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A IA generativa precisa ser tratada como um problema público

O chamado hype da Inteligência Artificial (IA) generativa tem limitado nossa compreensão sobre os usos e consequências dessa tecnologia. Em boa parte do tempo, assistimos a uma frenética competição das empresas por versões cada vez mais “eficientes”  e “poderosas”, que vão “resolver” problemas da sociedade ou tornar menos dolorosa muitas das nossas atividades. No maravilhoso mundo da inovação, no qual a cobertura jornalística tem pecado ao não estimular abordagens mais críticas, o que temos é um excesso de entusiasmo, inflacionado pela perspectiva puramente comercial das big techs.

Acontece que a revolução promovida por essa tecnologia precisa urgentemente ser tratada como um problema público, como bem observou recentemente o professor da Universidade do Sul da Califórnia, Mike Ananny. Problemas públicos são aqueles que trazem danos que nem sempre são sentidos individualmente, mas que moldam a nossa vida coletiva. Eles nos afetam indiretamente, mas nem por isso são menos importantes.

A poluição do ar, a contaminação da água ou aquecimento global são exemplos de problemas públicos mais facilmente observáveis quando pensamos no futuro da humanidade ou na qualidade de vida que queremos. No caso da IA, o debate tem sido liderado por engenheiros e empresas interessadas nessa tecnologia, sugerindo que o domínio é puramente técnico. A IA não se restringe a uma questão de natureza técnica. A IA é um problema público porque ela tem reconfigurado nossas relações com o mundo à nossa volta.

É verdade que há avanços quando atentamos para a questão do viés dos algoritmos, a opacidade dos códigos, o risco para a privacidade dos dados, entre outras questões. Tudo isso é necessário, mas ainda tímido. A tecnologia da IA generativa, ou se preferirmos a algoritmização de quase todas as dimensões das nossas atividades, tem assumido o lugar de uma linguagem, uma forma que usamos para estruturar, definir e contar histórias coletivas ou de nos ensinar uns sobre os outros. Não é pouca coisa.  

Para ser mais preciso, delegamos a modelos probabilísticos de aprendizado de máquina a produção de textos, vídeos ou áudios para explicar, ilustrar ou representar histórias sobre os mais variados assuntos. O uso desse modelo traz efeitos profundos porque estamos promovendo um tipo de linguagem estatisticamente aceitável que define e interfere na representação e compreensão da nossa vida social, política e cultural. Em outras palavras, a linguagem da IA privilegia aquilo que é significativo do ponto de vista matemático, excluindo ou omitindo uma série de nuances politicamente ou socialmente relevantes para a nossa realidade partilhada.

É nesse sentido que precisamos tratar a IA como um problema público. A sociedade civil organizada, o poder público e demais agentes precisam assumir o debate, reconfigurando a discussão. O efeito disruptivo da IA na nossa mediação com o mundo é relevante demais para ser tratado como um problema em uma linha de código.

Nove diretrizes para o uso de IA no Jornalismo

Foto por Matheus Bertelli em Pexels.com

Há muitos campos que serão ou já estão sendo afetados pelo uso da Inteligência Artificial generativa, ou seja, a IA que é capaz de gerar textos, imagens e outros formatos de conteúdos. A rapidez com que essa tecnologia se dissemina pelo mundo e os possíveis efeitos negativos da sua aplicação, como a proliferação de desinformação, perda de postos de emprego ou mesmo a questão dos direitos autorais têm estimulado pesquisadores e entusiastas a refletirem um pouco mais sobre regras ou acordos mínimos para o uso da IA.

No Jornalismo, área que enfrenta dilemas reais de como aplicar ou não aplicar a IA, começam a surgir algumas diretrizes para o uso dessa tecnologia. Essa discussão é fundamental porque o Jornalismo, a despeito de muitas outras instituições, produz conteúdo com impacto direto sobre a esfera pública, orientando a opinião pública, políticas de governo e comportamentos do cidadão. Apesar de suas limitações e imperfeições, o Jornalismo continua sendo fundamental, em especial em um contexto de hiperfragmentação da informação e da comunicação plataformizada.

Nesse contexto, os pesquisadores Hannes Cools (University of Amsterdam) e Nick Diakopoulos (Northwestern University) publicaram esta semana um resumo das diretrizes que 21 organizações jornalísticas na Suécia, Noruega, Canadá, Brasil, EUA, Reino Unidos, entre outros países, passaram a adotar desde que a IA se disseminou pelo mundo.

Coloquei o link para o texto original (Towards Guidelines for Guidelines on the Use of Generative AI in Newsrooms) no fim deste post, mas resumi em nove tópicos as linhas gerais das diretrizes que Cools e Diakopoulos mapearam.

