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O fator Augusto Cury

A surpresa despontou durante o debate da Band, na noite de 23 de agosto: o médico e escritor Augusto Cury era o campeão de buscas na internet. Augusto de quê? Passou-se uma semana e a surpresa encorpou. As pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg colocaram-no à frente de todos os aspirantes à terceira via. Cury saiu do nada e conseguiu 8% na do BTG e 7,8% na do AtlasIntel. É uma mixaria, já que Lula tem 37% e Flávio Bolsonaro tem 30%. Na pesquisa estimulada, quando o entrevistado recebe um cartão com os nomes dos candidatos, marcou 11%, contra 2% da pesquisa anterior. Continua sendo uma mixaria. Não é mixaria o fato de ele ter pulado de 8,3 milhões de seguidores para 10,5 milhões em menos de uma semana, um dos maiores incrementos do mundo. Leia mais (09/01/2026 - 23h00)

🌀🌱 Dona Diva na 17ª Feira de Sementes e Mudas das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira (SP)!

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🌀🌱 Para guardar na memória da 17ª Feira de Sementes e Mudas das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira (SP)!

A Dona Diva, liderança quilombola e do Quilombo Pedro Cubas de Cima, carrega em sua fala a potência das sementes e das roças:

"A semente não pode faltar para ninguém, não pode faltar para os agricultores. A semente é sagrada, é da semente que se vive e se alimenta."

✊🏾 Com festa e celebração, comida e consciência, a alegria fará raiz e continuará a construir resistência nas comunidades do Vale do Ribeira!

Confira como foi: https://isa.to/4gGR1RM

Entrevista com Kauê Lopes dos Santos - Durma com essa: Eleições 2026

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“A gente parcela tanto porque não temos renda para pagar os produtos no seu valor total. Esse foi o mecanismo encontrado pelas instituições financeiras, combinadas às redes de varejo, de viabilizar o acesso a determinados bens para a população de baixa renda no Brasil”.

Foi o que disse Kauê Lopes dos Santos, geógrafo, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor do livro “Parcelado: Dinâmicas de consumo na periferia”, em entrevista ao Nexo para o terceiro episódio da temporada especial do Durma com Essa sobre as eleições de 2026.

Para ouvir o podcast completo, sobre mal-estar econômico, dívidas e o cenário das bets no Brasil, basta acessar o nosso site ou seu player de áudio preferido.



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Edição de vídeo: Brunno Bimbati
Produção de arte: Yasmin Menezes

Gasto das famílias empaca, agro e petróleo empurram um PIB cada vez mais devagar

A economia deve crescer perto de 2% neste 2026. É o que dá para depreender do resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado nesta terça (1º) pelo IBGE, e do andamento do terceiro trimestre até aqui. No último ano, nos últimos quatro trimestres, o PIB cresceu 1,9%, menor ritmo desde 2019 (excluídos tempos da epidemia). O auge do crescimento anual sob Lula 3 foi o primeiro trimestre de 2025, de 3,6%. Se o crescimento trimestral for zero neste segundo semestre, o PIB aumenta 1,8% em 2026. Leia mais (09/01/2026 - 12h12)

Autuados pelo Ibama já doaram R$ 6,6 milhões a 136 candidatos

GOVERNADOR DE MINAS GERAIS e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD) recebeu R$ 200 mil como doação de campanha de um empresário do agronegócio autuado por desmatamento ilegal. 

No Paraná, o deputado federal Zeca Dirceu (PT), novamente postulante a uma vaga na Câmara, recebeu a mesma quantia de um empresário do setor madeireiro autuado seis vezes pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Ambos fazem parte de uma lista de 136 candidatos que receberam R$ 6,6 milhões em doações de pessoas autuadas pelo Ibama por infrações ambientais como desmatamento, descumprimento de embargo e funcionamento de atividade potencialmente poluidora sem licença. 

Levantamento exclusivo da Repórter Brasil identificou 267 doadores de campanha com autos de infração lavrados pelo Ibama desde 1º de janeiro de 2000. Juntos, eles destinaram exatos R$ 6.615.680,04 às eleições deste ano. 

A análise cruza as prestações de contas de campanha da base do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) gerada até 31 de agosto deste ano com os autos de infração registrados nos CPFs dos doadores. Infrações atribuídas a empresas das quais eles são sócios não foram incluídas. 

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Entre os doadores autuados estão investidores, grandes produtores rurais, empresários da madeira e nomes ligados ao agronegócio. Eles repassaram os valores para candidatos de diferentes campos ideológicos. Além de Simões e Dirceu, aparecem políticos do PL, PSDB, Republicanos, Avante, PSB, entre outros.

Um auto de infração não equivale a uma multa definitiva nem a uma condenação criminal. A medida pode ser contestada administrativamente, cancelada ou permanecer sob recurso. Porém, mesmo que o auto seja convertido em multa posteriormente paga pelo infrator, não há garantia de recomposição do dano ambiental. 

Os valores citados na reportagem são os valores nominais registrados pelos Ibama na época da autuação, sem correção pela inflação.

Procurada, a campanha de Zeca Dirceu não respondeu os questionamentos enviados pela Repórter Brasil. Leia o posicionamento da campanha de Mateus Simões logo abaixo.

Governador de MG recebeu doação de empresário com R$ 178 mil em autos de infração

Um dos beneficiados é o governador mineiro Mateus Simões (PSD). Advogado e ex-vereador de Belo Horizonte, ele foi secretário-geral do governo Romeu Zema (Novo), tornou-se vice-governador em 2023 e assumiu o Palácio Tiradentes em março deste ano, após Zema deixar o cargo para disputar a Presidência.

Governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) recebeu R$ 200 mil como doação de campanha de empresário autuado por desmatamento ilegal (Foto: Guilherme Bergamini/Arquivo ALMG)
Governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD) recebeu R$ 200 mil como doação de campanha de empresário autuado por desmatamento ilegal (Foto: Guilherme Bergamini/Arquivo ALMG)

Simões recebeu R$ 200 mil de José Maria Bortoli, cofundador do Grupo Bom Futuro, conglomerado do agronegócio fundado no Mato Grosso, com atuação em grãos, algodão e pecuária. A contribuição representa 18% dos R$ 1,088 milhão em recursos privados arrecadados pelo governador até o recorte da reportagem — a campanha de Simões também recebeu R$ 2,7 milhões em recursos de partido político.

Bortoli aparece em quatro autos do Ibama que somam R$ 178,6 mil em valores nominais. Um deles, de R$ 56 mil, foi cancelado. Os demais envolvem desmatamento, dano em área de reserva e exploração de madeira sem licença válida, entre 2000 e 2011.

Após a publicação da reportagem, a assessoria de imprensa de Mateus Simões encaminhou nota à redação. Segundo o texto, o governador foi professor “de toda segunda geração do grupo [Bom Futuro] na Fundação Dom Cabral”, uma instituição de ensino privada de Minas Gerais, e “atuou como conselheiro da família por vários anos, desde 2017”.

Ainda segundo a nota, “a doação tem caráter exclusivamente pessoal, de um empresário que acredita nas propostas do candidato e confia nele como político, mesmo sem ter qualquer negócio em Minas Gerais ou investimentos no estado, nem muito menos qualquer vinculação direta ou indireta com o governo de Minas”.

Procura pela Repórter Brasil, a assessoria de imprensa do Grupo Bom Futuro não se pronunciou.

No Paraná, Zeca Dirceu (PT) recebeu R$ 200 mil de Odacir Antonelli, fundador do Grupo Repinho, ligado à indústria de madeira, compensados e reflorestamento. A contribuição representa cerca de 89% dos R$ 223,9 mil privados arrecadados pelo deputado até 31 de agosto. Filho do ex-ministro José Dirceu, que neste ano disputa uma vaga na Câmara por São Paulo, Zeca está no Congresso desde 2011 e tenta o quinto mandato consecutivo.

Antonelli tem seis autos do Ibama em seu nome, somando R$ 3,81 milhões em valores nominais. Três foram aplicados em julho de 2022, em Inácio Martins (PR): R$ 2,45 milhões por destruir 49 hectares de vegetação nativa em área de preservação permanente; R$ 609 mil por queimar 58 hectares de Mata Atlântica em estágio médio de regeneração; e R$ 530 mil por impedir a regeneração de 106 hectares de floresta nativa. Em novembro de 2023, recebeu outros três autos, de R$ 75 mil cada, por não cumprir determinações para retirar pinus e eucaliptos das áreas atingidas.

Em nota enviada à Repórter Brasil, o Grupo Repinho afirmou que “não possui ingerência sobre atos, manifestações, relações ou questões de natureza estritamente particular de seus sócios, razão pela qual não lhe compete prestar informações, emitir juízos ou se manifestar sobre assuntos relacionados à esfera privada de qualquer um deles”.

O posicionamento informa também que a companhia recorre nas esferas administrativa e judicial. “Enquanto não houver decisão definitiva, a empresa considera inadequada qualquer antecipação de conclusões acerca das matérias ainda submetidas à apreciação das autoridades competentes”, afirma na nota enviada.

Deputado federal e candidato à reeleição, Zeca Dirceu (PT) também recebeu doação de campanha de R$ 200 mil de madeireiro autuado seis vezes pelo Ibama (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Deputado federal e candidato à reeleição, Zeca Dirceu (PT) também recebeu doação de campanha de R$ 200 mil de madeireiro autuado seis vezes pelo Ibama (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Ruralistas autuados bancam campanhas em Mato Grosso

Mato Grosso concentra vários casos de financiamento eleitoral por infratores ambientais. Um dos favorecidos é Antonio Galvan (Avante), candidato a uma das duas vagas ao Senado. Produtor rural, ele ganhou projeção nacional à frente da Aprosoja Brasil, representante de produtores de grãos, e tornou-se uma das vozes políticas mais conhecidas do agronegócio durante o governo de Jair Bolsonaro.

Dos R$ 324 mil privados arrecadados por Galvan, R$ 200 mil vieram dos irmãos Felipe e Rafael Bilibio. Os dois são produtores rurais em Vera, no norte de Mato Grosso, e sócios da Agropecuária Irmãos Bilibio, dedicada principalmente ao cultivo de soja. Rafael preside o Sindicato Rural do município. 

Felipe tem quatro autos do Ibama, no total de R$ 1,1 milhão. Rafael tem três, somando R$ 1,37 milhão. Todos são de 2016. Há registros de corte raso de vegetação amazônica, impedimento de regeneração natural e intervenção em área embargada.

Em um dos autos, Rafael foi autuado em R$ 1,28 milhão por impedir a regeneração de 255 hectares de vegetação nativa amazônica na Fazenda Floresta I, em Vera, segundo o Ibama. A área estava embargada (interditada) desde 2007.

A advogada que representa os irmãos Bilibio disse que não pode informar sobre os andamentos das autuações. “Razão pela qual o mérito ou pormenores das demandas não será comentado”, afirmou. “Também não é possível que eu responda quais as motivações pessoais dos meus clientes para doações que os mesmos decidam ou não realizar”, complementou. 

Em 2021, quando presidia a Aprosoja Brasil, Galvan foi investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeitas relacionadas ao financiamento dos atos antidemocráticos de 7 de Setembro daquele ano.

