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Canções que migram: música, literatura e cultura livre

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O projeto é um ciclo de canções e textos que nasce da colaboração entre o músico e professor luso-brasileiro Gilvano Dalagna, o artista e escritor luso-canadense Richard Simas e a violinista e professora luso-brasileira Clarissa Foletto, todos ligados à Universidade de Aveiro e ao INET-md (Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança). Inspirado em “A Conferência dos Pássaros”, texto sufi persa do século XIII de Farid Ud-Din Attar, o álbum acompanha a jornada de dois personagens — Tomás e Sofia — que partem em busca de sentido pelo mundo, transformando-se, ao longo do caminho, em seres híbridos, meio pássaros, meio humanos.

O resultado é uma obra bilíngue (português e inglês), eclética, com 20 faixas entre canções e narrações, gravada com um ensemble de músicos de origens diversas em Aveiro. O álbum está disponível no Bandcamp com preço livre (“name your price”), e o ebook que acompanha a obra pode ser baixado gratuitamente no repositório aberto da Universidade de Aveiro. Na live, vamos conversar sobre o processo criativo colaborativo entre escritor e compositor, uma inversão do modelo habitual em que o texto literário se subordina à estrutura musical. Vamos discutir também como um projeto acadêmico-artístico nascido em Portugal pode circular pelo mundo lusófono e além dele, os desafios da distribuição independente de música hoje, e como práticas de acesso aberto podem ampliar o alcance de obras artísticas sem sacrificar a sustentabilidade dos criadores.

Cópia & Desvio - clipe

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“A cópia na era de sua proliferação técnica” ocorreu ao vivo em 24 de outubro, às 19h, no BaixaCultura (link na bio). Nela, Rafael Bresciani e Leonardo Foletto remixaram artefatos sonoros e visuais em live-coding (no Hydra/Flok) para compor a conferência, centrada nesta primeira parte nas práticas e reflexões de cópia no início do século XX. Teve participação nas vozes (e textos) de Walter Benjamin, Marcel Duchamp, Conde de Lautréamont e Tommaso Marinetti. Na música, Neu!, Talking Heads e Kaisoku Tokyo. Nas imagens, Pablo Picasso, Okumura Masanobu, Kunisada, J Borges, Louis Daguerre, Hugo Ball, Kurt Schwitters, Man Ray, Niepce, Abraham Salm, Marinetti, entre outros.

O vídeo é parte de uma investigação que estamos fazendo desde 2023 sobre o papel da cópia ao longo dos últimos séculos na história da arte, o que passa pela questão histórica do desvio - como se sabe, a arte é marcada pelo plágio, o roubo, o desvio, a cópia e apropriação. A segunda parte irá centrar-se na segunda metade do século XX, período essencial da proliferação técnica das cópias a partir dos gravadores, samplers, fotocopiadoras, vídeos, computadores, algoritmos.

“Tanto a poesia sonora, as colagens e o cinema são artes que foram potencializadas nessa primeira metade do século XX com a expansão da reprodução técnica. Os aparatos técnicos são protagonistas tanto como método de produção (caso das collages) quanto de gravação e apresentação ao público (poesia sonora e o cinema).

Eu intuo também que as tecnologias digitais de reprodução tornam mais difícil a negação e a escolha. É como um loop da desintegração: o meio é abstraído na hiperconexão do e e e, com menos possibilidade de ou ou. Às máquinas de reprodução técnica digital não é facultado a possibilidade de fim, mas sim a reprodução contínua e infinita de presente. Tudo passa a ser conectado ao propósito da reprodução contínua de cópias. Nada mais é criado, tudo passa a ser apenas repetição sem diferença. Todas as obras já existentes remixam as anteriores: tudo é cópia.”

