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This week, we hear from two international prize-winning authors, Jenny Erpenbeck and Mircea Cărtărescu.


'Kairos' by Jenny Erpenbeck, translated by Michael Hofmann

'Solenoid' by Mircea Cărtărescu, translated by Sean Cotter


Produced by Charlotte Pardy


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The Great Political Fictions: Phineas Redux

This week's great political novel is Anthony Trollope’s Phineas Redux (1874), his lightly and luridly fictionalised account of parliamentary polarisation in the age of Gladstone and Disraeli. A tale of political and personal melodrama, it explores what happens when political parties steal each other’s clothes and politicians find themselves hung out to dry by their colleagues. A story of integrity and hypocrisy and how hard it is to tell them apart.


Next time: Robert Louis Stevenson’s Dr Jekyll and Mr Hyde.


Coming next month on PPF: The Ideas Behind UK General Elections


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#115 – O shifting e a fuga para Hogwarts

E se fosse possível mudar de realidade? E se você pudesse criar uma realidade e se transportar para lá? E se você pudesse passar alguns meses junto com seus personagens de ficção favoritos? Isso, claro não é possível.

Mas existe uma comunidade crescente na internet que não pensa assim. Que pensa ser plenamente possível transferir a nossa consciência para outro universo. Qualquer universo.

Essa prática, conhecida como shifting, se popularizou durante a pandemia e atrai um número crescente de crianças e adolesces, que, insatisfeitos com a vida que têm, escolhem mudar para outro universo.

Neste episódio, explicamos o que é o shifting, por que ele tem crescido tanto e que perigos ele pode trazer para mentes jovens e desavisadas.

Entrevistados do episódio

⁠ Ramiro Figueiredo Catelan⁠

Pesquisador de Pós-Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROPSAM/IPUB/UFRJ), onde coordena o Núcleo de Pesquisa em Devaneio Excessivo e Desregulação Emocional

⁠Fernanda Calvetti Corrêa⁠

Psicóloga e produtora de conteúdo shifter.

Ficha técnica

Pauta, produção e reportagem: Júlia Magalhães e Laura Mirada.

Apoio de edição: Matheus Marcolino.

Mixagem de som: Vitor Coroa.

Trilha sonora tema: Paulo Gama.

Design das capas: Cláudia Furnari.

Direção, roteiro e edição: Tomás Chiaverini

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Acer Helios Neo - A RTX 4060 BARATA QUE ENTREGA MENOS? [Análise / Review]

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O Acer Helios Neo é um dos Notebooks RTX 4060 mais baratos do Brasil que infelizmente acaba entregando menos desempenho caso o usuário não fique atento aos seus modos de desempenho, além da performance duvidosa, sua tela que ao contrário dos concorrentes ainda é Full HD, resolução comum em notebooks gamer mais baratos.

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00:51 - Construção/Design/Peso
01:54 - Tela
02:54 - Teclado/Touchpad/Alto-falantes
03:16 - Webcam/Segurança
03:33 - Conectividade
03:52 - Por dentro
04:04 - Bateria
04:20 - Painel de Controle
06:03 - Desempenho da CPU em Renderização
07:12 - Desempenho da GPU em Renderização
07:24 - Desempenho nos Jogos
10:52 - Problema adicional nos Jogos
11:47 - Cuidados com Benchmarks
14:31 - Refrigeração
15:49 - Fonte
16:12 - Vale a pena? Concorrentes
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#acer #helios #gamer

A solidariedade, ou: consequências econômicas da enchente

Volto ao tema da calamidade no Sul, porque depois de publicar o último texto percebi que algo importante ficou de fora.

Talvez a melhor entrada no assunto seja a última declaração infeliz do governador Eduardo Leite, afirmando que os investimentos em prevenção de enchentes foram reduzidos porque havia outras prioridades, em particular o equilíbrio fiscal. O que vale reter dessa quase-confissão é que, assim como no seu deslize anterior, sobre o impacto da solidariedade nos comerciantes locais das áreas atingidas, o erro é que seus pés estão cimentados na lógica contábil de um mundo de estabilidade; só que essa lógica e esse mundo, já deu para perceber, foram abalados, e certamente sem volta, pelas circunstâncias da catástrofe ambiental.

