Uma realização Circus Produções Culturais em parceria com a Uns Produções e Filmes
Caetano Veloso - voz
Tom Veloso - violão
José Miguel Wisnik - Direção artística
Gravado no Estúdio de Caetano Veloso, Rio de Janeiro, agosto de 2025.
Lucas Nunes - produção musical, mixagem e masterização
Elaine Ramos - design
Gal Oppido - foto (acervo Grupo Corpo)
Gabriel Baiano e Piky Candeias - assessoria de imprensa
Beatriz Grassi - edição do lyric video
CIRCUS Produções Culturais
Lucas de Avelar - assistência
Guto Ruocco - direção de produção
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Cena do documentário Estou me guardando para quando o Carnaval chegar.
Em Toritama, cidade de 45 mil habitantes do agreste pernambucano que produz 20% das calças jeans nacionais, uma trabalhadora autônoma chega para trabalhar na facção (pequena confecção de fundo de quintal) às sete da manhã. Às onze e meia, vai para casa, para almoçar. Volta ao trabalho à uma e meia da tarde. Às seis e meia, volta para casa, para fazer e engolir o jantar. Às sete e meia está de volta à facção, onde trabalha até as 10 da noite.
E quando chega em casa às 10 da noite? Faz o quê? Faz como Janaína, que acorda todo dia às quatro e meia e já na hora de ir pra cama Janaína pensa que o dia não passou, que nada aconteceu.
Na “capital nacional do jeans”, paga-se 10 centavos por cada boca de bolso costurada. Se você fizer 100 bocas de bolso, ganha R$ 10. Se costurar mil, ganha R$ 100. A confiar no Google — desculpe, no Gemini —, uma costureira profissional munida de equipamento adequado consegue fazer até 50 bocas de bolso por hora. Em Toritama, que em tupi significa “terra da felicidade”, a jornada tem de ser de 20 horas para ganhar R$ 100 em um dia de trabalho na facção.
A “vida” dos trabalhadores das mais de três mil facções de jeans de Toritama foi retratada no documentário Estou me guardando para quando o Carnaval chegar, de Marcelo Gomes, que confessa: “o barulho ensurdecedor das máquinas me causa ansiedade. Essa repetição de movimentos me causa angústia”. A “vida” desses trabalhadores que, como ressalta o documentarista, “só têm tempo para conversar quando falta luz e o trabalho é paralisado”. A “vida” desses trabalhadores que dizem que é melhor ser autônomo porque “se a gente for trabalhar fichado tinha hora pra gente sair”. A “vida” desses trabalhadores que só param de trabalhar no Carnaval, quando Toritama fica deserta porque vão todos para a praia.
“E as pessoas que não têm dinheiro para viajar — conta Marcelo Gomes no filme — vendem o que têm e o que não têm e correm desesperadas para a praia. O desespero de ver todo mundo ir embora ou de passar a vida trabalhando?”
O desespero da jovem Gisele, que às vésperas do Carnaval de 2018 pôs sua geladeira na calçada, à venda, por R$ 200, para poder viajar, sair um pouquinho dali. E depois do Carnaval? Depois do Carnaval a gente trabalha para comprar outra geladeira — e outra TV, e outro fogão e até outra máquina de costurar —, a gente ali do bairro de Gisele, Nova Canaã. E o documentarista lembra que, na Bíblia, Canaã é a “terra prometida”. E em uma facção mostrada no documentário a única cor além do azul do jeans é o verde de um “Jesus” grafitado na parede.
Por falar nisso, em tudo isso, nesta quinta-feira, 12, o ministro “terrivelmente evangélico” do STF cassou uma decisão da 4ª vara do Trabalho de Cuiabá que reconhecia vínculo empregatício de um pedreiro com um construtora para a qual o reclamante tinha trabalhado em regime 6x1. Para tanto, André Mendonça evocou a ADPF 324, com a qual em 2018, enquanto Gisele vendia sua geladeira em Toritama, o STF mandou pelos ares direitos fundamentais e catapultou a precarização ao considerar constitucional a terceirização das atividades-fim, com os votos de Barroso, Moraes, Fux, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cármen Lúcia. E de Dias Toffoli, que também nesta quinta finalmente abriu mão do caso Master e foi sucedido por… André Mendonça.
“O barulho ensurdecedor das máquinas me causa ansiedade. Essa repetição de movimentos me causa angústia”.
Em Estou me guardando para quando o Carnaval chegar, o Seu João, morador da zona rural do Toritama, é a única pessoa da cidade que ainda tem tempo de olhar para o céu e esperar a chegada da chuva. E ele diz que, entra ano, sai ano, o que não muda em Toritama é a chuva que cai depois do Carnaval.
Come Ananás deseja um bom Carnaval, tanto quanto possível, a todos os trabalhadores do Brasil, especialmente os mais precarizados: as Janaínas, Giseles e todos e todas que fazem bocas de bolso, fazem este país e acreditam que um dia a gente ainda há de ser feliz.
Em clima de carnaval, o Pauta Pública da semana recebe a cantora Eliana de Lima, que foi uma das primeiras intérpretes e puxadoras de samba no Carnaval de São Paulo. Ela conta sobre sua trajetória nas escolas de samba e na carreira solo, marcada pela persistência e pelo enfrentamento do machismo. Com hits como “Volta Pra Ela” e “Desejo de Amar”, a cantora ganhou destaque dentro e fora do Brasil, com mais de dois milhões de discos vendidos e cantando ao lado de nomes como Jorge Aragão, Aldir Blanc, Luiz Carlos do Raça Negra e muitos outros.
Na conversa com Andrea Dip, Eliana de Lima fala sobre preconceitos que persistem até os dias atuais, a profissionalização no carnaval e as transformações do samba e da indústria da música ao longo das décadas. Entre memórias e reflexões sobre o que faz uma música atravessar o tempo, ela também relembra os sucessos que a fizeram emocionar na Avenida.
Ouça o episódio completo e compartilhe suas memórias de carnaval nos comentários.
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This ironware was started in the mid-17th century with artisans who were invited from Kyoto. The technique incolves pouring molten iron into a sand mold, whereby a kettle or a teakettle is casted. The sand lold with dots creates a tiny knobbed body on the kettle.
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O historiador Luiz Antonio Simas, autor de vários livros sobre o Carnaval carioca e uma voz ativa nos debates sobre a folia, discute neste episódio as ligações das escolas de samba com o universo literário e os diversos setores da sociedade. Simas diz que não vê as escolas como instituições de resistência, mas de negociação — com os poderes públicos, o mercado, as comunidades e o crime. O convidado, que lança nova edição de Pra Tudo Começar na Quinta-feira: o Enredo dos Enredos (Mórula), escrito com o jornalista Fábio Fabato, também comenta a escolha da Acadêmicos de Niterói de homenagear o presidente Lula em seu enredo. Para Simas, foi uma estratégia para criar polêmica e chamar atenção para a estreia da escola na elite do Carnaval do Rio.
Apoio: Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais