num camelô em Paris, acho que em 2000. Nem sei que fim levou. A trilha soube de uma biografia da banda, mas não fui atrás. Esta semana li sobre num artigo no Substack. Hoje fui procurar pra escutar.
Walter Beck e Donald Fagen gravaram tocando, guitarra e baixo, o primeiro, teclados, o segundo. Com eles, na outra guitarra e percussão Denny Diaz, futuro colaborador do Steely Dan (e parceiro em sete das oito faixas da trilha), John Discepolo na bateria.
O filme sumiu. Recebeu péssimas críticas, e nunca foi relançado, ao menos oficialmente (tem no São Youtube). A trilha está no Spotify, mesmo assim a música tem altos e baixos, Interessa mais por ser o embrião do Steely Dan. Aqui e ali, lampejos do talento e engenhosidade de Becker e Fagen, como em … Roll Back The Meaning. Em 1972 eles estrearam como grupo, com o disco Can’t Buy Me A Thrill. Um clássico.
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Audio by Sound Legacy
Michelangelo takes a chunk of rock from a mountainside and turns it into a heart-wrenching depiction of a mother grieving over the lifeless body of her son; Jackson Pollock tapes a canvas to the floor and splatters paint all over it. Are they both “art”?
The Pietà, left; the floor of Jackson Pollock’s studio, right.
As a teenager, I had a button on my jacket that said, “If your mom likes it, it isn’t art.” I still admire the rebellious nature of that expression, but how true is it?
Michelangelo’s mother loved his Sistine Chapel ceiling (or so she told me during an acid trip I took in high school), as have many millions of people for over 500 years.
On the other hand, Google says Pollock’s mother was an artist and his biggest champion until he began doing his drip paintings, which she called “craziness.”
Maybe Pollock also had that button and just kept experimenting until his mother disapproved. It certainly paid off for him financially, but will people be drawn to Pollock’s drop cloths in 500 years?
For my money, Renaissance Mike’s mom had better taste. What do you think?
Is Some Art Bullshit?
Distinguishing “good art” from “bad art” is a bottomless pit of subjectivity.
Unlike most articles on this topic, I’m neither going to defend modern art nor rip it a new one, as much as I’d sometimes like to. Instead, I’ll just poke fun at it with comics and let you decide. In the end, that’s what art is anyway: a personal preference.
We are all different, and nothing demonstrates that better than art.
I don’t mean to say that all modern art is not to my liking, far from it. But after a successful 40-plus-year career in comics and fine art, I’m no longer afraid to say that some of the emperors of the art world have been buck naked. That’s just my opinion, which is worth far less than a Jackson Pollock painting.
What Is Art?
That’s a trick question, because the topic is too broad to be defined in any useful way.
Are you familiar with “conceptual art”? That’s when the idea of the work takes precedence over the visual thing that represents it. A very famous example is a banana taped to a wall.
The original banana taped to a wall was sold at a Sotheby’s auction in New York for $6.2 million. (True.) That makes it “art.” The photo above is a replica taken by someone who taped a banana to their fridge as a reminder to eat less meat. That makes it satire.
Conceptual art comes in innumerable forms and often exists primarily as a challenge to what people think art is. And for me, that’s where it gets interesting.
Though I couldn’t care less about the taped banana as “art,” the fact that it was taken seriously enough to be auctioned at Sotheby’s goes a long way toward proving that art can’t be defined. It could be anything created by any human. Or not. Who knows?
So, a more practical question is, “What do you look for in art?”
Now we’re getting somewhere.
Many people want art to be pretty. That’s how Thomas Kinkade made enough money to spend $6.2 million on a piece of fruit taped to a wall (though he was not the person who did that).
Others are more interested in what art means than what it looks like.
And some, like the yahoo who bought the world’s most expensive banana, use art to show how rich they are.
“There’s a sucker born every minute.” — falsely attributed to P. T. Barnum, but said about the popularity of his exhibits
Here’s where I think you can begin to tell if the emperor has no clothes.
It would go a long way toward convincing me that Pollock’s drippy dribbles were a legitimate art form if many other artists had been able to forge careers in that style, as Impressionism, Cubism, Surrealism, and abstract art have made many artists famous. But that isn’t so with Pollock’s “craziness.” He’s the only one who got away with it. (However, check out the paintings of Janet Sobel, whom Pollock was doubtless imitating but who never achieved his fame. Being female in a patriarchy was probably her biggest mistake.)
What Do You Look for in Art?
I like art to be interesting visually and to make me think. It doesn’t have to include an obvious message; in fact, it’s better if it leads my mind to places unknown and unintended by the artist. That’s what I love about surrealism. Like a convoluted dream about flying shoes or a visitation from a fish in a tuxedo, surrealism can feel like it means something, but you have to search your own psyche to figure out what.
Does it Matter?
No. In the big picture, it doesn’t matter what’s “art” and what isn’t, who created it, or how much money you spent on it. What matters is surrounding yourself with things you enjoy.
I used to be afraid to express my opinions about certain kinds of modern art for fear I’d be seen as unsophisticated. I no longer care enough about my reputation to fake it, so I’ll freely admit that I do not see the value of many kinds of modern art—other than for investment purposes—which I think degrades the cultural importance of art.
The craziness started after Picasso and Braque shook things up by inventing Cubism, and it was not long before the fine art world tossed out all concepts of convention and became a race to see who could do something no one else had done before. It morphed into an “anything goes” industry, and if you were in the right place at the right time, you could get famous for anything, as long as you did it first and the right collector liked it. That’s how Pollock got rich.
I certainly would not want to limit what can be considered art, but imagine if other forms of creativity indulged in the same ethos.
Who’s the Banana Now?
I once visited the Museum of Modern Art in NYC and witnessed a crowd of people gathered around an artist named Marina Abramovic as she sat motionless in a chair for many hours. Members of the viewing public were encouraged to sit across from her and look her in the eyes. The piece was called “The Artist is Present.” This sort of thing falls under the category of “performance art.”