Ex-dirigente da Aprosoja, Antônio Galvan (esq) teve seu nome associado aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2022 (Foto: Divulgação/Aprosoja)
Ex-dirigente da Aprosoja, Antônio Galvan (esq) teve seu nome associado aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2022 (Foto: Divulgação/Aprosoja)

Na época, a Repórter Brasil mostrou que ele próprio havia sido multado por desmatamento de 500 hectares e respondia a disputas judiciais sobre possível plantio clandestino de soja e suposta tentativa de invasão a uma fazenda vizinha. A assessoria de imprensa de Galvan não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Já Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato ao governo de Mato Grosso, recebeu R$ 150 mil de dois financiadores com autos no Ibama. 

Osmar Ribeiro de Mello, responsável por R$ 100 mil em doações, tem quatro autos em seu nome que somam R$ 2 milhões. O maior, de R$ 1,2 milhão, foi aplicado em 2013, por destruir 251 hectares de floresta amazônica em Feliz Natal, segundo o Ibama. Em 2017, recebeu outros dois, de R$ 525 mil e R$ 215 mil, por destruição ou dano a 146,8 hectares de vegetação nativa.

Os outros R$ 50 mil vieram do ex-prefeito de Lucas do Rio Verde e fundador da Fiagril  Marino José Franz, autuado em R$ 793 mil em 2015 por executar manejo florestal em 792 hectares das fazendas Taipas I e II, em Nova Maringá, sem autorização prévia do órgão ambiental, segundo o Ibama. Nem a campanha de Pivetta, nem seus doadores responderam às perguntas enviadas pela Repórter Brasil

Também em Mato Grosso, Samantha Brunini (PL) disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Esposa do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), ela foi a vereadora mais votada da capital em 2024 e neste ano concorre com o nome de urna “Samantha do Abilio”. 

Até 31 de agosto havia recebido R$ 301,8 mil em recursos privados, dos quais R$ 300 mil vieram de uma única pessoa: Elizeu Zulmar Maggi Scheffer, empresário do Grupo Scheffer.

A candidatura de Samantha também recebeu o apoio explícito de Michelle Bolsonaro. No fim de agosto, a ex-primeira-dama apareceu em vídeo ao lado da candidata e de Abilio Brunini afirmando que Samantha era “minha candidata a deputada estadual”.

O Grupo Scheffer atua na produção de soja, algodão e milho, pecuária, armazenagem e fertilizantes. Scheffer foi autuado pelo Ibama em 2002 em R$ 24 mil por desmatar 200 hectares de Cerrado na Fazenda Rafaela, em Sapezal. 

Elizeu é o fundador do grupo, criado depois que sua família chegou a Mato Grosso em 1980. Nem a candidata nem o grupo Scheffer retornaram aos questionamentos da reportagem.

Nota da redação: a reportagem foi atualizada às 9h43 do dia 2 de setembro para incluir o posicionamento do candidato e atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões

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Factsheet – Terras Raras

O Brasil tem uma das maiores reservas de terras raras do mundo, grupo de minerais usado em veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e na indústria de defesa. A produção nacional, porém, ainda é pequena e restrita à etapa de menor valor: o país exporta concentrado e não domina o refino nem a fabricação de ímãs, hoje concentrados na China.

Esse quadro começa a mudar sob forte peso geopolítico. A única mina de terras raras em operação no país, em Goiás, passa para o controle de uma empresa dos Estados Unidos, em um negócio parcialmente financiado pelo Departamento de Guerra norte-americano. Ao mesmo tempo, o avanço da mineração pressiona territórios quilombolas, assentamentos da reforma agrária e nascentes, enquanto a política nacional para o setor amplia incentivos sem contrapartidas socioambientais claras. O factsheet abaixo reúne os dados, as empresas, os impactos e os riscos.

Baixe a versão completa em português.

Download the english version of the rare earths factsheet.

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Dark Horse v3

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Em cartaz, a caixa-preta. Na edição de setembro, o repórter Breno Pires mostra que os repasses milionários de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse se estenderam por bem mais tempo do que o candidato a presidente Flávio Bolsonaro admitiu.

A reportagem da piauí revela os detalhes de um novo pagamento no valor de 1,6 milhão de dólares, realizado em setembro de 2025, oito dias após Flávio Bolsonaro enviar uma mensagem de áudio para Vorcaro cobrando parcelas atrasadas.

E há evidências de que houve ainda mais uma transferência de dinheiro.

Leia: https://piaui.co/4iGTFbD

“Liberei mais uma hoje”

Um relatório inédito do Coaf mostra que os repasses de Daniel Vorcaro para Dark Horse foram ainda maiores do que Flávio Bolsonaro admitiu

Carlos Dada, do El Faro, estará no 10º Festival piauí de Jornalismo

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O 10º Festival piauí de Jornalismo acontece na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, nos dias 5 e 6 de setembro. O tema deste ano é ‘No olho do furacão – diretores de redação em tempos de tormenta.’

Um dos convidados é Carlos Dada, diretor e fundador do El Faro, veículo de El Salvador. Ele será entrevistado por Marcelo Lins (GloboNews) e Consuelo Dieguez (piauí).

