Uma das maiores festas populares do mundo, o carnaval reúne milhares de pessoas nas ruas e tem quem prefira ficar em casa para acompanhar os desfiles das Escolas de Samba pela televisão. A versão brasileira dessa festa - apropriada pelas pessoas escravizadas no Brasil - já foi criticada, perseguida e criminalizada por muitos anos, mas resistiu e se consolidou como parte inseparável da identidade brasileira.
O que significa para o Brasil ter esses dias de alegria onde se pode brincar, dançar e compartilhar as ruas? Como surgem e o que representam os ritos por trás do Carnaval? Para responder a essas e outras perguntas, o Pauta Pública desta semana recebe a pesquisadora e cientista da religião Cláudia Alexandre. Ela faz um resgate histórico do carnaval enquanto espaço político de luta, memória e resistência, destacando o papel fundamental do samba.
Ouça o episódio completo e não esqueça de seguir, curtir e compartilhar o Pauta Pública. Você também pode se tornar uma pessoa aliada da Agência Pública de Jornalismo Investigativo. Acesse nosso site e saiba mais,!
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Como as convenções sociais influenciam nossas formas de amar e de cuidar? No 130º episódio do 451 MHz, a psicanalista e escritora Vera Iaconelli e a psicóloga, poeta e ativista indígena guarani Geni Núñez conversam com a atriz e escritora Martha Nowill sobre a crise do cuidado, historicamente atribuído às mulheres, a maternidade e formas de amor não monogâmico. As três ainda discutem as heranças da colonização e da sociedade patriarcal que moldam essas nossas formas de afeto. O episódio foi realizado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura. Seja um ouvinte entusiasta e apoie o 451 MHz: https://bit.ly/Assine451
Milhares de frequentadores
estiveram com a vida em risco na praia de Copacabana no verão do ano passado.
No auge da estação, durante os meses de janeiro e fevereiro de 2024, turistas e cariocas mergulharam em um ponto cego num dos mais concorridos lugares da orla. Um pedaço de mar com a visão e a proteção dos salva-vidas obstruídas, como mostram imagens e documentos obtidos pela reportagem. Banhistas e salva-vidas separados por paineis de propaganda gigantescos.
Por iniciativa da prefeitura
do Rio, uma das maiores intervenções publicitárias de todos os tempos foi feita
na paisagem do Rio de Janeiro, em uma clara demonstração da força da indústria
das bets, as casas de aposta.
No total, foram dois meses de
ocupação. Entre 26 de dezembro de 2023 e 18 de fevereiro de 2024, o Rio foi
tomado por gigantescas estruturas estampando a marca da casa de apostas Pixbet:
Seis cubos gigantes espalhados pela cidade, um “beach club” e duas imensas
torres unindo uma tirolesa, ambos na praia de Copacabana.
O “Beach Club Pixbet” teve o funcionamento entre os dias 25 de janeiro 18 de fevereiro de 2024, de 8h às 18h autorizado em 2 de janeiro.
Peças imensas foram montadas no trecho de areia que fica entre o Lido e a rua Prado Júnior. Além de todas as instalações do “Beach Club Pixbet”, mais duas torres para abrigar uma “tirolesa”. Em plena areia, a torre de partida tinha quase 10 metros de altura. Exatos 9,50. E a torre de chegada 3,60.
No dia 29 de janeiro, já com quatro dias de funcionamento do “Beach Club Pixbet”, o comandante do 3º Grupamento Marítimo (3º GMar), coronel Márcio André Mathias de Oliveira, responsável pela área do evento, enviou comunicação ao comandante do Comando de Atividades de Salvamentos Marítimos (CBA X), obtida pela reportagem, onde apontou para os graves riscos da montagem. Uma negligência que poderia ter causado uma tragédia para a história da cidade e botou a vida de milhares de pessoas em risco. A solução veio em forma de gambiarra. A reportagem questionou o CBMERJ por meio da assessoria de imprensa sobre o fato. A instituição informou que “no período mencionado, os militares foram reposicionados estrategicamente para mais perto da areia, garantindo a continuidade do serviço de salvamento marítimo sem qualquer prejuízo à segurança da população” Já a prefeitura respondeu, via assessoria, que “ante todas as liberações oficiais, o município autorizou a realização do evento entre os dias 25 de janeiro de 2024 e 18 de fevereiro de 2024, de 8h às 18h”. (ver íntegra das respostas ao fim).
