Professor, pesquisador e ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, Alexandre Schneider divide com Ilona Szabó as lições transformadoras da educação para reconstruir a democracia e o espaço cívico.
Passagem extraída do artigo “As ideias de Celso Furtado sobre a questão ambiental”, assinado por Renato Nataniel Wasques, Walter Luiz dos Santos Júnior e Danilo Duarte Brandão:
“Em uma entrevista concedida a Cristovam Buarque, em março de 1991 , Celso Furtado afirma que demorou a perceber a importância da ecologia na economia. A propósito disso, observou: “É difícil no Brasil se perceber a importância da ecologia, porque é um país que tem uma margem muito grande para o desperdício” (Furtado, 2007, p. 78). Ele relata que se deparou pela primeira vez com a questão ambiental no início dos anos 1960 , quando chefiava a Sudene [Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste].
Naquela ocasião, Celso Furtado trabalhava no projeto do Maranhão. “[…] aí se colocou o problema das florestas e dos rios. Era uma coisa mais ou menos evidente que no centro da ecologia estava a própria preservação dos índios, o habitat dos que viviam ali” (Furtado, 2007, p. 79).
Elaborou-se, então, um plano de colonização para a região maranhense, com a finalidade de preservar a floresta . O autor comenta que foi influenciado por leituras sobre as técnicas dos índios na Amazônia, principalmente pelo “[…] fato de eles usarem, nas margens dos rios, várzeas recuperáveis” (Furtado, 2007, p. 80). Essa constatação demonstrava que a agricultura praticada pelos indígenas não era predatória, pelo contrário, se recuperava permanentemente. Verificou-se, portanto, que era “[…] preciso partir da preservação da floresta, pois se houver destruição está tudo perdido, vem a desertificação” (Furtado, 2007, p. 80).
Nessa mesma entrevista, Celso Furtado busca responder à seguinte problemática: os recursos naturais não renováveis constituem um limite ao crescimento econômico? Ele argumenta que o uso predatório desses recursos “[…] está criando problemas tremendos para o planeta inteiro, não somente pela questão da escassez, mas pelas consequências, como a contaminação da atmosfera, a poluição geral, todos os problemas que vêm surgindo” (Furtado, 2007, p. 56). Apesar desse diagnóstico, o autor expressa certo otimismo em relação à capacidade da tecnologia em reverter aqueles problemas, inclusive na área energética. Nesse particular, assevera: “[…] creio que podemos pensar que a tecnologia vai, em grande medida, resolver esse problema dos recursos naturais” (Furtado, 2007, p. 57).”
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O Celso Furtado de 1991 se revela uma pessoa capaz de reconhecer suas limitações: demorou a perceber, diz, a importância da ecologia para qualquer pensamento que se queira econômico.
Ainda assim, na verdade, ele foi um dos primeiros economistas em todo o mundo a perceber que a questão ambiental seria decisiva. Em seu livro de 1974, O Mito do Desenvolvimento Econômico, o economista brasileiro já leva em conta o relatório Limites do Crescimento (1972), considerado um documento fundador da interface entre economia e ecologia. Furtado mostra ter familiaridade com nomes que apenas começavam a tratar do problema, como Nicholas Georgescu-Roegen, Herman Daly e Kenneth Boulding.
Nesse livro, Furtado já escreve: “A evidência à qual não podemos escapar é que, em nossa civilização, a criação de valor econômico provoca, na grande maioria dos casos, processos irreversíveis de degradação do mundo físico”.
Passaram-se 46 anos desde esse livro e 29 anos desde a entrevista. Na política brasileira atual, nem no governo, nem na oposição, encontramos alguém com a clarividência de Celso Furtado. Inspirar-se nos índios para uma agricultura regenerativa? Implementar projetos para desenvolver as potencialidades da própria floresta, dos próprios rios, sem destruí-los e àqueles que vivem deles? Nem pensar. Aqui, alguns são pelo fogo, outros pelo concreto.
À parte isso, poderíamos perguntar, tomando por base o otimismo tecnológico do final da passagem destacada: o que pode, de fato, a tecnologia, perante a crise ecológica? O que é preciso para tornar a tecnologia uma efetiva mediação entre a vida econômica e a vida como um todo, no planeta?
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No dia 01 de julho de 2020, a Pública, em parceria com o The Intercept Brasil, lançou a matéria "O FBI e a Lava-Jato" que traz diálogos vazados que mostram a proximidade entre Polícia Federal, procuradores e o FBI. Para contar como foi a apuração de algo tão sensível e o que significa afinal de contas essa parceria entre a agência americana e a Operação Lava Jato, Andrea Dip e Thiago Domenici, conversam com a editora Natalia Viana, que está acompanhando esse caso há muito tempo em uma série de reportagens.
