❌

Reading view

This is the new king of Continuous Integration for Software Developers. Faster and Better.

💾

Link to the blog: https://depot.plug.dev/PU6elOt

I teach a live, interactive program that'll help you build production-ready Machine Learning systems from the ground up. Check it out here:

https://www.ml.school

To keep up with my content:
• Twitter/X: https://www.twitter.com/svpino
• LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/svpino

🔔 Subscribe for more stories: https://www.youtube.com/@underfitted?sub_confirmation=1

Distintivos escoteiros para o macho alfa

Porque os homens precisam ser recompensados por seus méritos

18 de março de 2026
por Vanessa Barbara

As premiações são uma ótima maneira de reconhecer as conquistas dos indivíduos masculinos de nossa sociedade, que muitas vezes se comportam com distinção mesmo sob extrema pressão.

Aqui estão os requisitos para alguns dos distintivos mais rigorosos e prestigiados:

Distintivo de Ajuda Doméstica – Conclua uma tarefa doméstica simples (por exemplo, trocar uma lâmpada ou desentupir uma pia) em até trinta dias e/ou após seis pedidos cada vez mais insistentes. Troque os lençóis uma vez por ano por iniciativa própria. Compre um avental engraçado para expressar sua personalidade.

Medalha de Mérito Vida Familiar – Publique fotos com seus filhos no Instagram. Ensine-os ao menos uma habilidade de vida, como arrotar a palavra “abracadabra”, cuspir longe um caroço de azeitona, controlar seus gases ou incendiar coisas aleatórias. Pague a pensão alimentícia conforme determinado pela justiça.

Prêmio Antílope de Prata – Durante um dia inteiro, mantenha um diário de suas experiências de escuta. Identifique um exemplo e discorra com sua parceira após: (1) Obter informações, (2) Ser persuadido, (3) Reconhecer algo ou (4) Compreender os sentimentos de alguém.

Prêmio Thomas A. Edison de Inovador Excepcional – Desenvolva uma técnica para higienizar vegetais na máquina de lavar louça. Passe a aquecer sua comida com um secador de cabelo em vez de consertar o micro-ondas. Compre um aspirador de pó novo em vez de trocar o filtro. (Mas não se esqueça de levar o lixo para fora a fim de apagar seus rastros.)

Especialidade em Comunicação – Mantenha uma conversa simples com alguém por cerca de dez minutos, sem depreciar nenhum grupo minoritário ou ofender a dignidade das mulheres – algo que nunca aconteceria porque é só uma piada; francamente, por que levar tudo a sério? Você fica linda quando sorri.

Medalha Nacional de Conquista ao Ar Livre – Aceite levar o lixo para fora uma vez por semana. Só isso. Você não precisa cortar a grama, buscar seus filhos na escola ou fazer qualquer outra coisa pelo resto do ano.

Menção Honrosa Conjugal por Bons Serviços – O indicado deve ter prestado um mínimo de vinte minutos de bons serviços que se destaquem. Esta medalha geralmente é concedida pela esposa de outrem enquanto você finge ser prestativo após um jantar.

Prêmio Homem Qualificado – Durante sete dias consecutivos, não dê conselhos não solicitados a mulheres. Abstenha-se de analisar as escolhas de vida e carreiras de terceiros. Por favor, evite explicar coisas que você não entende completamente. Ok, cinco dias consecutivos.

Distintivo de Mérito Pioneiro – Tente tratar todos ao seu redor como se não fossem seus subordinados. Comporte-se com o mínimo de respeito, consideração e honestidade. É aconselhável não gritar ou socar a parede, nem quando aquela tonta fez por merecer.

Insígnia Nem Todo Homem – Não recorra a envenenamento, estrangulamento, espancamento, esfaqueamento ou fuzilamento em relação a qualquer mulher em um raio de pelo menos cinquenta metros.

O post Distintivos escoteiros para o macho alfa apareceu primeiro em Seleta de Legumes.

A Hortaliça – #116

A arte feminina de quebrar tudo

Dinah Craik’s Hidden Mother Portrait, 1863


#116 – São Paulo, 9 de março de 2026
Especial Matrescência
Cansaço, pele pálida e cabelo oleoso
hortifruti.org

“Mãe é uma mulher que ficou louca”
(Miguel Sokol)

:: EDITORIAL ::

Está chegando às livrarias no dia 9 de março um verdadeiro tratado sobre esse assunto complicado que é procriar, parir e então se ver irremediavelmente transformada em um legume para o resto da vida.

O que muda aí é o tipo de legume.

(Mulheres transformadas em inhames, por exemplo, são relativamente sortudas.)

Mas me afastei um pouco do cerne da questão. Matrescência é um livro de não ficção escrito pela jornalista científica britânica Lucy Jones e traduzido por esta vossa humilde criada. Está sendo publicado pela editora Fósforo. É grande e ficou especialmente caprichado, sobretudo na parte bibliográfica e nas notas de rodapé.

Leiam, divulguem, emprestem e usem como peso para fixar a cola nos brinquedos.

Matrescência: Sobre a metamorfose da gravidez, do parto e da maternidade
Lucy Jones
Trad.: Vanessa Barbara
Editora Fósforo
384 páginas (!)
R$ 114,90


:: BABY JESUS ::

Lucy Jones, Matrescência

Essas ideias bizarras eram herança da teoria da “imaginação materna”, que prevaleceu entre os séculos XVI e XVIII. Os médicos acreditavam que as mulheres grávidas podiam transformar, com suas mentes, o feto em crescimento, e portanto os distúrbios congênitos eram culpa da mãe. Se ela se assustasse com um sapo, por exemplo, a criança poderia acabar com os pés palmados. Ou se ela passasse muito tempo olhando para uma imagem de Jesus, o bebê poderia nascer com uma barba.


:: ANESTESIA DE MORAES::
Lucy Jones, Matrescência

Quando James Young Simpson, professor de obstetrícia em Edinburgo e criador do modelo de fórceps utilizado até hoje, ofereceu essa opção a uma paciente chamada sra. Carstairs, ela ficou tão grata que batizou a filha de “Anestesia”.


:: PORÉM ::
Lucy Jones, Matrescência

Nem todos estavam satisfeitos com essas iniciativas para minimizar a dor das mulheres no parto. O apelo inicial de Simpson para empregar analgésicos “de acordo com todos os princípios da verdadeira humanidade”, em 1847, foi contestado por padres e médicos por razões religiosas e morais: em Gênesis, Deus amaldiçoa Eva por comer a maçã, e seu castigo é que o parto deveria doer – “Multiplicarei as dores de tuas gravidezes, na dor darás à luz filhos”. (O castigo de Adão era lidar com espinhos e cardos, o que me parece um pouco injusto.)


:: ENTES QUERIDOS IDOSOS ::
Lyz Lenz, Belabored

Dessa vez, eu me permiti comer mais do que nunca. Deixei meu corpo ditar sua relação com o mundo físico. Vi meu corpo se expandir, vi minha pele esticar. Muitas vezes sonhava que as pessoas vinham até mim e me ofereciam pratos de comida, seus animais de estimação, seus entes queridos idosos, e eu os enfiava delicadamente em minha boca.

[This time I let myself eat, like I never had before. I let my body dictate its relationship with the physical world. I saw myself expand, saw my skin stretch. I’d often dream that people came to me and offered me plates of food, their pets, their aging loved ones, and I’d gently draw them all into my mouth.]


:: PRIMEIRA MULHER EM MARTE ::
Abigail Tucker, Mom Genes

E, no entanto, como filha de uma mãe que, cerca de quatro décadas após meu nascimento, ainda me segue até os estábulos frios das ovelhas, e como mãe de uma filha que atualmente deseja ser a “primeira mulher em Marte”, mas também ter 22 filhos, tenho muitas perguntas sobre essa jornada feminina compartilhada e sobre os lugares aonde as mulheres vão sem saber.

[And yet, as the daughter of a mother who—some four decades after my birth—will still tail me into wintery sheep barns, and as the mother of a daughter who presently aims to be the “first girl on Mars” but also to have twenty-two children, I have many questions about this shared female journey, and the places that women unknowingly go.]


:: HIPNOPARTO ::
Lucy Jones, Matrescência

Em um dado momento, parecia que o bebê poderia rasgar o meu períneo, então rapidamente me moveram para outra posição. Nas horas seguintes, fui colocada em várias posições para aproveitar a força da gravidade: de quatro, em uma espécie de pose de cadeira, de joelhos e, por fim, deitada de lado com uma perna no ombro da parteira, porque, àquela altura, eu já não conseguia me sustentar. Estava no meu estado mais feral e primitivo. Queria queimar a indústria do hipnoparto até não sobrar mais nada.


:: A DOR ::
Olga Ravn, My Work

Mas a crença de que falar abertamente sobre a dor da maternidade prejudicaria a criança, e a própria mãe, é uma mentira. E eu não quero mais ter medo disso.

[But the belief that it would hurt the child, and the mother herself, to openly speak about the pain of motherhood is a lie. And I don’t want to be afraid of it any longer.]


:: AMAMENTAÇÃO ::
Lucy Jones, Matrescência

Baixei um livro, publicado pela La Leche League, chamado The Womanly Art of Breastfeeding [A arte feminina de amamentar]. A capa mostrava uma bela mulher de longos cabelos ruivos cacheados e soltos, envolta em um lençol branco. “Este livro irá me ensinar a arte feminina”, pensei. “Amamentar não te dá pontos extras. É apenas a forma normal de criar um bebê”, eu li.


:: ADENDO ::

Eu também li The Womanly Art of Breastfeeding inteirinho e não cheguei a entender grande coisa sobre a tal arte feminina.


:: PROFUNDO DESPREZO ::
Emily Van Duyne, Loving Sylvia Plath

Em seu testamento, Assia Wevill foi bem direta: “A Ted Hughes, o pai dela”, escreveu, “deixo minha ausência, sem dúvida bem-vinda, e meu profundo desprezo.”

[In her will, Assia Wevill made no bones: “To Ted Hughes, their father,” she wrote, “I leave my no doubt welcome absence and my bitter contempt.”]


:: PANÇA BALOUÇANTE ::
Lucy Jones, Matrescência

As reportagens nunca diziam: “Rowena ostenta seu abdome super rechonchudo apenas dois meses depois de dar à luz seu bebê”, ou: “Gia flexionou sua pança balouçante”, ou: “Ao sair de casa, Poppy fez questão de que todos olhassem para sua barriga flácida e cheia de estrias em um sutiã Balenciaga, exibindo sinais profundos de cansaço, a pele pálida e o cabelo perfeitamente oleoso”.


:: NEVOEIRO ::
Yvonne Perrin, The First Seven Years: A Record Book for Mother & Child

Ele […] deve dormir ao ar livre o dia todo, no inverno e no verão. A única condição climática realmente inadequada para o bebê é o nevoeiro.


:: EMOÇÕES DESCONTROLADAS ::
Lucy Jones, Matrescência

Publicado em 1894, The Care and Feeding of Children [Cuidado e alimentação infantis], do pediatra Luther Emmett Holt, foi um best-seller. “Nunca se deve brincar com bebês menores de seis meses; quanto menos isso acontecer, em qualquer época, melhor para eles”, escreveu. Outras regras incluíam não sair de casa com o bebê pelos primeiros três meses, assim como um aviso de que “emoções descontroladas, tristeza, excitação, medo e paixão podem fazer o leite cair mal à criança”.