Com o improviso o “clube” foi
mantido, mesmo causando o reconhecido transtorno.
MERGULHO EM PONTO CEGO NA PRAIA DE COPACABANA
O relatório do comandante do 3º
Grupamento Marítimo (3º GMar), em 29 de janeiro, não deixa qualquer margem de
dúvida sobre o risco. Textualmente, palavra por palavra:
“Considerando o Beach Club
PixBet, evento esportivo que está sendo realizado na Avenida Atlântica, s/n –
Copacabana, a direita do Posto de Salvamento 2, com data de início as
11/01/2024 e término previsto para 18/02/2024, cujo tem estimativa de 200
pessoas por dia”;
“Considerando a estrutura montada para a realização do evento que, além de ser próxima à torre de salvamento, ocupa boa parte da faixa de areia, fazendo com que o guarda-vidas de serviço tenha a visão do lado esquerdo do posto prejudicada, perdendo visibilidade do mar”.
“Venho por meio desta
informar que a estrutura supracitada prejudica sobremaneira o serviço dos
guarda-vidas do Posto 2”.
O relato informava ainda que a estrutura do evento prejudicava o serviço de salvamento diretamente “diminuindo o tempo de resposta do guarda-vidas”.
E mais: que a representante do evento não considerou a gravidade dos fatos. Estava tudo legalizado. “A mesma informou que cumpriu com o projeto que foi apresentado para a legalização do evento”.
A organização do evento foi
indiferente ao relato sobre o risco que milhares estavam correndo: “…na
tentativa de mitigar o prejuízo, após conversar com uma das organizadoras, o
retorno não foi positivo por parte desta”, escreveu.
A reportagem teve acesso às fotos anexadas no relatório. São imagens contundentes quanto ao nível de interferência. Definitivas para se entender a dimensão do perigo que frequentadores da praia correram durante mais de um mês sob o patrocínio da casa de apostas Pixbet.
AS INTERVENÇÕES DA PIXBET NA PAISAGEM DO RIO NO VERÃO
DE 2024
– Um Beach Club ao lado do posto
2, Copacabana ocupando um quarteirão inteiro de um dos mais nobres ponto da
praia.
– Ao lado do “beach club” do
posto 2, em Copacabana, duas torres foram montadas para abrigar uma tirolesa.
Em plena areia, a torre de partida tinha quase 10 metros de altura. Exatos
9,50. E a torre de chegada 3,60.
– 6 cubos
publicitários, com 3 metros de altura e 5,15 metros de comprimento.
INVASÃO DA CASA
DE APOSTAS OCORREU NOS PONTOS MAIS VALORIZADOS DA CIDADE
Os pontos onde os 6 cubos
Pixbet foram instalados:
1- Avenida
das Américas, 900 (Barra da Tijuca)
2- Parque do
Flamengo (altura da rua Jardel Jercólis)
3- Parque do
Flamengo (altura do Hotel Glória)
4- Orla de Copacabana
(Avenida Atlântica na altura da rua Rainha Elisabeth)
5- Lagoa (na
saída do metro estação General Osorio)
6- Lagoa (canteiro central na subida do Túnel Rebouças)
CUBO PIXBET NA LAGOA
DOCUMENTOS DO IPHAN E INEPAC FALAM EM IRREGULARIDADES
O Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (IPHAN) e o INEPAC enviaram ofícios para prefeitura e
produtores contestando as instalações. Por diversas irregularidades. Sem
efeito.
Em 29 de dezembro de 2023,
três dias depois da montagem das torres para abrigar a tirolesa no posto 2 da
praia de Copacabana, a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) no Rio de Janeiro pediu a retirada dos paineis de
propaganda do local, por ser um “Sítio Patrimônio Mundial: paisagem carioca
entre a montanha e o mar”.
“Considerando o posicionamento histórico deste Iphan
de que o patrimônio cultural não seja utilizado como suporte de propaganda
comercial, recomenda-se a retirada dos grandes painéis da empresa promotora.
Além disso, relativamente à limitação de uma extensa faixa de areia,
recomenda-se que o acesso seja franqueado a todos, com o objetivo de garantir a
fruição do patrimônio por todo o coletivo da sociedade”.
