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Frevo, meu bem – O argentino que gravou mais de 60 frevos

Recentemente dei um depoimento ao pessoal da TV Conecta Recife sobre Nelson Gonçalves e sua relação com o frevo, algo que pouca gente sabia. Ele gravou 29 frevos, além de músicas de meio de ano de autores pernambucanos. Aliás, foi Capiba que deu a Nelson Gonçalves seu primeiro grande sucesso, Maria Bethânia, em 1945.

Porém, quem gravou muito mais frevos do que o gaúcho Nelson Gonçalves foi o. Argentino, filho de italianos, Catello Carlos Guagliard, de nome artístico Carlos Galhardo, um dos maiores ídolos da era do rádio. Ele registrou na cera (como então se dizia) pelo menos 60 frevos, mais dois maracatus. Por sinal, a estreia em disco de Galhardo, em 1933, trazia dois frevos, um dos Irmãos Valença (Você não gosta de mim) e outro de Nelson Ferreira (O que é que há). 

De início Carlos Galhardo gravava frevos por imposição de Mr. Evans, o chefão da RCA no Brasil. Em 1932, a gravadora foi processada por ter lançado a marchinha O teu cabelo não nega, atribuindo a autoria apenas a Lamartine Babo. Porém, a composição era dos recifense João e Raul Valença. Os dois ganharam a causa e embolsaram 90 mil contos de réis.

A fim de evitar mais broncas e gastar mais grana com pernambucanos, Mr.Evans ordenou que se gravasse os frevos que chegassem à RCA. Sobrava para os novatos, o que eram então Carlos Galhardo e Nelson Gonçalves. Teve ano de Galhardo gravar dez frevos, ou cinco bolachões de 78 rotações, que vendiam bem, mas apenas em Pernambucos, e estados vizinhos.

Os autores mais gravados por Carlos Galhardo foram os Irmãos Valença e Nelson Ferreira, com 11 composições cada, Marambá (José Mariano Barbosa), com 10, e Zumba, com 7.  Zumba teve seis frevos com Carlos Galhardo, enquanto outros medalhões como Capiba, Levino Ferreira, Carnera tiveram bem menos. Galhardo gravou cinco frevos de Capiba, Na verdade, quem teve mais frevos gravados por Carlos Galhardo foi Marambá, pois duas das composições dos Irmãos Valença, eram maracatus, entre os quais o clássico Pisa Baiana (do refrão: “É pau, é pedra, é o seixo miúdo/pisa baiana/por cima de tudo).

https://telestoques.wordpress.com/2026/09/19/frevo-meu-bem-o-argentino-que-gravou-mais-de-60-frevos/

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