Mas não quero me concentrar em Eduardo Leite, o indivíduo, a figura pública. É tentador passar todo o tempo fustigando uma liderança política que demonstrou incapacidade, justamente, de liderança. É claro que o governador não entendeu em que mundo, tempo e país ele vive e o que se espera de um líder nessa situação. Acontece que ele está longe de ser o único. Ao contrário, sua paralisia, o impasse em que se instalou seu raciocínio, é o sintoma da bifurcação crítica do nosso tempo. Aliás, o comprometimento da capacidade de planejar, de que tratei no texto anterior, também reflete esse impasse.

O conflito entre dois imperativos, o econômico/contábil e o ambiental, é uma dicotomia impregnada no nosso, como se costuma dizer, espírito do tempo. Nem adianta retrucar que, entregando as terras alagáveis para salvar o orçamento, o Estado ficou com as terras efetivamente alagadas e as contas completamente furadas; ou que veremos operações de salvamento bem mais caras para os cofres estaduais do que as que retiraram as pessoas das casas isoladas. Por isso mesmo, é preciso explorar o campo em que essa dicotomia se apresenta, assim como quais estradas podem ser tomadas ou mesmo traçadas, se queremos escapar do círculo vicioso que se expressa nas falas de Leite. E também se queremos ir além da mera aceitação da derrota.

1. Solidariedade como semente

Na verdade, se volto ao tema da enchente, é por causa do outro lado dessa moeda ambiental-econômica. Há cerca de um mês estamos acompanhando a grande variedade de iniciativas de solidariedade com os gaúchos, que enfrentaram dificuldades incomuns até mesmo em desastres anteriores: com o aeroporto interditado, estradas bloqueadas, abrigos tomados pelas águas e outras barreiras, foi preciso estabelecer novas redes de contatos, articular grupos de distribuição com entidades locais, dar novas destinações a espaços e assim por diante.

Tudo isso me chamou a atenção porque em outros desastres, nos últimos anos, também vimos surtos de solidariedade, com doações e o afluxo de voluntários, mas eram ações um tanto pontuais, que não chegaram a afetar o dia-a-dia das pessoas em lugares não atingidos. Desta vez, foi diferente. Foi preciso discutir como se poderia fazer, de que maneira as doações chegariam ao destino, descobrir quais eram os canais confiáveis, como escapar de fraudes e mentiras em geral. Empresas de TI desenvolveram plataformas especificamente para coordenar a distribuição de alimentos e roupas, por exemplo.

Olhando um pouco mais detidamente, é como se emergisse um sistema econômico coeso baseado na distribuição e na dádiva. Por ironia, foi Leite quem captou isso, completamente sem querer, mas nem por isso com menos clarividência, quando demonstrou preocupação pelo possível efeito sobre o comércio da chegada de tantos bens doados. Logo em seguida ele se viu constrangido a pedir desculpas, mas o fato é que a incompatibilidade entre a distribuição solidária e os requisitos do comércio está realmente colocada. E é isso que precisamos explorar.

Mas seria um erro simplesmente contrapor uma economia da dádiva à de mercado, com seu mecanismo de preços e o incentivo do lucro. Primeiro, porque a economia da dádiva, como já mostraram fartamente os estudiosos que se debruçaram sobre ela ao longo do último século, não é gratuita, nada tem a ver com solidariedade e envolve, ao contrário, muito conflito. É preciso ir um pouco mais fundo nisso. Mas principalmente porque parece haver outros princípios em ação.

2. A Grande Transformação

Vale a pena voltar às páginas da Grande Transformação de Karl Polanyi, publicado em 1944, e também a alguns de seus ensaios que saíram em volumes como A Subsistência do Homem e outros não lançados no Brasil. Polanyi foi um daqueles raros pensadores a buscar uma conexão substancial entre os mecanismos da economia moderna e as formas de organização da vida coletiva em geral, sem se ater demais à excepcionalidade da riqueza industrial, nem tentar naturalizar ou essencializar os comportamentos a que nos habituamos. É isso que o torna, acredito, tão percuciente e, ao mesmo tempo, tão insuportável para quem acha que pensar é sempre propaganda.

Ao tratar da emergência histórica do capitalismo como sistema, Polanyi apresenta a ideia de que a economia de mercado, baseada em trocas e viabilizada pelo mecanismo de preços, teria se “desenraizado” da sociedade, tornando-se autônoma e, em um movimento de inversão, “enraizando”, por sua vez, a sociedade na economia. Esse momento histórico é contraposto a outros três grandes princípios, ou lógicas, de organização da vida econômica. São eles a redistribuição, em que uma instância centralizadora, como os impérios mesopotâmicos, acumula os bens produzidos pelo coletivo como um todo e os redistribui segundo seus próprios critérios; a reciprocidade, da qual a troca é um caso particular, que designa um sistema onde diferentes partes trocam as suas produções através de um mecanismo de equivalências ou de um sistema de dádivas; e a domesticidade, responsável por uma existência predominantemente autárquica.

Quando a forma de mercado se torna dominante, diz Polanyi, não desaparece o espaço para modalidades dos outros princípios. Por exemplo, no caso da domesticidade, a família nuclear é responsável por muitas atividades cruciais da vida econômica; basta pensar no trabalho reprodutivo e não remunerado que recai sobre as mulheres. Da perspectiva institucionalista, a firma ou corporação também absorve uma parte do que cairia na categoria da domesticidade, internalizando modos de interação não mercantis. A redistribuição também ainda existe, especialmente na condição de subsídios, transferências, subvenções e doações, tanto do Estado como do setor empresarial. Instâncias de reciprocidade não mercantil aparecem, cá e lá, todo o tempo, incluindo presentes, favores e trocas ocasionais. Acontece que todos esses princípios se tornam sujeitos e secundários em relação à lógica geral da troca mercantil e monetária; seu valor é calculado a partir do vínculo que tiver com avaliações de mercado.

3. Sistemas alternativos

O que isso tem a ver com o desastre no Sul e a solidariedade que rapidamente se manifestou? Acredito que a resposta está em ver nessas iniciativas de organizar redes de doações, voluntariado e todo tipo de contribuição algo que vai se tornar cada vez mais comum à medida que a crise climática se desenrola, e por isso mesmo contêm a semente de uma futura recomposição da relação entre as lógicas econômicas que Polanyi apresenta.

É importante ter em mente que esse florescimento da redistribuição e das dádivas se deu num contexto não só de catástrofe, mas de comprometimento da distribuição habitual de bens e serviços pela via do mercado e do mecanismo de preços. Esse é um dos motivos pelos quais a preocupação do governador com o bom funcionamento do comércio local soa tão deslocada, justamente quando está paralisado o sistema que envolve logística, estocagem, venda, pagamento de salários, taxas e impostos, depósito das receitas no banco e por aí vai. Em que condição está esse comércio que ele deseja resguardar? Foram mesmo as doações que o colocaram nessa condição?

Já assistimos a outros momentos em que ruptura dos mecanismos de mercado produziram ondas de solidariedade ou circuitos econômicos alternativos, que emergiram espontaneamente, só porque era preciso. Foi o caso em situações de emergência que nada têm a ver com o clima, como o colapso argentino em 2001, cenários de invasão militar, guerra e pós-guerra, ou a queda da União Soviética. Ganharam vida formas de domesticidade, com comunidades tendo de prover suas próprias necessidades; redistribuição, com comitês organizando racionamentos; e reciprocidade não monetária, ou até monetária, mas alternativamente – como as redes de trueque na Argentina ou o scrip money da Grande Depressão.

É claro que o reverso disso é o surgimento de mercados negros, como também tem acontecido no Sul, com preços escorchantes e proprietários subindo aluguéis. Mas mesmo esse aprofundamento da lógica da troca com vistas ao ganho individual, com toda sua crueldade, é fruto de uma anomalia no próprio movimento de produção, circulação e pagamento.

Em todos estes episódios, a relativa volta à estabilidade que se sucede ao trauma restabeleceu os mecanismos de mercado, levando essas outras formas ao desaparecimento ou à marginalização – o trueque, por exemplo, existiu em pequena escala ao longo de todo este século, e agora reemerge com a ascensão de Milei e seu garrote. Algo semelhante se deu com todo o interminável rosário das calamidades ambientais no Brasil e outros cantos: circuitos de doações e redistribuição surgem e se dissolvem com a mesma agilidade.