Além do “Beach Club” e da tirolesa que contrariavam as
normas do IPHAN, os 2 cubos da Pixbet no Parque do Flamengo também apresentaram
irregularidades.
Em outro ofício de 29 de janeiro, a instituição pediu
a retirada dos cubos ali instalados, “cada vez maiores e mais numerosos”:
“Relativamente aos 2 cubos previstos para o Parque do
Flamengo, solicitamos a retirada dos elementos do local à luz do posicionamento
institucional adotado para a área de que os paineis publicitários em si já
causam poluição visual na paisagem e, recentemente, sendo projetados com
dimensões cada vez maiores e se tornando mais numerosos, ofuscam a
singularidade da paisagem natural urbana carioca. Dessa forma, requeiro o envio
de relatório fotográfico que demonstre a integridade dos canteiros ajardinados
após a desmontagem dos elementos, e/ou a recuperação dos gramados eventualmente
danificados em virtude da montagem do cubo de publicidade. Ressaltamos que
eventuais danos identificados no local, causados pela instalação dos cubos,
serão imputados à responsabilidade do requerente”.
MAIS
IRREGULARIDADES EM OUTRO CUBO NA ORLA
O segundo ponto da orla de Copacabana, instalado na
avenida Atlântica com a rua Rainha Elizabeth, a poucos quilômetros da
instalação do Posto 2, também apresentou problemas na liberação.
O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC)
recebeu ofício para solicitação de autorização para a instalação patrocinada
pela Pixbet em 30 de janeiro de 2024, seis dias depois de já montada. Em 2 de
fevereiro, o arquiteto da instituição, Eduardo Valdetaro enviou ofício para a
prefeitura e para os representantes dos patrocinadores com duas considerações
principais apontando irregularidades:
“O cubo publicitário instalado em cima do piso tombado
de pedras portuguesas de autoria Roberto Burle Marx em um trecho do mosaico em
área integrante do tombamento estadual denominado Conjunto urbano-paisagístico
nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon; o cubo publicitário de led “em
funcionamento 24 horas por dia, o que impactará diretamente na paisagem da Orla
de Copacabana, já que o local faz parte do Sítio Rio de Janeiro – ‘Paisagens
Cariocas entre a Montanha e o Mar’, patrimônio mundial declarado pela UNESCO
desde 2012, na categoria paisagem cultural”.
O parecer do INEPAC: “Diante das considerações acima e
após análise do material recebido, e sob o ponto de vista estrito do tombamento
Estadual, este Instituto se opõe a instalação de cubo publicitário Pixbet em
cima do piso de mosaico em pedras portuguesas de autoria de Roberto Burle Marx”.
O INEPAC também lamentou o envio com pedido de autorização fora do prazo:
“Solicitamos que, para as próximas realizações, seja
observado o prazo para envio da documentação de requisição ao INEPAC, de 20
dias antes da data inicial da montagem das peças artísticas”.
MUNICÍPIO NÃO RECEBEU UM CENTAVO PELA UTILIZAÇÃO DA
CIDADE COMO CENÁRIO DA PIXBET
A transformação da cidade em
um cenário da Pixbet não valeu um real diretamente para os cofres da
prefeitura. Assim mesmo: não houve qualquer pagamento direto da Pixbet ao
município para que a cidade se transformasse em um canteiro de exposição da
casa de apostas.
A transação da casa de
apostas para expor sua marca nos principais pontos da cidade foi feita através
de um intermediário, que recebeu o pagamento. No caso, um personagem de longa
relação com eventos realizados no Rio de Janeiro nas gestões Eduardo Paes: a SR
Promoções Culturais (SR COM) empresa de organização de eventos com R$
94.690.022,12 (noventa e quatro milhões, seiscentos e noventa mil, vinte e dois
reais e doze centavos) em 22 contratos com a prefeitura do Rio ao longo dos
anos, sendo que 18 deles em gestões de Eduardo Paes, além de outros eventos com
múltiplos financiadores além do município, como a festa de abertura dos Jogos
Olímpicos em 2016 e Jogos Mundiais Militares, em 2011.
O início da invasão da Pixbet
se deu próximo ao réveillon de 2023. Um edital da Riotur, a empresa de turismo
do município do Rio, selecionou a empresa responsável pela produção da festa de
fim de ano na cidade. A SR Promoções Culturais foi a vencedora da concorrência.
