Vadico, parceiro de Noel, compositor maior, é resgatado pelo Selo Sesc
Vadico, caixa com três discos, divididos por temas, resgatando a música do compositor paulista Oswaldo Gogliano (1910/1962), ou simplesmente Vadico. Lançado pelo Selo Sesc, este é o mais importante projeto de memória realizado este ano no país. Pois não se limita ao que Vadico deixou gravado no Brasil.
O pesquisador e músico Franco Galvão valeu-se de 541 partituras de Vadico encontradas numa universidade do Illinois. 170 músicos foram envolvidos no projeto, que reúne nomes como Guinga, Ná Ozzeti, Zé Manoel, Zé Renato, Nailor Proveta, a orquestra de câmera da USP, entre outros. Literalmente, promoveu-se o resgate de Vadico.
Quem sabe um mínimo de música brasileira, sabe de Noel Rosa, e conhece, pelo menos, estes clássicos do Poeta da Vila, Conversa de Botequim, Feitio de Oração Feitiço da Vila e Pra Que Mentir? Poucos, porém, têm ideia de que o autor das melodias dessas canções é um pianista paulistano, filho de italianos, Oswaldo Gogliano, ou simplesmente Vadico.
Morto Noel, em 1938, Vadico, no ano seguinte, integrando a orquestra do maestro Romeu Silva, foi tocar nos Estados Unidos, e acabou ficando por lá durante 15 anos. Acompanhou Carmen Miranda, quando ela se mudou para Hollywood. Depois de Carmen, foi pianista de Katherine Durham, dona de uma companhia de dança moderna, uma das mais importantes artistas negras americanas do século 20 (O que não impediu que fosse barrada num hotel chique de São Paulo por causa da cor da sua pele). Também fez músicas para a Disney.
Vadico retornou ao Brasil em 1956. Atuou em várias frentes. Não topou criar a música de Orfeu do Carnaval, de Vinícius de Morars, e abriu caminho para a parceria do poeta com o então pouco conhecido Tom Jobim. Vadico faleceu, em 1962, no Rio, aos 52 anos, de um infarto fulminante, no estúdio da gravadora Columbia.