:: GRAVIDEZ ::
Abigail Tucker, Mom Genes

Durante a gravidez, todo o nosso corpo passa por mudanças. Nossas pintas podem escurecer e nossa voz pode ficar mais grave (como aconteceu com Kristen Bell grávida durante as gravações de Frozen — parece que a famosa trilha sonora poderia ter sido ainda mais estridente em alguns trechos). Nossos narizes alargam, nossos arcos plantares se achatam e nossas unhas dos pés caem. Nosso cabelo pode mudar de cor ou ficar cacheado. Podemos arrotar como se tivéssemos engolido uma bomba-relógio. Nosso fígado pode liberar bile, provocando uma coceira insuportável. E nos tornamos comprovadamente mais apetitosas para os mosquitos devido ao aumento da temperatura corporal e da produção de dióxido de carbono.

[In pregnancy our entire physical selves are in flux. Our moles may darken, our voices drop an octave (as a pregnant Kristen Bell’s did while recording Frozen—it seems that the notorious soundtrack could have been still shriller in places). Our noses widen, our arches flatten, and our toenails fall off. Our hair can change color or gain curl. We may burp as if we’ve swallowed a bomb cyclone. Our livers may leak bile, causing us to itch like the dickens. And we become demonstrably more delicious to mosquitoes because of our increased body temperature and carbon dioxide output.]


:: ULTRASSÔNICO ::
Abigail Tucker, Mom Genes

Um estudo com roedores revelou que as mães ratas precisam guinchar de modo ultrassônico para que os pais ajudem a cuidar dos filhotes.

[A rodent study revealed that mice moms must ultrasonically squeak at mice dads in order to get them to pitch in with childcare.)]

>>>>

Se você gosta de A Hortaliça, encaminhe esta edição para um amigo leitor. Hoje temos 26 aguerridos assinantes e uma dúzia de doadores esporádicos que ajudam a manter essa feira livre. Se também quiser colaborar, há um botão de assinatura logo abaixo.

Os links dos livros são afiliados da Amazon e nos ajudam a recarregar o Bilhete Único.


“Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado – logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido” (Stephanie A.)

::: hortifruti.org :::


Pequeno aviso legal: A Hortaliça será distribuída gratuitamente através desta plataforma. Não iremos produzir conteúdo fechado para assinantes por acreditar no livre acesso à informação, arte e cultura. A tarifa zero é bancada por leitores, leitoras e leitões que têm condições (e vontade) de colaborar. Quem quiser ajudar pode escolher um plano de assinatura ou depositar moedas de ouro aleatórias na chave pix: vmbarbara@yahoo.com. Vamos apoiar o jornalismo independente, a literatura de guerrilha e a bobice semiprofissional.

O post A Hortaliça – #116 apareceu primeiro em Seleta de Legumes.

Happy Map

Mapping 100,000 moments of human happiness.

How I've been automating tasks with Claude Code

💾

Zapier MCP: https://bit.ly/4aBhBI1

I teach a live, interactive program that'll help you build production-ready Machine Learning systems from the ground up. Check it out here:

https://www.ml.school

To keep up with my content:
• Twitter/X: https://www.twitter.com/svpino
• LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/svpino

🔔 Subscribe for more stories: https://www.youtube.com/@underfitted?sub_confirmation=1

Ritual del Chashitsu

💾

#arqinu #arquitetura #japanesearchitecture #茶室 #japanesedesign #zen #modernarchitecture #woodworking

Sizing Chaos

The inter-generational struggle to find clothes that fit more than a tiny portion of women.

The first transcription model with prompts

💾

Here is a link to the GitHub repository I created with a sample that uses the API:

https://github.com/svpino/assemblyai-sample

- Universal-3 Pro: https://www.assemblyai.com/universal-3-pro?utm_source=youtube&utm_medium=influencer&utm_campaign=santiago&utm_content=universal_3_pro

- AssemblyAI Documentation: https://www.assemblyai.com/docs?utm_source=youtube&utm_medium=influencer&utm_campaign=santiago&utm_content=universal_3_pro

I teach a live, interactive program that'll help you build production-ready Machine Learning systems from the ground up. Check it out here:

https://www.ml.school

To keep up with my content:
• Twitter/X: https://www.twitter.com/svpino
• LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/svpino

🔔 Subscribe for more stories: https://www.youtube.com/@underfitted?sub_confirmation=1

Compactar para liberar

💾

#arqinu #tadaoando #japanesearchitecture #minimalismo #concrete #arquitecturajaponesa #architectureshorts

A Hortaliça – #115

Batata extasiada brincando na pia, nov. 2025

#115 – São Paulo, 6 de fevereiro de 2026
Especial dentistas
hortifruti.org

“Até capturarmos esta tartaruga/
a outra já fugiu.”
(Rafael Mantovani)

:: EDITORIAL ::

Nesta edição, juntamos dois temas palpitantes que jamais foram abordados em conjunto: carnaval e dentistas.

Somos assim audaciosos — ou preguiçosos demais para buscar a necessária congruência.

Fica a dica para as escolas de samba que, em 2027, poderão usar o samba-enredo “Da Gengiva ao Implante: O Cuidado Bucal Vira Carnaval” ou “Com Dentadura ou Natural, Nosso Samba é Imortal”.

Para mais contexto, leiam a análise: “No quesito piada infame, nota da madrugada é 10”. E divirtam-se.


:: CARNAVAL ::

Mulher no metrô:

“…Aí me falaram que eu já era a quarta pessoa que ficava com ele e ainda era 6 da tarde! [pausa] Ou seja, o cara acordou cedo.”


:: CIDADE DOS MOLARES ::
Burkhard Bilger, “Mexico’s Molar City…”

Segundo Roberto Díaz e Paula Hahn, administradores de um site de turismo médico chamado Border CRxing, a cidade de Los Algodones tem a maior concentração per capita de dentistas do mundo: bem mais de mil em uma população de 5.500 habitantes. É conhecida como a Cidade dos Molares.

[According to Roberto Díaz and Paula Hahn, who run a website about medical tourism called Border CRxing, Los Algodones now has the highest per-capita concentration of dentists in the world: well over a thousand in a population of fifty-five hundred. It’s known as Molar City.]


:: RATOS EM CARTOLAS ::
Guimarães Rosa, Ave, palavra

Zôo (Jardin des Plantes)
Tartarugas, nas lajes: estouvam-se, remexendo-se, que nem ratos debaixo de cartolas.


:: 750 CONVIDADOS E 3 ELEFANTES ::

Janet Flanner, Paris era ontem

Em Versalhes [em 1939], lady Mandl deu um baile de época para 750 convidados e três elefantes, sendo que todos os três se recusaram a ser montados, entre outros, pela princesa de Kapurthala.


:: ASPECTO DE FRANGO ::
Nikolai Gogol, Taras Bulba

O dono da casa, depois de ter bebido um pequeno copo de uma misteriosa infusão, despiu o cafetã e, ficando de ceroulas e pantufas, adquiriu o aspecto de um frango. Depois foi deitar-se com a mulher em algo que parecia um armário. Dois rapazolas deitaram-se no chão, defronte do armário, parecendo simples cachorros.


:: CHAVE NO PRATO ::
Yasemin Saplakoglu, “At the Mysterious Boundary…”

Na mesma época em que Loomis realizava experimentos com eletroencefalograma (EEG) em sua mansão, o artista surrealista [Dalí] fazia experiências com suas próprias transições para o sono. Como descreveu em seu livro de 1948, 50 Secrets of Magic Craftsmanship [50 segredos mágicos da pintura], ele se sentava em uma “poltrona esquelética, de preferência de estilo espanhol”, enquanto segurava frouxamente uma chave pesada sobre um prato virado para baixo no chão. À medida que adormecia, suas mãos relaxavam — e eventualmente a chave caía por entre seus dedos. O estalo repentino da chave ao bater no prato o despertava. Convencido de que acordar durante essa fase revigorava seu ser psíquico e impulsionava a criatividade, Dalí então se sentava e começava a pintar.

[Around the time that Loomis was conducting EEG experiments in his mansion, the surrealist artist was experimenting with his own transitions into sleep. As he described it in his 1948 book 50 Secrets of Magic Craftsmanship, he would sit in a “bony armchair, preferably of Spanish style,” while loosely holding a heavy key in one palm above an upside-down plate on the floor. As he drifted off, his hands would slacken — and eventually the key would fall through his fingers. The sudden clack of the key hitting the plate would wake him. Convinced that being aroused during this period revived his psychic being and boosted creativity, Dalí would then sit down and start painting.]

Recado para o meu TOC


:: PELO NARIZ ::
Burkhard Bilger, “Mexico’s Molar City…”

Quando Luís XIV teve um dente extraído em Versalhes, o dentista puxou sua mandíbula com tanto zelo que abriu um buraco no palato, alcançando a passagem nasal. Por um tempo depois disso, qualquer líquido que o rei bebesse jorrava pelo seu nariz. Para estancar o sangramento, o cirurgião teve que cauterizar o buraco com um ferro em brasa.

[When Louis XIV had a tooth pulled at Versailles, his dentist yanked at his jaw with such zeal that he tore a hole through the palate and into the nasal passage. For a while after that, any liquid that the King drank would come spraying out of his nose. To plug it closed, his surgeon had to cauterize the hole with a red-hot iron.]


:: A FACILIDADE ::

Gay Talese, A Writer’s Life

Passo o dia todo sozinho, produzindo prosa com a facilidade de um paciente expelindo pedras nos rins, e por isso à noite prefiro jantar fora […].

[I am alone all day, producing prose with the ease of a patient passing kidney stones, and so at night I prefer to dine out…]


:: CINCO MILHÕES ::
Evan Osnos, “Donald Trump’s Politics of Plunder”

Até mesmo os praticantes mais experientes do toma-lá-dá-cá de Washington ficaram espantados com as novas regras para a compra de influência. Em dezembro, um assento em um jantar coletivo em Mar-a-Lago podia ser garantido com uma contribuição de um milhão de dólares para a MAGA Inc., um super PAC que funciona como caixa de campanha para as eleições de meio de mandato. Mais recentemente, conversas individuais com o presidente passaram a estar disponíveis por cinco milhões de dólares.

[Even seasoned practitioners of Washington pay-to-play have been startled by the new rules for buying influence. In December, a seat at a group dinner at Mar-a-Lago could be had for a million-dollar contribution to MAGA Inc., a super PAC that serves as a war chest for the midterms. More recently, one-on-one conversations with the President have become available for five million.]


:: LET DEATH COME ::
Matthew Crawford, The World Beyond Your Head

Acho que […] esse tipo de passividade é uma libertação da necessidade de controle. Como autônomo, não tenho a rotina de um emprego fixo, então o arranjo de cada hora é uma questão de escolha, uma oportunidade de reflexão e avaliação. Às vezes, eu só quero ficar onde estou e assistir Dateline, porque é o que vem a seguir. Deixe a morte me levar.

[I think because the passivity of it is a release from the need for control. As someone who is self-employed, I don’t have the jig of a regular job, so the disposition of every hour is a matter of choice, an occasion for reflection and evaluation. Sometimes I just want to stay where I am and watch Dateline, because that’s what’s next. Let death come.]


:: NÃO É CERTO ::
Norah Vincent, Voluntary Madness

Não é certo estar num quarto tão pequeno quando se está perdendo a cabeça.

[It’s not right to be in such a small room when you’re losing your mind.]


