Thiago André é conhecido pelo podcast História Preta, onde traz perfis de grandes personalidades negras da história do Brasil. Mas, durante anos, ele viveu uma vida dupla. Porque enquanto via seu podcast crescer e chegar a cada vez mais gente, o Thiago continuava a servir em bases navais espalhadas pelo território nacional.
Como os militares são proibidos de expressar opiniões políticas, o Thiago manteve a atividade dele no História Preta em total segredo. E durante anos viveu uma vida dupla. De um lado, era conhecido pelo que falava. De outro, num ambiente cada vez mais tóxico pela ascensão do bolsonarismo, tinha de se manter em silêncio.
Neste episódio mergulhamos na história do Thiago André. Do primeiro dia na marinha, ao momento em que ele revelou o segredo nas redes sociais.
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Fundador, roteirista e produtor de conteúdo no História Preta – podcast documental que tem por objetivo trazer para superfície a memória histórica da população negra.
A lei da alienação parental foi criada em 2010 com o alegado objetivo de proteger crianças em processos de divórcio. A lei se baseia numa suposta síndrome da alienação parental, criada pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner.
Segundo a teoria da alienação parental de Gardner, a síndrome seria incutida nas crianças por meio de campanhas de difamação por um dos genitores. Entre essas campanhas estariam falsas acusações de abuso sexual. A síndrome nunca foi reconhecida pela comunidade científica, mas, mesmo assim, o legislativo brasileiro criou uma lei baseada nela. Foi o único país do mundo a fazer isso.
Desde então, a teoria tem sido amplamente utilizada nos tribunais. Ao mesmo tempo, multiplicam-se relatos de pais violentos e abusadores que utilizam a lei para se defender. Nesses casos, as mães que acusam acabam sendo consideradas alienadoras. E muitas vezes as crianças abusadas são obrigadas a conviver com os pais em dias de visita.
Há, inclusive, relatos de casos em que a guarda foi revertida para os pais: crianças que tiveram de viver sob a guarda do abusador, sem poder ter contato com a mãe.
Recentemente, em abril de 2022, o Congresso Nacional votou um Projeto de Lei que alterou o texto original. Nele, a bancada feminina havia inserido um parágrafo que impediria pais acusados de abuso ou violência de usarem a lei da alienação parental como defesa. Mas o trecho acabou excluído do texto final que, agora, aguarda sanção presidencial.
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Advogada especialista em direito de família, secretária-geral da Comissão de Violência Doméstica e vice-presidente da Comissão de Alienação Parental do Instituto Brasileiro de Direito da Família no Distrito Federal -IBDFAM-DF.
Educação respeitosa, disciplina positiva, educação neurocompatível. Os nomes são vários, escondem nuances, mas a ideia geral é a mesma e se baseia em dois pilares.
Crianças e adultos devem ser tratados como seres de igual valor. E o cérebro das crianças é diferente do cérebro dos adultos porque não está completamente formado. Os responsáveis pela criação precisam entender isso e se adequar às necessidades dos pequenos.
Neste episódio, partimos dessas constatações para falar dos desafios e limites da educação, das dores e delícias da maternidade e da paternidade, e de como a forma como criamos nossas crianças pode impactar o futuro da humanidade.
Psicólogo e graduando em estatística pela Universidade de São Paulo. Pesquisador no Departamento de Psicobiologia da UNIFESP, Centro de Comunicações e Ciências Cognitivas da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECAUSP) e no Núcleo de Estudos sobre Violência da USP. Co-host do podcast de divulgação científica Naruhodo.
Vírus mortais dominam o planeta, máscaras se tornam item de vestuário, o clima está fora de controle, nossa vida é mediada por máquinas de funcionamento misterioso, líderes populistas e incompetentes estão no poder, tiranos ameaçam lançar o mundo numa guerra global.
Diante de tudo isso, vale a pergunta: estamos vivendo numa distopia futurista?
Para tentar responder a ela, voltamos ao livro que é a bíblia das distopias futuristas: 1984, do escritor britânico George Orwell. Lançado em 1949, o livro é um retrato da Europa devastada pela Segunda Guerra e uma crítica feroz ao stalinismo. Mas hoje, mais de setenta anos depois de sua primeira publicação, ele se torna surpreendentemente atual.
Mestre e doutora em literatura pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde pesquisou a obra de George Orwell e sua relação com a História. Atua como professora, oferecendo cursos livres sobre literatura e as relações entre arte e sociedade.
