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A Hortaliça – #117

Uma cirurgia cerebral em um jato em chamas

#117 – São Paulo, 3 de abril de 2026
Causando estragos
Provocando perturbações
Comportando-se de forma imprudente*
hortifruti.org

“Eles não eram só corajosos, mas, meu Deus, como sabiam remar!”
(The Ballad of Harbo and Samuelsen)

:: EDITORIAL ::

Estamos em franca temporada de viagem a Lua, viciados nos streamings da Nasa e redigindo newsletters como se estivéssemos dentro de uma cápsula espacial, quase de ponta-cabeça, com os joelhos dobrados. <Segue imagem de Reid Wiseman tomando Chamyto pelo canudinho.>

Num primeiro momento, reparamos que todos os astronautas usam relógio de pulso. Registramos essa informação em ata. Depois, numa dessas transmissões aleatórias, acompanhamos a interação de uma integrante da cápsula espacial com o serviço de atendimento ao consumidor da NASA. Digite um para falar sobre sensores. Digite dois para placas de circuito impresso. Digite três se você está à deriva no espaço.

A astronauta Christina Koch entrou em contato com Houston para reclamar que um dos aparelhos não estava funcionando direito. Sem tirar os olhos da tela, a atendente sugeriu apertar o botão de volume down junto com o botão home para reiniciar. Exatamente o que qualquer um de nós responderia. “Funcionou, obrigada”, informou Koch. Aqui em casa, nesse momento, nós cuspimos água de coco pelo nariz. Por pouco, o Diretor-Chefe das Operações de Voo não entrou na ligação e disse: “Ô Cris, tira da tomada e assopra”.

Enfim, gostamos de tudo. Dez de dez.

E ainda assim, a grande euforia deste mês pertence ao âmbito marítimo: é um belo livro chamado Dayswork (de 2023), escrito pelo romancista Chris Bachelder e pela poeta Jennifer Habel, que ainda não conseguimos terminar porque estamos economizando. Há dias o marcador não sai da página 151.

A trama de Dayswork acontece durante a pandemia de covid-19, quando uma mulher sem nome fica obcecada pela vida do escritor Herman Melville, autor de Moby-Dick. Seu marido fornece comentários distraídos enquanto aparafusa tábuas de madeira. Ela vai contando suas principais descobertas biográficas em trechos breves, que intercala com cenas cotidianas de seu isolamento doméstico.

É tipo uma edição estendida de A Hortaliça que só se consegue ler com um lápis na mão, grifando tudo e passando raiva.

Muita raiva.


:: MELVILLITE ::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Meu marido diz que eu devo ter contraído Herman Melville, e é verdade que, em algumas manhãs, encontramos um dos meus post-its amassados nos lençóis como um lenço usado.

[My husband says that I seem to have contracted Melville, and it’s true that some mornings we find one of my crumpled sticky notes in the sheets like a used tissue.]


:: ASTRONAUTAS ::
Kelly e Zach Weinersmith, A city on Mars

Cada programa tem suas peculiaridades — a Agência de Exploração Espacial Japonesa exige que os candidatos dobrem mil origamis de tsuru ao longo de uma semana para demonstrar que conseguem manter um alto padrão de qualidade realizando tarefas monótonas. Já os candidatos russos são lançados de um avião e obrigados a resolver quebra-cabeças presos aos pulsos antes da abertura do paraquedas.

[Different programs have their own exotica—JAXA has candidates fold a thousand origami cranes over the course of a week to show they can maintain high standards while doing monotonous tasks. Russian candidates are dropped out of an airplane and made to solve puzzles tied to their wrists before the parachute opens.]


:: RANCOR ::
Elizabeth Hardwick, Sleepless Nights

A mãe era como a velha senhora que Herzen menciona em suas memórias, aquela que não conseguia perdoar Napoleão pela morte prematura de sua vaca favorita em 1812.

[The mother was like the old woman Herzen mentions in his memoirs, the one who could not forgive Napoleon for the premature death of her favorite cow in 1812.]


:: FLEXÃO DO QUADRIL ::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Pela janela do escritório, vejo meu marido lendo no quintal e decido não enviar a mensagem que escrevi sobre a flexão do quadril de Melville.

[Through my office window I see my husband reading in the backyard, and elect not to send the text I’ve written about Melville’s hip flexion.]


:: ROUPA ::
Susan Sheehan, “The Patient”

Quanto mais extravagante sua roupa, mais feliz ela parece estar.

[The wilder her attire, the happier she seems to be.]