:: INSALUBRIDADE ::
Burkhard Bilger, “Mexico’s Molar City…”

Em 2020, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Odontologia da Universidade de Nova York revelou que três quartos dos dentistas admitiram ter sido atacados verbalmente por um paciente, e quase metade havia sofrido agressão física. Os estudantes de odontologia foram ainda mais maltratados: 86% deles haviam sofrido abuso verbal no ano anterior.

[In 2020, in a survey by the New York University College of Dentistry, three-quarters of dentists reported that they’d been verbally attacked by a patient, and nearly half had been physically assaulted. Dental students were treated even worse: eighty-six per cent had been verbally abused in the previous year.]


:: METRÔ ::
Jack London, The People of the Abyss

Estávamos tão apertados que vários homens aproveitaram a oportunidade e adormeceram profundamente em pé.

[So tightly were we packed, that a number of the men took advantage of the opportunity and went soundly asleep standing up.]


:: DONOS DA ÁGUA ::
W. David Marx, Status and Culture

A socióloga Ashley Mears, que pesquisou os escalões superiores do circuito global de festas em Nova York, Miami, Ibiza e Saint-Tropez, descobriu que “os esbanjadores mais duvidosos eram os não ocidentais, como russos, árabes e ‘asiáticos loucos de ricos’, ou caras que ‘são donos de toda a água da Sérvia’”.

[The sociologist Ashley Mears, who researched the top echelons of the global party circuit in New York, Miami, Ibiza, and Saint-Tropez, found that “the most dubious of big spenders were non-Westerners, like Russian, Arab, and ‘crazy rich Asian’ spenders” or guys who “own all the water in Serbia.”]


:: INSALUBRIDADE – PT. 2 ::
Burkhard Bilger, “Mexico’s Molar City…”

Dois anos depois, em Nova Orleans, uma mulher de 55 anos foi acusada de esfaquear seu dentista no olho.

[Two years later, in New Orleans, a fifty-five-year-old woman was accused of stabbing her dentist in the eye.]


:: BEREZNA – BERIA – BERING ::
Masha Gessen, The Future is History

Maya pegou um volume da Grande Enciclopédia Soviética, um tomo encadernado em tecido azul-escuro. Era o volume cinco, que começava e terminava com palavras completamente incompreensíveis: “Berezna” e “Botokudy”. Maya abriu o livro e deparou-se com um retrato de página inteira de um homem de meia-idade, quase careca, com rosto redondo, lábios finos e óculos de pincenê com lentes redondas sem aro.

Era Lavrentiy Beria, descrito no artigo de quatro páginas que acompanhava o retrato como “um dos líderes mais destacados do Partido Comunista Soviético Bolchevique e do Estado soviético, um aluno leal e camarada de J. V. Stálin”, e assim por diante. Não era o avô de Arutyunyan — era o principal executor de Stálin. Depois que o próprio Beria foi executado, os assinantes da Grande Enciclopédia Soviética receberam uma carta que Maya agora lhe mostrava: a editora estatal acadêmica da Grande Enciclopédia Soviética recomenda que as páginas 21, 22, 23 e 24, bem como o retrato anexado entre as páginas 22 e 23, sejam removidos e substituídos por novas páginas, anexas a esta carta. Use tesoura ou lâmina de barbear para remover as páginas mencionadas, tomando cuidado para preservar as margens internas onde as novas páginas serão coladas.

As páginas de substituição continham um artigo sobre o Estreito de Bering.

[Maya got out a volume of the Great Soviet Encyclopedia, a tome in blue-black cloth. This was volume five, which began and ended with perfectly incomprehensible words: “Berezna” and “Botokudy.” Maya opened the book to a full-page portrait of a middle-aged, mostly bald man with a round face, perfectly thin lips, and a pince-nez with round rimless lenses. This was Lavrentiy Beria, whom the accompanying four-page article described as “one of the most outstanding leaders of the All-Soviet Communist Party of Bolsheviks and of the Soviet state, a loyal student and comrade of J. V. Stalin,” and so forth. This was not Arutyunyan’s grandfather—this was Stalin’s chief executioner. After he himself was executed, subscribers to the Great Soviet Encyclopedia received a letter that Maya was now showing her: The state scholarly publishing house of the Great Soviet Encyclopedia recommends that pages 21, 22, 23, and 24, as well as the portrait bound in between pages 22 and 23, be removed and replaced with new pages, enclosed with this letter. Use scissors or a razor blade to remove the above-mentioned pages, taking care to retain inner margins to which new pages are to be glued. The replacement pages contained an article on the Bering Strait.]


:: OBRA- PRIMA ::

Este álbum é uma obra-prima.

>>>>

Agradecimentos: Adriano Bastos, Arthur Tertuliano, Gigio, minha mãe. Esta edição foi possível graças a 27 aguerridos assinantes e uma dúzia de doadores esporádicos.

Os links dos livros são afiliados da Amazon e nos ajudam a recarregar o Bilhete Único.

“Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado – logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido” (Stephanie A.)

::: hortifruti.org :::

Pequeno aviso legal: A Hortaliça será distribuída gratuitamente através desta plataforma. Não iremos produzir conteúdo fechado para assinantes por acreditar no livre acesso à informação, arte e cultura. A tarifa zero será bancada pelos leitores e leitoras e leitões que tiverem condições financeiras (e vontade) de colaborar. A estes, pedimos que nos apoiem escolhendo um plano de assinatura ou depositando moedas de ouro aleatórias para a chave pix: vmbarbara@yahoo.com. Vamos apoiar o jornalismo independente, a literatura de guerrilha e a bobice semiprofissional.

O post A Hortaliça – #115 apareceu primeiro em Seleta de Legumes.

Extra! Extra!

Duas novidades aleatórias e um alerta

O desenho acima representa a autora fugindo de uma espiral de extravagância. Talvez ela tenha uma mochila nas costas e um par de botas bufantes. Ou então está tentando escapar de um rocambole descontrolado.

Nesta edição extra, trazemos dois comunicados importantes e um alerta. O boletim “O Mês em Batata” virá quando possível, pois não trabalhamos sob pressão.