4. Capitalismo de desastre

Desta vez, no entanto, a escala é muito maior, as necessidades mais urgentes e a resposta proporcionalmente mais ostensiva. Do dia para a noite, surgiram centros improvisados de recolhimento, transporte e distribuição de doações, com uma notável capacidade de coordenação. Foram criadas plataformas online dedicadas a identificar necessidades específicas e conectá-las aos doadores. Os voluntários afluíram às áreas afetadas, mas, dada a magnitude da destruição, só puderam agir com efetividade quando coordenados com grupos que conhecem melhor a região.

Aliás: ficamos horrorizados com a enxurrada de chorume que tomou conta das redes digitais, com seu repertório infalível de mentiras, compartilhadas pelos culpados de sempre. Mas nem sempre o mais determinante é o que está acontecendo online…

Voltando ao assunto, é claro que todas essas iniciativas também tendem a se desmanchar, quando enfim começarmos a ver uma melhora da situação no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, é importante levar algumas coisas em conta.

Para começar, estamos tão habituados a pensar no capitalismo como infinitamente engenhoso, implacável e inventivo (pense, por exemplo, no Manifesto Comunista, que é de 1848), que podemos esquecer que ele tem as suas próprias fragilidades internas. Embora possa ser mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo, como disse Fredric Jameson, esse poderoso sistema ainda precisa que o mundo esteja no seu lugar e seja relativamente estável. O capitalismo de desastre, nas palavras de Naomi Klein, pode prosperar em torno de deslizamentos, guerras e terremotos, mas se esses eventos se tornarem a regra, a ponto de as pessoas perderem a capacidade de vender sua força de trabalho e comprar seus meios de subsistência, em que solo o mercado vai fincar sua barraca?

Para colocar um pouco melhor: a oposição que Eduardo Leite apresentou entre investir em prevenção e garantir o equilíbrio fiscal é fruto de modelos de pensamento em que se dá por certa a possibilidade de produzir, distribuir e consumir, de modo que choques são a exceção e simplesmente impactam preços e quantidades. De um jeito ou de outro, a moeda vai fluir. Não se leva em conta que a estrutura produtiva e os canais logísticos possam ser nocauteados, nem que as interrupções sejam de fato imprevisíveis, com gargalos surgindo a todo momento. A ideia de que um orçamento saneado é o que dá músculo para fazer investimentos depende de uma situação em que seja possível orçar com alguma segurança. Só que quando a instabilidade do mundo real é grande demais, qualquer orçamento é em boa medida uma peça de ficção.

Um aparte: a esse respeito, vale a pena acompanhar o trabalho de Isabella Weber sobre a inflação em tempos de emergências sobrepostas. Suas sugestões para mitigar a variação incontrolável de preços, algo que se apresentou nos Estados Unidos e na Europa com o bloqueio de cadeias de suprimento e com a guerra na Ucrânia, respectivamente, vão em boa medida na direção do que estou sondando aqui: estoques reguladores, controles de preços, patamares de consumo etc. O mais interessante é que até 2020, um economista teria que ser muito heterodoxo para dar ouvidos. Hoje, até alguns neoclássicos já entenderam que não dá para brincar com certas coisas.

Outro ponto é que a experiência que estão vivendo aqueles que se envolvem diretamente nos atos solidários, recolhendo ou distribuindo roupas, alimentos e remédios, ou conectando pessoas e grupos, representa uma valiosa aquisição de hábitos e saberes, ou seja: práticas. Com a sucessão das calamidades ambientais, e a esta altura só os mais alienados negam que estão se sucedendo e vão se apresentar ainda mais intensas, ao mesmo tempo em que mecanismos tradicionais passam a ratear com mais frequência e, como tratei no último texto, o planejamento em grande escala se revela mais complicado, faz sentido esperar que a prática de lógicas econômicas não estritamente mercantis comece a se solidificar, pelo menos do lado da distribuição, senão da produção. O recurso às soluções alternativas tende a perder, digamos assim, seu caráter alternativo, passando a constituir uma resposta permanente, uma verdadeira tendência.

5. O precedente da pandemia

Talvez essas considerações tenham soado um pouco panglossianas, admito. Principalmente porque o problema do futuro da atividade econômica não aparece só pelo lado da distribuição. Então alguém poderia objetar: está muito bem que a crise suscite novos processos distributivos, mas o que isso muda, se não afeta o sistema produtivo como um todo?

