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Louie Louie, o mais inusitado clássico do rock, completa 70 anos

O jornalista Dave Marsh (um grande da crítica de música dos 60 e 70, falecido na semana passada) escreveu um ótimo livro sobre Louie Louie, o único grande sucesso do grupo de garagem The Kingsmen, em 1963. E que só não chegou ao primeiro lugar na Billboard porque foi barrada por uma freira belga com Dominique, seu único sucesso (um mega hit no Brasil). Sœur Sourire (“Irmã Sorriso” em Francês) madre da ordem dominicana compôs uma canção pop folk pra São Domingos, que foi sucesso mundo afora. No Brasil, no original, e na versão de Giane (por Paulo Queiroz).

Louie Louie completa 70 anos em 2026, só perdendo em quantidade de regravações pra Yesterday, dos Beatles, e Garota de Ipanema, de Tom e Vinícius. Foi composta e lançada, em 1956, por um jovem de 21 anos, Richard Berry, sem sucesso. Ele venderia, em 1959, os direitos da música por 750 dólares.
Com apenas três acordes (copiados mais tarde em dezenas de canções), letra boba, Louie Louie começou, de repente , a ser regravada, por tudo o que foi de bandinha de garagem, e por superstars. Dos Beatles a Bruce Springsteen, de Julie London a Jimi Hendrix, dos Beach Boys ao White Stripes, todo mundo gravou, e ainda grava Louie Louie. Há discos inteiros cujo repertório são de versões de Louie Louie.

Até Edgar J. Hoover, chefão do FBI, colocou agentes especialistas em decifrar códigos e mensagens subliminares pra perscrutar a letra da música, denunciada como pornográfica. Talvez uma artimanha comunista para contaminar a juventude americana. Espalhou-se que se escutavam as obscenidades caso o compacto, em 45 rpm, fosse rodado em 33 rotações. Adolescentes gastaram muitos disquinhos (e acumularam calos na mão) de tanto tocar o compacto em 33 .


Se você conhece Pobre Menina (versão de Hang on Sloopy, de The McCoys), de Leno & Lilian, Like a Rolling Stone, de Bob Dylan, ou Twist and Shout, do Isley Brothers (dos primeiros sucessos dos Beatles), todas se valem dos três acordes de Louie Louie, os mesmos da canção mexicana La Bamba, talvez a inspiração para Richard Berry. La Bamba foi gravada a primeira em 1938, e de tornou sucesso nos EUA, vinte anos depois com Richie Valens.

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