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Edição 396 – China, Copa e Inteligência Artificial: o país asiático em debate

Política e economia

Três desejos, zero gols. Afinal, cadê a China no Mundial?  Com a Copa do Mundo expandida para 48 seleções e a Ásia ganhando o dobro de vagas diretas, Xi Jinping finalmente teria sua chance. Isso porque, em 2011, quando ainda era vice-presidente, Xi declarou seus “três desejos” para o futebol chinês: o país se classificar, sediar os jogos e vencer o Mundial. Não foi daquela vez. A seleção terminou as eliminatórias atrás de Omã, Indonésia e Palestina, recuando da 82ª para a 94ª posição no ranking da FIFA desde 2016. A Shumian acompanha essa jornada há algum tempo, dos protestos nos estádios de Hong Kong contra Pequim ao estouro da bolha da Superliga Chinesa; tema sobre o qual nosso redator (Guilherme) chegou a publicar um artigo. O roteiro segue familiar; o boom de US$ 1,1 bilhão em contratações entre 2015 e 2017, financiado por incorporadoras imobiliárias, desmoronou junto com o setor, já que mais de 40 clubes faliram desde 2021, metade dos times da primeira divisão iniciou a temporada atual com pontos negativos por corrupção e o ex-técnico da seleção Li Tie admitiu ter pago US$ 440 mil pelo próprio cargo.

Há uma questão “filosófica”. O modelo chinês funciona para esportes olímpicos de repetição centralizada. O futebol conta com outros fatores como improviso, base comunitária e uma cultura que cresce de baixo para cima. A China tem 980 mil jogadores registrados; a Inglaterra, com 4% da população, tem mais federados e três vezes mais times amadores. Há sinais na base,  a liga amadora de Jiangsu Suchao acumulou 2,2 bilhões de visualizações com times de entregadores e professores, mas a seleção não estará no torneio. Mas nem tudo está perdido, as marcas chinesas marcaram presença em peso na Copa. Lenovo, Hisense e Mengniu ocupam posições de destaque entre os parceiros da FIFA, uma presença global sem a inconveniência de jogar.

Quantas pessoas são executadas pelo estado chinês a cada ano? Segundo a Anistia Internacional, não é possível saber ao certo; apesar disso, a organização colocou mais uma vez a China no topo de seu ranking anual, como destacou a Folha de S.Paulo. Embora alguns casos apurados pela Anistia fossem relacionados ao tráfico de drogas, a punição seria mais comumente uma forma de repressão política. A falta de dados se dá pela confidencialidade dessa informação, considerada um segredo de estado; além da China, Vietnã e Coreia do Norte também teriam realizado um número considerável, mas desconhecido, de execuções judiciais. Entre os 17 países que têm a pena capital, houve em 2025 um aumento de 78% no número de pessoas executadas em comparação com 2024, chegando a um total de 2707 ocorrências; esse número desconsidera os casos identificados na China – que, segundo estimativa da Anistia, passariam de mil.

Internacional

Jogo duplo. A China estaria usando IA para influenciar o próprio debate sobre IA nos EUA. É o que aponta a OpenAI em relatório publicado na semana passada, descrevendo dois clusters de contas do ChatGPT ligados à RPC banidos após uso em operações de influência encobertas: o primeiro, “Data Center Bandwagon”, gerou comentários associando data centers de IA ao aumento das contas de luz das famílias americanas; o segundo, “Tech and Tariffs”, produzia críticas às tarifas dos EUA com instrução explícita de não mencionar Xi Jinpin, só Trump. A rede ainda espalhou alegações falsas de vazamento de dados do ChatGPT. A OpenAI não encontrou evidências de que a operação tenha mudado a opinião pública, mas o gesto em si já diz bastante: enquanto o diplomata Richard Haass pede que encontros de alto nível entre Washington e Pequim se tornem rotina em vez de “notícia”, operadores vinculados à RPC tentavam infiltrar, com as próprias ferramentas que criticam, o debate que esse diálogo precisaria resolver. 

