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Feiticeiro Julião num Trenzinho do Caipira Psicodélico

Aterrissou ontem, 8 de agosto, nas plataformas, Mata e Montanha, novo disco de Feiticeiro Julião, trazendo as influências da topografia e modus vivendus de Minas, onde o músico recifense está morando (aqui,  continua participando do projeto Forró do Suco Elétrico). Estéticas se cruzam num repertório construído em parte em terras mineiras, Clube da Esquina com Cátia de França, elementos da psicodelia dos anos 70, e rock rural, reforçado pela viola do multi-instrumentista Julião.

Em dois anos de Minas, ele se entrosou no meio musical da terra, encetando parcerias, com a mineira Maira Matos (que participa de quase todo o trabalho nos vocais), e mais jovens músicos seus conterrâneos. Porém, trazendo para o disco pernambucanos com os quais costuma trabalhar, Juvenil Silva, Marília Parente, Juba Valença, ou Marcelo Cavalcante.

Mata e Montanha é o terceiro álbum de Feiticeiro Julião (ou Júlio Lima), e o mais maduro, com melodias e arranjos vocais engenhosos, muitas participações, o que é uma característica da música atual, o tal do feat. Música viajada, rescendendo a anos 70 e patchuli.  Caso de Abrigo Lunar (Feiticeiro Julião/Maira Matos), ou Lá no Sol (Feiticeiro Julião/Maira Matos), com as vozes de Julião, Maira e Marília Parente, uma inspirada canção, com aquele toque Beatles/Lô Borges, na melodia, e arranjo sofisticado. A viagem vira mantra em Beira-Mar de Maraca (Julião, Juba e Veridiana Chiari Gatto), em que até o final, repetem-se dois versos, como um mourão voltando, no compasso das ondas.

Um trabalho com um rosto, uma unicidade estética, eletroacústico, e compromisso com a música de melodia consistente, algo cada vez mais difícil na música brasileira. Quer dizer, a que toca no rádio e TV.  Montanha Moída (Julião/Maira), que abre o repertório de 11 faixas, é um baião que lembra um Edu Lobo psicodélico nas terras de Minas. Um trabalho pra se curtir, e dos melhores discos desta temporada de 2026.

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