Pseudônimo de Luciene Marcelino Ernesto, é pedagoga e escritora de ficção científica e literatura fantástica. Autora, entre outros, da dualogia Brasil 2408.
Na continuação do episódio 62, contamos como, depois de ter parte da memória apagada devido a um tratamento por eletroconvulsoterapia, Pedro tentou se afastar do psiquiatra que havia indicado a prática.
A resposta, foi uma internação involuntária na ala psiquiátrica de um hospital público – o Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (HUPE/UERJ).
Ali, Pedro recebeu um tratamento que lembra muito os tempos de manicômios e hospícios. E saiu do outro lado num estado mental pior do que o de quando tinha entrado.
A partir desse relato, o episódio fala sobre a reforma psiquiátrica, que desde o final da década de 1970 revolucionou a saúde mental, fechando hospícios, asilos e manicômios. Essa reforma psiquiátrica, que se desdobrou por algumas décadas, vem sofrendo fortes retrocessos nos anos recentes, em especial no governo de Jair Bolsonaro.
Médico psiquiatra, doutor em Saúde Pública (Fiocruz) e Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde Mental (Trieste/Itália). Mestre em Medicina Social (UERJ). Pesquisador Sênior do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS/ENSP/Fiocruz). Presidente de Honra da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME). Vice-Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO).
Médica psiquiatra, mestre e doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz. Vice presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental e Coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Fiocruz.
Ficha técnica
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
Nota de resposta do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE)
Pela análise de seu podcast, dá pra sentir claramente conteúdos extremamente coesos e com narrativas humanizadas. Mas infelizmente, em grande parte da mídia, sabemos, isso não é uma realidade. Uma sensação de incompletude ainda paira no ar, com muitos abordando o tema [saúde mental] de uma forma rasa, reducente, e muitas das vezes descontextualizada, gerando compreensão inexata e confusão social. Embora volte a ressaltar: logicamente esse não é o caso de sua rede de abordagem e reflexões através do podcast.
Mas o hospital, infelizmente, já passou por situações dessa natureza; mesmo sendo, como você mesmo ressaltou em uma das conversas que tivemos, uma instituição de excelência na disseminação do conhecimento e na atuação e cuidados, sempre de uma forma humanizada, nas questões sobre o sofrimento psíquico.
Assim, se reserva de expor e levar a público casos de pacientes em discussões e/ou análises em mídias sociais. Pedimos desculpas, mas a professora Silvana, no momento, em consonância com essa diretriz da instituição, não poderá realizar a entrevista. Agradecemos a sua compreensão.
Pedro teve depressão desde a infância. Aos 25, fez um tratamento com eletroconvulsoterapia, técnica popularmente conhecida como eletrochoque. Os efeitos colaterais, em particular os danos à memória, foram violentos. Hoje, dois anos depois das sessões, ele sabe que não é mais o mesmo de antes.
À partir do drama de Pedro, mergulhamos na história e nos usos da eletroconvulsoterapia. O que leva a debates sobre psiquiatria, saúde mental e sobre os avanços e retrocessos de um movimento que ficou conhecido como reforma psiquiátrica.
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Médico psiquiatra, doutor em Saúde Pública (Fiocruz) e Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde Mental (Trieste/Itália). Mestre em Medicina Social (UERJ). Pesquisador Sênior do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS/ENSP/Fiocruz). Presidente de Honra da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME). Vice-Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO).
Médica psiquiatra, mestre e doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz. Vice presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental e Coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Fiocruz.
Psicóloga, psicanalista, mestre em Ciências Médicas pela FMRP/USP, doutora em Psicologia pela FFCLRP/USP e pós-doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde Aplicadas à Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP.
Ficha técnica
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
Um mergulho no jogo de realidade virtual Second Life, o precursor do metaverso. Um fenômeno que já foi visto como o futuro da internet, mas que hoje é um mundo pós-apocalíptico, povoado por vampiros, prostitutas digitais e corações solitários em busca de afeto, ainda que esse afeto não passe de um conjunto de pixels brilhando na tela.
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Assim que Jair Bolsonaro foi eleito presidente, o escritor Ricardo Lísias começou a escrever O Diário da Catástrofe Brasileira. A ideia inicial era que o livro fosse lançado como e-book. E que fosse uma análise quente e mutante do novo governo.