Neste ponto, acho que vale a pena recuar um pouco no tempo e lembrar da pandemia, que foi considerada, nem faz muito tempo, uma espécie de “ponto inaugural” do século do Antropoceno. Também ali houve um enorme surto de solidariedade, em escala global, que envolveu desde pessoas se cotizando para comprar refeições de restaurantes fechados até a pressão no Congresso pelo auxílio emergencial. Aqui e em muitos outros países foram criados instrumentos para sustentar a renda das famílias, mas também o fluxo de caixa de pequenos negócios.

Esses instrumentos vão um pouco além do que já se pensava, nos anos anteriores, em termos de renda básica de inserção, universal e incondicional ou não. O motivo é que já não se tratava mais de garantir o acesso dos mais vulneráveis ao sistema do consumo e, portanto, da produção para o mercado e o lucro. O problema passou a ser o de estabelecer formas de reequilíbrio em situações de ruptura e instabilidade. Uma vez que as estruturas do mercado e do capital começam a se tornar dependentes desses mecanismos, elas já se encaminham para um retorno à condição de “enraizamento”.

Também não devemos esquecer que as iniciativas de política industrial, como a americana, devem muito a esse momento traumático e à percepção de que nem sempre esticar cadeias globais de suprimento em nome da redução de custos é uma ideia razoável. Vem emergindo algo como uma consciência de que as situações antes excepcionais passam a ser recorrentes, levando a uma ainda incipiente tendência à formulação de mecanismos compensatórios. Mais uma vez, o provável resultado, caso essa necessidade se torne permanente – e tudo indica que é o rumo em que stamos –, é o “enraizamento” dos mercados na vida social mais ampla.

Voltemos ao Rio Grande do Sul: além de algumas iniciativas de pequena escala, embora simpáticas, como empresas que dedicaram parte de sua produção a esse circuito distributivo, é sempre bom lembrar que a – vamos chamar assim – “crise do arroz” tem dois lados. O primeiro é esse que se arrasta até agora, com a busca por fornecedores no mercado internacional, encabeçada pelo governo federal, na tentativa de contornar os aumentos de preço que vendedores estão promovendo desde já, obedecendo à “lei da natureza” que se tornou a relação de oferta e demanda. Aliás, estamos diante de uma forma clássica de redistribuição, conduzida pelo Estado.

Mas o que interessa mesmo é o segundo lado, em que o cálculo da produção de alimentos responde à crise. É instrutivo o caso das cozinhas solidárias, envolvendo o MTST, o MAB, a CNBB e outros movimentos, na medida em que dezenas de assentamentos da reforma agrária direcionam parte da sua produção para evitar a penúria no Sul, com o uso dos canais de distribuição do MST. Neste ponto, vemos em potência uma organização produtiva coesa, em grande escala, que seria efetivamente capaz de incorporar diferentes princípios da economia não formalista, nos termos de Polanyi, mas substantivista, isto é, levando em conta a reprodução das condições de vida.

Claro que nada disso tem força a esta altura para competir com o gigantesco aparato técnico-financeiro que domina o planeta, lançando satélites e dejetos, emitindo debêntures e carbono, inovando nos mecanismos de captura da atenção e nas tecnologias urbanas de engarrafamento verde. Mas sabemos que essa máquina começa a engasgar, já que seus canais de reprodução se entopem com sua própria saliva. Sabemos também que os princípios de organização econômica da vida comum, esses mesmos que encontramos em Polanyi, se reconfiguram de acordo com as demandas da história, de tal maneira que o “desenraizamento” do capital não é uma condição definitiva.

É triste constatar que a emergência de arranjos econômicos mais amplos se torna concebível devido à deterioração das condições de vida na Terra tal como a conhecemos, isto é, as condições da nossa vida. O simples fato de termos chegado a este ponto é um testemunho da incapacidade que demonstramos para construir alternativas duradouras e em grande escala à voracidade predatória do capital, sobretudo sua forma radicalizada do último meio século. Temos que ter em mente, com toda a clareza, que a emergência ambiental passa longe de ser uma oportunidade para mudar o que quer que seja. Na verdade, mudar é a única saída para respondermos às calamidades que advêm da degradação ambiental. Tomar essa saída exige um trabalho cuidadoso de construção e articulação, algo que ainda só começamos a vislumbrar em episódios como o do dilúvio gaúcho.