Eu te respeito, mas se voce veio na minha na casa falar do RIO TUMEN, você veio ao lugar errado. Xi Jinping visitou Kim Jong-un na Coreia do Norte na segunda-feira, sua primeira viagem ao exterior em 2026 e a primeira ao país desde 2019, completando uma rodada diplomática que incluiu Trump em maio e Putin logo em seguida. O líder chinês chegou com elogios à “amizade inabalável” entre os dois países, mas os temas espinhosos ficaram fora dos comunicados. Na desnuclearização, as posições seguem irreconciliáveis: a irmã de Kim declarou, na véspera da chegada de Xi, que o programa nuclear norte-coreano é “a linha do sem-retorno”, enquanto Washington e Pequim dizem compartilhar o objetivo de desnuclearizar a península. Mais silenciosa ainda foi a ausência de qualquer menção ao Rio Tumen, a estreita faixa de água que separa a Coreia do Norte da Rússia e bloqueia o acesso chinês ao Mar do Japão, uma aspiração histórica de Pequim desde que cedeu o território da região de Primorsky ao Império Russo em 1860. Moscou deu sinais positivos sobre a questão no mês passado, mas Pyongyang permanece reticente. Analistas apontam que a visita pode ser a forma de Xi equilibrar a influência crescente da Rússia sobre Kim, que enviou tropas à Ucrânia em troca de tecnologia e alimentos, mas o resultado prático foi uma coleção de frases sobre amizade eterna e nenhum acordo concreto. 

Chips para o Sul. A Huawei estuda implantar seus novos processadores Ascend de IA nos serviços de nuvem que oferece na América Latina, confirmou Mark Chen, presidente da Huawei Cloud para a região, em entrevista ao South China Morning Post durante o Rio Web Summit. Os chips Ascend, centrais na estratégia de Pequim para construir uma indústria de IA autossuficiente e reduzir a dependência de tecnologia americana, ainda estão em estágios iniciais de implantação na própria China: o primeiro modelo da família, foi lançado comercialmente em março, com Alibaba, ByteDance e DeepSeek entre os primeiros compradores. Chen não deu prazo para a chegada à região, mas o movimento aponta para uma disputa crescente no mercado latino-americano de infraestrutura de IA, dominado há anos por fornecedores americanos, e coloca o hardware chinês mais perto de uma região que tanto Pequim quanto Washington cortejam ativamente.

Sociedade

Junho é mês do quê? Foi-se o tempo em que a comunidade LGBTQIAP+ de Hong Kong podia celebrar seu orgulho em Hong Kong. Pelo segundo ano consecutivo, o evento de origem singapurense Pink Dot foi cancelado na cidade; a justificativa foi a indisponibilidade do espaço até então reservado para a feira. O cancelamento do Pink Dot chama especial atenção porque, ao contrário das marchas do Orgulho, o evento não tem um caráter abertamente político; apesar disso, especialistas ouvidos pela Hong Kong Free Press indicam que, no passado, o movimento LGBTQIAP+ contava com apoio vocal de diversas figuras centrais do movimento pró-democracia e de organizações da sociedade civil, uma associação que hoje pode pesar contra a comunidade.

Amor com ficha cadastral. Aos fins de semana, centenas de pais se reúnem no People’s Park de Xangai com um objetivo claro: encontrar cônjuge para seus filhos adultos, geralmente sem o conhecimento ou entusiasmo deles. A Paris Review publicou uma reportagem imersiva sobre esse mercado matrimonial, onde currículos substituem perfis de aplicativos, nível educacional, renda anual, altura, status de hukou, imóvel próprio ou alugado. Como já abordamos por aqui em outras ocasiões, o fenômeno não é novo, mas o contexto se aprofundou. A China registrou a menor taxa de natalidade de sua história (5,6 nascimentos por mil habitantes), o casamento está em queda há uma década e o desemprego juvenil chegou a 19%. “Sem salário, como vão poder namorar?”, resume um pai ouvido pela repórter. O que move os pais não é só tradição: com serviços públicos frágeis, a lógica é que filhos bem casados são a melhor aposentadoria disponível, e a feirinha do amor no parque é, no fundo, um termômetro da ansiedade de uma geração inteira.

Zheng He

Mudança: por aqui somos fãs de Mo Yan e voltamos à visita dele ao Brasil e fazemos trocadilho de um de seus livros para sugerir esse podcast, no qual Giorgio Sinedino fala sobre o impacto da vinda de Mo para a literatura chinesa no Brasil.