Compre seu ingresso em piaui.co/festival2026

Cigarro barato, sabores e venda fácil expõem nova geração à nicotina, alerta epidemiologista 

Adolescentes conseguem comprar cigarros em padarias e mercados sem que ninguém os impeça. Trabalhadores ainda são expostos à fumaça em ambientes coletivos fechados, como bares e escritórios. E, segundo o epidemiologista André Szklo, pesquisas indicam que a proporção de fumantes entre gestantes já não é muito diferente da registrada entre mulheres que não estão grávidas – um sinal do alcance da…

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Programa de governo de Flávio Bolsonaro ignora políticas sobre fome

Nem valorização do salário mínimo. Nem Programa de Aquisição de Alimentos, alimentação escolar, construção de cisternas no Semiárido ou agricultura familiar. O programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL) ignora todas as políticas de promoção da segurança alimentar e nutricional. Ao longo de 76 páginas, o documento tampouco faz qualquer menção ao Bolsa Família – política diretamente relacionada ao…

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Candidata a deputada estadual assinou licenças ambientais de doadores de sua campanha no MT

TODO o dinheiro declarado até 30 de agosto pela campanha de Sheila Klener, servidora da Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso) e candidata a deputada estadual pelo PSDB nestas eleições, veio de dois doadores ligados a empreendimentos minerários cujas licenças ambientais são assinadas por ela própria. 

Até a referida data, Sheila informou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma arrecadação de R$ 130 mil. O valor é dividido entre os R$ 100 mil repassados pelo empresário Valdinei Mauro de Souza, conhecido como Nei Garimpeiro, e os R$ 30 mil doados pelo geólogo Wagner Lopes Gheler.  

Nei Garimpeiro já foi autuado cinco vezes pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por diferentes infrações ambientais. Já Gheler preside a Nossacoop, cooperativa de mineração alvo de sete autos de infração e sete embargos (áreas interditadas por irregularidades ambientais) no Pará. 

Geóloga de formação e servidora da Sema desde 2006, Sheila Klener fez carreira na Coordenadoria de Mineração da pasta, área responsável pelo licenciamento ambiental de empreendimentos desse setor no estado. 

Em 19 de março deste ano, ela assinou no mesmo dia uma licença para Nei Garimpeiro extrair minerais metálicos em Poconé e outra para a Nossacoop explorar metais preciosos em Peixoto de Azevedo. Os dois documentos têm numeração sequencial. A licença de Nei Garimpeiro recebeu o registro 337556/2026. Já a da Nossacoop, 337557/2026. 

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A licença para Nei Garimpeiro não foi a primeira assinada por Sheila. Desde julho de 2023, a reportagem localizou ao menos três outros documentos em favor do empresário com a firma da servidora e candidata a deputada estadual. 

O primeiro saiu três meses depois de o Ibama lavrar contra ele um auto de infração no valor de R$ 620,5 mil, por irregularidades no uso e armazenamento de mercúrio — metal comumente usado na extração de ouro em garimpos. É o auto de maior valor entre os cinco autos localizados pela reportagem. Somados, eles totalizam R$ 1,066 milhão, em valores originais.

Para entrar em operação, um garimpo precisa, além de autorização da ANM (Agência Nacional de Mineração), do governo federal, de aprovação do licenciamento ambiental. Em Mato Grosso, essa etapa cabe à Sema e passa pela área em que Sheila Klener fez carreira.

Respondendo por escrito a perguntas enviadas pela Repórter Brasil, Sheila Klener afirmou que sua participação no licenciamento ambiental dos empreendimentos ocorreu no “exercício regular das atribuições do cargo”. Segundo a nota, os pareceres técnicos são elaborados por analistas ambientais e cabe à coordenação assinar os documentos decorrentes desse fluxo. 

“Sou servidora pública há aproximadamente 20 anos, com atuação na área de mineração e licenciamento ambiental, razão pela qual conheço institucionalmente diversos profissionais, empresários, cooperativas e representantes do setor mineral de Mato Grosso, entre eles o Sr. Valdinei Mauro de Souza”, diz a nota. Leia a íntegra da resposta.

No caso de Wagner Lopes Gheler, afirmou conhecê-lo “desde a época da graduação em Geologia, há mais de 30 anos”.

“Não houve, em qualquer dos casos, relação que alterasse ou interferisse no exercício das minhas atribuições funcionais”, continua o posicionamento.  

Em nota enviado à reportagem, Gheler disse conhecer Sheila desde 1993, dos tempos de faculdade. “Minha doação foi feita à candidata Sheila Klener em razão de sua atuação e conhecimento do setor mineral e ambiental”, diz o texto.

“Também atuo como empresário do setor de mineração há várias décadas. Por essa razão agora, e em outros momentos da história, possuo direitos minerários e licenças ambientais”, continua. Leia a nota completa aqui.

Nei Garimpeiro já havia doado R$ 100 mil à campanha de Sheila Klener em 2022

Não é a primeira vez que Nei Garimpeiro faz uma doação eleitoral para Sheila Klener.

Em 2022, na primeira tentativa da servidora de se eleger deputada estadual, ele repassou R$ 100 mil, 24% dos R$ 415,5 mil líquidos arrecadados. O montante superou os R$ 80 mil enviados pelo diretório estadual do PSDB e os R$ 40 mil repassados pela direção nacional.

Em nota enviada à reportagem, Nei Garimpeiro afirma conhecer Sheila há alguns anos e manter com ela uma “relação de natureza institucional”.

O texto informa que as doações foram “espontâneas, feitas dentro da lei e sem condicionamento ou expectativa de contrapartida”. Ainda de acordo com o posicionamento, os processos de licenciamento de seus empreendimentos são conduzidos por profissionais responsáveis de suas empresas. Leia a íntegra da resposta.

Já Sheila Klener afirma que as contribuições para sua campanha foram feitas por livre manifestação dos doadores e declaradas à Justiça Eleitoral. A nota da candidata diz que o simples fato de um doador atuar na mineração ou ter um empreendimento submetido à Sema não caracterizaria impedimento ou conflito de interesses. Também sustenta que a assinatura das licenças é uma atribuição de quem ocupa a Coordenadoria de Mineração, e não uma atribuição pessoal da servidora. 