Episode 80: Unlocking Your WordPress Potential with Learn WordPress Tools

Welcome to another episode of the WordPress Briefing! In this episode, your host, Josepha Haden Chomphosy, delves into the incredible resources available to help you broaden your WordPress expertise. Whether you're just starting out or looking to deepen your skillset, these tools and tutorials offer something for everyone. Join us as we explore how Learn WordPress can be your guide on the journey to mastering WordPress, providing invaluable support and community connections along the way.

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The Great Political Fictions: Middlemarch (part 2)

This second episode about George Eliot’s masterpiece explores questions of politics and religion, reputation and deception, truth and public opinion. What is the relationship between personal power and faith in a higher power? Is it ever possible to escape from the gossip of your friends once it turns against you? Who can rescue the ambitious when their ambitions are their undoing?


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Next time: Trollope’s Phineas Redux, the great novel of parliamentary ups and downs.


Coming soon on the Great Political Fictions: Dr Jekyll and Mr Hyde, The Time Machine, Mother Courage and her Children, Atlas Shrugged, Midnight’s Children, The Handmaid’s Tale, and much more.


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After Comfort: A User’s Guide

Image: Ducts in a row. Photo: Daniel A. Barber. Taken from: After Comfort: A User’s Guide.

Comfort is a construct. Many new commercial and institutional buildings built over the past few decades rely so heavily on fossil-fueled mechanical HVAC systems that they would be uninhabitable without them. Many of the stylistic and programmatic debates in architecture in these same decades similarly relied on HVAC for their explorations and innovations. In other cases, often at the residential scale, buildings have been produced with an expectation of cheap energy, which has meant that adequate insulation, cross ventilation, and other design-based passive thermal measures have not been considered. Our determinedly slow, casual move away from fossil fuels, with limited political or socio-economic support, is already resulting in “green inequity” and novel forms of thermal violence. Over the decades to come, enclaves where upper-class neighborhoods engage with expensive “green tech” such as electric vehicles and heat pumps will coexist alongside poorer areas that cannot afford to make any transition from the carbon-fueled lifestyles they need to get by.

After Comfort: A User’s Guide is a project by e-flux Architecture in collaboration with the University of Technology Sydney, the Technical University of Munich, the University of Liverpool, and Transsolar.

The Shrinking City

In Europe alone, there are more than 500 cities with continuous demographic shrinkage, which in many cases concern small‐ to medium‐sized, peripherally situated, former industrial cities. The surplus of space (land, buildings) in these cities and the diminished role of market parties might create favorable conditions for experimentation with alternative types and ways of urban development and land use. Moreover, in shrinking cities, there is also a need for urban development solutions that improve the quality of life in the absence of economic growth, and therefore there may also be more interest in the outcomes or lessons of urban degrowth experiments and a higher probability for larger‐scale uptake and implementation.

Read more: Hermans, Maurice, Joop de Kraker, and Christian Scholl. “The Shrinking City as a Testing Ground for Urban Degrowth Practices.” Urban Planning 9.2 (2024).

A cruzada contra o aborto legal - com Amanda Audi

São Paulo tinha um dos hospitais referência no procedimento de aborto legal, o Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Vale lembrar que, no Brasil, o aborto legal é garantido nos casos de estupro, quando o feto é diagnosticado com anencefalia e quando a gravidez causa risco de vida à pessoa gestante.

Ainda assim, a prefeitura de São Paulo suspendeu o serviço de aborto legal prestado na unidade, alegando suspeitas de procedimentos ilegais.No entanto, conforme apurou uma reportagem publicada no site da Agência Pública, feita pela jornalista Amanda Audi, essa é uma história muito mal contada. Informações obtidas via Lei de Acesso à Informação mostram que não houve nenhuma denúncia de aborto ilegal no hospital desde 2019. Em outras palavras, o serviço foi suspenso sem nenhuma justificativa.

O que aconteceu com o Hospital Vila Nova Cachoeirinha não é uma situação isolada e inclui a perseguição a profissionais de saúde que decidem cumprir com a obrigação ética e legal de realizar procedimentos de aborto nos casos permitidos pela lei. Para falar sobre essa apuração e a atuação contra o aborto legal no Brasil, o Pauta conversa hoje com a própria Amanda Audi e também com a ginecologista Helena Paro, que discorre sobre as investidas do Conselho Federal de Medicina contra pacientes que precisaram realizar o aborto legal e médicos que realizaram o procedimento.