Portinari na China: a partir deste mês, o artista brasileiro terá sua primeira grande apresentação na Ásia. A mostra está exposta na Praça da Paz Celestial, em Pequim, e integra a programação oficial do ano do Turismo e da Cultura Brasil-China. A expectativa da organização é de que o famoso endereço receba até 4 milhões de visitantes para ver Portinari.

 

O governo brasileiro está apostando no mercado chinês para atrair turistas para o Brasil. Confira a peça publicitária da Embratur e diga para a gente: vai gerar resultado?

 

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PRESIDENTE DA CBF PASSOU MAIS DA METADE DO TEMPO COMO SERVIDOR PÚBLICO DE LICENÇA E APRESENTOU ATESTADO DE DEPRESSÃO NO DIA EM QUE CORREU DE KART

Um largo sorriso estampado no rosto, o troféu de campeão empunhado pelo braço direito e o número 1 com o indicador da mão esquerda apontando o lugar no alto do pódio.

A foto é o melhor resumo possível do dia 25 de março de 2023 no Kartódromo Gilberto de Araújo Sobrinho, em Boa Vista, Roraima.

O piloto do carro 25 dominou o sábado que abriu a temporada.

Vencedor na categoria “Graduados A” e terceiro lugar na “Força Livre”.

Foi o prenúncio de um ano de glórias do “Passarão”, que ao fim de oito etapas sagrou-se campeão roraimense da categoria “Força Livre” e quinto colocado na “Graduados A”.

A história que a foto não conta está em uma série de documentos obtidos pela reportagem. Registros públicos que permitem montar um quebra-cabeça.

O “Passarão” é o codinome de Samir Xaud no automobilismo.

Funcionário público, lotado como médico da Secretaria de Estado de Gestão Estratégica e Administração (SEGAD) de Roraima, Xaud estava sob licença médica e afastado do trabalho no dia da prova de kart citada.

O documento registrava “incapacidade para o exercício das funções” e “incapacidade para o exercício de outras funções correlatas”.

Um episódio longe de ser um caso isolado. O cruzamento dos atos publicados no Diário Oficial do Estado de Roraima com documentos obtidos através de Lei de Acesso à Informação (LAI) mostra que o agora presidente da CBF passou mais da metade do tempo em que esteve como servidor afastado do exercício do cargo.

Amparado em licenças que descreviam distintas razões: tratamento médico em diferentes situações, licença para candidatura a deputado, licença por atividade classista, cessão para o tribunal de justiça e licença psiquiátrica.

Samir Xaud foi médico da secretaria de saúde de Roraima entre 24 de fevereiro de 2014 a 16 de maio de 2025, quando pediu a licença sem remuneração por 2 anos atualmente em vigor para ocupar a presidência da CBF.

MAIS FORA DO QUE DENTRO: XAUD PASSOU 51,05% DO TEMPO LONGE DO EXERCÍCIO DO CARGO PÚBLICO

Os números desse período no serviço público em que o atual presidente da CBF esteve fora do exercício de suas funções chamam a atenção.

Do ingresso no funcionalismo em 2014 até a licença vigente desde 16 de maio 2025, foram 4.100 dias.

Desse total, Samir Xaud esteve por 2.007 dias no exercício regular do cargo.

E em 2.093 dias estava de licença.

Aproximadamente uma licença a cada nove meses.

Uma rotina iniciada logo no ano seguinte da posse e que se intensificou na sequência.

Total fora do exercício do cargo público: 51,05% dos dias.

(Eventualmente, de acordo com a metodologia adotada, os números em questão sobre dias de licença e dias trabalhados podem divergir em pequena margem. A reportagem adotou como critério o mesmo utilizado por auditorias funcionais e cálculos de afastamento, ou seja, valendo-se das datas reais de início e fim do afastamento e não a mais frequentemente utilizada, a equivalência genérica, ou seja “um mês igual a 30 dias”. Nosso cálculo respeitou o cruzamento entre o calendário real dos dias e meses abordados e as licenças).