São eles:

1. O aniversário é do episódio e quem perde somos nozes

Esses dias comemoramos o aniversário de um ano do episódio “CPF na nota?”, esse feito literário intrépido que nos enche de orgulho.

Algumas coisas que aconteceram desde então:

  • Fui acusada de “monetizar meu chifre”
  • Recebi 2 (dois, deux, two, zwei) pedidos de desculpas de homens envolvidos
  • Alguns veículos de imprensa se prestaram quase que imediatamente a descredibilizar a vítima
  • Houve inúmeras tentativas de descobrir meus interesses escusos
  • Um total de zero pessoas foi cancelada, apesar do pânico moral
  • Um sujeito lembrou que eu era colaboradora regular do NYT, e que portanto minha carreira jamais foi prejudicada. Achei humilde que ele tenha admitido exercer influência significativa em jornais americanos. (A autoestima do homem branco!)
  • Mulheres colocaram meu relato em dúvida e falaram em questões inverificáveis
  • Mulheres que me defenderam estão sendo processadas
  • As escritoras — eu gostaria de ter contado com o apoio de meia dúzia delas. Mas nessa selva editorial, isso pode significar perder emprego, prêmio, contrato.
  • Um jornal chegou a anunciar que houve um aumento de 13.800% nas vendas dos meus livros, em um levantamento realizado a pedido do veículo. Os números absolutos não foram fornecidos, mas estou aqui para fornecê-los: vendi 3 mil exemplares do livro Operação Impensável. Hoje vivo em Bora Bora e apoio os pés nas carcaças dos homens que desgracei.

Não deixem de ouvir Silenciadas, podcast narrativo da Cristina Fibe, e O chá revelação, de Chico Felitti, para um pouco mais de contexto.

2. Reedição do Amarelinho

Entrou em pré-venda a nova edição de O Livro Amarelo do Terminal.

A obra foi originalmente publicada em 2008 pela CosacNaify. No ano seguinte, ganhou os prêmios APCA e Jabuti de melhor livro reportagem. Também nesse ano, a capa do livro, criada por Elaine Ramos e Maria Carolina Sampaio, entrou para a lista de melhores do mundo do American Institute of Graphic Arts (AIGA). O livro foi republicado em 2018 pela editora do SESI-SP.

Com o tempo, todas essas edições se esgotaram.

Em 2026, a Fósforo preparou esta nova edição com um projeto gráfico totalmente distinto, assinado por Flávia Castanheira. Ela decidiu atualizar a cara do livro usando elementos das passagens rodoviárias de hoje: linhas pontilhadas, fontes monospaced, QR codes e códigos de barras.

Aproveito para agradecer a minha editora, Juliana Rodrigues, pela paciência e pelo capricho.

O lançamento oficial é em 4 de fevereiro.

  • Editora ‏ : ‎ Fósforo
  • Data da publicação ‏ : ‎ 4 fevereiro 2026
  • Número de páginas ‏ : ‎ 224 páginas
  • Peso do produto ‏ : ‎ 193 g
  • Dimensões ‏ : ‎ 14 x 1 x 20 cm
  • Quantidade de vezes que eu tive que reler : quatro

O release fala em “obra essencial do jornalismo literário brasileiro”, e quem sou eu para questionar?, e faz um resumo da trama:

“Borrando as fronteiras entre jornalismo e literatura, esta obra tornou-se um registro atemporal do funcionamento da segunda maior rodoviária do mundo, na qual Vanessa Barbara assume ao mesmo tempo os papéis de historiadora e investigadora, exploradora e cronista, dissecando a ‘cidade de chicletes abandonados, de pessoas com pressa e de coisas perdidas’.

3. Cuidado!

Se eu não tivesse lido direitinho a descrição dessa promoção, não sei o que faria com uma família tão grande.

Tomem cuidado.

>>>>

Agradecimentos: Esta edição foi possível graças a 26 aguerridos assinantes e uma dúzia de doadores esporádicos.

Os links dos livros são afiliados da Amazon e nos ajudam a recarregar o Bilhete Único.

“Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado – logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido” (Stephanie A.)

::: hortifruti.org :::

O post Extra! Extra! apareceu primeiro em Seleta de Legumes.

A Hortaliça – #114

A fila do xixi tem que andar


#114 – São Paulo, 9 de janeiro de 2026
Especial podcasts
Aceitamos pix e molho para tacos
hortifruti.org

“A gente claramente perdeu o controle do arco narrativo”
(Pedro Daltro e Cristiano Botafogo)

“Levanta-se a hipótese de que ele seja burro”
(idem, sobre o general Augusto Heleno)


:: EDITORIAL ::

Nada como escutar um podcast para impedir o córtex pré-frontal medial de cavar valas macabras no cerne da consciência humana enquanto o corpo físico se ocupa em limpar o sifão da pia. É realmente uma ocupação antidepressiva exemplar, um verdadeiro escudo acústico contra a ruminação. Uma ótima ideia para começar o ano.

Aqui vão alguns de nossos podcasts favoritos.


:: ACONTECE ::
Oliver Sacks, Alucinações musicais

Muitas de nossas associações musicais são verbais, e às vezes absurdas. Esta semana do Natal, quando comi salmão defumado (que adoro), ouvi na mente o verso “O come, let us adore Him”. E agora, para mim, o hino ficou associado ao salmão.


:: PAGO POR SUBSTANTIVO ::

Michael Hobbes e Peter Shamshiri
If Books Could Kill

Ele é pago por substantivo?
[Is he paid by the noun?]
(Michael, sobre um livro que eu não lembro qual era)

É, realmente parece que ele está só sentando e digitando sem ler nada.
[Yeah it really feels that he’s just sitting down and typing and not reading it.]