Saiba que você pode ser aliado da Agência Pública e colaborar com esse trabalho. Saiba mais em apoie.apublica.org ou faça um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.
Contamos com seu apoio!

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#112 - Livros e Livres — Renan Quinalha

Casamento homoafetivo, lei que pune a homofobia: não há dúvida de que, no papel, os direitos da população LGBTQIA+ avançaram nos últimos anos. Mas como é a situação na prática? No 112º episódio do 451 MHz, o convidado é o professor de direito e colunista da seção Livros e Livres da Quatro Cinco Um, Renan Quinalha. Quinalha está lançando "Direitos LGBTI+: novos rumos da proteção jurídica" (Edições Sesc), coletânea de artigos organizada em conjunto com Emerson Ramos e Alexandre Melo Franco Bahia. Ele fala sobre os avanços e embates jurídicos da população LGBTI+ na última década. O episódio foi realizado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura e Casa de Cultura do Parque. Apoie o 451 MHz: https://bit.ly/Assine451

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How Medieval Readers Customized their Manuscripts

Medieval manuscripts resisted obsolescence. Made by highly specialised craftspeople (scribes, illuminators, book binders) with labour-intensive processes using exclusive and sometimes exotic materials (parchment made from dozens or hundreds of skins, inks and paints made from prized minerals, animals and plants), books were expensive and built to last. They usually outlived their owners. Rather than discard them when they were superseded, book owners found ways to update, amend and upcycle books or book parts.

These activities accelerated in the fifteenth century. Most manuscripts made before 1390 were bespoke and made for a particular client, but those made after 1390 (especially books of hours) were increasingly made for an open market, in which the producer was not in direct contact with the buyer. Increased efficiency led to more generic products, which owners were motivated to personalise. It also led to more blank parchment in the book, for example, the backs of inserted miniatures and the blanks ends of textual components. Book buyers of the late fourteenth and throughout the fifteenth century still held onto the old connotations of manuscripts—that they were custom-made luxury items—even when the production had become impersonal.

Owners consequently purchased books made for an open market and then personalised them, filling in the blank spaces, and even adding more components later. This would give them an affordable product, but one that still smacked of luxury and met their individual needs. They kept older books in circulation by amending them, attached items to generic books to make them more relevant and valuable, and added new prayers with escalating indulgences as the culture of salvation shifted.

From: M Rudy, Kathryn. Piety in pieces: how medieval readers customized their manuscripts. Open Book Publishers, 2016.

Image: Parchment diptych with the measurements of Christ’s length and side wound, inserted into a French book of hours. Paisley, Renfrew District Museum and Art Gallery, Ms. 1, fol. 13–14 forming a diptych. Photo © Author, CC BY 4.0.

Building the ENDGAME invisible PC

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Let's build the ENDGAME invisible PC! Thanks to FlexiSpot for sponsoring this project - they're having their Brand Day sale right now! Use code DIYPERKS to get $50 off on their E7 PRO and E7 PLUS desks: https://bit.ly/4d4HD71

Let the Games Begin!

This week, writers including Andrew O'Hagan, Rose Tremain, Ayobami Adebayo and Marian Keyes select their most memorable sporting moments; and we drop in on the European Writers' Festival at the British Library.


Produced by Charlotte Pardy


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The Great Political Fictions: Middlemarch (part 1)

Our series on the great political novels and plays resumes with George Eliot’s Middlemarch (1872), which has so much going on that it needs two episodes to unpack it. In this episode David discusses the significance of the book being set in 1829-32 and the reasons why Nietzsche was so wrong to characterise it as a moralistic tale. Plus he explains why a book about personal relationships is also a deeply political novel.


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Next time: Middlemarch (part 2) on marriage, hypocrisy, guilt and redemption.


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Em 'Salve-se!', Bebé desafia as barreiras da música popular brasileira

Após o sucesso de seu álbum homônimo de estreia em 2021, Bebé retorna com um novo e aguardado projeto: "Salve-se!". Esta obra, que se destaca pela profundidade emocional e autenticidade, apresenta uma combinação única de pop eletrônico com influências de indie, R&B, pagode, funk e trap. "Salve-se!" transmite narrativas complexas, refletindo o crescimento e a maturidade artística de Bebé. Leia mais (05/21/2024 - 20h04)
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