:: ADENDO ::

Recomendamos a leitura dessa reportagem em quatro partes sobre a vida de Sylvia Frumkin (Maxine Mason), uma mulher diagnosticada com esquizofrenia que navega pelo sistema hospitalar psiquiátrico de Nova York, em fins dos anos 1970. Os artigos de Susan Sheehan foram reunidos em um livro chamado Is There No Place On Earth For Me? [Não tem nenhum lugar pra mim no planeta Terra?], que ganhou o Pulitzer de Não Ficção de 1983.


:: CAMPEONATO PAULISTA ::


:: BIOGRAFIA ::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Aos vinte e três anos, após desertar de um navio nas Ilhas Marquesas, viver entre canibais, fugir para um baleeiro australiano, juntar-se ao motim da tripulação, ser brevemente preso, fugir para outro baleeiro, navegar pelo Pacífico Sul e, finalmente, abandonar a caça às baleias, Melville trabalhou por um curto período como repositor de pinos em uma pista de boliche em Honolulu.

[At age twenty-three, having deserted ship in the Marquesas Islands, lived among cannibals, escaped onto an Australian whaler, joined the crew’s mutiny, been briefly imprisoned, escaped onto another whaler, sailed the South Pacific, then quit whaling forever, Melville worked briefly as a pinsetter at a bowling alley in Honolulu.]


:: CIRURGIA CEREBRAL ::
Kelly e Zach Weinersmith, A city on Mars

Mas o objetivo básico é o mesmo em todos os lugares: o astronauta ideal é uma espécie de Ned Flanders hipercompetente — confiável, equilibrado, um pouco entediante e também o tipo de pessoa que poderia realizar uma cirurgia cerebral em um jato em chamas, se necessário.

[But the basic goal is the same everywhere; the optimal astronaut is a sort of hypercompetent Ned Flanders—reliable, even-tempered, a bit boring, and also the kind of person who could perform brain surgery in a flaming jet if called upon to do so.]


:: SUCESSO ::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Três anos após a publicação de Clarel, Melville autorizou, a pedido de seu editor, a venda de 224 exemplares a uma fábrica de papel para serem transformados em polpa — esses exemplares não vendidos, de uma tiragem original de 350, estavam ocupando um espaço valioso.

[Three years after Clarel’s publication, Melville authorized, at his publisher’s request, the sale of two hundred and twenty-four copies to a paper mill for pulping—These unsold copies, from an original print run of three hundred and fifty, had been taking up valuable office space.]


:: PORTO RICO ::
Belle Burden, Strangers: A memoir of marriage

Meu pai e eu éramos muito próximos de várias formas. Tínhamos piadas internas. Sempre que estávamos em um carro, desde a infância até a vida adulta, eu perguntava: “Para onde estamos indo?” e ​​ele respondia: “Porto Rico”. Não me lembro por quê.

[My father and I were close in many ways. We had inside jokes. Every time we were in a car, from childhood well into adulthood, I would ask him, “Where are we going?” and he would answer “Puerto Rico”. I can’t remember why.]


:: CENAS HISTÓRICAS ::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Em resposta à pergunta de um entrevistador sobre quais cenas históricas ele gostaria que tivessem sido filmadas, Nabokov forneceu uma breve lista que incluía “Herman Melville no café da manhã dando uma sardinha para seu gato”.

[In response to an interviewer’s question about historical scenes he wishes had been filmed, Nabokov provided a brief list that included “Herman Melville at breakfast, feeding a sardine to his cat.”]


:: PORQUE ESTÁ LÁ ::
Ted Conover, Immersion

Em 1924, uma equipe britânica que incluía George Leigh Mallory tentou escalar o Everest; Mallory é famoso por ter respondido a uma pergunta sobre o porquê com as palavras: “Porque está lá”.

[In 1924 a British team including George Leigh Mallory attempted to climb Everest; Mallory is famous for having answered a question about why with the words, “because it’s there.”]


:: MULHERES DA FAMÍLIA::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Com exceção de Billy Budd, encontrado na escrivaninha de Melville após sua morte, todos os seus livros foram copiados pelas mulheres da família.

[With the exception of Billy Budd, found in Melville’s desk after his death, all of his prose was copied by the women in his family.]


:: DIVISÃO DE TAREFAS ::
Chris Bachelder e Jennifer Habel, Dayswork

Ela copiou Guerra e Paz sete vezes, eu disse a meu marido enquanto ele lia avaliações online de aquecedores de propano.

Isso é muita coisa, ele disse.

Já passamos da fase do nosso casamento em que talvez brigássemos sobre a divisão de tarefas dos Tolstói.

[She copied War and Peace seven times, I told my husband while he read online reviews of propane heaters. | That’s a lot, he said. | We’re well past the point in our marriage when we might fight about the Tolstoys’ division of labor.]