RESUMO:

TOTAL DOS DIAS ENTRE ADMISSÃO E INÍCIO DA ATUAL LICENÇA: 4.100 DIAS

TOTAL DOS DIAS TRABALHADOS: 2.007

TOTAL DOS DIAS EM LICENÇA OU CEDIDO: 2.093

PORCENTAGEM DOS DIAS EM LICENÇA: 51.05%

MÉDIA: UMA LICENÇA A CADA NOVE MESES DE TRABALHO

Em alguns casos, como no período em que correu a prova de kart em março de 2023, a licença descreveu um quadro de gravidade e as citadas incapacidades.

O documento emitido pela Divisão de Perícias Médicas´(DPMST), órgão da SEGAD, de Roraima, apontou para um diagnóstico com duas enfermidades enquadradas pela CID-10 (Classificação Internacional de Doenças- 10ª Revisão), sistema mundial que padroniza os diferentes tipos de doenças.

O item 9 da peça assinala um paciente com duas doenças no código da CID-10: a F43.0 e a Z73.0.

“SENSAÇÃO DE INCAPACIDADE FUNCIONAL”

A F43.0 é uma reação aguda ao estresse. De acordo com a literatura médica e os profissionais consultados pela reportagem, trata-se de um quadro psiquiátrico transitório, que pode ter sido desencadeado por evento ou situação de forte estresse psicológico. Entre os efeitos colaterais, podem estar a ansiedade intensa, desorientação, eventual crise emocional, sensação de incapacidade funcional, entre outros sintomas. A incapacidade funcional se caracteriza por dificuldade ou impossibilidade de realizar tarefas cotidianas necessárias para viver de forma independente, entre elas, impossibilidade ou redução de mobilidade.

Já a Z73.0 aborda um estado de exaustão. Mais conhecido nos dias atuais como o “burnout’. Nas descrições da CID-10, é tratado como um “estado de esgotamento” e associado a uma fadiga extrema, esgotamento físico e mental e estresse crônico.

De acordo com o documento, os 30 dias começaram a valer no dia 15 de março de 2023. A peça apresentava uma atipicidade: foi assinada em 3 de abril do mesmo ano, alguns dias após o início da licença. Uma junta de três profissionais da “Divisão de Perícias Médicas (DPMST)” da SEGAD assina a peça.

No mês anterior desta licença que coincide com a prova de kart, Samir Xaud obtivera outro atestado. No dia 13 de fevereiro de 2023, um médico psiquiatra de consultório particular assinou laudo recomendando, com caráter de urgência, uma dispensa de 30 dias, e uso de Mirtazapina, antidepressivo com potente efeito sedativo cujos efeitos colaterais descritos na literatura científica do tema são relevantes e de difícil compatibilidade em disputas automobilísticas: sonolência severa, letargia, tontura, diminuição dos reflexos e tremores. Pacientes em tratamento com o remédio costumam ser orientados a não conduzir nem mesmo veículos de passeio, de acordo com as referências médicas.

“INICIAMOS O ANO COM PÉ DIREITO APERTANDO FUNDO O ACELERADOR”, DIZ POSTAGEM DE XAUD EM DATA DE LICENÇA POR QUADRO DEPRESSIVO

Já os registros da imprensa local sobre o campeonato roraimense de kart no período, assim como os do Kart Clube Roraima, mostravam atividade intensa.

As redes sociais também mostram outro retrato, com o atual presidente da CBF esbanjando festejos em vídeos e postagens por seus feitos no kart, além de euforia com os novos passos em seus negócios particulares. Tudo bem distinto da incapacidade funcional do laudo e de paciente fazendo uso de antidepressivos:

No dia 23 de março, Samir Xaud anunciou a inauguração do CORE, um centro de treinamento em Boa Vista com academia, crossfit e musculação.

Em 26 de março, dia seguinte da prova, além de celebrar a conquista, deu o recado: “Iniciamos o ano com pé direito apertando fundo o acelerador!”.

Três dias depois da corrida, no dia 28, postou fotos em ação na competição durante o período em que a licença médica declarava incapacidade, além de fotos deitado com o troféu e escreveu: “Um sábado agradável. Fazendo o que gosto”.

Antes, em 5 de março, em pleno período que passava pela licença médica concedida por psiquiatra, escreveu com letras maiúsculas: “Loading” (carregando). E anunciou: “Vamos iniciar 2023 com muitas mudanças”. Em 28 de junho, inaugurava com alarde a Nauru Crossfit, academia de ginástica, de onde passaria a publicar vários vídeos se exercitando.