Walter Benjamin (Benja), remixado no vídeo

Cópia & Desvio - trecho 2, Marcel Duchamp

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Marcel Duchamp é um dos personagens em “A Cópia na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica”, primeira parte do projeto Cópia & Desvio. Ele fala sobre o ready-made, prática que consistia em pegar objetos em relação aos quais se era indiferente e recontextualizá-los de maneira a deslocar seus significados. Foi uma das práticas artísticas pioneiras no mundo da arte ocidental em usar e deixar explícita a recombinação de informações e outros elementos para criação de uma nova obra. No vídeo, é a voz de Duchamp - treinada no Eleven Labs por diversos vídeos e áudios disponíveis no Youtube - que fala um texto seu publicado em 1961:

“Em 1913 tive a feliz ideia de fixar uma roda de bicicleta a uma banqueta de cozinha e vê-la girar. Uns poucos meses depois comprei uma reprodução barata de uma paisagem de uma noite de inverno, a qual chamei de “Farmácia” depois de adicionar dois pequenos pontos, um vermelho e um amarelo, no horizonte. Em Nova York em 1915 comprei numa loja de ferramentas uma pá de neve na qual eu escrevi “À frente do braço quebrado”. Foi por essa época que a palavra “ready-made” me veio à mente para designar esta forma de manifestação. Um ponto que desejo muito esclarecer é que a escolha destes “ready-mades” nunca foi ditada pelo deleite estético. Essa escolha era baseada numa reação de indiferença visual com ao mesmo tempo uma total ausência de bom ou mau gosto... de fato uma completa anestesia.

Um outro aspecto do “ready-made” é sua impossibilidade de ser único. A réplica de um “ready-made” carrega a mesma mensagem. De fato quase que nenhum dos “ready-mades” existentes hoje é um original no sentido convencional”.

#artificialintelligence #duchamp #copy #arthistory

Cópia & Desvio - parte I

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A proliferação mundial dos sistemas de inteligências artificiais generativas em 2023 quebra um paradigma na história da arte ao tornar a cópia ainda mais elemento de criação. Tudo que está na internet e foi raspado – sem consentimento – por estes sistemas está sendo a base para a criação de inúmeras coisas, de cards de redes sociais a ilustrações, passando por artigos, filmes, livros e músicas. Se já no início do século XX a reprodução técnica tornava a cópia e o “original” não facilmente distinguíveis, o que dirá a partir de 2023, quando as IAs ampliam a reprodução digital e, cada vez mais, a separam de sua materialidade original, que passa a se transformar em mero dado, padrões de números a alimentarem grandes bancos onde não existe mais singularidade, apenas cópia.

Diante disso, qual será o papel da cópia na era da IA Generativa? Estamos em uma investigação para entendermos o papel da cópia (e do desvio) ao longo dos últimos séculos na história da arte.

O projeto Cópia & Desvio é uma série de conferências experimentais/performances sobre o direito para copiar e reutilizar o conhecimento humano. Organizado em quatro atos, o objetivo é apresentar uma narrativa crítica sobre a cópia e sua relação com a política e a sociedade ao longo do tempo.

A primeira se chama “A cópia na era de sua proliferação técnica” e ocorreu ao vivo em 24 de outubro, às 19h (UTC-3).

Rafael Bresciani e Leonardo Foletto vão criar artefatos sonoros e visuais para compor a narração da conferência, centrada nas práticas e reflexões de cópia no século XX, de Walter Benjamin a Lev Manovich, passando por Duchamp, Debord, Warhol, entre vários outros.

Cópia & Desvio - ensaio II

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A proliferação mundial dos sistemas de inteligências artificiais generativas em 2023 quebra um paradigma na história da arte ao tornar a cópia ainda mais elemento de criação. Tudo que está na internet e foi raspado – sem consentimento – por estes sistemas está sendo a base para a criação de inúmeras coisas, de cards de redes sociais a ilustrações, passando por artigos, filmes, livros e músicas. Se já no início do século XX a reprodução técnica tornava a cópia e o “original” não facilmente distinguíveis, o que dirá a partir de 2023, quando as IAs ampliam a reprodução digital e, cada vez mais, a separam de sua materialidade original, que passa a se transformar em mero dado, padrões de números a alimentarem grandes bancos onde não existe mais singularidade, apenas cópia. É a hiperconexão do E E em vez do OU OU, já que às máquinas não é facultado a possibilidade de fim, mas sim a reprodução contínua e infinita de presente.

Diante disso, qual será o papel da cópia na era da IA Generativa? Estamos em uma investigação para entendermos o papel da cópia (e do desvio) ao longo dos últimos séculos na história da arte, que vai resultar num livro a ser publicado pela SobInfluencia em 2025.

Em paralelo e complementar ao processo de produção do livro, nasceu o projeto Cópia & Desvio. É uma série de conferências experimentais/performances sobre o direito para copiar e reutilizar o conhecimento humano. Organizado em quatro atos, o objetivo é apresentar uma narrativa crítica sobre a cópia e sua relação com a política e a sociedade ao longo do tempo.