A luta feminista chegou a outros planetas (“Etea” é o feminino de ET)

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*Um oficial da inteligência europeia descreveu a ação cotidiana da GRU (agência de inteligência russa) dessa forma: “Causando estragos, provocando perturbações e comportando-se de forma imprudente”. Nesta reportagem aqui.

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Distintivos escoteiros para o macho alfa

Porque os homens precisam ser recompensados por seus méritos

18 de março de 2026
por Vanessa Barbara

As premiações são uma ótima maneira de reconhecer as conquistas dos indivíduos masculinos de nossa sociedade, que muitas vezes se comportam com distinção mesmo sob extrema pressão.

Aqui estão os requisitos para alguns dos distintivos mais rigorosos e prestigiados:

Distintivo de Ajuda Doméstica – Conclua uma tarefa doméstica simples (por exemplo, trocar uma lâmpada ou desentupir uma pia) em até trinta dias e/ou após seis pedidos cada vez mais insistentes. Troque os lençóis uma vez por ano por iniciativa própria. Compre um avental engraçado para expressar sua personalidade.

Medalha de Mérito Vida Familiar – Publique fotos com seus filhos no Instagram. Ensine-os ao menos uma habilidade de vida, como arrotar a palavra “abracadabra”, cuspir longe um caroço de azeitona, controlar seus gases ou incendiar coisas aleatórias. Pague a pensão alimentícia conforme determinado pela justiça.

Prêmio Antílope de Prata – Durante um dia inteiro, mantenha um diário de suas experiências de escuta. Identifique um exemplo e discorra com sua parceira após: (1) Obter informações, (2) Ser persuadido, (3) Reconhecer algo ou (4) Compreender os sentimentos de alguém.

Prêmio Thomas A. Edison de Inovador Excepcional – Desenvolva uma técnica para higienizar vegetais na máquina de lavar louça. Passe a aquecer sua comida com um secador de cabelo em vez de consertar o micro-ondas. Compre um aspirador de pó novo em vez de trocar o filtro. (Mas não se esqueça de levar o lixo para fora a fim de apagar seus rastros.)

Especialidade em Comunicação – Mantenha uma conversa simples com alguém por cerca de dez minutos, sem depreciar nenhum grupo minoritário ou ofender a dignidade das mulheres – algo que nunca aconteceria porque é só uma piada; francamente, por que levar tudo a sério? Você fica linda quando sorri.

Medalha Nacional de Conquista ao Ar Livre – Aceite levar o lixo para fora uma vez por semana. Só isso. Você não precisa cortar a grama, buscar seus filhos na escola ou fazer qualquer outra coisa pelo resto do ano.

Menção Honrosa Conjugal por Bons Serviços – O indicado deve ter prestado um mínimo de vinte minutos de bons serviços que se destaquem. Esta medalha geralmente é concedida pela esposa de outrem enquanto você finge ser prestativo após um jantar.

Prêmio Homem Qualificado – Durante sete dias consecutivos, não dê conselhos não solicitados a mulheres. Abstenha-se de analisar as escolhas de vida e carreiras de terceiros. Por favor, evite explicar coisas que você não entende completamente. Ok, cinco dias consecutivos.

Distintivo de Mérito Pioneiro – Tente tratar todos ao seu redor como se não fossem seus subordinados. Comporte-se com o mínimo de respeito, consideração e honestidade. É aconselhável não gritar ou socar a parede, nem quando aquela tonta fez por merecer.

Insígnia Nem Todo Homem – Não recorra a envenenamento, estrangulamento, espancamento, esfaqueamento ou fuzilamento em relação a qualquer mulher em um raio de pelo menos cinquenta metros.

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A Hortaliça – #116

A arte feminina de quebrar tudo

Dinah Craik’s Hidden Mother Portrait, 1863


#116 – São Paulo, 9 de março de 2026
Especial Matrescência
Cansaço, pele pálida e cabelo oleoso
hortifruti.org

“Mãe é uma mulher que ficou louca”
(Miguel Sokol)

:: EDITORIAL ::

Está chegando às livrarias no dia 9 de março um verdadeiro tratado sobre esse assunto complicado que é procriar, parir e então se ver irremediavelmente transformada em um legume para o resto da vida.

O que muda aí é o tipo de legume.

(Mulheres transformadas em inhames, por exemplo, são relativamente sortudas.)

Mas me afastei um pouco do cerne da questão. Matrescência é um livro de não ficção escrito pela jornalista científica britânica Lucy Jones e traduzido por esta vossa humilde criada. Está sendo publicado pela editora Fósforo. É grande e ficou especialmente caprichado, sobretudo na parte bibliográfica e nas notas de rodapé.