COINCIDÊNCIA: LICENÇA EM PLENA PANDEMIA COINCIDIU COM FINAL DE CESSÃO AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

A cronologia de licenças concedidas a Samir Xaud revela outra atipicidade em 2021.

Em 1º de julho de 2020, em plena pandemia, Samir Xaud, médico infectologista, foi cedido ao Tribunal de Justiça de Roraima para exercer o cargo em comissão de “Assessor Técnico 1” para um período de 7 meses.

No dia 4 de fevereiro de 2021, a cessão foi encerrada.

A devolução para o front da saúde durou apenas 24 horas. No dia seguinte, 5 de fevereiro, o agora presidente da CBF ingressou com pedido de licença médica para tratamento de saúde psiquiátrica por 45 dias, em laudo emitido por profissional de consultório particular.

“Atesto que Samir de Araújo Xaud iniciou tratamento para síndrome depressiva sendo prescrito Duloxetina e Rivotril. Paciente com humor deprimido, anhedonia disforia, desatenção, falta de sono insônia, manifestações somáticas (dores, artralgia, mialgia, astenia, anorexia), humor com sintomas fóbicos e crises ansiosas. Paciente necessita de 45 (quarenta e cinco) dias de afastamento das condições laborais, de trabalho”.

Sintomas como a anhedonia significam perda de capacidade de sentir prazer em atividades do cotidiano antes agradáveis como hobbies ou afins.

O laudo do dia 5 de fevereiro de 2021 apontou diagnóstico de CID F41.2, que é o “transtorno misto ansioso e depressivo”. O laudo também menciona “síndrome depressiva” acompanhada de “crises ansiosas”.

A data descrita no atestado coincide também com período de intensa movimentação do atual presidente da CBF pelos cartórios de Roraima.

Na ocasião, Xaud buscava a regularização de um terreno em Roraima situado em uma área de proteção ambiental.

Em 19 de março de 2021, em meio ao declarado quadro depressivo, Samir Xaud registrou a escritura de posse da Fazenda Paraíso Perdido. Na certidão, afirmou “ter a posse” da terra desde maio de 2008. Ou seja, de acordo com a peça assinada de próprio punho, Samir Xaud só teria feito o registro no tabelionato 13 anos depois de obter a posse da fazenda, como mostrou reportagem do UOL de 21 de maio de 2025. Apesar da assinatura em cartório, Samir Xaud negou os registros na ocasião da publicação.

VERACIDADE DE ATESTADO MÉDICO APRESENTADO POR XAUD CHEGOU A SER INVESTIGADA: “POSSÍVEL INDÍCIO DE GRACIOSIDADE”

No dia 17 de novembro de 2021, Xaud se licenciou por 30 dias. O atestado fala novamente em quadro de transtorno misto ansioso e depressivo e dificuldades físicas e mentais relacionadas ao trabalho (estresse ocupacional, problemas relacionados ao ambiente laboral e à atividade profissional).

No ofício nº 1373/2021 da secretaria de saúde do estado obtido pela reportagem, datado de 13 de dezembro do mesmo ano, Anderson Benetta, então diretor do Hospital Geral de Roraima, enviou solicitação ao Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM-RR) para que o órgão, através de sua corregedoria, investigasse possível indício de falsidade ou irregularidade no atestado apresentado por Samir Xaud em decorrência da falta no plantão de 26 de novembro. A peça pede para que se avalie “possível indício de graciosidade em atestado médico”. A investigação não resultou em punição conhecida e o episódio foi posteriormente arquivado.

“POUCA PRESENÇA NA ROTINA DA SECRETARIA”

O último cargo de Xaud na gestão pública veio através de uma cessão do estado para a prefeitura em outubro de 2023 ao ser nomeado como secretário-adjunto de Saúde do Município de Boa Vista (RR).

De acordo com a Folha de São Paulo de 23 de maio de 2025, de autoria de Fábio Victor, “integrantes do Ministério Público e pessoas ligadas à administração municipal descreviam Xaud como um gestor de pouca presença efetiva na rotina da secretaria, apesar de ocupar um dos principais cargos da pasta. A reportagem relata que promotores teriam encontrado dificuldades para manter contato institucional com ele durante o período em que exerceu a função”.