A partir da história do livro, da dificuldade para publicá-lo como um produto mutável, e de outras desventuras da carreira de Lísias, falamos sobre a relação entre arte e política, sobre a literatura como instrumento de protesto, sobre os paralelos com a arte conceitual de Marcel Duchamp e dos artistas que se colocavam contra a ditadura de 1964.
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O hemitartarato de zolpidem está na classe dos medicamentos hipnóticos. Se a gente quiser ser mais preciso, ele é um agonista do receptor Gaba. No Brasil, também é conhecido pelo nome comercial de Stilnox. Nos Estados Unidos, Ambien.
O zolpidem age direto nas sinapses do cérebro humano. Tem e incrível capacidade de ir lá no interruptor inexistente da nossa cachola e clic. Desligar. Ou seja, é basicamente um sonífero.
Um sonífero que, apesar de extremamente eficaz contra insônia, traz uma série de riscos à saúde, especialmente se for usado de forma abusiva ou inadequada. O que tem acontecido bastante, uma vez que seu uso virou modinha entre jovens que costumam postar suas desventuras com o remédio nas redes sociais.
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Médica neurologista, responsável pelo laboratório de sono e pelo ambulatório de sono do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP. Responsável pelo ambulatório do sono e pelo laboratório do sono da Faculdade de Medicina do ABC
Ficha técnica
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
Em janeiro de 1970, Antonio Peticov, artista plástico, hippie e co-fundador da banda Os Mutantes foi preso no apartamento dele, em São Paulo. A acusação? Tráfico de drogas. A droga? Uma substância psicodélica ainda rara no Brasil chamada dietilamida do ácido lisérgico ou LSD.
A partir daí, a história se desenrolou num enredo surreal que envolveu sessões de pau-de-arara nos porões da ditadura, agentes do FBI, uma temporada no Carandiru. e um passeio pela contracultura hippie, na companhia de figuras como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e muito mais…
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Por que as mulheres arriscam os tornozelos usando salto alto? Por que homens com cachorro são mais atraentes? De onde vem nossa obsessão pelos corpos magros ou nossa predileção pela cor vermelha?
Ao longo de milhares de anos, a evolução moldou os nosso padrões de beleza. Nesse caminho, a seleção sexual e a seleção natural também modificaram os nossos corpos e os corpos dos animais. E, no caso dos humanos, existe um forte componente cultura que deixa tudo mais fascinante e misterioso.
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Antropóloga, professora doutora do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo, especialista em etologia e sexualidade humana.
Pós-doutorando em Etologia Cognitiva a Psicologia Evolucionista na Universidade de São Paulo. Pós-doutorado em Genética Comportamental e Psicoetologia. Bacharel em Ciências Biológicas pela UNESP de São José do Rio Preto. Mestre e doutorado em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo.
– Ficha técnica do episódio:
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
Por que fazemos sexo? A pergunta pode parecer banal, mas a reposta é deliciosamente complexa. Fazemos sexo por prazer, claro, mas também por interesse, para aumentar nossa autoestima, por vingança, para agradar a parceira ou o parceiro para selar a paz depois de uma briga feia.
Mas claro que não é só isso. Porque ainda que muita gente se esqueça, fazemos sexo para produzir novas pessoinhas que carregarão nossos genes adiante. E nesse processo, sem que a gente se dê conta, o sexo vai moldando não só a nossa espécie, como a maior parte dos seres que habita o planeta.
Nesse mergulho, investigamos as origens do sexo, o que herdamos dos animais, e o que criamos por nossa conta. E vamos além para pensar no impacto que a abundância de estímulos, a exposição nas redes, a pornografia sempre ao alcance da mão e até os robôs sexuais terão sobre nós.
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Antropóloga, professora doutora do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo, especialista em etologia e sexualidade humana.
Pós-doutorando em Etologia Cognitiva a Psicologia Evolucionista na Universidade de São Paulo. Pós-doutorado em Genética Comportamental e Psicoetologia. Bacharel em Ciências Biológicas pela UNESP de São José do Rio Preto. Mestre e doutorado em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo.
– Ficha técnica do episódio:
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
A violência acompanhou o homem desde a pré-história. Uma violência que foi herdada dos nossos ancestrais primatas. E que, ao contrário do que muita gente pensa, não é exclusividade dos humanos. Boa parte dos animais também mata indivíduos da mesma espécie. Em geral em disputas por alimento, por território, ou por fêmeas.