//Link para a matéria: https://apublica.org/2020/07/o-fbi-e-a-lava-jato/==
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Ficha Técnica:/
/Apresentação: Andrea Dip e Thiago Domenici/ /Produção: Ricardo Terto/ /Pauta e Roteiro: Andrea Dip, Ricardo Terto e Thiago Domenici/ /Edição e Mixagem Final: Ricardo Terto/ /Artes: Bruno Fonseca e Larissa Fernandes/ /Trilha original composta por Pedro Vituri/
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From Poirot on the River Nile to Verdi's take on the infamous Scottish play. Thea Lenarduzzi and Lucy Dallas talk to writer Laura Thompson about the work of Agatha Christie and how she managed to move with the times, and Professor Larry Wolff joins us from Florence to discuss the tentative return of live opera in Italy with Verdi's Macbeth at the Parma Verdi Festival.
In this episode, Birgit Pauli-Haack and Mark Uraine discuss Gutenberg 9.0, Global Styles, Query Block, Enhancements and more. Music: Homer Gaines Editor: Sandy Reed Logo: Mark Uraine Production: Pauli Systems Show Notes / Transcript Show Notes Block Pattern Builder By BlockMeister Layout Grid Block by Automattic Card Component in Gutenberg Example of Media + Text block […]
O Pauta Pública é um podcast quinzenal que convida jornalistas a conversarem sobre suas reportagens que ajudam a entender estes tempos tão complexos. Apresentação de Andrea Dip e Thiago Domenici. Uma produção Agência Publica.
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Saio para regar as plantas e avisto à distância, no meio de um céu ocre e desolado, uma andorinha voltejando. Uma única andorinha, ágil como sempre, mas estranhamente solitária. Estranha como o próprio céu – que cheira a lenha, ou a cinzas de cambarás, piúvas, bocaiúvas e carandás.
Perto da janela dos fundos, as andorinhas fizeram um ninho, então estou acostumado a vê-las em bando. Só que, desta vez, é uma só. O velho dito popular sobre o “não fazer verão” me vem à mente, mas impregnado de ironia: pelo calendário oficial, estamos em pleno inverno, mas a imagem que me ocorre é a do estio, que a presença da andorinha vem negar.
É inverno e faz calor. E antes mesmo da primavera, a natureza já indica que o verão foi abolido.
Se fosse no tempo da minha adolescência, os jornais já estariam dando alguma trivialidade sobre o “veranico”: uma ou duas semanas de calor, que permitiam enxertar uma retranca prosaica no meio da torrente de notícias pesadas.
“Veranico”, palavrinha recorrente em outro século! Desapareceu, foi esquecida, junto com o período que servia para nomear – a breve interrupção do inverno em São Paulo.
Hoje é sábado, faz calor no meio do inverno, mas não é um veranico. É só mais um dia quente, acima dos trinta graus. Como foi ontem e como amanhã deve ser.
O noticiário, então, tem que se contentar em fazer o oposto: dar palanque a gente do naipe de Aldo Rebelo ou Eduardo Bolsonaro, quando se aproveitam da semaninha de frio que tem feito no inverno para negar a evidência de que os anos têm ficado cada vez mais quentes.
Virou notícia, fazer frio no inverno! Por que não adotamos “invernico”, como antes tínhamos um “veranico”? Fica a ideia: se por acaso calhar de fazer frio no inverno em São Paulo, podemos pautar um “invernico” e aligeirar o noticiário. Que tal?
Falando nisso, esse frio passou por aqui faz uma quinzena, mais ou menos. Agora, só ano que vem – com sorte. Vamos deixar o “invernico” guardado, então.
Hoje, a andorinha voa no calor e no céu ocre que cheira a cinzas. No sentido literal, ela não fazer verão seria até boa notícia. Como costumavam dizer os cariocas, e agora dizemos todos, o oposto do inverno é o inferno.
No sentido figurado, ao contrário, parece que nunca mais teremos um verão. Pensando bem, parece mesmo é que estamos presos indefinidamente num monstruoso inverno escaldante.
A andorinha volteja atrás de insetos, sozinha. Será que ela baila no ar para informar que não podemos almejar um verão, que nunca mais viveremos uma primavera?
No fundo, nem penso em primaveras, mal lembro o que é isso. Penso nas plantas, que estavam secas e agora estão molhadas. Penso por um instante na garganta, que arranha, e nos olhos, irritados pelo ar denso, carregado com os restos de biomas mortos. Fecho a torneira, volto para dentro, lembro de não deixar a janela aberta.
A antropóloga Aparecida Vilaça e o engenheiro florestal Tasso Azevedo, da rede MapBiomas, discutem as ameaças ao nosso maior bioma e à sua população, em especial indígena: Covid, garimpo, fogo e grilagem. As soluções em vista envolvem tecnologia, redes colaborativas e saberes tradicionais.