O edital autorizava a empresa
vencedora a captar patrocinadores no mercado privado, com a contrapartida de
ações de marketing nas áreas da festa. Assim, em breve resumo, a Pixbet assinou
e realizou o pagamento para ser patrocinadora da produtora do evento, a SR
Promoções Culturais. Não entrando nenhum centavo para a prefeitura diretamente
pela exposição da casa de apostas, como confirma a própria prefeitura, através
da assessoria de imprensa da Riotur, em resposta para a reportagem.
“Não houve qualquer
transferência de recursos entre a “Pixbet” e a Prefeitura do Rio de
Janeiro. Houve, na verdade, um aporte de recursos privados, a título de
patrocínio, para a sociedade organizadora privada, a “SR COM”,
selecionada mediante Edital de Caderno de Encargo realizado pela Riotur.”
(veja a íntegra da resposta ao fim da reportagem).
PREFEITURA NÃO RECEBEU PELO PATROCÍNIO DO RÉVEILLON MAS PAGOU R$ 22,1 MILHÕES PARA INTERMEDIÁRIA EM GASTOS NA FESTA
A SR Promoções Culturais
ganhou dos dois lados.
Se não houve pagamento de
patrocinadores para o cofre da cidade diretamente, indo para a empresa, o mesmo
não pode ser dito em relação ao fluxo “prefeitura – SR Promoções Culturais”.
Mesmo captando recursos na iniciativa privada, a empresa ainda assinou um total
de R$ 22.150.000,00 (vinte e dois milhões, cento e cinquenta mil reais) a serem
pagos pela gestão de Eduardo Paes, em ações diretas para o réveillon, divididas
em dois contratos: um junto a própria Riotur, (R$ 11.900.000,00) e outro com a
Casa Civil (R$ 10.250.000,00).
Assinado em 13 de dezembro, o
contrato de R$ 11,9 milhões da Riotur com a SR Promoções Culturais teve como
objeto “contratação de empresa especializada para prestação de serviço de
evento, planejamento operacional, execução, acompanhamento, fornecimento de
bens e insumos, infraestrutura e apoio logístico para viabilizar o evento do
réveillon 2023/2024 – Palcos da Cidade do Rio de Janeiro”.
Já o contrato da Casa Civil
do município com a Sr Promoções Culturais, assinado no apagar do ano que
partia, em 28 de dezembro, no valor de R$ 10,2 milhões, tinha como objeto a
“divulgação da marca G-20 durante o réveillon de 2023/2024, em vários pontos da
cidade, tendo como seu ponto alto a praia de Copacabana”.
A INVASÃO DA CASA DE APOSTAS SEGUIU DEPOIS DO RÉVEILLON
Passado o réveillon, a
invasão da Pixbet seguiu. E aumentou.
Em 15 de janeiro, a Liga
Independente das Escolas de Samba (LIESA), através de seu presidente Gabriel
David, oficiou a prefeitura e enviou documento formal de “consulta prévia de
evento”. O evento já estava montado.
A consulta tratou sobre a
ocupação da cidade com a tirolesa, um beach club e 6 cubos gigantes espalhados
em pontos turísticos como uma “contribuição para a cidade” por parte da Pixbet,
que também é patrocinadora da Liesa.
Mais do que isso: como algo que irá
“enriquecer a experiência dos participantes. Assim, solicitou formalmente “a
permissão da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro para a instalação de
ativações promocionais em locais estratégicos da cidade durante o período
mencionado”.
Em 19 de janeiro, foi a vez
da Dream Factory, empresa organizadora do carnaval de rua do Rio, “informar o
interesse da empresa Pixbet em realizar ativações espalhadas pela cidade do Rio
de Janeiro durante o período que compreende janeiro e fevereiro, até o final do
carnaval”.
Em 30 de janeiro, seis dias
depois de já iniciada a ação, a SR Promoções Culturais escreveu para o Instituto
Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), onde o projeto tinha entrado em
exigência, e também citou a invasão da casa de apostas na paisagem como um
“oferecimento” para a cidade, assim como a extensão do réveillon para
permanência até depois do carnaval. Os termos: “Já que a empresa Pixbet
patrocinou o réveillon do Rio e ofereceu para a prefeitura os cubos para
divulgar agendas de eventos do carnaval do Rio”, solicitava a autorização da
instalação para “em parceria com a prefeitura do Rio, divulgar agendas de
eventos de eventos do carnaval do Rio”.