I suppose it made a statement about the power of celebrity, or the weirdness of staring into the eyes of a stranger, but so what? You can experience that even more intensely on the Subway if you’re rude enough.
I might have liked it better if the artist had been taped to the wall, but probably not.
Where Does Art Come From?
Creativity is our species’ superpower. Our abilities in this area are endless, and have resulted in everything from great beauty to environmental destruction, from antibiotics and organ transplants to nuclear war.
I’ve created thousands of pieces of art and have spent as many hours pondering where creative inspiration comes from.
Some art is a market calculation: “This will sell.” But at other times it’s a spark of something that comes from an elusive elsewhere, a tiny voice from another dimension. Learning to listen to that voice can be the difference between mediocrity and a masterpiece.
Yes, that sounds mystical, but sometimes being an artist is just a paint-splattered smock away from being a shaman. It can be an exhilarating act of magic that results in something you never saw coming.
Whatever the case, human creativity is the greatest creator and destroyer the world has ever known. Using it to create art, music, literature, or hilarious TikTok videos is one of the most gratifying activities life has to offer. I highly recommend it, wherever it leads you.
My mom’s creativity was in crafts, including sequin-bedecked holiday sweatshirts, and she sold them at craft fairs. They weren’t the sort of thing that Sotheby’s would be interested in, but it made her happy.
Cutting to the Chase
Enough of my know-it-all bullshit; let’s review some more of my comics about art.
Trigger warning: Some may be as dull as Abramovic’s chair performance, and none are worthy of the Sistine Chapel ceiling. Especially the one that parodies it.
I’m as modest as most average folks, but it amazes me that some people are so terrified of nudity that they will object even to a stone or bronze version of it. This is much more common in the puritanical U.S. than in Europe.
Even before I became a stoner, I fell madly in love with the art of M. C. Escher, and the romance has never subsided. I’ve published around a dozen cartoons parodying his work, and this one is my favorite. (That’s a cameo appearance by my wife and me in the lower left corner, and a caricature of Escher as the bartender.)
Here, Picasso and Escher trade friendly jibes over a meal. (This one is best read left-right, left-right.)
Oldenburg was most famous for creating enormous versions of everyday objects. I like that his sculptures make me contemplate the importance of relativity and how minuscule I am in relation to the cosmos. But mostly, it’s just fun to see a familiar object in gigantic form.
This is a good rule of thumb when visiting museums and galleries.
As a teenage freshman in art school, I was both shocked that there were people who could sit naked in front of a roomful of strangers without blushing and disappointed that none of them was attractive. I quit school after one semester, but at least I got this cartoon from the experience.
Cartoons are more likely to be found on refrigerators than in museums. I’ve often thought that kitchens are cartoonists’ Louvre.
This has long been one of my favorite comics of my career. The idea was suggested by Phil Witte, a fine cartoonist in his own right. (Cartoons, Articles) I enjoyed drawing this cartoon version of Renaissance Mike’s masterpiece, though I’ve no idea if his mother would like it. I gave up acid a few years ago.
Where Does That Leave AI Art?
Machines have taken away menial chores such as laundry, math, research, and so much more. Now, AI can handle our creative efforts in the fields of writing, drawing, painting, music, design, you name it.
Which returns us to the concept of “calculated” versus “inspired” art. AI can calculate, research, and imitate in a matter of seconds, but it cannot be inspired the way a human can.
Allowing creativity to flow through me and give birth to something new is among the most gratifying experiences in life. I’d no sooner allow a machine to take that away from me than I would employ one to have sex for me, take a mushroom trip in my stead, or eat my dessert.
I’ll surrender calculating a tip to a machine, but I’ll never turn my back on the joy of creating, even if only taping a banana to a wall.
Take a peek at my graphic novel in progress: PeyoteCowboy.net.
And here’s my video inviting you to become a supporter of Peyote Cowboy.
If you’re enjoying my articles in The Naked Cartoonist, please recommend it to your friends. If you’re not, recommend it to your enemies. Either way, you can send them this link: bizarro.com/signup. Thanks!
TRIGGER WARNING: This post contains images of Muppets
Life with a Hand Up Your Butt dan piraroAudio by Sound Legacy
I’ll start with a confession: I’ve spent a lot of time thinking about puppets. Perhaps an unhealthy amount.
Some of my earliest memories are of watching Shari Lewis and her hand puppet Lamb Chop on TV. Shari may have been my first celebrity crush, with Lamb Chop as a close second. I also loved the ventriloquists on variety shows in those days, and I spent hours talking in a funny voice trying not to move my lips, erroneously assuming that someone, someday, would be impressed by this skill.
Decades later, I used a couple of homemade dog puppets in my one-man comedy show, and I’ve published dozens of comics about various kinds of puppets throughout my career as a cartoonist.
Am I a Puppet Fetishist?
Maybe.
We may think puppets are nothing more than children’s toys, but I’m fascinated by the power they wield over us psychologically. Though we know they are not alive, we can easily be mesmerized by them, buying into their feigned words and movements until we are fully captivated by a construction of fabric scraps or wood. In a clever ventriloquism act, it is the puppet that has us in stitches, not the human.
We are so vulnerable to this form of anthropomorphism that puppets can even scare us. If you stopped at a bed and breakfast on a country road, would you be able to sleep if the room you rented contained a few ventriloquist dummies?
Our tendency to anthropomorphize is essentially the same trick that AI uses to convince us it is a person. Once you get into a conversation with it, it’s hard to remember you’re talking to a glorified toaster.
And in a more malevolent sense, it’s also the trick certain politicians use to hypnotize a nation into voting for them.
History has seen a long list of amoral conmen convincing the multitudes that they are altruistic patriots defending the peasants, all the while disguising their inner ruthless puppet master who intends to fill his coffers with our riches and force the rest of us into subservience or toss us into jail. Even under the best of circumstances, most politicians become the puppets of the billionaires or corporations that fund their campaigns, and we become the politicians’ puppets by voting for them.
