Apesar da maior força bélica dos russos, os ucranianos estão dispostos a pegar em armas para defender o seu país. A maioria aprova o presidente Volodymyr Zelensky (60%). Muitos também se mostram contrários a fazer concessões à Rússia para finalizar os conflitos.
A pesquisa Opinion Research BusinessInternational (ORB) foi realizada entre os dias 3 e 4 deste mês, com 1.024 entrevistados. Segundo o instituto, o questionário foi aplicado por telefone e é representativo para toda população ucraniana.
Nenhuma das quatro hipóteses colocadas para um possível acordo de paz é aceita pelos ucranianos. Mais de 75% são contra o reconhecimento da Criméia como parte da Rússia; 55% são contrários à proibição da Ucrânia entrar na OTAN como condição para encerrar os conflitos. O tema menos unânime é a implementação do acordo de Minsk. Cerca de 46% se mostram contrários a essa hipótese, enquanto 23% se dizem favoráveis. O que é o acordo de Minsk
Mais de 37% dos ucranianos estão fortemente dispostos a pegar em armas para defender o país, quanto 30.8%, dispostos a fazer o mesmo.
A disposição para pegar em armas é maior entre os homens (47.6%) quando comparado com as mulheres (28.5%). No grupo daqueles que afirmam terem alguma disposição para participar dos conflitos há um empate. Cerca de 30% de homens e mulheres têm essa opinião.
O chamado “Centrão” é um agrupamento informal de diversos partidos de direita e centro-direita da Câmara dos Deputados, quase todos com perfil fisiológico e inclinados a apoiar qualquer governo de plantão. Apesar dessas características mais ou menos estáveis, qualquer análise histórica sobre o tamanho ou comportamento dessa “bancada” enfrenta muitas fragilidades.
Não há, por exemplo, um indicador claro de que esses partidos tenham participado integralmente e permanentemente desse agrupamento desde 2002. Há entradas e saídas de partidos desse grupo conforme negociações e disputas de cada contexto, e há ainda a participação individual de alguns deputados. Ou seja, o partido pode não integrar formalmente o Centrão, mas o deputado apresenta certa adesão às pautas e votações de interesse desse grupo.
Apesar das fragilidades desse tipo de análise, vai aqui um esforço para tentar mensurar o tamanho do Centrão historicamente, já que, nesse momento, esse grupo tem sido decisivo no apoio ao Governo Bolsonaro. Para isso, considerei a atual composição do Centrão para organizar os dados desde 2002. Atualmente, o Centrão teria em torno de 237 deputados, mas, como alertado, esse número é uma estimativa, com algumas margens de erro dado o caráter informal do grupo.
Considerando o formato atual, o Centrão ampliou o tamanho da sua bancada. Em 2002, esse grupo era formado por 54 deputados. Passou para 97, em 2006, manteve o crescimento nas eleições seguintes, até atingir os 237 atuais (já atualizado após a eleição de 2018).
Para mensurar minimamente o tamanho do Centrão considerei os deputados eleitos em 2018, mas com a atualização das bancadas. Hoje, nesse grupo, temos 11 partidos: PSC, PSL, PP, PL, PTB, Republicanos, Podemos, Avante, Patriota, Solidariedade e PROS. Muitas publicações não consideram PSL como membro do Centrão, provavelmente porque Jair Bolsonaro deixou o partido. Mas o PSL é quem mais vota conforme a orientação do governo, com taxa de apoio de 97%, conforme o “Radar do Congresso“. Além disso, o partido mantém características dos demais membros do Centrão.
É preciso lembrar que se considerarmos o MDB, DEM ou PSD, que no passado recente faziam parte do Centrão, o tamanho do Centrão muda bastante, dado o peso dessas três legendas. Em julho de 2020, DEM e MDB anunciaram a saída do Centrão. Desde o ano passado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tem dito que o partido é “independente” e “não faz parte do Centrão”.
A nota pública assinada pelos ex-presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (02/08) pode ser lida como mais uma ação da Justiça Eleitoral do Brasil para enfrentar boatos e tentativas do presidente Jair Bolsonaro para desqualificar a votação por meio da urna eletrônica.