Na eleição passada, Sheila recebeu 4.345 votos e terminou a disputa como a quarta suplente da Federação PSDB-Cidadania. Não se elegeu, mas tomou posse temporariamente em 9 de agosto de 2023 no lugar de Carlos Avallone (PSDB), licenciado do mandato. Em 20 de agosto de 2025, voltou à Assembleia, novamente na vaga de Avallone.

A candidata disputa agora a eleição no mesmo campo político que governa Mato Grosso. A Federação PSDB Cidadania integra a coligação do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que assumiu o cargo após a renúncia de Mauro Mendes (União), que abriu mão do cargo para se candidatar ao Senado

Nei Garimpeiro também foi sócio de Mauro Mendes em negócios de mineração de ouro. Registros societários ligam os dois à Maney Participações e à Mineração Casa de Pedra. O empresário comanda ainda o Fomentas — o grupo empresarial afirma ter em Poconé quatro plantas capazes de processar 12 mil toneladas de minério por dia e 15 mil hectares de direitos minerários.

São Paulo, Brasil 12-10-2021 Vista aérea de enorme área de garimpo de ouro próximo à cidade de Poconé, Mato Grosso. Reportagem sobre o aumento da destruição na Amazônia e Pantanal durante o governo Bolsonaro. Roteiro percorrido na região da BR-319, BR-230 Transamazônica, BR-163 e MT-060 Transpantaneira. Imagens: Fernando Martinho.
Vista aérea de garimpo de ouro próximo ao município de Poconé, no Mato Grosso (Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil)

Em suas passagens pelo Legislativo estadual, Sheila Klener também prestou homenagens aos dois doadores  Em setembro de 2023, ela incluiu o nome de Wagner Lopes Gheler entre cerca de cem personalidades de Mato Grosso contempladas por moções de aplausos. 

Dois anos depois, durante a segunda passagem pela Casa, ela foi autora de uma resolução que concedeu a Nei Garimpeiro a Comenda Dante de Oliveira. Segundo as regras da própria Assembleia, a honraria é destinada a pessoas de destaque na defesa da democracia e da cidadania.

Na nota enviada à Repórter Brasil, Nei Garimpeiro afirma que “uma homenagem dessa natureza decorre de iniciativa de quem a concede, não sendo algo que se solicite ou se negocie”. 

A comenda, segundo ele, reconheceu sua trajetória profissional de mais de três décadas. “Tampouco existe relação entre a homenagem, as doações eleitorais realizadas e os processos de licenciamento ambiental dos meus empreendimentos.” 

Sheila Klener, por sua vez, sustenta que as homenagens foram formalmente justificadas e seguiram os trâmites da Assembleia. Segundo ela, as indicações reconheceram profissionais ligados ao setor mineral, área à qual sua própria trajetória profissional está vinculada, e outros nomes do setor também foram homenageados. 

Terminada a passagem pela Assembleia, Sheila retornou à Sema. Em março deste ano, os próprios documentos das licenças a identificam novamente como coordenadora de Mineração da pasta. 

Em entrevista ao podcast Garimpo Sustentável, de abril de 2024, Sheila contou ter ingressado na secretaria em maio de 2006. Diante das opções de trabalhar com recursos hídricos, biodiversidade ou mineração, escolheu a última. “Eu fiquei lá e tô lá até hoje”, afirmou.

Em setembro de 2021, a servidora foi a Brasília representar a Sema numa audiência da Câmara sobre mineração de ouro e uso de mercúrio. Disse trabalhar havia 15 anos no licenciamento do setor. “Eu conheço muito bem os dois lados: o lado do órgão ambiental e o lado do empreendedor”, afirmou. 

Na mesma audiência, avaliou faltar representação política ao setor. “Sem mineração não existe nada”, declarou. Também argumentou que a condição de garimpeiro não poderia, por si só, transformar alguém em suspeito de ilegalidade.

Licenças de Nei Garimpeiro têm assinatura de Sheila Klener

O primeiro documento em nome de Nei Garimpeiro, localizado pela reportagem com a assinatura de Sheila Klener, foi emitido em julho de 2023. 

Trata-se de uma licença de instalação para extração de minerais metálicos em Poconé, uma das principais portas de entrada para o Pantanal mato-grossense. No rodapé, a servidora assina como coordenadora de Mineração da Sema.

Em novembro daquele ano, ela assinou, no mesmo processo, uma licença de operação, que possibilita de fato a atividade do empreendimento. 

Já a terceira foi emitida em 19 de março de 2026. Válida até março de 2029, ela autoriza a extração de minerais metálicos em Poconé e novamente traz a assinatura de Klener como coordenadora. A publicação também consta no Diário Oficial de Mato Grosso.

Antes mesmo das licenças de 2023, Nei Garimpeiro já acumulava autuações ambientais. Cinco autos do Ibama lavrados contra ele somam R$ 1,066 milhão em valores originais. Um auto de infração não equivale, por si só, a uma condenação administrativa definitiva: o autuado pode apresentar defesa e recorrer. 

Questionada se tinha conhecimento dessas autuações quando assinou as licenças, a nota emitida pela candidata Sheila Klener não responde diretamente. O texto informa que os autos são procedimentos do Ibama e que informações sobre seus fundamentos, tramitação e situação devem ser solicitadas ao órgão federal. 

Dois são de 10 de abril de 2023, apenas três meses antes da primeira licença assinada por Sheila Klener. O maior, de R$ 620,5 mil, autua Nei Garimpeiro por comercializar, utilizar e manter mercúrio metálico em depósito em desacordo com exigências legais. Na mineração de ouro, o mercúrio é usado para formar uma amálgama com o metal precioso e facilitar sua separação.  