“ELE NUNCA APARECEU”

“É uma administração bem complexa, em que o secretário descentraliza demandas para os seus subordinados. Ele nunca apareceu, nunca assinou, nunca respondeu ofício, nunca fez nada”, disse então o promotor Igor Naves, titular da Promotoria da Saúde do Ministério Público de Roraima desde 2021, sobre o período do dirigente na secretaria. E prosseguiu: “Na rádio peão, como dizem, corre que Xaud nem aparecia para trabalhar”.

Nesse período, o Ministério Público chegou a oficiar a secretaria de saúde para prestar esclarecimentos sobre nomeação de funcionários fantasmas, sem, no entanto, instaurar uma investigação formal que chegasse a uma conclusão pública sobre as suspeitas.

No ano de 2024, ainda secretário-adjunto de saúde, Samir Xaud integrou a comitiva da CBF para acompanhar a Copa América dos Estados Unidos, realizada entre 20 de junho a 14 de julho. A reportagem não encontrou a licença respectiva.

Em 26 de agosto de 2024, a cessão de Samir Xaud da secretaria de saúde do estado para a prefeitura foi prorrogada por mais um ano.                    

No dia 15 de maio de 2025, Samir Xaud ingressou na secretaria de saúde do estado de Roraima com mais um pedido de licença.

 A última de um longo histórico e um repetido padrão.

Onze anos e dezesseis licenças depois, sendo seis desses pedidos por motivos de saúde, duas para dedicar-se a campanha política sem interromper a remuneração, cessões para tribunal de justiça, prefeitura e para mandato classista (presidente do sindicato dos médicos de Roraima), veio a mais surpreendente de todas: a primeira expressa no documento “por interesse particular”, sem remuneração. Uma dispensa por dois anos. 

Dez dias depois, no dia 25 de maio, sem jamais ter presidido uma federação de futebol por nenhum dia, num grande acordo nacional, foi eleito presidente da CBF.

De lá para cá, completou um ano inteiro sem qualquer problema de saúde ou qualquer tipo de licença.

Pela primeira vez nos últimos onze anos.

*OBS1-

Existe uma divergência entre o pedido de licença de Samir de Araújo Xaud junto à secretaria de saúde para cursar pós-graduação e a data do diploma. O pedido de licença de Samir Xaud na secretaria é de 16 de setembro de 2019. Mas não está apontada a data do fim da licença, e não obtivemos registros sobre a conclusão da pós nesse momento. No entanto, de acordo com o diploma de conclusão da pós em “especialização em medicina do exercício e do esporte” na Faculdade Paulista de Serviço Social (FAPSS) obtido pela reportagem, o curso foi realizado entre 12 de março de 2021 e 28 de agosto de 2022. Nessa data, não encontramos pedido de licença. Portanto, para fins de contabilidade de afastamento, não está contabilizado afastamento para a pós-graduação.

**OBS2-

A reportagem adotou o critério de contabilizar como total os 4.100 dias de licença entre o ingresso no funcionalismo, em 24 de fevereiro de 2014 até 16 de maio de 2025. A licença atual, desde 16 de maio de 2025, válida por 2 anos, não está adotada por ainda estar em curso e sem remuneração.

OUTRO LADO:

A reportagem enviou questões sobre o tema para Samir Xaud por meio da assessoria de imprensa da CBF, que enviou a resposta abaixo:

“A CBF não irá responder às questões”.

177. Cheating

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Is it easier to cheat now than ever? In episode 177 of Overthink, Ellie and David talk about cheating. From micro-cheating on your girlfriend to doping in sports, cheating appears to have escalated in various domains. Your hosts explain the relationship between cheating and rule-breaking, then question norms surrounding cheating in romantic relationships. Why is cheating considered the ultimate dealbreaker? Is it always dishonest? Finally, they address the rise of generative AI cheating in schools and the ethical numbing that promotes it. How is ChatGPT different from using a calculator? And has it become rational for students to cheat? In the Substack Bonus Segment, Ellie and David question whether we should even use the word 'cheating' for romantic relationships rather than infidelity.

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Overthink is a philosophy podcast hosted by your new favorite professors, Ellie Anderson (Pomona College) and David Peña-Guzmán (San Francisco State University). Check out our episodes for deep dives into concepts such as existential anxiety, empathy, and gaslighting.