  1. Supervisão: As diretrizes identificadas pelos pesquisadores mencionam a supervisão e a vinculam deliberadamente à importância do envolvimento humano significativo e da supervisão no uso da IA, inclusive por meio de edição adicional e verificação dos resultados antes da publicação. As organizações de notícias também rejeitam a ideia de substituir jornalistas por máquinas e destacam a importância do papel de tomada de decisão dos humanos ao usar ferramentas generativas de IA.
  2. Transparência: As menções à transparência estão muitas vezes interligadas com o requisito de que o conteúdo deve ser rotulado de forma compreensível para o público. No entanto, muitas vezes não está claro nas diretrizes, segundo os autores do levantamento, como essas menções à transparência se concretizarão na prática.
  3. Usos proibidos x permitidos: Usos proibidos e permitidos de IA generativa são frequentemente listados nas diretrizes como formas de orientar as práticas, embora às vezes também sejam acompanhados de exceções. Para essas exceções, as condições de transparência, responsabilidade e prestação de contas são explicitadas nas diretrizes. Também é dada muita atenção ao caso de uso da geração de imagens.
  4. Prestação de contas e responsabilidade: A prestação de contas e a responsabilidade são frequentemente mencionadas nas diretrizes em relação ao conteúdo publicado, bem como valores como precisão, justiça, originalidade e transparência. Segundo os pesquisadores, a implementação de medidas de responsabilização pelo uso de dados e produtos de IA também é destacada, assim como o uso de sistemas de IA tecnicamente robustos e seguros para minimizar riscos.
  5. Privacidade e confidencialidade: Privacidade e confidencialidade são frequentemente mencionadas em termos de proteção de fonte e cuidado ao fornecer informações confidenciais para plataformas externas. Além disso, as diretrizes destacam que eles devem ter cuidado ao usar conteúdo confidencial ou não publicado como entrada para ferramentas generativas de IA.
  6. Experimentação cautelosa: As menções de experimentação cautelosa nas diretrizes geralmente estão associadas a curiosidade e crítica, ao mesmo tempo em que destacam o potencial de inovação. Também há ênfase na verificação da veracidade dos resultados gerados pela IA, pois há um foco em reconhecer os riscos de desinformação e a “corrupção da verdade”, segundo o levantamento dos pesquisadores.
  7. Uso estratégico: Em vários casos, os documentos de diretrizes também expressam os objetivos estratégicos da organização na implantação de IA generativa. As motivações mencionadas incluíam o desejo de aumentar a originalidade, a qualidade e até a velocidade, ao mesmo tempo que, às vezes, refletiam o desejo de não substituir os jornalistas e defender valores fundamentais como independência/imparcialidade.
  8. Treinamento: O treinamento raramente é mencionado nas diretrizes, no entanto, quando é mencionado, o treinamento e as aulas estão principalmente vinculados à mitigação dos riscos da IA ​​generativa e à responsabilidade e transparência com o público.
  9. Adaptabilidade das diretrizes: Segundo os pesquisadores, várias das diretrizes refletiram humildade diante de mudanças rápidas e chamaram a atenção para a importância de adaptar essas regras à medida que a compreensão dos riscos evolui.

Após listarem as diretrizes, Cools e Diakopoulos acrescentam alguns comentários sobre itens que poderiam ter sido explorados ou que os veículos poderiam focar maior atenção, como, por exemplo, a revisão das diretrizes segundo códigos de ética profissional.

Para mais detalhes do artigo “Towards Guidelines for Guidelines on the Use of Generative AI in Newsrooms” acesse aqui.

A história das eleições presidenciais em mapas

Os mapas desde 2002 mostram como as votações nos candidatos do PT e da oposição se modificaram ao longo do tempo e como temos agora uma grande incógnita do que vai acontecer.

A disputa de 2002 é um ponto e inflexão importante para o PT, que venceu em quase todos os estados enfrentando um governo que tinha baixa avaliação. No RJ, estado decisivo em 2022, Lula teve 57 pontos percentuais acima de Serra. Em MG, vantagem de 32pp e em SP, 10pp.

Em 2006, com o governo já tendo enfrentado a crise do Mensalão, Lula perdeu em estados do Sul e parte do Centro-Oeste, mas venceu com vantagem expressiva em MG (30pp) e RJ (39pp), além de todo o Nordeste. Lula quase empatou em SP com Alckmin, que levou com uma diferença de 4,5pp.

Em 2010, o mapa é parecido com 2006, mas desta vez com Dilma na disputa com Serra (PSDB). O PT voltou a ganhar em MG, mas com vantagem menor 16pp. No RJ, a vantagem também se reduziu (20pp) comparado com 2006. O PT volta a ganhar no Nordeste e a perder em SP por 8pp de diferença.

