Normal view

Fora Dark Horse, vem dark matter

Se a humanidade tivesse dado certo em vez de ser essa start-up falida de Deus ?é um erro comum de empreendedores neófitos criar um produto à sua imagem e semelhança, não atentando às necessidades do mercado? no lugar de estarmos discutindo a ascensão de um candidato que faz rachadinha e a decadência de um STF rachadão, estaríamos alucinados comentando sobre uma máquina de 7 toneladas que, 150 metros abaixo da terra, numa mina abandonada em Dakota do Sul, fez "plim!". Esse "plim!", minha gente, pode ser a primeira detecção da chamada matéria escura. Leia mais (09/19/2026 - 15h27)

Novos vazamentos do Vorcaro

São tantos vazamentos envolvendo Daniel Vorcaro que o leitor/leitora talvez tenha se afogado no alagamento noticioso. Com o intuito patriótico (7 de Setembro tá aí) de ajudá-los a tomar pé das últimas descobertas sobre o trambanqueiro, fiz aqui uma (breve) compilação. Leia mais (09/05/2026 - 17h00)

Eu, você, nós dois

"Eu sou dono desse corpo/Faço dele o que quiser/ Mas o prazo do meu mando/ Vai só até onde lhe aprouver". Estes são os quatro primeiros versos do poema "Nós", uma das produções mais obscuras na história da literatura (ignora-se, inclusive, se seria a quadra o poema inteiro ou parte de uma obra maior). Leia mais (08/29/2026 - 14h15)

Obrigado, Bozolino

Venho aqui agradecer ao Bolsonaro. (Calma, leia até o fim.) Apesar de, dos 700 mil mortos na pandemia, estimar-se que uns 100 mil tenham sido pela recusa em comprar vacinas. Apesar de ter feito campanha contra o isolamento social e contra o uso de máscaras. De ter oferecido cloroquina à população e às emas do palácio. De ter tido todas as atitudes misóginas, racistas, de ter chamado líderes do mundo todo pra falar, sabendo que era mentira, que as urnas eletrônicas eram uma tramoia. Apesar de ter mantido acampamentos diante dos quartéis das forças armadas e de ter tentado dar um golpe militar: Bolsonaro, essa besta quadrada, me devolveu meu pai. Leia mais (08/22/2026 - 14h00)

'É, dormir'

Apareceu no meu feed: "Ô Gil, que que cê mais gosta de fazer na vida?" "Dormir." O entrevistador toma um susto. "Dormir?! É mesmo?! Mais do que cantar?!". Agora é o Gil que parece assustado com o entrevistador e responde, enfático: "É, dormir. A primeira coisa, a que eu mais gosto." "Por quê?" "Porque é bom, é uma sensação de entrega total à existência. É a existência sem a mediação excessiva do eu. Sem a exigência excessiva do ego. É a entrega, é o momento em que você tá na natureza sem precisar de você mesmo". Leia mais (08/15/2026 - 15h00)

E é assim que o mundo acaba

Segunda-feira, 2 de abril de 2029, 15h37. Durante o recreio, na Escola Municipal Epaminondas D'Alembert, em Piracambaia do Oeste, o aluno Bruno Augusto, do 4º B (tarde), diz pro colega William Boucinhas, do 3º A (tarde), que seu primo Baiacu (9º D, manhã) consegue assoprar um feijão a 70 metros usando como zarabatana um canudinho de plástico. William Boucinhas duvida. Bruno Augusto insiste. Leia mais (08/08/2026 - 12h30)

Eu banco

Toda sexta-feira, a caminho de sua casa, meu pai fazia a parada obrigatória numa banca de jornal. Eu tinha direito a três revistinhas, minha irmã a outras três. Durante o fim de semana, acabando de ler a cota pessoal, trocávamos. Em época de álbum, a parada ficava ainda mais emocionante. Vez ou outra, até conseguíamos emplacar uns Plocs, Ping Pongs ou Bubbaloos. Leia mais (08/01/2026 - 15h40)

Passando do ponto

Parei. Já fazia um tempo, sentia que não estava me fazendo bem. Comecei a usar como todo mundo. De vez em quando. Socialmente. Em busca de um brilho, uma ênfase. Quando dei por mim, precisava o tempo todo. Era como se, sem ela, tudo perdesse a intensidade. Com o uso contínuo, a tolerância aumenta e você tem que usar mais e mais pra atingir o mesmo efeito. Nos últimos anos, se alguém me perguntasse por WhatsApp, sei lá, "Seu CEP é 01879-090?", eu era capaz de responder "Sim!!!". Sim, meus caros, cheguei a esse ponto. Ou melhor, a esses pontos: pra confirmar meu CEP eu podia meter três exclamações -às vezes, antes do meio-dia. Leia mais (07/25/2026 - 16h36)

Saudades do complexo de vira-latas

O que aconteceu com a seleção brasileira? Sei pouco de futebol. Procuro, portanto, ouvir quem entende. Passei os melancólicos últimos dias conversando com o amigo Nelson Rodrigues. "À sombra das chuteiras imortais", coletânea da Cia das Letras, organizada pelo Ruy Castro é, com o perdão do clichê, uma aula de Brasil. Está ali, entre outras, a clássica crônica do "Complexo de vira-latas". Foi publicada na Manchete Esportiva no dia 31/05/1958. "Última crônica antes da estreia do Brasil na Copa", diz a nota de rodapé. (Nas semanas seguintes o mundo saberia como aqueles pés rodopiariam.) Leia mais (07/18/2026 - 15h45)

Desmame da Copa

Escrevo esta crônica na quarta-feira, dia 8 de julho. Primeiro dia em um mês sem jogo de Copa. Minhas mãos tremem. Humor alterado. Secura nas mucosas. Todos os sintomas de abstinência. Foi um teste para o que está por vir. Um longo e doloroso desmame. A Copa vai acabar e não estou sabendo lidar. Leia mais (07/11/2026 - 14h00)

Por que com os pés?

"Warum mit den Füßen?" Não falo alemão, mas meu querido cunhado, Pedro Bial, fala ou pelo menos lê -e foi ele quem me contou da chamada, na primeira página do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, numa edição de julho de 2006, durante a Copa: "Por que com os pés?". A resposta, num ensaio muito erudito (como se espera de um diário germânico), era simples e bela: porque é mais difícil. Leia mais (06/20/2026 - 16h45)

O menino da porteira

Apertei o interfone, o portão se abriu e caminhei até o prédio, onde uma senhora me aguardava segurando a porta. Hesitei. Seria uma moradora gentil ou uma porteira solícita? Não era simples curiosidade, a resposta tinha consequências práticas. Fosse ela a porteira, eu precisava dizer meu nome, o nome do amigo que tinha ido visitar e aguardar a liberação. Fosse uma moradora, bastava um "obrigado" e seguir pro elevador. Leia mais (06/13/2026 - 13h15)

Pra ver o Sena tem que ir a Paris

Desde que surgiu o ChatGPT, a questão é repetida: será que as máquinas aprenderão a contar boas histórias? Produzirão contos, crônicas, romances, poemas, peças, roteiros de filmes e séries com profundidade, graça, beleza? Na mesma seara, em entrevistas com escritores virou pergunta obrigatória "Você usa IA no seu trabalho?". Leia mais (06/06/2026 - 12h40)
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