Daily Cartoon: Thursday, September 3rd
Há uma coisa em comum entre Bob Marley and The Wailers, e o Creedence Clearwater Revival, o grupo americano dos anos 60, fim do no início dos 70: muito raramente tocavam em shows músicas que não estivessem em seus discos. Assim os registros de shows repetem canções que todo mundo que curte os dois já se cansou de escutar. O Creedence ficava mais próximo da versão original da canção. Bob Marley improvisa em alguns trechos do show.
É o que acontece no recém-lançado Bob Marley and The Wailers – Roots, Rock, Reggae: Live a the Hammersmith Odeon (CD e vinil duplos), registro de uma apresentação da primeira grande temporada do astro jamaicano em Londres, numa das mais importantes casas de show da cidade, o Hammersmith Odeon, considerado uma ousadia para um grupo ainda emergente. O ano era 1976, Bob Marley e a banda estavam com a turnê do álbum Rastaman Vibration, que derrubaria barreiras que ainda se opunham a penetração do reggae no universo pop.
No Woman no Cry esteve nos primeiros lugares das paradas, e imprensa incensava Marley, e o Hammersmith recebeu um grande público em todos os shows. Foram apresentações antológicas, certamente pelo entusiasmo mútuo artista e plateia. O repertório é de futuros clássicos, com exceção de Bend Down Low (lançada em 1966, e incluída no álbum Natty Dread, de 1974), que não frequentava o repertório de palco de Bob Marley. Boa parte das canções são alongadas, com abertura para que a banda exibisse os talentos que a integravam. Lively Up Yourself chega a quase oito minutos.
No encore (bis em brasileiro), Bob se solta, e toca uma versão de 12 minutos de Get Up Stand Up (de Peter Tosh), que na gravação do álbum Catch a Fire, tem pouco mais de três minutos. Uma ótima pedida para celebrar os 50 anos da vitoriosa turnê e o disco que sedimentaram Bob Marley and the Wailers como superstars mundo afora, influentes até os dias atuais. Como confirma Don Letts (Big Audio Dynamite, com Mick Jones do The Clash), no texto do disco. Em 1976, ele era DJ e ia completar 20 anos: “Ele fez os garotos britânicos, que nunca puseram os pés no Caribe, a sentir o murmúrio de algo que ia mais fundo do que o rock ou o pop. Marley mostrou ao mundo a espiritualidade, a rebelião e a beleza no interior da nossa cultura”.