A primeira será chamada de “A cópia na era de sua proliferação técnica” e vai ocorrer ao vivo em 24 de outubro, às 19h (UTC-3), gravada e transmitida via Youtube do BaixaCultura.

Rafael Bresciani e Leonardo Foletto vão criar artefatos sonoros e visuais para compor a narração da conferência, centrada nas práticas e reflexões de cópia no século XX, de Walter Benjamin a Lev Manovich, passando por Duchamp, Debord, Warhol, entre vários outros.

Pequeno Compêndio da Independência Digital - lançamento

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Em um cenário de cada vez maior dependência dos serviços das chamadas Big Techs, quais são as tecnologias, comunidades e ideias que funcionam na internet para além dessas grandes empresas? Como elas estão construindo uma relação mais comunitária, diversa, de acesso livre, proteção à privacidade e fomento à autonomia com as tecnologias?

A proposta deste projeto, feito em parceria com o Goethe-Institute de Porto Alegre, é trazer estes projetos, ferramentas, softwares, sites, ideias e iniciativas que estão re-imaginando novos horizontes tecnológicos para além das big techs. Ao contrário do que o senso comum imagina, muitas iniciativas hoje, e já há algumas décadas, estão buscando construir tecnologias e a internet de formas mais colaborativas, justas e seguras para suas comunidades. Estas iniciativas foram divididas em cinco eixos: Comunidade; Privacidade; Diversidade; Acesso Livre; e Autonomia/Soberania Tecnológica.

BaixaCharla ao vivo #10: Não há saídas? com Elias Maroso

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A décima BaixaCharla ao vivo, "Não há saídas?", foi uma conversa entre Leonardo Foletto e Elias Maroso , artista e pesquisador. Falamos a partir de suas obras - objetos, intervenções no espaço e dispositivos energéticos - da busca por autonomia, das saídas encontradas e a encontrar, dos atravessamentos possíveis entre arte, tecnologia e política, do realismo capitalista, da potência vicejante do rádio e outros temas correlatos.

Baixacharla #9: Devastação, com Lucas Pretti

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A nona BaixaCharla ao vivo, sexta de 2021, foi uma conversa entre Leonardo Foletto e Lucas Pretti sobre e a partir de “Devastação” (2020), livro de artista de Lucas que contém nove ensaios que articula links entre tecnopolítica e meio ambiente para desvelar forças operantes na silicolonização do mundo.

Campanha Manifestos Cypherpunks

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Falta mais um dia para você apoiar nossa campanha na Catarse do "Manifestos Cypherpunks". O Livro organizado por Leonardo Foletto em parceria com a editora monstro do mares, reúne manifestos essenciais que, escritos nos anos 1990, prenunciavam o que vivemos hoje: a rede tomada pelo neoliberalismo do Vale do Silício. Seus autores sugerem: ainda é possível lutar por uma internet livre e pelo direito à criptografia em defesa da privacidade.

catarse.me/manifestoscypherpunks

Retrospectiva e Expectativa Cypherpunk

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Leonardo Foletto, editor do BaixaCultura e organizador de livro “Manifestos Cypherpunks”, conversou com André Ramiro, pesquisador em criptografia e um dos fundadores do IP.Rec, autor do posfácio desta edição. A proposta foi falar um pouco sobre os três manifestos presentes no livro, seu contexto de produção e sua atualidade para 2021. Ocorreu dentro do #criptoagosto, uma série de eventos, debates e atividades para falar da importância da criptografia, organizado pela Coalizão Direitos na Rede.

BaixaCharla ao vivo #8: Racismo Algorítmico

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A oitava BaixaCharla ao vivo falou sobre racismo algorítmico a partir de “Comunidades, Algoritmos e Ativismos Digitais: Olhares Afrodiaspóricos“, organizado pelo nosso convidado da conversa, Tarcízio Silva, que é pesquisador, produtor cultural e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, doutorando em Ciências Humanas e Sociais na UFABC, Tech + Society Fellow pela Fundação Mozilla e curador na Desvelar. Participaram também Larisse Gomes, cientista social, mestra e doutoranda em antropologia social pela UFSC; e Tatiana Balistieri e Leonardo Foletto, do BaixaCultura.
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