No wonder so many people are creeped out by puppets.
Who Invented These Damn Things?
Since prehistoric times, we have obsessively made images of ourselves. It began with hand stencils painted on cave walls and evolved over millennia into the selfie.
Are these creations simply projections of the ego, like the myriad sexy selfies that infest social media, or something more profound?
It has been proposed that, in a Biblical sense, we are unconsciously emulating our creator by creating objects in our own image. That’s an interesting perspective; it’s hard to deny that those who developed and unleashed AI seem to see themselves as gods.
Whatever Muppet creator Jim Henson’s motives were, I can’t deny that certain Muppets bear a striking resemblance to people I know. The older I get, the more I seem to be morphing into a living version of Gonzo, and I’m convinced that Oscar the Grouch was fashioned after my father’s reaction to the way other people drive.
Perhaps we are all puppets of one sort or another. Do you ever feel as though there are one or more hands up your backside? A determined puppet master would make sure we’d be the last to find out our perceived autonomy is an illusion.
Technology and capitalism spring to mind as metaphorical puppet masters. We didn’t ask to spend our lives working our asses off at meaningless jobs to earn enough food coupons to survive, or to have to jump through hoops to prove we’re not robots so we can hack our way into our own bank accounts, but our puppet masters now demand it.
In some ways, I think my puppet comics may be a form of therapy to help me deal with life with so many hands up my butt. Maybe they can help assuage your aching bum, as well.
Notice how happy the muppets above are now that their overlords have decided to take a break. I’m reminded of the way we all feel on weekends and holidays.
What’s the story with so-called gingerbread men? I’m reminded of the theory that team sports are a relatively harmless substitution for war; could these cookies be a bloodless stand-in for cannibalism? Was Jeffrey Dahmer’s kitchen full of them? Should it have been?
For readers not acquainted with this spurious American folklore: History is written by the liars.
On the topic of war, is it just me, or are the wealthy draft dodgers in government the quickest to put the rest of us patriotic puppets in harm’s way?
The Myth of Independence
Since 1776, those of us fortunate enough to live in a democracy have lauded the glories of being free and independent. Life, liberty, and the pursuit of happiness are essential elements of a free society, but it is equally essential to realize that independence is never complete. All of us are eternally dependent on the food our planet produces, the weather that makes it possible, the air we breathe, and the peaceful cooperation of others.
To deliver one more blow to this metaphor I’ve already beaten to death, the marionette in the comic below may yearn for freedom, but it would inevitably lead to suicide. All of us bear strings that are attached to everyone else.
Author’s note: No puppets, Muppets, or marionettes were harmed in the production of this article. The scissors in that final cartoon were deleted before he could use them.
Take a peek at my graphic novel in progress: PeyoteCowboy.net.
And here’s my video inviting you to become a supporter of Peyote Cowboy.
Aterrissou ontem, 8 de agosto, nas plataformas, Mata e Montanha, novo disco de Feiticeiro Julião, trazendo as influências da topografia e modus vivendus de Minas, onde o músico recifense está morando (aqui, continua participando do projeto Forró do Suco Elétrico). Estéticas se cruzam num repertório construído em parte em terras mineiras, Clube da Esquina com Cátia de França, elementos da psicodelia dos anos 70, e rock rural, reforçado pela viola do multi-instrumentista Julião.
Em dois anos de Minas, ele se entrosou no meio musical da terra, encetando parcerias, com a mineira Maira Matos (que participa de quase todo o trabalho nos vocais), e mais jovens músicos seus conterrâneos. Porém, trazendo para o disco pernambucanos com os quais costuma trabalhar, Juvenil Silva, Marília Parente, Juba Valença, ou Marcelo Cavalcante.
Mata e Montanha é o terceiro álbum de Feiticeiro Julião (ou Júlio Lima), e o mais maduro, com melodias e arranjos vocais engenhosos, muitas participações, o que é uma característica da música atual, o tal do feat. Música viajada, rescendendo a anos 70 e patchuli. Caso de Abrigo Lunar (Feiticeiro Julião/Maira Matos), ou Lá no Sol (Feiticeiro Julião/Maira Matos), com as vozes de Julião, Maira e Marília Parente, uma inspirada canção, com aquele toque Beatles/Lô Borges, na melodia, e arranjo sofisticado. A viagem vira mantra em Beira-Mar de Maraca (Julião, Juba e Veridiana Chiari Gatto), em que até o final, repetem-se dois versos, como um mourão voltando, no compasso das ondas.
Um trabalho com um rosto, uma unicidade estética, eletroacústico, e compromisso com a música de melodia consistente, algo cada vez mais difícil na música brasileira. Quer dizer, a que toca no rádio e TV. Montanha Moída (Julião/Maira), que abre o repertório de 11 faixas, é um baião que lembra um Edu Lobo psicodélico nas terras de Minas. Um trabalho pra se curtir, e dos melhores discos desta temporada de 2026.




I’m Dan Piraro, the creator of the Bizarro newspaper comic, and this is my weekly blog post. The large Sunday comic above is mine, as are all of the below-cartoon comments to follow.
Since January 2018, the Monday-Saturday Bizarro comics have been written and drawn by my comics partner, Wayno. For more fun, check out Wayno’s weekly blog post.
And here’s this week’s ANSWER KEY to my Sunday comic’s Secret Symbols.
Season’s greetings, Jazz Pickles. No, it isn’t Christmastime yet—thank Santa—but it is still a season, and I greet you.
Gulliver’s Travels was a favorite story of mine as a kid. I loved how it inspired me to think of the highly relative nature of size. Quite naturally, it is easy to unconsciously assume that the starting point for size is us, and that anything smaller is “small,” and anything larger is “large.”
A couple of seconds is all you need to realize how misleading that can be. Compared to us, an ant is small, but compared to the Grand Canyon, we are smaller than an ant’s turd.