Works Discussed:
Stuart Green, “Cheating”
Natasha McKeever, “Is the Requirement of Sexual Exclusivity Consistent with Romantic Love?”
Deborah Rhode, Cheating: Ethics in Everyday Life
James D. Walsh, “Everyone Is Cheating Their Way Through College”

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Your medical provider might be recording your mental health care visits

Mental health providers are increasingly using AI technology to record conversations, raising privacy concerns among patients and practitioners.

An illustrated composite image shows two people in conversation, one taking notes while the other appears distressed. Audio waveforms, a microphone icon and the word “REC” are layered over the scene, suggesting a recorded or transcribed discussion.
Illustration by Roxsy Lin, American Community Media

In 2024, Kaiser Permanente announced the rollout of Abridge. Described in a press release as “ambient listening technology,” the AI-powered scribe is designed to help clinicians including mental health providers securely capture clinical notes during patient visits.

But what the description fails to indicate is that the tool records entire medical appointments, including deeply personal mental health sessions.

During these sessions, mental health professionals are required to obtain patients’ consent before using the tool. However, as shared by multiple providers, that consent process does not include explanations about how the information is handled. Nor does it say how long and where recordings are stored, or who has access to the data.

This happens in part because that information has not been shared with providers, despite their attempts to obtain it.

‘Empty assurances’

Ilana Marcucci-Morris chose not to use the platform with her patients. She is a licensed clinical social worker with Kaiser psychiatry in Oakland, California. She is also a member of a bargaining committee. In that role, she regularly meets with various Kaiser representatives, including Northern California’s director of mental health.

Marcucci-Morris describes how, during those meetings, she and other committee members have asked questions about patient privacy protections, HIPAA compliance, and the safeguards in place for the use of these technologies.

According to her, the response from leadership has often been empty assurances: “We are compliant. That’s it. That’s all you need to know. We vet the technology, therapist. Don’t worry. That’s not your job. We have tech experts. That’s their job,” Marcucci-Morris said in an interview with American Community Media.

“They won’t show us, right? And my feeling is, if you have nothing to hide and you’re doing it totally […] ethically, then you would show us, prove it. They can’t, and they won’t, and they declined to when we ask.”

Ligia Pacheco is a psychiatric social worker who provides remote therapy services for Kaiser patients in Southern California. She said Kaiser also refused her requests to provide further explanations.

In an interview with American Community Media, Pacheco recalled how a coworker once raised concerns to a supervisor. The response: that “it’s unprofessional for you to provide your personal beliefs on AI in our work setting.”

For Pacheco, “that leads to just low morale, no space to advocate for patients. We’re supposed to be the voice of patients who are coming in their most vulnerable state. And we can’t even be that voice for them, so we feel discouraged.”

“Patient after patient after patient”

Providers have been required to see more patients in recent years. That creates intense pressure to keep up with documentation and workloads, Marcucci-Morris highlighted.

“You’re just like seeing patient after patient after patient after patient with barely enough time to go to the bathroom, eat a snack […] get some fresh air,” she said.  

According to Marcucci-Morris, refusing to manage the increased patient volume can be treated as a failure to meet job expectations. It may also lead to disciplinary action.

As a union steward, she said she often represents colleagues during workplace investigations related to delayed documentation or difficulties managing heavy caseloads. In those situations, she said management frequently recommends the use of Abridge to save time and avoid further discipline.

In her view, the providers she knows who use the technology are not doing so because they support or trust it. Rather, it is because they feel pressured to protect their jobs and comply with workplace demands.

“I consider that to be coercive because you’re putting someone in a position to either lose their job or use the software. That’s another choice that’s under duress,” she explained.

Provider, patient concerns

Brian Hoberman is chief information officer for The Permanente Medical Group. In a Kaiser press release, he said, “Abridge’s advanced technology supports our doctors’ well-being by reducing the documentation burden.”

He added, “We implemented this new technology after careful review and diligent testing and found it to be well received by patients and doctors…”

For at least one patient interviewed for this story such assurances fall short.  

“I fear that this kind of information that’s being recorded now can get into the wrong hands,” said the patient, who asked not to be identified for privacy reasons. “I may not want my employers, I may not want my family members, I might not want people to know some of these very kind of intimate conversations and deep conversations I have with my doctors [and] with my mental health provider.”