Nenhum dos ofícios trata
sobre valores e sim apenas sobre a instalação dos objetos da Pixbet na cidade
como um “oferecimento” da empresa.
Os pedidos formais nos
documentos obtidos pela reportagem, na verdade eram mesmo formalidades, já que
os objetos já estavam instalados.
EMPRESA RESPONSÁVEL PELO EVENTO RESPONDEU POR
IRREGULARIDADES ANTERIORMENTE
Vencedora do edital para o
réveillon de 2024, assim como em outros anos anteriores, e responsável pelo
projeto que espalhou a marca da casa de apostas pelo Rio, a SR Promoções
Culturais esteve citada por irregularidades em eventos anteriores na cidade.
Na edição dos Jogos Mundiais
Militares (JMM), realizados no Rio em 2011, a empresa foi citada em 2012 em
processo do Tribunal de Contas da União (TCU), por irregularidades. Entre elas,
a ligação entre Abel Silveira Gomes, contratado para elaboração do projeto das
cerimônias de abertura e de encerramento da competição, além do gerenciamento
do contrato de produção e execução do referidos cerimoniais, por R$ 765.000,00.
Em seguida ao projeto de Abel
Gomes, foi realizada a licitação para escolha da empresa especializada na execução
desse projeto das cerimônias de abertura e encerramento. Venceu a SR Promoções
Culturais, com proposta de R$ 24.994.000,00. Um valor apresentado na licitação abaixo
da estimativa inicial do Comitê de Planejamento Operacional dos JMM, de R$
27.998.266,67.
No voto sobre o processo do
TCU, o tribunal apontou irregularidade na escolha mas ao fim não
responsabilizou ninguém.
A SR Promoções Culturais, executora do projeto, está em nome de Sheila Roza, que mantinha união estável com Abel Gomes, o autor do projeto, além de relações societárias em outras empresas. De acordo com o TCU na ocasião, a empresa “possui estreito relacionamento profissional, societário e pessoal com o projetista das cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos, Sr. Abel Silveira Gomes, em violação ao disposto no art. 9º da Lei 8.666/1993”. Tal artigo estabelece que não pode participar de licitações, obras, serviços e fornecimento de bens: “o autor do projeto, seja ele básico ou executivo; a empresa que elaborou o projeto, ou da qual o autor seja dirigente, gerente, acionista, controlador, responsável técnico ou subcontratado”.
No entanto, apesar de
identificar a irregularidade, o TCU, em fevereiro de 2015, não aplicou sanção a
Abel Gomes nem à empresa SR Promoções Culturais Ltda. Como justificativa,
apesar do reconhecimento de ilicitudes, o tribunal, através de votação, definiu
que como nem Abel nem a SRCOM eram gestores públicos, não cabia aplicar
penalidades a eles.
Além de outras relações
societárias apontadas pelo TCU, a reportagem encontrou ainda o registro da
empresa SR COM Limited no equivalente a junta comercial do Reino Unido, onde
Abel Gomes aparece como proprietário e Sheila Roza como sócia, além de Paulo
Cezar da Silva Ferreira.
OUTRO LADO:
Prefeitura do Rio de Janeiro:
“A Prefeitura do Rio informa
que autorizou a realização do evento “Beach Club Pixbet”, na Praia de
Copacabana, Posto 2, após todos os órgãos envolvidos na concessão da licença
emitirem o nada a opor. Inclusive, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro
(CBMERJ), via Autorização A-00016/24 DGDP, expedida em 2 de janeiro de 2024.
Ante todas as liberações oficiais, o município autorizou a realização do evento
entre os dias 25 de janeiro de 2024 e 18 de fevereiro de 2024, de 8h às 18h”.
RIOTUR:
A reportagem enviou também para
a prefeitura, via assessoria de imprensa, pedido de resposta sobre a relação
entre o município, a SR Promoções Culturais e a Pixbet no episódio. A
prefeitura indicou a Riotur como responsável pela resposta. A Riotur enviou a
resposta abaixo:
“A Riotur para o
Réveillon do Rio de 2023/2024 lançou o edital – Caderno de encargos e
contrapartidas para selecionar publicamente a empresa responsável pela produção
do festejo de final de ano. A empresa SR PROMOÇÕES CULTURAIS LTDA (“SR
COM”) se sagrou vencedora do processo de seleção.