To envision your size relative to the Earth, imagine a ball with a diameter that reaches from Seattle to Baltimore—30% larger than our moon. If it were sitting atop Kansas (it would crush everything beneath it, but that’s not the point), its equator would stretch from California to the East Coast.
Now imagine the period at the end of this sentence on a ball that size, and you’ll be approximating the size of a single human relative to the Earth.
That’s why, for millions of years, humans thought the Earth was flat. Where you’re standing, it doesn’t look like a globe, but even on a flat, featureless plane, you’re only seeing 0.0000157% of the surface. To the period in my example above, it would be as if it were in the middle of a dinner plate sitting on Mercury.
At this scale, it is impossible to get a sense of the sphere on which we spin. To do that, you’d have to observe the movement of other celestial bodies and understand what that implies, and watch tall ships slipping below the horizon as they sail away, and be smart enough to figure out what all that meant. That was well beyond the capabilities of common Homo sapiens for a very long time, and still is.
However, why so many modern humans in possession of cell phones that work because of satellites orbiting this globe still think the Earth is flat is beyond even those brilliant early astronomers. More evidence that not every member of a species evolves at the same rate, I guess.
I’ll add that I’m not nearly as smart as those who figured out the world is round before space travel was possible. I would never be able to figure that out on my own had I not benefitted from the knowledge of so many much smarter people before me. I’m just not smart enough.
But I am smart enough to know that others are smarter than I am, and therein lies the key to why trusting experts is essential: most of us are dumbasses, but there are geniuses among us willing to help keep us from shooting ourselves in the face. One big trick to success in life is being smart enough not to refuse their help.
And that’s the reason that those who wish to dominate a society with authoritarianism routinely denounce experts and encourage people to disparage them. Once the masses distrust experts, they are living in a bubble of ignorance in which they will believe any nonsense you repeat often enough.
Anthony Fauci knows this very well, as do all of the scientists, medical professionals, academics, historians, and other invaluable experts who’ve lost their jobs or research funding since January of 2025.
Surely you didn’t think I’d make it through an entire post without going there.
Now let’s turn those frowns upside down by seeing where Wayno’s week of Bizarro cartoons goes…
In today’s world, unless you’re already a billionaire, that seminar isn’t going to do anything but remove a few more bucks from your pocket.
I submitted a similar comic years ago with the caption: The Princess and the Pee. My editor at King Features felt it was too coarse to publish. Shows you how much times have changed since the spoiled potty-mouth has been in office.
“Trump.”
“Where do you see yourself in five years?” “Grappling with hormonal forces.”
You just know they’re going to pee in that fountain before they leave.
They’d sleep better if they didn’t read that stuff.
That concludes another week of running poolside with scissors, Jazz Pickles. If you’re enjoying our free content each week, please recommend it to your friends and consider helping us keep it that way via the links below. We promise not to pee in your fountain out of gratitude.
The Naked Cartoonist…My every-other-week creative-writing subscription service.
Limited edition, signed & numbered prints of BIZARRO CARTOONS, and some ORIGINALS!
Bizarro TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!
WAYNO’S TIP JAR …One-time or repeating. Your choice!
My (free) graphic novel in progress, PEYOTE COWBOY.
Watch my PITCH VIDEO and become a supporter of Peyote Cowboy here.
Super fun BIZARRO SWAG from ComicsKingdom, including women’s V-neck styles! (And some weird shit from other comics that doesn’t even belong in our shop. Sorry about that.)

“Não é verdade que a bossa nova nasceu em minha casa. Não nasceu, nem poderia nascer na casa de ninguém. Minha casa era somente um dos pontos de pessoas que gostavam da mesma música, e tinham os mesmos problemas em relação à música brasileira, calcada em boleros e música americana. As gravadoras não davam acesso à nossa verdadeira música: o samba de morro, maxixe, maculelê e outros ritmos nacionais.
Com o desenvolvimento econômico do país, foi sacudido por um forte sentimento de nacionalismo. Até então, qualquer coisa brasileira ou feita por brasileiros era considera feia, indecente ou de mau gosto. Paralelamente a este desenvolvimento econômico, houve o desenvolvimento cultural. Começou uma maior solicitação para se fazer uma arte brasileira. A nacionalização da nossa arte.
Dessa necessidade, resultaram bossa nova, cinema novo e a afirmação de novas formas de arte. A essa altura Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli e Carlos Lyra, se reuniram para fazer uma música nova, embora muito influenciado pelo jazz, muito ouvido por eles. Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes já faziam um samba que nada tinha a ver com o samba tradicional. João Gilberto aparecia com um novo ritmo, influenciando toda uma geração de cantores. Era samba de branco, dizia-se.
O samba começa a ser feito por pessoas que tinham acesso à cultura. A forma do samba mudou, modernizando-se. O problema do intérprete era: conseguir o melhor som que ele pudesse. Elevou-se à enésima potência a preocupação da forma. O resultado disso, depois de esgotados os esquemas, foram músicas bonitas mas sem sentido. Em favor de uma constante abusiva das palavras flor e passarinhos. Eram cortadas as que consideradas fora de moda correspondiam ao exato sentido da letras que se pretendia.
II
“A bossa nova que se apresentava como como movimento renovador – e foi até determinado momento – tornava-se caduca, acadêmica. Este problema foi superado por alguns autores que atualmente têm a preocupação e ouvir e se deixar influenciar por compositores populares. Carlos Lyra procura em Zé Kéti, Nelson Cavaquinho e Cartola ideias para suas composições, estes, por sua vez, se inspiram em Carlos Lyra. Baden Powell busca seus temas nos samba de roda e capoeira. Moacir Santos revê em sua composição sua infância no Maranhão (sic).”