Leiam, divulguem, emprestem e usem como peso para fixar a cola nos brinquedos.

Matrescência: Sobre a metamorfose da gravidez, do parto e da maternidade
Lucy Jones
Trad.: Vanessa Barbara
Editora Fósforo
384 páginas (!)
R$ 114,90


:: BABY JESUS ::

Lucy Jones, Matrescência

Essas ideias bizarras eram herança da teoria da “imaginação materna”, que prevaleceu entre os séculos XVI e XVIII. Os médicos acreditavam que as mulheres grávidas podiam transformar, com suas mentes, o feto em crescimento, e portanto os distúrbios congênitos eram culpa da mãe. Se ela se assustasse com um sapo, por exemplo, a criança poderia acabar com os pés palmados. Ou se ela passasse muito tempo olhando para uma imagem de Jesus, o bebê poderia nascer com uma barba.


:: ANESTESIA DE MORAES::
Lucy Jones, Matrescência

Quando James Young Simpson, professor de obstetrícia em Edinburgo e criador do modelo de fórceps utilizado até hoje, ofereceu essa opção a uma paciente chamada sra. Carstairs, ela ficou tão grata que batizou a filha de “Anestesia”.


:: PORÉM ::
Lucy Jones, Matrescência

Nem todos estavam satisfeitos com essas iniciativas para minimizar a dor das mulheres no parto. O apelo inicial de Simpson para empregar analgésicos “de acordo com todos os princípios da verdadeira humanidade”, em 1847, foi contestado por padres e médicos por razões religiosas e morais: em Gênesis, Deus amaldiçoa Eva por comer a maçã, e seu castigo é que o parto deveria doer – “Multiplicarei as dores de tuas gravidezes, na dor darás à luz filhos”. (O castigo de Adão era lidar com espinhos e cardos, o que me parece um pouco injusto.)


:: ENTES QUERIDOS IDOSOS ::
Lyz Lenz, Belabored

Dessa vez, eu me permiti comer mais do que nunca. Deixei meu corpo ditar sua relação com o mundo físico. Vi meu corpo se expandir, vi minha pele esticar. Muitas vezes sonhava que as pessoas vinham até mim e me ofereciam pratos de comida, seus animais de estimação, seus entes queridos idosos, e eu os enfiava delicadamente em minha boca.

[This time I let myself eat, like I never had before. I let my body dictate its relationship with the physical world. I saw myself expand, saw my skin stretch. I’d often dream that people came to me and offered me plates of food, their pets, their aging loved ones, and I’d gently draw them all into my mouth.]


:: PRIMEIRA MULHER EM MARTE ::
Abigail Tucker, Mom Genes

E, no entanto, como filha de uma mãe que, cerca de quatro décadas após meu nascimento, ainda me segue até os estábulos frios das ovelhas, e como mãe de uma filha que atualmente deseja ser a “primeira mulher em Marte”, mas também ter 22 filhos, tenho muitas perguntas sobre essa jornada feminina compartilhada e sobre os lugares aonde as mulheres vão sem saber.

[And yet, as the daughter of a mother who—some four decades after my birth—will still tail me into wintery sheep barns, and as the mother of a daughter who presently aims to be the “first girl on Mars” but also to have twenty-two children, I have many questions about this shared female journey, and the places that women unknowingly go.]


:: HIPNOPARTO ::
Lucy Jones, Matrescência

Em um dado momento, parecia que o bebê poderia rasgar o meu períneo, então rapidamente me moveram para outra posição. Nas horas seguintes, fui colocada em várias posições para aproveitar a força da gravidade: de quatro, em uma espécie de pose de cadeira, de joelhos e, por fim, deitada de lado com uma perna no ombro da parteira, porque, àquela altura, eu já não conseguia me sustentar. Estava no meu estado mais feral e primitivo. Queria queimar a indústria do hipnoparto até não sobrar mais nada.


:: A DOR ::
Olga Ravn, My Work

Mas a crença de que falar abertamente sobre a dor da maternidade prejudicaria a criança, e a própria mãe, é uma mentira. E eu não quero mais ter medo disso.

[But the belief that it would hurt the child, and the mother herself, to openly speak about the pain of motherhood is a lie. And I don’t want to be afraid of it any longer.]


:: AMAMENTAÇÃO ::
Lucy Jones, Matrescência

Baixei um livro, publicado pela La Leche League, chamado The Womanly Art of Breastfeeding [A arte feminina de amamentar]. A capa mostrava uma bela mulher de longos cabelos ruivos cacheados e soltos, envolta em um lençol branco. “Este livro irá me ensinar a arte feminina”, pensei. “Amamentar não te dá pontos extras. É apenas a forma normal de criar um bebê”, eu li.