O metal não é produzido no Brasil, e a última importação legal registrada pelo Ibama foi em março de 2017. O próprio órgão afirmou à Repórter Brasil não existir hoje no país estoque de origem lícita para uso no garimpo. Para o Ministério Público Federal, qualquer garimpo que usa mercúrio recorre ao produto introduzido no país por contrabando

O mercúrio é altamente tóxico. Segundo o Ministério da Saúde, o metilmercúrio pode se acumular em peixes e aumentar a concentração ao longo da cadeia alimentar, atingindo sobretudo indígenas, populações tradicionais, ribeirinhos, garimpeiros, gestantes e crianças.

Em 2006, o Ibama autuou Nei Garimpeiro em Poconé em dois casos: um por extração de ouro sem licença de operação e outro por poluição provocada pelo uso de mercúrio. Em 2013, ele foi novamente autuado, desta vez em R$ 400 mil, por destruir 79,27 hectares de floresta amazônica sem autorização em Itaituba, no Pará.

A Santa Rita Agropecuária, empresa em que Nei Garimpeiro era sócio-administrador à época, recebeu do Ibama em 2015 um auto de R$ 325 mil e um embargo na área, também em Itaituba. Os registros societários mostram a participação dele na empresa desde 2012. O auto, no entanto, foi lavrado contra a pessoa jurídica, e não contra a pessoa física de Nei Garimpeiro. Por isso, não está incluído nos R$ 1,066 milhão citados acima.

Em manifestação recente para outra investigação da Repórter Brasil sobre os dois processos de 2023, Nei Garimpeiro afirmou ter apresentado defesa e que ainda não havia decisão administrativa definitiva. 

Segundo ele, o mercúrio teria sido comprado de fornecedor registrado como regular no Cadastro Técnico Federal e suas operações já não estariam mais utilizando o metal. 

Na resposta enviada à reportagem, Nei Garimpeiro acrescenta que apresentou defesa também nas demais autuações mencionadas e que, até o momento, não há decisão definitiva nos processos que seguem em tramitação no Ibama.

Doador preside cooperativa também autuada pelo Ibama

Responsável por R$ 30 mil doados à campanha de Sheila Klener, Wagner Lopes Gheler é geólogo e preside a Nossacoop desde a criação da entidade, em fevereiro de 2021. A empresa tem entre suas atividades registradas a extração e o beneficiamento de metais preciosos. 

Em 19 de março, a Sema emitiu a Licença de Operação 337557/2026 para a Nossacoop extrair metais preciosos em Peixoto de Azevedo. É a licença imediatamente posterior à emitida no mesmo dia para Nei Garimpeiro. 

O processo da cooperativa havia sido protocolado em 12 de fevereiro. Uma licença prévia saiu em 5 de março com assinaturas de outros servidores. A licença de operação de 19 de março, baseada em outro parecer técnico, traz Klener como uma das autoridades signatárias.

A Nossacoop também acumula autuações ambientais. Em seis dias de agosto de 2024, o Ibama lavrou sete autos de infração contra a cooperativa, todos no Pará. Os valores originais somam R$ 210.780. Há ainda sete termos de embargo associados à entidade. Os casos foram registrados em Itaituba, Bannach e Novo Progresso, no Pará. 

Na nota enviada à Repórter Brasil, Gheler afirma que os autos e embargos decorreram de uma fiscalização remota do Ibama e que os requerimentos minerários em nome da Nossacoop não comprovam, por si só, que a entidade tenha realizado extração nas áreas. 

O posicionamento informa ainda que a entidade apresentou defesa e “vem obtendo resultados favoráveis”. Segundo o texto, áreas embargadas podem ser licenciadas como condição para o desembargo.

Em sua campanha a deputada estadual, Sheila Klener (PSDB) defende o setor da mineração (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Em sua campanha a deputada estadual, Sheila Klener (PSDB) defende o setor da mineração (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

‘É minha bandeira como servidora pública’

A defesa do setor mineral não é algo que Klener esconda. Em 2024, depois de sua primeira passagem pela Assembleia, participou por cerca de duas horas do podcast Garimpo Sustentável. No fim da conversa, definiu a mineração como uma bandeira que pretendia continuar levando. “É minha bandeira como servidora pública, como geóloga principalmente, como deputada também acho que foi”, afirmou.

No mesmo programa, Klener defendeu políticas específicas para pequenos mineradores. Disse ainda que quem extrai minério sem título ou licença deveria ser chamado de criminoso ou usurpador de bem da União, e não de “garimpeiro ilegal”, pois, segundo ela, a expressão associaria toda a categoria à ilegalidade.

A ideia reapareceu na campanha deste ano. Em julho, Klener afirmou que “o garimpeiro não é bandido” ao defender a importância econômica da mineração de ouro em Mato Grosso. A declaração consta de texto publicado pela própria candidatura.

Em 25 de agosto, a candidata fez campanha em Poconé, município onde estão as três licenças de Nei Garimpeiro assinadas por ela. Em entrevista à Rádio Transpantaneira defendeu a importância econômica da mineração responsável. Na mesma agenda, reuniu-se com cooperados da Cooper Poconé para discutir problemas e perspectivas do setor mineral. 

Sua produção parlamentar não ficou restrita à mineração. Nas duas passagens pela Assembleia, Sheila Klener apresentou também iniciativas ligadas a mulheres, saúde, educação e proteção animal.

O que diz a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso

A Repórter Brasil perguntou à Sema qual foi exatamente o papel de Sheila Klener nos processos de licenciamento. “Validação do parecer”, diz a pasta ambiental, por meio de respostas enviadas pela assessoria de imprensa.

A nota informa que os pareceres são elaborados por analistas ambientais e o regimento da secretaria determina que os coordenadores assinem as licenças expedidas por suas unidades. 

A Sema confirma que Sheila exercia formalmente a Coordenadoria de Mineração nas datas das licenças citadas pela reportagem.