Considera uma das eleições mais acirradas desde então, 2014 tem um mapa parecido com 2010, porém, com uma vantagem cada vez menor do PT. Em MG foi de 4pp, no RJ (9pp) e em SP derrota de 28pp. Já em 2014 havia algo no ar apontando para a perda da força eleitoral do PT.

Finalmente, 2018 a força eleitoral do PT fica praticamente restrita aos estados do Nordeste. Haddad perde por 35pp para Bolsonaro em SP; 16pp em MG e 35pp no RJ. A maior diferença a favor de Haddad foi no PI (54pp). Como ficará o mapa de 2022? Apostas?

Com informação, eleitores de menor renda tendem a ampliar votação em Lula

A eleição presidencial de 2022 tem uma característica que nunca tivemos oportunidade de testar. Esta é a primeira disputa desde 1989 em que teremos o ocupante do cargo de presidente concorrendo à reeleição juntamente com um ex-presidente da República. Por serem amplamente conhecidos pelos eleitores, Lula e Bolsonaro largam na frente dos demais candidatos. Os eleitores conhecem bem os atributos, os pontos positivos e negativos e a forma de governar de cada um. Quanto mais conhecem, mais os eleitores têm certeza da decisão eleitoral, logo, menores são as chances de a campanha promover inflexões significativas nas curvas de intenção de voto.

Apesar do alto grau de conhecimento (96% conhecem Bolsonaro, e 98%, Lula, segundo o DataFolha 22 a 23/6), as pesquisas de intenção de voto, neste momento, carregam um grau de imprecisão, fruto da desatenção dos eleitores sobre o processo eleitoral já em curso. Muitos só prestarão mais atenção a partir de agosto, quando começa a campanha na TV e no rádio. Para entender um pouco o valor da informação na disputa deste ano, produzi três gráficos, a partir dos dados do DataFolha da semana passada.

No primeiro deles, plotei os dados da pesquisa espontânea, aquela em que os eleitor é perguntado em que deverá votar, sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados. Em tese, a resposta espontânea tende a captar melhor os votos já cristalizados ou eleitores mais atentos ao processo eleitoral. Para trazer mais informação sobre a pergunta, fiz o gráfico considerando a faixa de renda dos eleitores.

Repare no gráfico abaixo que aqueles que respondem “não sei” em que vão votar variam de 17% a 31%. O menor percentual ocorre entre os eleitores de maior renda, enquanto os que declaram renda de 2 salários mínimos registram maior percentual de “indecisos”.

Outro dado que merece ser destacado. Até a faixa de 5 a 10 salários, Bolsonaro e Lula apresentam tendências apostas. O petista vai bem entre aqueles de menor renda e mais indecisos, enquanto Bolsonaro vai melhor entre os de maior renda e com menores percentuais de indecisos. Na faixa “acima de 10 salários”, os dois candidatos apresentam percentuais mais próximos, indicando que há um embate mais acirrado dentro desse grupo, também com menor índice de indecisos.

Agora compare o gráfico acima com a pesquisa estimulada, ou seja, quando o entrevistador apresenta quem são os candidatos, método que implica na transferência de uma informação importante para os eleitores. Na estimulada, como podemos ver no segundo gráfico, o percentual de indecisos cai fortemente, variando de 0% a 5%. Lula é quem mais ganha novos eleitores, com um aumento de 13 pontos percentuais na faixa dos eleitores de menor renda.

Na segunda faixa de renda (2 a 5 SM), o petista ganha mais 7 pontos percentuais, contra 4 pontos para Bolsonaro. O presidente Bolsonaro, contudo, ganha 6 pontos percentuais entre os eleitores de maior renda (acima de 10 SM) e que, em tese, já apresentam menores taxas de indecisos.

Esses dados sinalizam alguns pontos. O primeiro deles. Os eleitores conhecem os candidatos mas, boa parte, ainda não é capaz de lembrar do nome do seu candidato preferido. Esse fenômeno ocorre principalmente entre aqueles de menor renda, base eleitoral com forte presença do voto a favor de Lula. Bolsonaro consegue melhor desempenho no grupo acima dos 10 salários, entre a espontânea e a estimulada.

O segundo ponto é que o início da campanha no rádio e na TV deverá promover uma aproximação dos dados da espontânea com a estimulada, com destaque para os percentuais da favor de Lula e, em menor grau, a favor de Bolsonaro. Isso ocorre pela perfil dos eleitores dos dois candidatos. O petista tem mais eleitores que acompanham pouco o processo eleitoral neste momento do que o presidente Bolsonaro. Por outro lado, não podemos deixar de mencionar que eleitores menos atentos hoje ao processo eleitoral são também eleitores que, de algum modo, ainda podem ser mobilizados por novas informações ao longo do processo. A dúvida é: será que eles ainda mudam de posição? Hoje as pesquisas indicam que até 70% afirmam que já estão certos da sua “decisão”. Restam os outros 30%.