Vou só ficar aqui lendo um outro livro enquanto você fala.
[I’ll just be sitting here reading a different book while you talk.]


:: PRESOS ::

Pedro Daltro e Cristiano Botafogo
Medo e Delírio em Brasília

Um tá preso de fato e o outro tá preso na própria loucura.

(Sobre Daniel Silveira e Marcos do Val)


:: MERITOCRACIA DA SAÚDE ::
Michael Hobbes e Aubrey Gordon
Maintenance Phase

Ele acha que mudanças no estilo de vida podem curar toda e qualquer doença. [He thinks that lifestyle can cure every single illness] (Michael)

É isso que você pensa quando tem uma saúde relativamente boa, quando sempre teve acesso a cuidados médicos e quando lhe ensinaram que saúde é uma meritocracia. E que você colhe o que planta, o que não é verdade para quase nada nesta vida. [Which is what you think when you have relatively good health, when your healthcare has always been provided to you, and when you’ve been taught that health is a meritocracy. And you get out of it what you put into it, which is not true of almost anything in this life.] (Aubrey)

[…] Confundir a percepção que as pessoas têm da sua saúde com o seu caráter, moralidade e valor enquanto seres humanos. [Muddling up people’s perceived health with their carachter and morality and worth as people.]


:: MERITOCRACIA DA SAÚDE – PT. 2 ::
Michael Hobbes e Aubrey Gordon
Maintenance Phase

É claro que nossos estilos de vida afetam nossa saúde, há uma certa dose de verdade nisso. Mas acredito que a adoção dessa ideia, especialmente pela indústria, acaba introduzindo o que os pesquisadores chamam de ‘paradigma do risco associado ao estilo de vida’. O fato de o estilo de vida influenciar o risco de doenças é bastante inquestionável, mas, com o tempo, a ideia passou a ser vista como a única coisa que afeta esse risco. Chegamos, então, à conclusão oposta: que todos que adoecem devem ter feito algo para merecê-lo.

[Of course our lifestyles affect our health, there is truth at the heart of this. But I think the adoption of this and specially the takeup of this by industry ends up smuggling in what the researchers call “the lifestyle-risk paradigm”. The fact that your lifestyle affects your risk for disease is pretty unobjectionable but eventually it became that your lifestyle is the only thing that affects your risk for disease. We then get the reverse understanding that well, then, everybody who is sick must have done something to deserve it.] (Michael)

Tudo isso parte da premissa — e ao mesmo tempo reforça — a ideia de que, mais uma vez, pessoas magras e sem deficiência estão fazendo as coisas “certas”, e que quaisquer custos assumidos por um empregador são culpa das pessoas gordas e das pessoas com deficiência.

[All of this is both predicated on and reinforcing the idea that, again, thin people and non-disabled people are doing right things and that any costs that an employer shoulders are the fault of fat people and disabled people.]


:: INCENTIVAR ::

Zawn Villines
Liberating Motherhood, “The shock of motherhood in a patriarchy”

Meu marido realmente espera incentivar o lesbianismo [em nossas filhas].

[My husband is really hoping to encourage lesbianism.]


:: AS DEZ MAIS DO CÓRTEX ::
Oliver Sacks, O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

W. Penfield impressionou-se com a frequência dos ataques musicais e deixou muitos exemplos fascinantes e quase sempre engraçados, uma incidência de 3% nos mais de 500 pacientes com epilepsia do lobo temporal que ele estudou. […]

Em cada caso, a música era fixa e estereotipada. A mesma melodia era ouvida repetidamente, fosse no decorrer de ataques espontâneos, fosse mediante estimulação elétrica do córtex propenso a ataques. Portanto, essas melodias não eram populares só no rádio, mas igualmente populares como ataques alucinatórios; elas eram, por assim dizer, “As dez mais do córtex”.


:: RESPONSABILIZAÇÃO ::
Michael Hobbes e Peter Shamshiri
If Books Could Kill

Isso refletia uma espécie de responsabilização de baixo para cima, que eles se sentiam impotentes para disciplinar.

[It reflected a sort of bottom-up accountability that they felt powerless to discipline] (Peter, sobre a “cultura do cancelamento”)

Esse medo entre os membros da maioria — pessoas que surtam com a escolha das palavras, “nem dá mais para dizer isso” —, em vez de pensarem em como a aceitação afetaria os membros da minoria, pensam em como a aceitação afetaria os membros da maioria.

[This fear among members of the majority – people who freak out about word choice, “you can’t even say this anymore” – instead of thinking about how acceptance would affect members of the minority, they think about how acceptance would affect members of the majority.]


:: ENTROPIA ::
Sarah Marshall
You’re Wrong About, “The Auralyn”

[…] viver com depressão crônica ou algo parecido. Significa que você não pode simplesmente se deitar e deixar acontecer, porque o que está acontecendo, e cada pequena coisa que você faz, cada gato que você desenha… Na verdade, você está lutando bravamente contra essa entropia em que está vivendo.

[[…] living with long-term depression or something like that. It just contains you can’t lie back and let it happen to you because it’s what’s happening and that every little thing you do and every cat that you draw is… actually, you’re very bravely fighting against this entropy that you’re living in.]

Me vê 50 reais em picolé?

:: MEDIOCRIDADES ::
Michael Hobbes
If Books Could Kill, “The Identity Trap”

[…] Todas essas mediocridades que acabam prosperando porque dizem às pessoas no poder o que elas querem ouvir.

[All these mediocrities that are allowed to flourish because they’re telling people in power what they want to hear]


:: MOSQUITO ::
Tom Rachman, The Imperfectionists

[…] um pequeno tocador de áudio que colocaríamos no quarto dele e que reproduziria um loop infinito do zumbido de um mosquito. Mas o aparelho só se ativaria no escuro, então, toda vez que ele apagava as luzes, o zumbido começava. Aí ele acendia as luzes para procurar o mosquito e ele não estava lá. E assim por diante, até que camisas de força fossem necessárias.