Uma outra frente do TSE tem sido a publicação de vídeos para desmentir fake news sobre a urna eletrônica ou enfatizar a segurança desse processo de votação. Embora 2020 tenha sido um ano eleitoral, o TSE já veiculou quase duas vezes mais vídeos (34) com esses conteúdos nos primeiros seis meses deste ano do que todo o ano passado (18). O volume de publicações coincide com o avanço da tramitação da PEC do voto impresso no Congresso.
O maior número de vídeos publicados no canal do YouTube do TSE ocorreu em maio (17), seguido de julho (10). Na soma total, 65% dos vídeos de defesa da segurança das urnas eletrônicas foram publicados este ano. Há meses sem qualquer publicação entre janeiro de 2020 e julho de 2021, por isso eles não aparecem no gráfico.
Aparentemente, a estratégia do TSE é pulverizar vídeos mais curtos quando comparado a 2020. No ano passado, os vídeos de defesa da urna somaram 270 minutos. Já este ano, que inclui ainda alguns vídeos com crítica ao voto impresso, somam, até agora, 106 minutos. A atenção para o debate sobre o voto impresso e a segurança das urnas repercutiu nas redes. Os vídeos deste ano já somam mais de 1,9 milhão de visualizações, contra 810 mil dos vídeos com conteúdo semelhante veiculados ao longo do ano passado.
O vídeo com o maior número de visualizações este ano foi publicado no dia 13 de maio. Trata-se de uma mensagem curta, informando que o TSE iria lançar a campanha “Na urna eletrônica você poda confiar”. Até agora, já foram mais de 655 mil visualizações. De longe, este também foi o vídeo com maior número de likes (8.836) e dislikes (158.924) simultaneamente. Este vídeo também lidera o total de comentários, cerca de 40 mil, indicando que a postagem gerou uma forte mobilização das redes sobre o tema.
O instituto Atlas Intel finalizou esta semana a primeira pesquisa de cenário eleitoral no Estado do Rio. Nesse momento, as sondagens de intenções de voto têm pouca precisão sobre a disputa que ocorrerá somente no próximo ano, quando as campanhas estarão oficialmente na rua.
Os cenários testados agora ajudam mais os partidos e lideranças na construção das estratégias. Se olharmos com essa devida cautela, as várias combinações de possíveis candidaturas mostram o deputado Marcelo Freixo (PSB) liderando a disputa, com índices que vão de 32% a 33%. O atual governador do Rio, Cláudio Castro (PL), aparece em segundo lugar, variando entre 19% e 20%.
Como o Atlas também mediu a avaliação do governador e do presidente Bolsonaro no Estado do Rio, reuni esses dois dados em um conjunto de gráficos interativos.
Como sabemos, o presidente deve apoiar Castro ao Governo do Rio e espera que isso também resulte em apoios locais. A comparação das avaliações ajuda a verificar qual faixa do eleitorado apresenta proporções parecidas ou muito diferentes sobre Castro e Bolsonaro.
Esses cruzamentos, no entanto, têm alguma imprecisão porque a margem de erro geral da pesquisa (+ ou – 3 pontos percentuais) costuma ser mais que o dobro, sobrepondo, muitas vezes, os percentuais das categorias como escolaridade, renda, faixa etária, entre outros. Por conta disso, é mais interessante considerar quando há mais diferenças em pontos percentuais entre as categorias.
O primeiro dado que chama atenção é que Bolsonaro tem uma avaliação positiva no Rio bem superior ao registrado por Castro. Cerca de 46% dos eleitores aprovam Bolsonaro, enquanto o governador tem apenas 24%. Ou seja, aparentemente Castro tem mais a ganhar colando com o presidente do que o contrário. Sua desaprovação é bem superior também que a de Bolsonaro no Rio.
O recorte por escolaridade mostra uma distribuição da avaliação de Castro e Bolsonaro muito parecida no grupo que tem apenas o ensino fundamental: aprovação maior que a desaprovação. Entre aqueles que têm o ensino médio, o comportamento é parecido, mas com sentido invertido. Mais reprovação que aprovação. No caso de Bolsonaro, esse dado é um pouco mais equilibrado (45% aprovam e 54% desaprovam). Essa distribuição é parecida entre os eleitores com ensino superior. Tanto Castro como Bolsonaro são mais reprovados que aprovados nesse grupo.