Para financiar os custos do
projeto vencedor do Réveillon, a sociedade organizadora (“SR COM”)
buscou, no mercado privado, potenciais patrocinadores interessados, os quais
teriam, como contrapartida, a possibilidade de realizar ações de marketing e
ativações nas regiões que circundam as áreas onde o Réveillon é realizado.
Uma dessas sociedades
patrocinadoras, portanto, foi a PIXBET SOLUCOES TECNOLOGICAS LTDA (“Pix
bet”), firmando relação jurídica com SRCom, permitindo-lhe realizar ações
de marketing e outros.
Em conclusão, não houve
qualquer transferência de recursos entre a “Pixbet” e a Prefeitura do
Rio de Janeiro. Houve, na verdade, um aporte de recursos privados, a título de
patrocínio, para a sociedade organizadora privada, a “SR COM”,
selecionada mediante Edital de Caderno de Encargo realizado pela RIOTUR.”
CBMERJ:
“O Corpo de Bombeiros Militar
do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) informa que a situação relatada não
impactou as atividades dos guarda-vidas. No período mencionado, os militares
foram reposicionados estrategicamente para mais perto da areia, garantindo a
continuidade do serviço de salvamento marítimo sem qualquer prejuízo à
segurança da população”.
IPHAN:
A reportagem enviou pedido de
resposta para o IPHAN sem resposta.
SRCOM:
A reportagem enviou pedido de resposta para a SRCOM, sem resposta.
PIXBET:
A reportagem tentou contato
com a bets e seus proprietários. Enviou
demanda ainda para o escritório de advocacia da Pixbet, mas não obteve retorno.
This week, Michael Caines interviews the men behind the Royal Shakespeare Company's thrilling new production of Christopher Marlowe's Edward II; and Nat Segnit finds Pico Iyer's journeys to a Californian monastery a welcome retreat from the world.
'Edward II', by Christopher Marlowe, Swan Theatre, Stratford-upon-Avon, until April 5 2025
'Learning from Silence: Lessons from More Than 100 Retreats', by Pico Iyer
In the second of our two episodes about the American Revolution David talks to historian Eric Nelson about the ideas that shaped the US Constitution. Was the office of President a victory for the people who still wanted a king or for those who never wanted one again? What was old and what was new about the idea of the separation of powers? What really divided the Federalists and the Antifederalists? And how are these arguments still being played out in the early days of Trump 2.0?
Out tomorrow: a special bonus episode for PPF+ subscribers on King Donald The First: David explores the arguments being made in 2025 for the restoration of monarchy in America. Who’s making them and why? What on earth are they thinking? Sign up now to get this and all our bonus episodes plus ad-free listening https://www.ppfideas.com/join-ppf-plus
A quinta edição da Zumbido, publicação digital do Selo Sesc, está no ar! Agora de casa nova no portal do Sesc São Paulo, onde os conteúdos futuros e passados dividirão o mesmo espaço.
Dessa vez, o tema norteador é escuta, em suas diferentes dimensões. Cada texto aborda o ato de “ouvir com atenção” entre desafios técnicos e fisiológicos, criação de soluções e caminhos tradicionais. Neste mapa da edição, a gente apresenta os autores e ilustradores que viabilizaram esse conjunto.
Thaís Regina é repórter e ensaísta. Vencedora do concurso de ensaísmo Serrote de 2023 e homenageada pela 1ª edição do Prêmio Neusa Maria de Jornalismo em 2020, ela se embrenhou em uma investigação sobre como a tecnologia influencia na forma que a gente escuta música hoje em dia.
Márcia Wayna Kambeba aborda em seu relato as relações de sua comunidade com a escuta. A autora é graduada em Geografia (UEA), Mestre em Geografia (UFAM), Doutoranda em Estudos Linguísticos — (UFPA), poeta, escritora, palestrante de assuntos indígenas e ambiental, contadora de histórias, compositora, educadora, pesquisadora do seu próprio povo.
Bruno Capelas parte da relação entre música e surdez para contar sobre o trabalho de interpretação de sinais em grandes shows e festivais e projetos que abrem espaço para que músicos surdos façam seus próprios sons. O jornalista é autor do livro Raios e Trovões — A História do Fenômeno Castelo Rá-Tim-Bum e apresentador do podcast de música Programa de Indie.