Toby Lichtig talks us through this year's Booker shortlisted novels, plus a couple of others, and Lucy Dallas reports on the French scene (where real life and fiction blur...); finally, we explore the situation in Israel and Palestine from three rather different perspectives.
An Army Like No Other: How the Israel Defence Forces made a nation by Haim Bresheeth-Zabner
The Conflict over the Conflict: The Israel/Palestine campus debate by Kenneth S. Stern
The new peace? – Israel’s unexpected ray of light by Ari Shavit – www.the-TLS.co.uk
Este é um episódio voltado às dívidas. O que acontece com quem deixa de pagar o que deve? Por que grandes somas de dinheiro muitas vezes se transformam em alguns trocados diante da inadimplência?
Como é o trabalho de quem ganha a vida cobrando dos outros? Como funciona o sistema bancário, que se baseia na confiança mútua e funciona como uma extensão das finanças públicas?
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Economista formado pela PUC, foi Chefe da Assessoria Econômica da Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo e Diretor de Estruturação de Projetos da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo. É CEO do banco Fator.
– Ficha técnica:
Concepção, produção, apresentação, roteirização, edição e sonorização: Tomás Chiaverini
Na primeira temporada, Ilona Szabó entrevista nove líderes brasileiros que se colocam em defesa da democracia e dos bens públicos com ideias e práticas novas. A cada episódio, uma história sobre como ações cívicas podem provocar mudanças reais nas políticas públicas do país.
In 1405, Christine de Pisan took up the pen in defense of her maligned sex, imagining a 'City of Ladies' in which the most virtuous female leaders of history might be preserved from the distortions of misogyny. Six hundred years later, with Cleopatra, Lucrezia Borgia and Catherine the Great as her guides, the novelist and historian Lisa Hilton revisits the City to shake the foundations of the way we write about power
Hoje é o aniversário do Hélio!
Para comemorar esse dia, preparamos uma surpresa com muitos amigos queridos ❤
E você também pode fazer parte dessa comemoração! E só gravar um vídeo cantando a música "Banho é Bom" e marcar o Hélio nos stories do Instagram (@helioziskind) que nós vamos compartilhar e aumentar essa linda festa!
Convidados:
Akira
Angela Dippe
Beatriz Malnic
Eduardo Alves (Galinha Lola – Cocoricó)
Fernando Gomes (Júlio – Cocoricó)
Fortuna
Gal Oppido
Geraldo Leite
Guegué Medeiros e Vicente
Gustavo Ruiz
Hugo Picchi
Ivan Rocha
Joana Bergman
Lili Molina
Lulu Araújo (Fada Magrinha)
Luciano Vieira
Luiz Chagas
Luiz Tatit
Marcio Nigro (Ozzi Osmose) e Gabriel e Martin
Marinho Gallera
Mario Manga
Ná Ozzetti
Nailor Proveta
Neusa de Souza (Galinha Zazá – Cocoricó )
Paulo Tatit
Pedro Mourão
Rafaela Munis Ziskind
Regis Damasceno
Rita Gullo
Sidney Borgani
Stella Gullo Delacoletta
Suzana Salles
Tarsila Amorim Coelho
Tess Amorim
Tulipa Ruiz
Vicente Falek
Zé Carlos Ribeiro
In this episode, Birgit Pauli-Haack and Mark Uraine talked about the WordPress 5.5.1 maintenance release, Gutenberg 8.9, Block-based Widget Screens, G2 Components site and much more. Music: Homer Gaines Editor: Sandy Reed Logo: Mark Uraine Production: Pauli Systems Show Notes / Transcript Show Notes G2-Components G2-Components Blog by Jon Q G2-Components Demo site Hallway-Hangout: G2 Components: […]
O ato de caminhar, restrito em tempos de pandemia, inspira poetas e pensadores desde a Antiguidade. Poeta da natureza e das trilhas e estradas, Leonardo Fróes fala sobre poesia, literatura, filosofia, macetes de tradução e sobre a vida que escolheu, retirado em um sítio no meio do mato. Participação especial: Arildo de Barros.
Como os políticos usam a internet e as redes sociais para chegar ao poder, para continuar lá, e como isso afeta as políticas públicas. Esse é o tema do episódio final da série Profundezas da Rede, sobre os impactos da internet na nossa sociedade.
Dos disparos ilegais de WhatsApp, às campanhas de desinformação, passando por teorias da conspiração e pelo discurso de ódio às mulheres.
Está tudo conectado num sistema que tem reflexos profundos na política nacional, e que tem se mostrado eficiente para manter a popularidade do governo.
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Diretora do InternetLab, professora da pós-graduação no Insper e pesquisadora do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Coordenadora do Creative Commons Brasil. É doutora em sociologia jurídica pela Faculdade de Direito da USP, onde também obteve seu título de mestre e graduou-se em direito.