[… a little audio player that we’d stick in his bedroom and that would play an endless loop of a mosquito whining. But it would only activate in darkness, so every time he turned off the lights the whining would start. Then he’d turn on the lights to hunt for it and the mosquito wouldn’t be there. And so on and so on, until straitjackets were required.’]


:: LUTA ::
Pedro Daltro e Cristiano Botafogo
Medo e Delírio em Brasília

São 34 minutos de luta contra as próprias palavras.

(Sobre a entrevista do Jair Renan com o Léo Dias)


:: VOLTAR NO TEMPO ::
Michael Hobbes e Peter Shamshiri
If Books Could Kill, “The Secret”

Eu daria tudo o que tenho para poder voltar no tempo e ler isso para o Karl Marx.

[I would give up everything I own to be able to go back in time and read that to Karl Marx.]


:: ACONTECE ::
Oliver Sacks, Alucinações musicais

“E de súbito”, Llinás conclui, “ouvimos uma música na cabeça ou, aparentemente vindo do nada, surge-nos uma forte vontade de jogar tênis. Isso às vezes simplesmente nos acontece.”


:: OUTROS PODCASTS ::

Outros podcasts que recomendamos:

Rádio Novelo Apresenta
Foro de Teresina
, revista piauí
Só no Brasil, de Pedro Duarte e Victor Camejo
Noites Gregas, de Cláudio Moreno
This American Life
A Hora
, de Thais Bilenky e José Roberto de Toledo
Calma Urgente
Science Vs.,
 de Wendy Zukerman
The Burnt Toast
, de Virginia Sole-Smith
Nathalie Haynes Stands Up For The Classics
Can I Have Another Snack
, de Laura Thomas
Xadrez Verbal, de Matias Pinto e Filipe Figueiredo

Audiosséries:

The Retrievals, de Susan Burton
Silenciadas, de Cristina Fibe
O Chá Revelação, de Chico Felitti
Avestruz Master
Shell Game
, de Evan Ratliff
Not a Very Good Murderer
, de Ronan Farrow
vinte mil léguas, de Sofia Nestrovski e Leda Cartum


:: MOLHO PARA TACOS ::
Kelly and Zack Weinersmith, A City on Mars

Aparentemente, o ambiente espacial também faz com que a comida tenha um sabor menos intenso. Isso pode ser resultado da mudança de fluidos corporais, que cria uma pressão nos seios nasais semelhante à de um resfriado, ou pode ser que, na ausência de gravidade, os cheiros não cheguem ao nariz, ou ainda pode ser algo relacionado à atmosfera artificial. Seja qual for o motivo, os astronautas frequentemente cobiçam os condimentos picantes, como sal, pimenta, Tabasco e maionese. E, claro, molho para tacos.

O molho para tacos, salgado e saboroso, é tão apreciado pelos astronautas que, por cerca de uma semana em 1991, tornou-se a primeira moeda específica do espaço sideral. No voo do ônibus espacial STS-40, o molho para tacos era usado em tudo. O piloto Sid Gutierrez lembrou: “Embora eu mesmo não tenha feito isso, observei meus colegas de tripulação colocando molho para tacos em cereais Rice Krispies pela manhã”.

Por volta do oitavo dia, o comandante da STS-40, Bryan O’Connor, percebeu que o consumo de molho para tacos pela tripulação logo ultrapassaria o estoque disponível. Segundo Gutierrez, o comandante “confiscou todo o molho para tacos restante e o dividiu igualmente entre os membros da tripulação. A partir daí, o molho para tacos tornou-se a moeda de troca. Por exemplo, se fosse a sua vez de limpar a latrina, você podia pagar a alguém com um ou dois molhos para tacos para fazer isso por você.”

[The environment of space also reportedly makes food taste less flavorful. This may be a result of the fluid shift creating sinus pressure similar to a cold, or it may be that in zero gravity smells don’t waft up into your nose, or it may be something about the artificial atmosphere. Whatever the reason, astronauts often lust for piquant condiments, such as salt, pepper, Tabasco, and mayonnaise. And, of course, taco sauce. Salty, zesty taco sauce is so beloved by astronauts that for about a week in 1991 it became the first form of currency specific to outer space. On shuttle flight STS-40, taco sauce went on everything. Pilot Sid Gutierrez recalled, “Although I didn’t do it myself, I observed crewmates putting taco sauce on Rice Krispies in the morning.” Around day 8, STS-40’s Commander Bryan O’Connor realized the crew’s rate of taco sauce consumption would soon outstrip the taco sauce supply. According to Gutierrez, the commander “secured all the remaining taco sauce and divided it equally among the crew members. Thereafter taco sauce became the medium of exchange. For example, if it was your turn to clean the latrine, you could pay someone a taco sauce or two to do it for you.]

Meu peso em gelinho

>>>>
Agradecimentos: Esta edição foi possível graças a 26 aguerridos assinantes e uma dúzia de doadores esporádicos.

Os links dos livros são afiliados da Amazon e nos ajudam a recarregar o Bilhete Único.

“Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado – logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido” (Stephanie A.)

::: hortifruti.org :::

Pequeno aviso legal: A Hortaliça será distribuída gratuitamente através desta plataforma. Não iremos produzir conteúdo fechado para assinantes por acreditar no livre acesso à informação, arte e cultura. A tarifa zero será bancada pelos leitores e leitoras e leitões que tiverem condições financeiras (e vontade) de colaborar. A estes, pedimos que nos apoiem escolhendo um plano de assinatura ou depositando moedas de ouro aleatórias para a chave pix: vmbarbara@yahoo.com. Vamos apoiar o jornalismo independente, a literatura de guerrilha e a bobice semiprofissional.

O post A Hortaliça – #114 apareceu primeiro em Seleta de Legumes.

❌