A pasta afirma ainda que autos de infração ou embargos não impedem, por si só, a emissão de uma licença ambiental, desde que sejam cumpridos os requisitos legais e técnicos, e diz não existir impedimento legal para que a servidora receba doações de pessoas ligadas a empreendimentos licenciados pela unidade.

A Sema não respondeu, porém, se as autuações de Nei Garimpeiro e da Nossacoop foram identificadas ou consideradas nesses processos. Leia as respostas completas aqui.

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Íntegra das respostas enviadas à reportagem ‘Candidata a deputada estadual assinou licenças ambientais de doadores de sua campanha no MT’

Confira abaixo os posicionamentos completos enviados à Repórter Brasil por Sheila Klener, Valdinei Mauro de Souza, Wagner Lopes Gheler, e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso.

Sheila Klener


1. Desde quando conhece Valdinei Mauro de Souza e Wagner Lopes Gheler? Qual é ou foi a relação pessoal, profissional e política com cada um deles?

Sou servidora pública há aproximadamente 20 anos, com atuação na área de mineração e licenciamento ambiental, razão pela qual conheço institucionalmente diversos profissionais, empresários, cooperativas e representantes do setor mineral de Mato Grosso, entre eles o Sr. Valdinei Mauro de Souza.

Conheço Wagner Lopes Gheler desde a época da graduação em Geologia, há mais de 30 anos. Ao longo da minha trajetória profissional, nosso contato esteve relacionado também às atividades técnicas e institucionais do setor mineral.

Não houve, em qualquer dos casos, relação que alterasse ou interferisse no exercício das minhas atribuições funcionais. Os processos administrativos submetidos à Coordenadoria seguem o fluxo técnico e institucional da SEMA, independentemente da identidade dos interessados.

2. Qual foi exatamente sua participação nos processos de licenciamento? Tinha conhecimento das autuações do Ibama?

Na condição de coordenadora de Mineração, minha participação ocorreu no exercício regular das atribuições do cargo. Os processos submetidos à unidade são analisados pelos analistas ambientais competentes, responsáveis pela elaboração dos respectivos pareceres técnicos, cabendo à coordenação a assinatura dos documentos decorrentes do fluxo administrativo regular.

É importante esclarecer que a SEMA realiza o licenciamento ambiental da atividade, mas não concede direito minerário. A existência de parecer técnico ou de licença ambiental expedida pela SEMA não confere, por si só, direito de pesquisa ou exploração mineral. A gestão dos recursos minerais e dos direitos minerários, bem como a expedição dos respectivos títulos, inserem-se nas competências da Agência Nacional de Mineração – ANM, nos termos da legislação federal.

Quanto às autuações mencionadas na pergunta, tratam-se de procedimentos do IBAMA. Informações sobre seus fundamentos, tramitação ou situação atual devem ser solicitadas ao próprio órgão federal responsável. Já as competências e o fluxo administrativo da SEMA são informações públicas e podem ser consultadas nos canais oficiais de transparência da Secretaria.

3. Como avalia receber doações de pessoas ligadas a empreendimentos que passaram pela Coordenadoria? Houve impedimento ou conflito de interesses?

As doações eleitorais foram realizadas por livre manifestação dos doadores, dentro das regras previstas na legislação eleitoral e devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

Não há previsão legal que, pelo simples fato de um doador atuar no setor mineral ou possuir empreendimento submetido a licenciamento ambiental, caracterize impedimento, conflito de interesses ou necessidade de afastamento.

É importante esclarecer que a assinatura das licenças constitui atribuição funcional da Coordenadoria de Mineração, exercida por quem estiver regularmente investido na função de coordenador, e não uma atribuição pessoal de Sheila Klener. Os processos seguem o fluxo técnico e administrativo estabelecido pela SEMA, com análise pelos servidores competentes e emissão dos respectivos pareceres.

Assim, estando regularmente no exercício da Coordenadoria, a assinatura dos atos decorrentes da tramitação regular constitui exercício das atribuições do cargo. A ausência de assinatura, sem fundamento jurídico, é que poderia suscitar questionamento quanto ao cumprimento do dever funcional.

Também é necessário distinguir competências: à SEMA cabe o licenciamento ambiental; à ANM compete a gestão dos direitos minerários e a expedição dos respectivos títulos. A assinatura de uma licença ambiental pela Coordenadoria da SEMA não concede direito minerário.

4. Quais critérios levaram às homenagens concedidas a Valdinei, Wagner e outras pessoas do setor?

As homenagens mencionadas foram concedidas no exercício regular da atividade parlamentar e não foram atos desprovidos de fundamentação. Cada indicação foi formalmente apresentada e acompanhada da respectiva justificativa, na qual constam os fundamentos que motivaram a homenagem, observando-se os procedimentos próprios da Assembleia Legislativa.

As indicações mencionadas inserem-se no contexto de reconhecimento de profissionais com atuação relacionada ao setor mineral, área à qual minha trajetória profissional sempre esteve vinculada. Outros profissionais também foram homenageados no mesmo contexto, igualmente mediante indicações fundamentadas e submetidas aos trâmites da Assembleia Legislativa.

Os critérios e fundamentos específicos de cada homenagem constam dos respectivos atos e justificativas, que são públicos e podem ser consultados nos registros da Assembleia Legislativa.

Valdinei Mauro de Souza (Nei Garimpeiro)

Em relação aos questionamentos encaminhados pela Repórter Brasil, esclareço que conheço Sheila Klener há alguns anos e mantenho com ela uma relação de natureza institucional. As doações realizadas às suas campanhas eleitorais foram espontâneas, feitas dentro da legislação e devidamente declaradas à Justiça Eleitoral, sem qualquer condicionamento ou expectativa de contrapartida.

