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Published — 8 May 2025 Sons da perifa

Entre fusos e frestas, Samuel de Saboia estreia disco de múltiplas margens

Entre fusos horários e plataformas de streaming, Samuel de Saboia estreia em disco com "As Noites Estão Cada Dia Mais Claras". Gravado em Tóquio, Salvador, Paris, São Paulo e Londres, o álbum articula deslocamentos geográficos e afetivos. Artista visual com passagens por instituições como o LACMA (Los Angeles), o Museo Thyssen (Madri) e colaborações com Comme des Garçons e Vogue Britânica, Samuel agora transforma suas travessias em música - num gesto que dialoga com os discos-diário de Joni Mitchell, os rituais sonoros de Carlinhos Brown e a intimidade de Labi Siffre. Leia mais (05/08/2025 - 10h12)
Published — 2 May 2025 Sons da perifa

Lançamento duplo de Serpente Sapiente reforça o rap como protesto

Tem disco que é prece, tem disco que é protesto. Serpente Sapiente chega com os dois. "Apenas o Básico" e "Manifesto Sepé" são extremos de uma mesma trajetória: um fala baixo, o outro grita. Juntos, expõem a alma de um artista forjado entre ocupações, batalhas e noites sem resposta. Com apoio do selo Sujoground - o mesmo que projetou Maria Esmeralda - Serpente transforma vivência em verso, e lança dois álbuns que não pedem aplauso: pedem atenção. Leia mais (05/02/2025 - 12h00)

Quando ouço 'tudo é oportunidade', eu sei a cor e o CEP de quem disse

Desceu dois pontos antes do habitual. Não era pelo trânsito nem pelo clima. Era pelo esgotamento. Corpo travado, mente disparada, camisa suada antes das nove da manhã. O ônibus lotado, abafado, virou cenário comum - mas pra ele, naquele dia, era o limite. Sentiu que não ia dar conta. Que não importava quantas tarefas cumprisse, quantas entregas fizesse, quantos "bom dia" sorridentes soltasse: alguma coisa dentro já tinha quebrado. E ainda assim, seguiu. Leia mais (04/30/2025 - 18h00)

Enquanto Belém se prepara para a COP30, selo Caquí vira referência musical

Está acontecendo no Pará - e não é a COP30. Enquanto o governo federal tenta montar um evento climático cercado de contradições (como as árvores de plástico e esgotos a céu aberto), uma outra movimentação real, pulsante e organizada vem das bordas de Belém: o lançamento da coletânea "Marés", pelo selo Caquí. Um disco com dez faixas que escancara o que muita gente no Sudeste ainda não entendeu - o Norte não está esperando ser incluído, está se autoeditando. Leia mais (04/29/2025 - 12h08)

O novo álbum da Orquestra de Frevo do Babá e o futuro do ritmo no carnaval

O frevo nasceu no final do século 19 como um reflexo da efervescência cultural e social de Pernambuco. Surgiu das ruas do Recife, impulsionado pelo fervor das bandas militares e pela influência de ritmos como a marcha e o maxixe. Desde então, se consolidou como a essência do carnaval pernambucano, evoluindo ao longo das décadas e sendo reconhecido, em 2012, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Com sua cadência acelerada e coreografias vibrantes, tornou-se um símbolo de resistência e identidade nordestina. Leia mais (02/24/2025 - 16h11)

O EP que une MC Hariel, Memphis Depay e periferias além do Brasil

Nas vielas de São Paulo ou nas ruas de Accra, a mensagem ecoa a mesma: favela é resistência, favela é cultura. Foi sob esse espírito que MC Hariel e Memphis Depay se uniram para criar "Falando com as Favelas", EP lançado nesta segunda-feira (17). A parceria entre o funkeiro e o atacante do Corinthians transcende a música, conectando histórias de periferias separadas por um oceano, mas unidas pelo som, pelo futebol e pela resiliência. Leia mais (02/17/2025 - 13h29)

Lei Anti-Oruam: A favela só vira arte quando não é contada por quem a vive

Imagina só: você cresce em um bairro periférico, rodeado por desafios, mas também por uma cultura vibrante, que transforma dor em arte e realidade em música. O funk e o rap se tornam mais do que gêneros musicais; são vozes, desabafos e resistências. Aí chega uma lei dizendo que alguns artistas não podem mais se apresentar porque fazem "apologia ao crime". Mas quem decide isso? E por que esse controle nunca recai sobre outros estilos musicais? Bem-vindo ao novo capítulo da censura seletiva no Brasil. Leia mais (02/12/2025 - 16h40)

O que fazer quando nossos ídolos se tornam vilões?

