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Passando do ponto

Parei. Já fazia um tempo, sentia que não estava me fazendo bem. Comecei a usar como todo mundo. De vez em quando. Socialmente. Em busca de um brilho, uma ênfase. Quando dei por mim, precisava o tempo todo. Era como se, sem ela, tudo perdesse a intensidade. Com o uso contínuo, a tolerância aumenta e você tem que usar mais e mais pra atingir o mesmo efeito. Nos últimos anos, se alguém me perguntasse por WhatsApp, sei lá, "Seu CEP é 01879-090?", eu era capaz de responder "Sim!!!". Sim, meus caros, cheguei a esse ponto. Ou melhor, a esses pontos: pra confirmar meu CEP eu podia meter três exclamações -às vezes, antes do meio-dia. Leia mais (07/25/2026 - 16h36)

Saudades do complexo de vira-latas

O que aconteceu com a seleção brasileira? Sei pouco de futebol. Procuro, portanto, ouvir quem entende. Passei os melancólicos últimos dias conversando com o amigo Nelson Rodrigues. "À sombra das chuteiras imortais", coletânea da Cia das Letras, organizada pelo Ruy Castro é, com o perdão do clichê, uma aula de Brasil. Está ali, entre outras, a clássica crônica do "Complexo de vira-latas". Foi publicada na Manchete Esportiva no dia 31/05/1958. "Última crônica antes da estreia do Brasil na Copa", diz a nota de rodapé. (Nas semanas seguintes o mundo saberia como aqueles pés rodopiariam.) Leia mais (07/18/2026 - 15h45)

Desmame da Copa

Escrevo esta crônica na quarta-feira, dia 8 de julho. Primeiro dia em um mês sem jogo de Copa. Minhas mãos tremem. Humor alterado. Secura nas mucosas. Todos os sintomas de abstinência. Foi um teste para o que está por vir. Um longo e doloroso desmame. A Copa vai acabar e não estou sabendo lidar. Leia mais (07/11/2026 - 14h00)

Por que com os pés?

"Warum mit den Füßen?" Não falo alemão, mas meu querido cunhado, Pedro Bial, fala ou pelo menos lê -e foi ele quem me contou da chamada, na primeira página do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, numa edição de julho de 2006, durante a Copa: "Por que com os pés?". A resposta, num ensaio muito erudito (como se espera de um diário germânico), era simples e bela: porque é mais difícil. Leia mais (06/20/2026 - 16h45)

O menino da porteira

Apertei o interfone, o portão se abriu e caminhei até o prédio, onde uma senhora me aguardava segurando a porta. Hesitei. Seria uma moradora gentil ou uma porteira solícita? Não era simples curiosidade, a resposta tinha consequências práticas. Fosse ela a porteira, eu precisava dizer meu nome, o nome do amigo que tinha ido visitar e aguardar a liberação. Fosse uma moradora, bastava um "obrigado" e seguir pro elevador. Leia mais (06/13/2026 - 13h15)

Pra ver o Sena tem que ir a Paris

Desde que surgiu o ChatGPT, a questão é repetida: será que as máquinas aprenderão a contar boas histórias? Produzirão contos, crônicas, romances, poemas, peças, roteiros de filmes e séries com profundidade, graça, beleza? Na mesma seara, em entrevistas com escritores virou pergunta obrigatória "Você usa IA no seu trabalho?". Leia mais (06/06/2026 - 12h40)
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