Yuri Euzébio se aprofundou na vida do ator, compositor e cantor cearense Rodger Rogério que foi parceiro de Fagner, Ednardo e Téti junto ao Pessoal do Ceará. Além de toda sua trajetória artística, Rodger também foi professor de Física e, em 2019, ganhou reconhecimento pelo papel do violeiro cantador no filme Bacurau, de Kleber Mendonça Filho.
Fernanda Kalianny Martins conta um pouco da história de Leci Brandão e a relação da escuta das músicas de terreiro na consolidação da carreira musical dela. Em 2022, a pesquisadora lançou o livro “A filha de Dona Lecy: a trajetória de Leci Brandão”, desdobramento da sua dissertação de mestrado defendido na Universidade de São Paulo (USP), em 2016.
Mário Manga conta como foi performar um ícone de uma geração: os passarinhos do Castelo-Rá-Tim-Bum que apresentavam diferentes instrumentos musicais ao público infantil. O compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro, além de ter sido passarinho em quatro episódios, também fundou a banda Premeditando o Breque e o trio Música Ligeira.
A equipe do Selo Sesc compartilha o que ouviu, leu, assistiu e acessou e tem a ver com o tema da quinta edição da Zumbido.
Os textos dessa edição foram ilustrados por Aline Bispo e Bia Prado.
Aline Bispo é multiartista visual, ilustradora, curadora do Acervo Ibirapitanga e colunista do Nós, mulheres da periferia. Em suas produções, investiga temáticas que cruzam a miscigenação brasileira, gênero, sincretismos religiosos e étnicos. Tem obras expostas e/ou presentes em importantes acervos de arte brasileira.
Bia Prado é bacharel em Desenho Industrial com habilitação em programação Visual pela universidade Mackenzie. Desde 2003, trabalha com criação para diferentes tipos de projetos gráfico, desde o desenvolvimento da ideia principal até a finalização da arte envolvendo diagramação e criação.
Coordenação editorial: Bárbara Carneiro Edição: Alexandre Amaral, Bárbara Carneiro, Raul Lorenzeti e Renan Abreu Projeto gráfico: Alexandre Amaral e Alexandre Calderero Digital: Fernando Bisan, Frederico Rocha e Leandro Nunes Textos: Thaís Regina, Márcia Wayna Kambeba, Bruno Capelas, Yuri Euzébio, Fernanda Kalianny Martins e Mário Manga Ilustrações: Aline Bispo e Bia Prado Equipe Selo Sesc: Ricardo Tifona (coordenação), Alexandre Amaral, Alexandre Calderero, Ana Emilia de Paula, Bárbara Carneiro, Luciano Dutra, Nilton Bergamini, Raul Lorenzeti, Renan Abreu e Sofia Calabria
Mapa da edição — Escuta was originally published in Zumbido on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.
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O frevo nasceu no final do século 19 como um reflexo da efervescência cultural e social de Pernambuco. Surgiu das ruas do Recife, impulsionado pelo fervor das bandas militares e pela influência de ritmos como a marcha e o maxixe. Desde então, se consolidou como a essência do carnaval pernambucano, evoluindo ao longo das décadas e sendo reconhecido, em 2012, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Com sua cadência acelerada e coreografias vibrantes, tornou-se um símbolo de resistência e identidade nordestina.
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Today it’s the first of two episodes about one of the most significant revolutions of all: the American Revolution. David talks to historian Eric Nelson about the ideas behind America’s Declaration of Independence in 1776. How did a fight with the British parliament become a repudiation of the British king? What turned royalists into republicans? What kind of republic did they think they were building? And whose consent was going to be needed to build it?
Next time: American Revolution 2: The Constitution
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Jim Watson took this photo for Getty Images. It shows President-elect Donald Trump dancing with the Village People at a MAGA victory rally at Capital One Arena in Washington, DC, on January 19, 2025, one day before his second inauguration. The ’70s anthem, “YMCA,” an ode to cruising that encouraged young men to pick up other men at YMCA hostels, has long been co-opted by Trump’s campaign. Motivated by the financial benefits, the group recently stopped fighting Trump’s illegal use of its music and performed live with Trump for the first time.