"Ou se morre como herói, ou vive-se o bastante para se tornar o vilão." A célebre frase do filme do Batman é um lembrete inquietante de como grandes talentos podem, por circunstâncias diversas, cruzar a linha que separa o respeito da condenação pública. O universo do entretenimento é repleto de exemplos de artistas que, após conquistarem uma legião de fãs graças a seu talento, acabaram se envolvendo em polêmicas e comportamentos questionáveis a ponto de manchar suas próprias trajetórias. Leia mais (02/10/2025 - 14h27)

Ignoramos nossos gigantes enquanto mendigamos reconhecimento

Milton Nascimento foi indicado ao Grammy, mas teve seu lugar entre os grandes apagado. Não foi barrado, mas foi tratado como um figurante na própria premiação. Sua parceira de álbum, Esperanza Spalding, foi acomodada entre os artistas principais. Milton, uma das maiores lendas da música mundial, recebeu um assento na arquibancada-como se fosse um espectador qualquer. Motivo? A organização disse que "nas mesas ficariam apenas os artistas que eles queriam no vídeo". Isso mesmo. O Grammy selecionou quem ficaria no enquadramento das câmeras, e Milton Nascimento, a voz que revolucionou a MPB, não estava na lista. Leia mais (02/04/2025 - 19h44)

Novo álbum de BK é um alívio para a mesmice do rap nacional

"Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer" é aquele disco que faz você querer ouvir e reouvir. Não apenas pela beleza das faixas, mas porque aquece o coração e faz você se sentir parte de algo maior. BK entregou uma obra que vai além da música: é emoção pura, uma fusão de dores, amores e brasilidade que nos lembra o poder transformador da arte brasileira. Desde a primeira faixa, é impossível não se render à genialidade do rapper, que constrói, com rimas afiadas e melodias precisas, um álbum que já nasce clássico. Leia mais (01/28/2025 - 14h43)

Em 2025, vá a lugares onde a morte não faça parte do lazer

Era noite quando um homem negro foi morto a tiros por um policial militar de folga que trabalhava como segurança na porta da boate Dois Dois, no Centro de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência, o policial alegou ter disparado ao perceber que a vítima portava uma arma, posteriormente identificada como um simulacro. A cena descrita é chocante: um corpo negro no chão, cercado por gritos e pelo que parece ser o silêncio institucional. Esse e outros casos ocorridos no final de 2024 levantam a reflexão: quão seguro estou em lugares que supostamente se dizem negros, mas não são? Leia mais (01/27/2025 - 13h45)

Afinal, por que ainda negam que o funk é música eletrônica?

Funk é música eletrônica. Negar isso é, no mínimo, desinformação. Na pior das hipóteses, é preconceito ? aquele velho ranço que acompanha tudo o que vem das periferias. O funk, com suas batidas digitais, sintetizadores e manipulação de beats, carrega todas as características técnicas de um gênero eletrônico. Mas a resistência em aceitar o funk nessa categoria revela muito mais sobre as estruturas sociais e culturais do que sobre música em si. Leia mais (01/24/2025 - 14h44)

Melancolia no baile: Como Samuel de Saboia transforma a dor em folia

À medida que o carnaval de 2025 se aproxima, a efervescência das ruas brasileiras contrasta com as introspecções de artistas que exploram a dualidade entre alegria e melancolia. Samuel de Saboia, em seu single "Rei de Nada", exemplifica essa fusão ao transformar sentimentos profundos em uma celebração catártica. Essa abordagem ressoa com a tradição artística brasileira de mesclar emoções contrastantes no contexto carnavalesco. Leia mais (01/21/2025 - 11h20)