Já avaliação do governador e do presidente por faixa de renda do eleitor mostra que Castro é reprovado entre aqueles que ganham até R$ 2 mil (51%), enquanto Bolsonaro tem mais aprovação (53%) nesse grupo do que reprovação (36%). Tanto Bolsonaro quanto Castro são mais reprovados do que aprovados na faixa que ganha entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.
A maior reprovação de Castro e Bolsonaro ocorre entre aqueles que ganham acima de R$ 10 mil. Castro é reprovado por 80% desses eleitores, enquanto Bolsonaro, 70%.
Cláudio Castro e Bolsonaro são reprovados entre os eleitores de 16 a 24 anos (64% e 53%). Bolsonaro, no entanto, tem um percentual elevado de aprovação nesse grupo: 43%. O governador e o presidente registram aprovação maior que a reprovação no grupo que tem entre 25 e 44 anos (42% e 60%). A maior reprovação de Castro por faixa etária do eleitorado ocorre entre aqueles que têm entre 35 e 44 anos (75%), já Bolsonaro entre os que têm de 16 a 24 anos (53%)
A religião costuma ser um recorte importante no Rio, especialmente no grupo dos evangélicos. Aparentemente, Castro pode se beneficiar colando sua imagem em Bolsonaro. Ele é aprovado por 67% dos evangélicos do Rio, enquanto Castro é mais reprovado (41%) do que aprovado (32%). Entre os católicos, tanto Castro (64%), quanto Bolsonaro (62%) são amplamente reprovados.
O Estado do Rio tem hoje um conjunto de 106 obras paralisadas em áreas como urbanização, saneamento e transporte. Esses projetos somam mais de R$ 3,2 bilhões, dos quais mais de 71% já foram desembolsados pelo governo.
É um canteiro com obras iniciadas, na maior parte das vezes, há mais de dois anos (98% dos casos), e que pararam pelos mais diversos motivos. Quanto mais tempo paradas, maiores os prejuízos: sem o serviço, deterioração do material e maior custo para reiniciar as obras.
Os dados organizados neste post fazem parte de um levantamento produzido pelo Tribunal de Contas do Estado do RJ (TCE-RJ). O estudo demostra bem uma das dimensões da crise pela qual passa o Rio.
Pelo dados, o maior pico de obras paradas ocorreu em 2015, quando 21 foram suspensas. Aquele ano expressou uma tendência iniciada em 2013, quando houve um aumento substantivo das obras paralisadas (total 17 e 19/ano) . Esse período coincide com a crise política no Estado do Rio, início da Operação Lava-Jato e a crise política e econômica em nível federal.
Além da perda de tempo e do serviço, os projetos paralisados já custaram R$ 2,3 bilhões do total de R$ 3,2 bilhões contratados. Ou seja, em média, para cada R$ 10 reais do projeto, R$ 7 já foram repassados para as empresas contratadas.
Do total contratado, 50% tem como principal financiador o “contratado de financiamento”; outros 26% são resultado de convênios assinados com o Governo Federal; enquanto 22% são diretamente contratados pelo Governo do Rio.
Chama atenção as obras da “administração” e “transporte” que, embora paralisadas, já tiveram mais desembolsos que o restante dos projetos.
Há tantos motivos de paralisação que a base do TCE precisou criar uma categoria “Outro” para designar o maior conjunto de justificativas para a suspensão dos projetos. Nesse grupo, estão mais de R$ 2,2 bilhões do valor total dos contratos.
Em segundo lugar, vem “fatores vinculados à gestão/administração”, com um total de R$ 520 milhões dos projetos. O terceiro maior motivo de paralisações, segundo o valor dos contratos, foi o “bloqueio do repasse de convênios”, com R$ 167 milhões.
Já as paralisações das obras segundo seu objeto principal e o valor dos contratos indicam que a maior parte foi de ações voltadas para “urbanização”, com mais de R$ 1,4 bilhão. O abastecimento de água vem em segundo lugar com R$ 523 milhões, seguido de mobilidade urbana com R$ 335 milhões. Há também obras do setor de saúde, com R$ 61,7 milhões em projetos paralisados.