:: ADENDO ::

Eu também li The Womanly Art of Breastfeeding inteirinho e não cheguei a entender grande coisa sobre a tal arte feminina.


:: PROFUNDO DESPREZO ::
Emily Van Duyne, Loving Sylvia Plath

Em seu testamento, Assia Wevill foi bem direta: “A Ted Hughes, o pai dela”, escreveu, “deixo minha ausência, sem dúvida bem-vinda, e meu profundo desprezo.”

[In her will, Assia Wevill made no bones: “To Ted Hughes, their father,” she wrote, “I leave my no doubt welcome absence and my bitter contempt.”]


:: PANÇA BALOUÇANTE ::
Lucy Jones, Matrescência

As reportagens nunca diziam: “Rowena ostenta seu abdome super rechonchudo apenas dois meses depois de dar à luz seu bebê”, ou: “Gia flexionou sua pança balouçante”, ou: “Ao sair de casa, Poppy fez questão de que todos olhassem para sua barriga flácida e cheia de estrias em um sutiã Balenciaga, exibindo sinais profundos de cansaço, a pele pálida e o cabelo perfeitamente oleoso”.


:: NEVOEIRO ::
Yvonne Perrin, The First Seven Years: A Record Book for Mother & Child

Ele […] deve dormir ao ar livre o dia todo, no inverno e no verão. A única condição climática realmente inadequada para o bebê é o nevoeiro.


:: EMOÇÕES DESCONTROLADAS ::
Lucy Jones, Matrescência

Publicado em 1894, The Care and Feeding of Children [Cuidado e alimentação infantis], do pediatra Luther Emmett Holt, foi um best-seller. “Nunca se deve brincar com bebês menores de seis meses; quanto menos isso acontecer, em qualquer época, melhor para eles”, escreveu. Outras regras incluíam não sair de casa com o bebê pelos primeiros três meses, assim como um aviso de que “emoções descontroladas, tristeza, excitação, medo e paixão podem fazer o leite cair mal à criança”.


:: GRAVIDEZ ::
Abigail Tucker, Mom Genes

Durante a gravidez, todo o nosso corpo passa por mudanças. Nossas pintas podem escurecer e nossa voz pode ficar mais grave (como aconteceu com Kristen Bell grávida durante as gravações de Frozen — parece que a famosa trilha sonora poderia ter sido ainda mais estridente em alguns trechos). Nossos narizes alargam, nossos arcos plantares se achatam e nossas unhas dos pés caem. Nosso cabelo pode mudar de cor ou ficar cacheado. Podemos arrotar como se tivéssemos engolido uma bomba-relógio. Nosso fígado pode liberar bile, provocando uma coceira insuportável. E nos tornamos comprovadamente mais apetitosas para os mosquitos devido ao aumento da temperatura corporal e da produção de dióxido de carbono.

[In pregnancy our entire physical selves are in flux. Our moles may darken, our voices drop an octave (as a pregnant Kristen Bell’s did while recording Frozen—it seems that the notorious soundtrack could have been still shriller in places). Our noses widen, our arches flatten, and our toenails fall off. Our hair can change color or gain curl. We may burp as if we’ve swallowed a bomb cyclone. Our livers may leak bile, causing us to itch like the dickens. And we become demonstrably more delicious to mosquitoes because of our increased body temperature and carbon dioxide output.]


:: ULTRASSÔNICO ::
Abigail Tucker, Mom Genes

Um estudo com roedores revelou que as mães ratas precisam guinchar de modo ultrassônico para que os pais ajudem a cuidar dos filhotes.

[A rodent study revealed that mice moms must ultrasonically squeak at mice dads in order to get them to pitch in with childcare.)]

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Happy Map

Mapping 100,000 moments of human happiness.

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Ritual del Chashitsu

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#arqinu #arquitetura #japanesearchitecture #茶室 #japanesedesign #zen #modernarchitecture #woodworking

Sizing Chaos

The inter-generational struggle to find clothes that fit more than a tiny portion of women.

The first transcription model with prompts

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Here is a link to the GitHub repository I created with a sample that uses the API:

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- Universal-3 Pro: https://www.assemblyai.com/universal-3-pro?utm_source=youtube&utm_medium=influencer&utm_campaign=santiago&utm_content=universal_3_pro

- AssemblyAI Documentation: https://www.assemblyai.com/docs?utm_source=youtube&utm_medium=influencer&utm_campaign=santiago&utm_content=universal_3_pro

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