O embranquecimento do axé music e a influência das religiões evangélicas

Nos anos 1980, a cultural de Salvador viu surgir um dos movimentos musicais mais potentes dos últimos 40 anos: o Axé Music. Nascido do encontro entre ritmos afro-brasileiros como o samba-reggae, o ijexá e o frevo baiano, o Axé era a celebração da negritude e da ancestralidade africana. Artistas como Luiz Caldas, Sarajane e Margareth Menezes não apenas colocaram a Bahia no mapa da música nacional, mas também celebraram a potência cultural de blocos afro como Ilê Aiyê e Olodum, que já vinham pavimentando esse caminho desde a década de 1970. Nesse contexto, o Axé era mais do que música; era resistência. Leia mais (01/15/2025 - 15h54)

O Carnaval vem aí, mas o direito de festejar não é para todos

A abertura do pré-Carnaval nos lembrou que um pouco de brilho, música alta e gente suada ocupando ruas que, no resto do ano, só servem para o trânsito ou para o medo, ainda pode ser um ato de resistência. Será? Quem monta o palco, vende a cerveja, limpa as ruas e cozinha para os foliões tem seu direito à festa cerceado, assim como sua garantia de viver com dignidade. Para quem trabalha no Carnaval, o direito de viver e resistir não é tão garantido assim. Este texto é um lembrete de que, enquanto nos embriagamos, alguém acorda cedo para gelar a cerveja ? e, quase sempre, esse alguém é negro. Leia mais (01/14/2025 - 10h31)

No Natal, no réveillon ou na ditadura militar: Ainda estou aqui, morrendo

Um pai é morto brutalmente por militares. Sua família luta por justiça, mas a verdade permanece abafada pela impunidade. Rubens Paiva? Não, Evaldo Rosa, fuzilado com 257 tiros por militares do Exército no Rio de Janeiro em 2019. Os responsáveis foram julgados e absolvidos. Para preto, pobre e favelado, a história não vira livro, não vai ao cinema, e as memórias são apagadas em canos de fuzis. Em "Ainda Estou Aqui", o silêncio é simbolizado por Zezé, vivida pela atriz Pri Helena, a empregada doméstica. Ela serve, observa, participa da dor, mas desaparece. Sem voz, sem história, sem despedida. Leia mais (12/30/2024 - 15h33)

Brisa Flow conecta culturas e inspira transformações em turnê pela América Latina

Brisa Flow, ou Brisa de La Cordillera, transforma a música brasileira ao misturar a potência ancestral dos cantos originários com ritmos modernos como rap, jazz e neo-soul. Artista mapurbe marrona, criada em Minas Gerais, ela traduz sua conexão com os Andes e Pachamama em música que é tanto resistência quanto celebração, combatendo o epistemicídio com cada nota e verso. Leia mais (12/19/2024 - 17h24)

De volta a Recife, No Ar Coquetel Molotov celebra 21 anos com 12h de música

O No Ar Coquetel Molotov retorna a Recife como um dos festivais mais intrigantes e imprevisíveis do Brasil. Em sua 21ª edição, marcada para 7 de dezembro no campus da UFPE, a programação traduz o espírito de um evento que nunca se acomodou. São mais de 12 horas de música em três palcos, onde gêneros como brega, jazz, funk, coco e R&B se encontram, ignorando fronteiras entre tradição e vanguarda. A escolha de um line-up majoritariamente feminino é mais do que um gesto simbólico: é um reflexo do DNA do festival, que desde 2004 é liderado por mulheres e aposta na mistura como força criativa. Leia mais (12/06/2024 - 09h56)

Usando sua trajetória, Débora Freire cria futuros no Cri.Ativos da Favela

Débora Freire sempre acreditou que, quando se dá acesso às ferramentas certas, qualquer um pode reescrever a própria história. E foi exatamente o que ela fez. Nascida e criada no centro histórico de Salvador, em meio à herança cultural da Bahia e às dificuldades que marcam a vida de quem cresce na periferia, Débora transformou a tecnologia em sua aliada. Ao longo de mais de duas décadas, ela usou o audiovisual para abrir portas que a sociedade teimava em manter fechadas - não só para ela, mas para toda uma comunidade periférica. Leia mais (11/26/2024 - 07h15)
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