Todos os assuntos relacionados aos meus empreendimentos ou a processos de licenciamento ambiental são conduzidos pelos profissionais responsáveis nas empresas, dentro dos procedimentos técnicos e administrativos pertinentes.

Em relação às autuações mencionadas pela reportagem, foram apresentadas as respectivas defesas nos procedimentos administrativos, não havendo, até o momento, decisão definitiva nos processos que permanecem em tramitação perante o Ibama.

A Comenda Dante de Oliveira foi concedida no âmbito institucional da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em reconhecimento a uma trajetória profissional de mais de três décadas, atualmente à frente da Fomentas Mining Company, que atua em Mato Grosso e no Pará e gera aproximadamente 800 postos de trabalho diretos e indiretos.

Por sua própria natureza, uma homenagem dessa natureza decorre de iniciativa de quem a concede, não sendo algo que se solicite ou se negocie. Não houve qualquer tratativa de minha parte para recebê-la, tampouco existe relação entre a homenagem, as doações eleitorais realizadas e os processos de licenciamento ambiental dos meus empreendimentos. 


Wagner Lopes Gheler

Sou técnico em mineração e engenheiro geólogo, atuo há mais de 30 anos em pesquisa mineral e licenciamento ambiental nos estados de Mato Grosso e Pará; e esporadicamente Tocantins, Goiás e Rondônia, realizando licenciamento mineral de pessoas físicas, jurídicas, cooperativas, pequenas,médias e grandes empresas nacionais e multinacionais. 

Também atuo como empresário do setor de mineração há várias décadas. Por essa razão agora, e em outros momentos da história, possuo direitos minerários e licenças ambientais. Conheço a Sheila desde o tempo da faculdade, 1993. Minha doação foi feita à candidata Sheila Klener em razão de sua atuação e conhecimento do setor mineral e ambiental, o que foi ratificado pela excelente e curta passagem como Deputada Estadual na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. 

Ela tem grande conhecimento em mineração  e tem condições de representar o setor mineral em razão do seu grande conhecimento acumulado como engenheira geóloga, professora, profissional liberal e servidora pública.  Quanto à NOSSACOOP, a cooperativa foi atingida por ação fiscalizatória do IBAMA, que resultou em autuações e embargos envolvendo pessoas físicas e jurídicas detentoras de requerimentos minerários no Estado do Pará. Os requerimentos representam expectativa de obtenção do direito minerário, não tendo a NOSSACOOP obtido a correspondente titulação. 

Nesse contexto, a existência de requerimentos em nome da NOSSACOOP não comprova, por si só, a execução de atividades de extração mineral ou sua responsabilidade pelas intervenções identificadas.A fiscalização foi realizada de forma remota, sem a adequada verificação das condições locais e da efetiva responsabilidade pelas atividades apontadas. 

A cooperativa já apresentou as defesas cabíveis e vem obtendo resultados favoráveis.Em tempo: mesmo áreas embargadas são passíveis de licenciamento, sendo esta uma condição para o desembargo.

Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema)

01 – Qual é o papel do coordenador de Mineração na análise, tramitação e concessão de uma licença ambiental e o que significa, administrativamente, sua assinatura no documento?

Resposta: O Regimento Interno da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Decreto 1.599/2025) estabelece que os coordenadores vinculados à Superintendência de Infraestrutura, Mineração, Indústria e Serviços e Superintendência de Gestão Florestal devem assinar todas as licenças e autorizações ambientais expedidas pelas suas unidades administrativas, exceto Licença Prévia e Florestal.

02 – Qual foi concretamente a participação de Sheila nos processos de Valdinei e da Nossacoop?

Resposta: Validação do parecer.

03 – Pedimos também a identificação dos servidores que elaboraram os pareceres técnicos que fundamentaram as quatro licenças citadas e, se possível, cópia desses pareceres.

LI 75603/2023 – Analisado por Ana Paula

LO 330999/2023 – Analisado por Ana Paula

LO 337556/2026 – Analisado por Claudia Tokashiki

LO 337527/2026 Analisada por Felipe Campos

04 – A Sema consulta autos de infração, embargos ou outros registros ambientais do Ibama e de demais órgãos durante um processo de licenciamento? As autuações existentes em nome de Valdinei e da Nossacoop foram identificadas ou consideradas nesses processos? Em que circunstâncias uma autuação ou embargo anterior pode impedir, condicionar ou ser levado em conta na concessão de nova licença?

Resposta: A existência de eventual embargo ou auto de infração não impede a emissão da licença se tiverem preenchidos os requisitos legais e técnicos estabelecidos em termos de referência. Inclusive, a apresentação, por parte do autuado, da documentação que regulariza a obra ou atividade, é uma das exigências para cessação do embargo, conforme previsão contida no Decreto Federal 6.514/2008.

05 – Quais normas internas, regras de ética funcional, impedimento ou conflito de interesses são aplicáveis quando um servidor candidato recebe doações eleitorais de pessoa ligada a empreendimento que tramita ou tramitou na unidade sob sua chefia? A Sema realizou alguma análise ou recebeu alguma declaração de impedimento de Sheila relacionada a Valdinei, Wagner ou à Nossacoop?

Resposta: Não existe impedimento legal.

06 – Qual era a situação funcional de Sheila em 7 de julho de 2023, 24 de novembro de 2023 e 19 de março de 2026, datas das licenças que levam sua assinatura? Ela exercia formalmente a Coordenadoria de Mineração nessas três ocasiões?

Resposta: Sim

07 – Qual é sua situação funcional atual durante a campanha eleitoral e, caso esteja afastada, qual a data e o ato que formalizaram esse afastamento?

Resposta: A servidora está de licença para atividade política no período compreendido entre 04/07/26 a 05/10/26. A autorização consta no Ato Administrativo/SEPLAG/00702/2026.

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