Nos homens, ao longo do tempo, a violência assumiu formas diversas. Às vezes brutal, às vezes massiva, às vezes ritualizada. A boa notícia é que estamos mais pacíficos. Proporcionalmente, nunca se matou e se morreu tão pouco.
Neste mergulho, investigamos as origens dessa violência, as várias formas como ela se desenvolveu ao longo dos milênios, e o fascínio pelo embate físico.
Paralelamente, mergulhamos no universo das Artes Marciais Mistas (MMA), buscando as origens da prática na região norte do Brasil, e contando a história de um lutador que não gosta de bater nos outros.
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Jornalista, escritor, colunista e blogueiro do jornal Folha de S.Paulo, autor de dez livros sobre ciência, entre eles, Homo Ferox (Harper Collins, 2021).
– Ficha técnica do episódio:
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
No segundo e último episódio da micro série sobre a união entre fé evangélica e tráfico de drogas, voltamos mergulhar nas origens do pentecostalismo que chegou por aqui no começo do século passado. Origens que têm raízes no sul escravagista dos Estados Unidos e que, por isso, carregam consigo um forte componente racista.
Como esse componente sobrevive e se reproduz no Brasil? Como ele se enquadra na lógica mercadológica do neopentecostalismo? Como ele se alastra por territórios ocupados pelo tráfico de drogas? E como tudo isso alimenta a perseguição a religiões não-evangélicas, em especial aquelas de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé?
Além de buscar respostas para essas questões, voltamos aos morros do Rio de Janeiro para contar a história de alguém que viveu dos dois lados desse mundo. Um pastor evangélico que chegou a ocupar um cargo de chefia no Comando Vermelho.
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Pastor, cantor, compositor, e produtor musical. Teólogo, mestre em história comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorando em história pela mesma instituição.
Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestra em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), doutora em Ciências Sociais também pelo PPCIS/UERJ, com período como pesquisadora visitante na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique. Atualmente realiza Estágio Pós-Doutoral (PNPD/CAPES) no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) e secretaria a revista Religião & Sociedade, do Instituto de Estudos da Religião (ISER).
Jornalista e doutora em Ciências da Comunicação. É pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas.
Com a expansão das religiões do segmento evangélico, é cada vez mais comum haver traficantes adeptos das igrejas pentecostais. O exemplo extremo disso é o Complexo de Israel.
Situado na zona norte do Rio de Janeiro, o complexo engloba cinco comunidades: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-pau. São cerca de 130 mil moradores.
Atualmente, o Complexo de Israel é um território com regras próprias, onde a entrada, a saída e a circulação são controladas pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, líder do Terceiro Comando Puro (TCP), também conhecido com Peixão. Álvaro Malaquias acredita ser ungido por Deus e se autodenomina Aarão.
Na esteira desse movimento, pessoas que eram adeptas de outras religiões, principalmente as de matriz africana, têm sido perseguidas. Terreiros de umbanda e candomblé foram proibidos. E babalorixás tiveram de deixar seus terreiros para trás.
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Bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestra em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), doutora em Ciências Sociais também pelo PPCIS/UERJ, com período como pesquisadora visitante na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique. Atualmente realiza Estágio Pós-Doutoral (PNPD/CAPES) no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) e secretaria a revista Religião & Sociedade, do Instituto de Estudos da Religião (ISER).
Jornalista e doutora em Ciências da Comunicação. É pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas.
– Ficha técnica do episódio:
Concepção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini
A partir da história de um soldado iraniano que se recusa a lutar, este episódio fala sobre a revolução islâmica no Irã, sobre intolerância religiosa, e sobre como golpes de estado e governos em colapso impactam a vida das pessoas comuns.
A revolução islâmica no Irã hoje é vista como uma resposta à operação Ajax, um golpe de estado patrocinado por Estados Unidos e Inglaterra, efetivado décadas antes. A operação Ajax é apontada também como a origem do ódio aos EUA, que alimenta Al-Qaeda, Talibã e outros grupos terroristas. O atentado de 11 de setembro e a recente crise no Afeganistão, por exemplo, são ecos da operação Ajax.
A resposta a ela, a revolução islâmica, ocorreu no final da década de 1970. Ela levou o Aiatolá Khomeini ao poder, demoliu o governo do Irã e causou profundas rupturas. Liberdades individuais foram tolhidas, iranianos passaram a ser perseguidos e executados por serem homossexuais ou por professarem uma fé diferente do islamismo.