(…) também da parte de alguns letristas há a preocupação de fazer letras que atinjam público maior, e dizer coisas importantes a esse público. Ha a consciência de que a nossas música pode servir como veículo de informação. É o que acontece com a música de Zé Kéti, João do Vale. Retratam uma época, uma região, seus problemas, seus costumes. A bossa nova começa a perder seu caráter intimista para, com esses autores sofrer uma renovação (…)”
Texto transcrito da revista O Cruzeiro, de agosto de 1963. Nara Leão, praticamente, a vida inteira procurou desfazer a lenda de que a bossa nova nasceu na sala do apartamento dos seus pais, num dos edifícios mais requintado na Avenida Atlântica,

Há anos uma cena me persegue. Vou narrá-la aqui de uma vez porque, se não o fizer agora, jamais farei. Eu tinha 11 anos. E havia conseguido, com algum jogo de cintura infantil, uma colega de escola que tinha em casa computador e impressora. Foi um achado e tanto, pois estávamos em 1995 e eu morava com minha família em Vitória, capital do Espírito Santo. Eu estava empolgado, afinal iria ter em mãos algo muito precioso: uma cópia impressa e “profissional” do meu primeiro livro – uma história de assassinato inteiramente plagiada do Edgard Allan Poe de Assassinatos da rua Morgue. Meses antes, o professor de literatura tinha feito uma leitura dirigida dessa história, adaptada para o público infantojuvenil, que muito me fascinou. A partir dali, decidi criar minhas próprias histórias de terror.
Havia, entretanto, um pequeno detalhe: a colega que faria a impressão me cobrou um valor simbólico pelo trabalho – não me lembro exatamente quanto –, de modo que precisaria conversar com meu pai sobre o pagamento. Ele prontamente topou. Mas, no dia combinado para a entrega do livro, não tinha o dinheiro. Na época, o ganha-pão familiar era um esquema de preparo de pizzas e lasanhas caseiras que meu pai, recém-saído de um infarto fulminante, vendia nos prédios comerciais do centro da cidade. Ele me sugeriu oferecer uma lasanha congelada como pagamento pelo serviço. Aquilo me devastou. Fui imediatamente inundado pela vergonha.
Alguns lapsos de memória se sucedem até uma lembrança derradeira dessa história: estou com o livro impresso em mãos. Eu o atiro à lixeira, como que para deitar fora minha grande vergonha. Desse instante eu me lembro em detalhes: a cor da lixeira, a textura do papel encadernado – vergonha sobre vergonha, a colega tinha até mandado encadernar o impresso, de modo a dar a ele um ar de livro. Precisava me livrar daquilo. A vergonha foi o instrumento mais eficaz que encontrei.
Conto esse caso porque me parece um ponto de entrada honesto para o que me proponho a fazer aqui: pensar o conceito de vergonha nas escritas autoficcionais de Annie Ernaux, Édouard Louis e Didier Eribon, três autores franceses que acompanho de perto. É importante destacar que não falarei da vergonha como fraqueza ou pecado, tampouco como coisa a ser superada. Interessa-me pensar a vergonha como estrutura. Como sintoma. A vergonha como aquilo que, uma vez nomeado, começa a se tornar matéria do saber.
O episódio dos meus 11 anos ressurgiu como memória sensorial durante a leitura de A vergonha,1 quando a menina de 12 anos protagonista do livro de Annie Ernaux vai a um colégio de freiras e percebe pela primeira vez, na geometria dos quartos das coleguinhas, no vocabulário das professoras, no modo como a própria língua circula naquele espaço, que há um mundo para o qual ela não tem passaporte. O mesmo se passou com Didier Eribon, décadas antes de mim, no corredor da universidade. A mesma sensação viveu Doudou (apelido que dei a Édouard Louis com a intimidade que a leitura autoriza) no pátio da escola de Hallencourt, onde virar a bunda para ser sodomizado era o preço para não ser espancado.
Esses três textos, essas três trajetórias, essas três vergonhas, com localizações e histórias distintas, me chegam com uma familiaridade e uma força que não são puramente de ordem literária. É também clínica, no sentido mais amplo e menos confortável da palavra, um sentido inextricavelmente político. Essa vergonha é de tal modo íntima que ainda me custa articulá-la sem que a voz falhe.
David Bernard abre o ensaio Lacan e a vergonha2 com uma constatação só aparentemente simples: embora a vergonha seja uma experiência humana fundamental, ela ocupa um lugar marginal na teorização psicanalítica. O próprio Freud preferiu mergulhar nas águas da culpa. A culpa tem a vantagem de ser moral, de ter uma lei, um agente identificável, o supereu como árbitro. A vergonha, em contrapartida, é mais suja. Ela não precisa de nenhum ato. Ela não exige transgressão. Basta um simples olhar.
Com elegância e alguma audácia, Bernard nomeia esse empreendimento como “vergontologia”. Não se trata apenas de um estudo sobre a vergonha, mas de uma ontologia dela, uma investigação sobre seu estatuto estrutural na constituição do sujeito. A vergonha, no esquema lacaniano que ele recupera e elabora, é o afeto que irrompe quando o sujeito percebe estar sendo visto no ponto mais “ín(ex)timo” de si mesmo. Bernard usa esse neologismo lacaniano para nomear o paradoxo, o ponto ao mesmo tempo mais íntimo e mais estranho, mais dentro e mais fora, o que mais nos pertence e mais nos é alheio.
Diferentemente da culpa, que remete ao ato da transgressão de uma lei, a vergonha remete ao ser. Não fiz algo proibido, sou algo inadequado. Não transgredi uma norma, encarno uma falta. Essa distinção, que em Freud não chega a constituir um eixo teórico próprio, é o coração do projeto de Bernard. A vergonha não é um efeito moral. É um efeito escópico: nasce do olhar do Outro que me captura e me fixa. Essa constatação teórica me leva a uma pergunta: então, quem seria esse Outro? É aqui que Eribon entra, e entra com força.