Our video details how Trump morphed into one more Village Person at his presidential victory rally, revealing a masterful yet audacious cultural sleight-of-hand. By transforming “YMCA”—an anthem about gay cruising—into a MAGA staple, Trump demonstrates his unique ability to strip away controversial meanings while keeping the spectacle. The analysis reveals how Trump, luring the group with financial incentives, got MAGA audiences to embrace what amounts to a drag show while demonizing gender fluidity—having their cake and eating it, too.
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Jill Connelly took this photo for Bloomberg. It shows a man retrieving an American flag outside a burning house during the Eaton Fire in Altadena, California, on Wednesday, Jan. 8, 2025. The Los Angeles wildfires, driven by climate change impacts, including severe drought and record-breaking Santa Ana winds, have scorched tens of thousands of acres and inflicted economic losses estimated at up to $150 billion, marking a historic disaster for the region.Our discussion raises complex themes about American identity and disaster response, particularly in light of Donald Trump’s false claims about California’s response to massive wildfires and his vow to place conditions on disaster assistance. We also explore the unique relationship between American disaster photography and the national flag.
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Bebida sabor café, composto lácteo, mistura de requeijão e amido, e assim por diante, são versões genéricas de alimentos básicos que se tornaram uma alternativa para quem tenta driblar a alta dos preços. Mas essas misturas, com baixo valor nutricional e altamente prejudicial à saúde, são as únicas soluções possíveis?
Para falar sobre o tema, o Pauta Pública desta semana recebe João Pedro Stédile. Economista e líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Stedile analisa os fatores que influenciam a alta dos preços e defende um modelo de produção que valorize a agricultura familiar e a agroecologia para que a população possa consumir alimentos saudáveis e acessíveis.
Confira o episódio e conte o que achou nos comentários.
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Em 1927, o escritor paulista Mário de Andrade embarcou em uma expedição de 69 dias "pelo Amazonas até o Peru, pelo Madeira até a Bolívia e por Marajó até dizer chega", como diz o subtítulo de O Turista Aprendiz, o diário da viagem, que só seria publicado postumamente, em 1976. Hoje, O Turista Aprendiz é reconhecido como um dos principais livros de Mário e como uma obra-prima de literatura de viagem.
Nos 80 anos da morte de Mário (em 25 de fevereiro de 1945), este episódio especial em formato narrativo conta por que a viagem e este livro se tornaram marcos da cultura brasileira e até hoje inspiram escritores, jornalistas, pesquisadores e meros turistas aprendizes a conhecer a Amazônia e a literatura de Mário de Andrade.
Com apresentação de Paulo Werneck, o programa da coleção Narradores do Brasil tem entrevistas com o biógrafo Jason Tércio, a crítica Eliane Robert Moraes, o professor Paulo Nunes, além de áudios da crítica Beatriz Sarlo e da fotógrafa Maureen Bisiliat. As leituras são da escritora Amara Moira. O roteiro é de Paula Sacchetta e Paulo Werneck. Seja um Ouvinte Entusiasta e apoie o podcast 451 MHz: https://bit.ly/Assine451
Discutir raça vai muito além da questão de identidade e perpassa estruturas econômicas, sociais e políticas do Brasil. Nesse contexto, tanto a direita quanto parte da esquerda se equivocam ao classificar discussões sobre racismo como identitárias. Essa foi uma das ideias defendidas por Djamila Ribeiro, filósofa e colunista da Folha, durante encontro com leitores realizado nesta quarta-feira (19), no auditório do jornal.
Leia mais (02/20/2025 - 14h17)
This week, Edith Hall finds herself mesmerised, entranced and perplexed by Sophocles; and Barnaby Phillips on a bizarre imperial incursion in 19th-century Africa.
'Oedipus', by Sophocles, Old Vic until March 29
'Electra', by Sophocles, Duke of York's Theatre until April 12
'A Training School for Elephants', by Sophy Roberts
Today’s episode is about a revolution that started 250 years ago and is still going on (in the form of the digital revolution): the Industrial Revolution. David talks to economic historian Alexis Litvine about how new ways of making things changed human understanding of the world around us. Did the Industrial Revolution invent the idea of progress? Did it revolutionise the concept of nature? Did it upend the way we think about time? And what was the cost?
Tickets are available for PPF Live at the Bath Curious Minds Festival: on Saturday 29th March David will be in conversation with Robert Saunders about the legacy of Winston Churchill: The Politician with Nine Lives https://bit.ly/42GPp3X
Next time: American Revolution: The Declaration of Independence
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