Entre os mais perseguidos, estavam os praticantes da Fé Bahá’í, uma religião moderna e progressista, que prega a união global e a aceitação da diversidade. E entre esses praticantes da Fé Bahá’í estava um homem chamado Mohsen Javidan Samani. Um homem que, em meados da década de 1980, se viu obrigado a ir à guerra, lutar pelo Irã que o perseguia. Monhsen foi a guerra. Mas se recusou a lutar.
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Advogada, coordenadora de ações voltadas a violações dos direitos-humanos dos Bahá’í no Irã e no Iemen, do escritório de assuntos externos da comunidade Bahá’í no Brasil.
A expectativa de vida média global, um importante indicativo de saúde, esconde gigantescas diferenças. Enquanto uma mulher japonesa vive em média 90 anos, um homem de Serra Leoa vive míseros 37. Essa discrepância envolve uma série de fatores. Mas, no centro dela, está a diferença de renda.
Pessoas mais ricas comem melhor, dormem melhor, trabalham menos, têm mais tempo para se exercitar e, quando ficam doentes, geralmente têm acesso a melhores médicos e a melhores hospitais.
Neste episódio, partimos da história de um homem infartado que se vê obrigado a passar 12 horas em pé à espera de atendimento, para falar da desigualdade na área de saúde. E de como o sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS) tem agravado essa situação.
No primeiro ato, um mergulho em histórias de pessoas que desaparecem nas grandes metrópoles. São muitas. Só em São Paulo, a polícia registra, em média, 20 casos de pessoas desaparecidas todos os dias. Felizmente, muitas acabam reencontradas.
E isso se deve, em boa medida, ao trabalho de um homem: Darko Hunter, responsável pela Divisão de Localização Familiar e Desaparecidos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.
No segundo ato, um mergulho em histórias de pessoas que arriscam tudo para aparecer por meio da pichação. E especialmente um mergulho em uma história, do pichador que ousou desafiar o mundo das artes plásticas.
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Cientistas de várias partes do mundo têm descoberto que psicodélicos como ayahuasca, LSD, psilocibina, MDMA e ibogaína podem auxiliar no tratamento de vários tipos de doenças mentais.
No Brasil, o Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte efetuou um estudo pioneiro sobre o uso da ayahuasca.
Foi o primeiro estudo randomizado, duplo cego, para avaliar o impacto de um psicodélico no combate à depressão.
A bebida, utilizada na religião do Santo Daime e em vários outros cultos, mostrou resultados promissores. E o melhor: em pessoas resistentes a terapias com antidepressivos tradicionais.
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Escritor e jornalista especializado em ciência e meio-ambiente. Colunista do Jornal Folha de S.Paulo e autor do recém-lançando Psiconautas – Viagens com a ciência psicodélica brasileira (Fósforo, 2021).
Físico, doutor em física aplicada à medicina e biologia pela Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, onde também obteve o título de livre docência e foi professor até 2009. Professor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua na área de Neurociências, com ênfase na utilização da imagem funcional por ressonância magnética e eletrocenfalografia na avaliação das bases neurais dos estados alterados de consciência induzidos pelo psicodélico ayahuasca.
A inteligência das plantas vai muito além do que a gente pode imaginar e tem paralelos com inciativas humanas, como, por exemplo, a Wikipédia.
Trepadeiras misteriosas imitam as folhas de arbustos vizinhos, flores controlam a mente de exércitos de formigas, árvores emitem alertas de ataques e plantinhas malandras guardam lembranças por várias semanas.
Essa inteligência, em geral descentralizada, dispersa e horizontal é bem diferente da nossa inteligência humana. Centralizada, focada, vertical. Mas, em alguns casos, esses dois tipos de inteligência se encontram. Como, por exemplo, na Wikipédia, uma enciclopédia global, criada horizontalmente, de forma dispersa e descentralizada, por um enxame de editores espalhados pelo planeta.
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Professor Titular de Fisiologia Vegetal do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo. Membro fundador do Centro de Biologia de Sistemas e Biologia Sintética do INOVA-USP. Membro do Instituto de Estudos Avançados da USP, onde criou e coordena o programa USP-Cidades Globais. Presidente do Instituto de Biociências da USP.
– Ficha técnica:
Concepção, produção, roteiro, apresentação, sonorização e edição: Tomás Chiaverini