Leitor voraz de Bourdieu, Sartre, Foucault e, nos últimos anos, leitor de si mesmo com uma coragem que me deixa sem ar, Eribon não discordaria de Bernard. Mas acrescentaria: se, para Lacan, o olhar é uma estrutura que excede o outro empírico, esse olhar se encarna historicamente. Tem classe. Tem gênero. Tem raça. Tem orientação sexual. Tem a cara da vizinha no bairro operário que sussurra quando você passa. Tem a cara do professor de faculdade que ergue uma sobrancelha quando você não sabe a pronúncia correta do nome de um filósofo alemão. Tem a cara da cultura legítima, como Bourdieu tão precisamente chamou o sistema de gostos e disposições que separa aqueles que pertencem daqueles que precisam de ingresso para entrar.
Em A sociedade como veredito,3 Eribon formula a ideia da hontoanálise – a análise da vergonha como método autobiográfico e político. Não se trata de uma psicoterapia da vergonha, mas de uma arqueologia: de onde veio essa vergonha? Quais estruturas sociais a produziram? O que a mantém? O que permite que ela se inscreva no corpo como marca duradoura, e não como simples sentimento passageiro? É uma pergunta que Eribon, em Retorno a Reims, formula com uma honestidade brutal a respeito de si mesmo: “Por que eu, que escrevi tanto sobre os mecanismos de dominação, nunca tinha escrito sobre a dominação social? […] Por que eu, que atribuí tanta importância ao sentimento de vergonha nos processos de subjugação e de subjetivação, não tinha escrito quase nada sobre a vergonha social?”
Eribon é um trânsfuga de classe, filho de trabalhadores de Reims que se tornou um dos intelectuais mais lidos da França. Essa vergonha tem uma topologia particular. É uma dupla vergonha. A vergonha diante do mundo de chegada, quando se percebe que falta algo: o capital cultural, o sotaque certo, os gestos aprendidos na infância, o nome da prima do primo do filósofo. E a vergonha diante do mundo de partida, da casa paterna onde o trânsfuga passa a ser o traidor que foi embora para a capital, ficou refinado demais, se tornou alguém que os pais não reconhecem. Dois lados de um mesmo corte que não fecha.
O que Eribon acrescenta ao quadro lacaniano é fundamental: o armário social. Assim como o armário sexual, dispositivo que ele conhece por dentro, o armário social é uma estrutura de dissimulação das origens. Num dos momentos mais lúcidos de Retorno a Reims, ele escreve que sua saída do armário sexual coincidiu com a entrada em um armário social. A vergonha de classe, que ele aprendeu a gerir pela dissimulação, espelha a vergonha sexual que ele aprendeu a gerir pelo silêncio. São duas vergonhas que não se cancelam. Se somam.
De maneira análoga, quando eu engoli aquela lasanha como forma de pagamento por meu trabalho intelectual, eu já estava, sem saber, dentro dessa topologia. Estava envergonhado diante dos que chegaram ao mundo das letras sem ingresso, que não precisaram de convite, porque o lugar, la place, não era meu por direito hereditário. Tudo isso quem me ensinou foi a vergonha.
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Gostaria de voltar a Ernaux, porque é nela que a cena inaugural da vergonha aparece com a clareza mais devastadora. Em A vergonha, publicado em 1997, a autora narra dois eventos que marcaram o ano de 1952, quando tinha 12 anos. O primeiro: uma cena de violência doméstica que testemunhou entre seus pais e até então não conseguira narrar. O segundo, e este é o que mais me interessa aqui: o dia em que foi ao internato das Ursulinas de Yvetot e descobriu, na geometria dos objetos no quarto das coleguinhas burguesas, uma forma de existir no mundo que lhe era completamente inacessível. A própria cena inaugural do livro já é, em si, uma declaração do que a vergonha faz ao corpo: “Meu pai tentou matar minha mãe num domingo de junho, no começo da tarde”.
Uma frase curta. Sem moldura. Sem preparação. É assim que a vergonha opera: ela não avisa. Ela irrompe. E Ernaux reproduz isso na própria sintaxe do texto – uma frase que te pega desprevenido, exatamente como a cena pegou a menina.
Mais adiante, depois de catalogar o universo social que constituía sua infância normanda – o café-mercearia dos pais, a escola particular católica, os códigos de conduta da clientela –, ela escreve: “Ali tínhamos deixado de pertencer à categoria das pessoas corretas, que não bebem, não batem umas nas outras e se vestem de modo adequado para ir à cidade. […] Eu me tornei uma pessoa que não merecia a escola particular, sua excelência e perfeição. Entrei no território da vergonha.”
“Entrei no território da vergonha.” Não é uma sensação. É uma jurisdição. Um espaço com fronteiras, leis, consequências. E ela acrescenta, numa das frases mais densas do livro: “A vergonha se tornou, para mim, um modo de vida. No fim das contas, já nem percebia sua presença, ela estava em meu próprio corpo.”
“Modo de vida.” “Em meu próprio corpo.” Bernard, com Lacan, dirá isso de outra forma: o grito mudo no abdômen, a dorzinha traiçoeira. Ernaux diz isso com a frieza e a intimidade que são sua marca de estilo. Ela aponta para a vergonha como se aponta para um espécime entomológico: aqui está, vejam, isto existiu, isto tem forma e cor e cheiro. E é exatamente por não chorar que seu texto me fez chorar.
O método que Ernaux propõe é nomear com precisão: ser etnóloga de si mesma. Autoetnografia não é autocomiseração. É arqueologia. É, nas palavras dela, a busca pelas linguagens que a constituíam para, a partir delas, decompor e remontar, ao redor da cena daquele domingo de junho, o texto que compunha seu mundo. A hontoanálise de Ernaux não dissolve a vergonha. Pelo contrário, torna a vergonha visível no interior do sistema de forças que a produziu.
Édouard Louis opera em outro registro que também me interessa. Se Ernaux tem o distanciamento da pesquisadora de si mesma, Louis tem a febre juvenil. Tem a urgência de quem narra para não morrer. Em Mudar: método,4 narra sua transformação radical: a mudança de nome, a eliminação do sotaque, as cirurgias, a ascensão como reinvenção pessoal. É um texto que começa com uma constatação que soa como um diagnóstico clínico: “Eu tinha vinte e um anos e já era tarde demais, já tinha vivido demais – tinha conhecido a miséria, a pobreza na infância”.