Adriana Webb is a social worker at Kaiser Panorama City in Los Angeles. “I work with patients who have sensitive medical diagnoses, like […] HIV and AIDS, and a lot of times my patients don’t even want that in their chart.”

A spokesperson for Kaiser Permanente insisted in an emailed response to American Community Media that clinicians are required to gain patient consent prior to using Abridge. “No one is recorded without their knowledge and consent,” the statement read.

It added that recordings are stored for no longer than 14 days, and that data processing meets all HIPAA requirements as well as Kaiser Permanente’s own privacy and security standards.

“Abridge helps clinicians spend more time focused on patients and less time on administrative tasks,” it said.

Weaponizing mental health data

According to Nicole Alvarez, senior analyst for technology policy at the Center for American Progress, “a record of someone’s lowest moments can be used against them in ways that, you know, […] a high blood pressure reading cannot.”

She said mental health data can be especially sensitive because of the stigma surrounding mental health conditions. For patients, that stigma carries real-world consequences in areas such as employment, child custody cases, immigration matters, and security clearances. She emphasized that, like other forms of personal data, mental health information can be weaponized against individuals.

Agreements between health systems and AI vendors can vary widely, she said. This includes terms related to whether audio recordings or transcripts can be used to train AI models, whether patient data is de-identified, how long the data is retained, whether it can be shared with other clients, and what happens to the information once a contract ends.

Kaiser insists any data it collects is not used to train AI models.

Still, in Alvarez’ experience, patients often have little visibility into these arrangements. She argued that health systems have a responsibility to clearly disclose how patient information is being handled and used.

Alvarez also emphasized that, in most cases, patients have the right to refuse recordings. But, she said, the opt-out process is not always clearly presented. According to her, consent options may range from direct questions at check-in to language buried in intake paperwork, making it important for patients to carefully review forms and disclosures.

She said meaningful consent requires patients not only to know they are being recorded and that they can decline, but also to understand how their information may be stored, shared, or used afterward.

Coercive consent

Pacheco experienced this during a personal appointment at Kaiser. Her doctor did not ask for permission to use the app and instead informed her that it would be used. After a moment, she decided to refuse the platform’s use. Although the doctor stopped the recording, she felt a noticeable discomfort in the doctor’s demeanor afterward.

She later decided to change doctors.

Situations like this are a concern for Marcucci-Morris, who said the company’s approach to obtaining consent for the use of Abridge during appointments can feel manipulative and coercive. In her view, providers are trained to present the tool in a way that places the needs of patients and doctors in opposition to one another.

She explained that patients are often told the system will help doctors with documentation, reduce burnout, and allow them to spend more time with their families. As a result, patients may feel guilty declining the use of the tool because they do not want to make their provider’s job harder.

She believes this framing pressures patients into agreeing rather than allowing them to make a fully comfortable and independent decision.

According to Kaiser, Abridge is available in “40 hospitals and more than 600 medical offices in eight states and the District of Columbia,” part of a larger embrace of AI technology by the health care industry. Abridge operates in more than 14 languages.

American Community Media reached out multiple times to Abridge AI Inc. for comment but received no response. According to the company’s website, Abridge describes itself as a “Business Associate” to providers. Patients are advised to consult providers’ privacy policies for information on how their data is protected.

“Therapy is most effective in privacy and when trust is achieved through two human beings,” said Marcucci-Morris. For her, “healing occurs when human empathy is offered sincerely as part of any sort of mental health treatment relationship.”

She added, “I believe recording a therapy session changes human behavior.  It changes the patient’s demeanor.”

Bridge Demolition is Complicated

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The complex engineering involved in demolishing the I-74 Mississippi River Bridge.
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No shade at all to the new bridges, but honestly I think taking the old ones down was the coolest part of the entire replacement project.

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Welcome To The Rodeo

 In 2024, Iván Colmenares crossed the border into Venezuela on a routine trip. An encounter with the authorities changed the course of his life forever. In a foreign land, with no way for his family to reach him, Iván found himself caught up in a political game, and his survival depended on an unexpected connection.

Find the English transcript of “Welcome To The Rodeo” here. Or check out the Spanish transcript here.

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