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Lixão de cacarecos em órbita

Começou em outubro de 1957, quando a URSS botou no espaço o Sputnik, o primeiro satélite artificial. Dava 15 voltas por dia ao redor da Terra e, quando passava sobre os EUA, seu "bip-bip" -o único som que emitia- era captado pelos radioamadores e aterrorizava os ingênuos americanos. Um mês depois, em novembro, antes que os EUA pudessem respirar, a URSS mandou outro, o Sputnik 2, tendo a bordo uma infeliz cachorrinha vira-lata, Laika, que não sobreviveu para contar. Os EUA, já com 2 a 0 contra, lançaram o deles em janeiro de 1958, o Explorer, e logo depois equilibraram o jogo. Começava a guerra nas estrelas, com um infernal disparo de satélites. Leia mais (08/15/2026 - 08h00)

A pirâmide virou pião

O Brasil, quem diria, ficou de cabeça para baixo. "A pirâmide virou um pião", afirmou na semana passada, em conferência na Academia Brasileira de Letras, a pneumologista Margareth Dalcolmo. Referia-se à diferença entre 1970, quando éramos uma sociedade com alta taxa de nascimento, com expectativa de vida de 54 anos, e hoje, "em que deixamos de ser uma sociedade jovem para uma envelhecida, com expectativa de vida de 78 anos".

"Esse aumento", disse dra. Margareth, "se deveu a intervenções sanitárias, como vacinação em massa, sobretudo na primeira infância, saneamento básico, ainda que desigual, expansão do SUS (Sistema Único de Saúde) e avanços na medicina, mesmo em regiões remotas. Nas próximas duas décadas, seremos mais idosos acima de 60 anos do que jovens menores de 15".

A dúvida é se estaremos equipados para essa nova situação. Segundo o gerontólogo Alexandre Kalache, citado por ela, países desenvolvidos como o Japão e os europeus primeiro enriqueceram para depois envelhecer, e o Brasil envelhece marcado pela pobreza. "Ser velho e pobre no Brasil é o mais triste destino", disse dra. Margareth. "Numa sociedade tão excludente como a nossa, o velho e pobre se torna um fardo para a família, ainda que, com frequência, se veja o triste paradoxo de uma modesta pensão ou aposentadoria desse idoso ser a fonte de renda primordial para aquele núcleo familiar."

Dra. Margareth continuou: "Num país 90% urbanizado como o Brasil, o cenário urbano é hostil para as pessoas mais velhas. Precisamos de reformas públicas, de exercer grande pressão sobre os transportes, as cidades e as moradias, para adaptá-los a elas. Envelhecer em boas condições permite o acesso a cuidados de toda ordem, e até prazeres, que seguramente adoçam a perda de autonomia". Leia mais (08/13/2026 - 08h00)
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