“Tarde demais.” O tempo da vergonha não é o tempo do relógio. É o tempo da inscrição no corpo. E o corpo, em Louis, é o lugar por excelência da vergonha. Um corpo que não consegue fingir, não consegue performar a virilidade que o ambiente exige, um corpo que denuncia o que você é antes que possa dizer quem você quer ser. A vergonha de Louis não começa com um ato. Começa com um insulto: “Desde os primeiros anos da minha vida o problema foi diagnosticado: […] por que o Eddy fala assim, igual a uma menina, mesmo sendo menino? […] Viado. Aos cinco ou seis anos entendi que essa palavra me definiria e me acompanharia pelo resto da minha existência.”
É a nomeação que Eribon, via Sartre, identifica como o gesto inaugural da vergonha social: ser chamado de algo que você não escolheu ser e ter que habitar essa identidade ou lutar contra ela pelo resto da vida. Em Louis, a vergonha da sexualidade e a vergonha da classe são indissociáveis. Ele compreende isso quando entende que o insulto não agia isolado. O insulto, ele escreve, fazia com que todo o resto fosse insuportável para si: a pobreza, o estilo de vida. A exclusão obrigou-o a inventar um sistema próprio de valores. E desse sistema nasceu a vingança como motor: “Eu queria vencer para me vingar”.
Seis palavras. Nelas está condensada toda a topologia da vergonha como o motor subversivo de que fala Eribon. A vergonha que imagina uma alternativa, concebe um mundo diferente do que encontrou e, por isso, pode, paradoxalmente, mover. Vencer para se vingar não é ressentimento. É uma forma brutalmente honesta de dizer: o que fizeram comigo não vai ficar sem resposta.
O que me comove em Doudou – no sentido físico, de mover, de deslocar – é que ele não narra com ressentimento. Ele narra com uma perplexidade furiosa. Como se ainda não acreditasse inteiramente que aquilo aconteceu. Como se a escrita fosse a única forma de verificar: aconteceu, sim, aconteceu de verdade, eu não inventei, meu corpo guarda a memória disso.
Há um dado que me persegue desde que o encontrei. Contei – com uma obsessão que meus alunos reconheceriam facilmente, pois faço esse tipo de coisa em aula com assombrosa frequência – quantas vezes a palavra “vergonha” aparecia nas obras dos três: nas 11 obras de Ernaux lançadas no Brasil, nas sete do Doudou, nas três do Eribon. Com exceção de Monique se liberta, todas as demais registram ao menos uma ocorrência. Duzentas e noventa entradas. A palavra que, segundo Lacan, ficávamos calados demais para pronunciar foi pronunciada 290 vezes.
Em Ernaux, 101 vezes. Em Doudou, 95. Em Eribon, 94. Esses números, que eu poderia tratar como dado frio, são para mim algo mais perturbador: a evidência de que o silêncio foi rompido. São a prova de que a escrita de si, quando é de fato literária, ou seja, quando aposta na forma, na linguagem, na fricção da palavra, não é biscoitagem, não é a confissão vazia do Instagram, nem desejo de seguir a moda da vez. É um ato com consequências.
A palavra “vergonha”, em francês, tem uma história que Bernard recupera a partir do dicionário Littré, e que me parece incontornável aqui. Vergogne, a forma mais antiga, era, na Idade Média, um termo nobre. E a primeira definição que o Littré oferece é esta: “Terme autrefois très noble et qui aujourd’hui est devenu familier”. Um termo outrora muito nobre que hoje se tornou popular. Trânsfuga de classe semântica, diria Eribon. A vergonha desceu na vida, é do seu lugar popular, familiar, que ela hoje fala. E familier em francês tem a mesma raiz que “família”. A vergonha está atada ao que vem de casa.
Ernaux, Louis e Eribon nascem dentro dessas famílias que a língua nobre não alcança. É de dentro dessas famílias que eles escrevem. E por isso a vergonha é o afeto que mais retorna nos seus textos: porque é o afeto que marca o instante em que o mundo lhes disse que eles não pertenciam nem ao lugar onde estavam, nem ao lugar de onde vieram.
Preciso dizer aqui uma coisa que vai contrariar uma certa leitura desses textos. Não estou, de modo algum, propondo que Ernaux, Louis e Eribon escreveram para superar a vergonha. A ideia de que a escrita de si é uma forma de cura, que, depois de escrever A vergonha, Annie ficou bem, que depois de O fim de Eddy Doudou resolveu seus traumas, é uma leitura que empacota esses textos como autoajuda e os esvazia completamente da sua potência literária e política.
David Bernard é preciso nesse ponto. A vergonha não é simplesmente um sofrimento a ser eliminado. Em certas circunstâncias clínicas – aqui eu acrescento, por que não, em certas circunstâncias literárias também –, a vergonha assinala um ponto de real: algo que escapa à fantasia e às identificações defensivas. Livre dessas identificações, ela pode funcionar como operador da verdade. Não se trata de se livrar da vergonha, mas de aprender com ela, de deixar que ela aponte para o ponto que o sujeito preferia não ver. Ou não escrever.
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A vergonha já é uma revolução, diz Eribon em A sociedade como veredito, retomando as palavras de Marx. Ou seja: sentir vergonha de algo já pressupõe que você concebe uma alternativa. Quem não tem alternativa não sente vergonha, sente resignação. A vergonha, paradoxalmente, é o afeto do sujeito que já imaginou um mundo diferente do que encontrou. É o afeto do potencial subversivo.
Mas a vergonha, claro, pode também paralisar. Pode produzir retraimento. Pode alimentar silêncio. Pode fazer com que o filho operário engula a lasanha com angu, como eu fiz. Pode fazer com que o gay adolescente modifique seus gestos e sua voz no espaço público, como Doudou fez. A tensão entre a vergonha como um operador de subjetivação e a vergonha como um afeto mortificante atravessa os três autores. E é nessa tensão que reside a potência literária desses textos.
O que os três fazem, com variações de temperatura e de estilo, é transformar o silêncio imposto pela vergonha em palavra. E não qualquer palavra. Ernaux com sua precisão clínica. Doudou com sua febre narrativa. Eribon com sua arqueologia crítica. Três gestos distintos diante do mesmo afeto. Três maneiras de romper o cômodo silêncio nomeado por Lacan. Bernard sugere que a psicanálise pode escutar a vergonha como sinal de um ponto de verdade. A literatura, diria eu, pode fazer o mesmo. Com a diferença de que o ponto de verdade que a literatura nomeia não é apenas do sujeito singular que escreve. É social. É histórico. É de todos os que leram e reconheceram, na vergonha do outro, a geometria da sua própria vergonha.
Volto aos números porque eles me parecem uma imagem bonita do que estou tentando dizer. A palavra “vergonha” 290 vezes em 20 obras. Não é efusão. Não é catarse. É insistência. É o sinal de que a vergonha não se dissolve na escrita, ela retorna, em turbilhão. Eribon e Bernard chegam ao mesmo objeto por caminhos distintos. Eribon pelos determinismos sociais: quem envergonha, por que envergonha, em nome de que ordem simbólica a vergonha é produzida. Bernard pela estrutura do sujeito falante: como o olhar captura, como a imagem falha, o que aparece quando a imagem falha. São diagnósticos do mesmo fenômeno que diferem nas causas, e talvez a lição mais valiosa do diálogo entre os dois seja exatamente esta: a vergonha é social e estrutural, o real que ela aponta não se reduz nem a um nem a outro, a subjetividade não existe fora das condições sociais que a produziram e as condições sociais não existem fora dos sujeitos que as habitam. Ernaux, Doudou e Eribon são três testemunhos dessa irredutibilidade. Três escritores que se recusaram a escolher entre a psicanálise e a sociologia, entre o íntimo e o político, entre o singular e o estrutural. Três escritores que apostaram na linguagem como o lugar em que essas tensões jamais se resolvem, fazem apenas morada.
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Em 2024, durante o julgamento de Mazan – falo aqui do caso de Dominique Pelicot, que drogou a esposa por anos e a entregou a dezenas de homens para que a violassem enquanto ela dormia –, Gisèle Pelicot retomou uma frase atribuída a Gisèle Halimi, célebre advogada feminista. Ao fazer isso impactou o mundo, não porque a frase fosse inesperada para quem acompanhava o debate, mas porque veio de onde as frases custam mais caro: do interior de um horror pessoal que ela não escolheu, num julgamento que ela quis público e que encarou com o rosto descoberto, olhando direto para as câmeras. A frase foi: “A vergonha deve mudar de lado”.
Seis palavras. E nelas está condensada toda a arqueologia que Eribon, Ernaux e Doudou percorreram por décadas de escrita. Porque a vergonha, como estrutura, tem um mecanismo perverso: ela se instala sempre do lado errado. Ela se instala no corpo da mulher violada, não no do agressor. Ela se instala no filho do operário que não sabe pronunciar o nome do filósofo, não no do professor que o constrange. Ela se instala no gay adolescente cujos gestos denunciam o que ele é, não nos que decidiram que esses gestos eram motivo de punição. A vergonha, como Bourdieu mostrou ao catalogar os mecanismos da distinção, é um instrumento de dominação que se inscreve nos corpos dominados como se fosse um dado natural, uma falta intrínseca, uma inadequação irremediável.
O que Ernaux fez com o corpo exposto da mãe que aparece de camisola na porta da mercearia, o que Louis fez com o corpo que não consegue performar a masculinidade operária, o que Eribon fez com o armário social que duplica o armário sexual: todos eles, à sua maneira, fizeram o mesmo que Gisèle Pelicot. Tentaram mudar a vergonha de lado. Tirá-la do corpo que foi constituído como inadequado e devolvê-la ao sistema que produziu essa inadequação.
É aqui que se torna incontornável o recorte de classe, gênero e sexualidade. A vergonha não é democrática. Não é igualitária. Ela recai com mais peso sobre os corpos que o sistema já marcou como inferiores. O corpo da mulher que não cabe no padrão da castidade. O corpo do homossexual cujos gestos denunciam o desvio. O corpo do filho da classe trabalhadora que faz transações financeiras em lasanha. Esses corpos não erram, eles são o erro. É isso que a vergonha ensina a eles, é isso que a vergonha deve parar de ensinar. Isso é o que Ernaux, Louis e Eribon fizeram. Duzentas e noventa vezes, e contando.
Isso, a meu ver, é também literatura.
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Eu disse no início que joguei meu livro na lata do lixo. Que engoli tudo com lasanha. Duzentas e noventa vergonhas me ensinaram que nomear não é curar. Que escrever não é superar. Que a vergonha permanece, estrutural e histórica, inscrita no corpo e produzida socialmente. Mas que há, no meu gesto de escrever sobre ela, alguma coisa da ordem de um ato. Não um ato de redenção. Um ato de recusa ao silêncio que ela impõe.
Volto à lata de lixo onde jazem minhas palavras encadernadas. Quais eram os detalhes do meu romance policial? Quem era o protagonista? Quem foi morto naquela história? Honestamente, não sei mais. O texto foi engolido junto com a vergonha. Ficou preso em algum lugar entre o estômago e a garganta, onde as coisas que a vergonha paralisa ficam guardadas, indigeridas.
Entretanto, aqui estou, décadas depois, escrevendo sobre a vergonha. Escrevo com os instrumentos que Ernaux me deu: a coragem de analisar sem autocomiseração. Com a febre de Louis que me contagiou: o entendimento de que o corpo não mente. Com o método que Eribon me ofereceu: a arqueologia que transforma o afeto em saber. Com a nitidez que Gisèle Pelicot trouxe: a vergonha deve mudar de lado.
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