A opinião dos ucranianos sobre a guerra em 4 gráficos

Apesar da maior força bélica dos russos, os ucranianos estão dispostos a pegar em armas para defender o seu país. A maioria aprova o presidente Volodymyr Zelensky (60%). Muitos também se mostram contrários a fazer concessões à Rússia para finalizar os conflitos.

A pesquisa Opinion Research Business International (ORB) foi realizada entre os dias 3 e 4 deste mês, com 1.024 entrevistados. Segundo o instituto, o questionário foi aplicado por telefone e é representativo para toda população ucraniana.

Nenhuma das quatro hipóteses colocadas para um possível acordo de paz é aceita pelos ucranianos. Mais de 75% são contra o reconhecimento da Criméia como parte da Rússia; 55% são contrários à proibição da Ucrânia entrar na OTAN como condição para encerrar os conflitos. O tema menos unânime é a implementação do acordo de Minsk. Cerca de 46% se mostram contrários a essa hipótese, enquanto 23% se dizem favoráveis. O que é o acordo de Minsk

Mais de 37% dos ucranianos estão fortemente dispostos a pegar em armas para defender o país, quanto 30.8%, dispostos a fazer o mesmo.

A disposição para pegar em armas é maior entre os homens (47.6%) quando comparado com as mulheres (28.5%). No grupo daqueles que afirmam terem alguma disposição para participar dos conflitos há um empate. Cerca de 30% de homens e mulheres têm essa opinião.

Qual é o tamanho do Centrão? Um recorte entre 2002 e 2021

O chamado “Centrão” é um agrupamento informal de diversos partidos de direita e centro-direita da Câmara dos Deputados, quase todos com perfil fisiológico e inclinados a apoiar qualquer governo de plantão. Apesar dessas características mais ou menos estáveis, qualquer análise histórica sobre o tamanho ou comportamento dessa “bancada” enfrenta muitas fragilidades.

Não há, por exemplo, um indicador claro de que esses partidos tenham participado integralmente e permanentemente desse agrupamento desde 2002. Há entradas e saídas de partidos desse grupo conforme negociações e disputas de cada contexto, e há ainda a participação individual de alguns deputados. Ou seja, o partido pode não integrar formalmente o Centrão, mas o deputado apresenta certa adesão às pautas e votações de interesse desse grupo.

Apesar das fragilidades desse tipo de análise, vai aqui um esforço para tentar mensurar o tamanho do Centrão historicamente, já que, nesse momento, esse grupo tem sido decisivo no apoio ao Governo Bolsonaro. Para isso, considerei a atual composição do Centrão para organizar os dados desde 2002. Atualmente, o Centrão teria em torno de 237 deputados, mas, como alertado, esse número é uma estimativa, com algumas margens de erro dado o caráter informal do grupo.

Considerando o formato atual, o Centrão ampliou o tamanho da sua bancada. Em 2002, esse grupo era formado por 54 deputados. Passou para 97, em 2006, manteve o crescimento nas eleições seguintes, até atingir os 237 atuais (já atualizado após a eleição de 2018).

Para mensurar minimamente o tamanho do Centrão considerei os deputados eleitos em 2018, mas com a atualização das bancadas. Hoje, nesse grupo, temos 11 partidos: PSC, PSL, PP, PL, PTB, Republicanos, Podemos, Avante, Patriota, Solidariedade e PROS. Muitas publicações não consideram PSL como membro do Centrão, provavelmente porque Jair Bolsonaro deixou o partido. Mas o PSL é quem mais vota conforme a orientação do governo, com taxa de apoio de 97%, conforme o “Radar do Congresso“. Além disso, o partido mantém características dos demais membros do Centrão.

É preciso lembrar que se considerarmos o MDB, DEM ou PSD, que no passado recente faziam parte do Centrão, o tamanho do Centrão muda bastante, dado o peso dessas três legendas. Em julho de 2020, DEM e MDB anunciaram a saída do Centrão. Desde o ano passado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, tem dito que o partido é “independente” e “não faz parte do Centrão”.

Vídeos do TSE em defesa da urna eletrônica já têm o dobro de visualizações de 2020

A nota pública assinada pelos ex-presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (02/08) pode ser lida como mais uma ação da Justiça Eleitoral do Brasil para enfrentar boatos e tentativas do presidente Jair Bolsonaro para desqualificar a votação por meio da urna eletrônica.

Uma outra frente do TSE tem sido a publicação de vídeos para desmentir fake news sobre a urna eletrônica ou enfatizar a segurança desse processo de votação. Embora 2020 tenha sido um ano eleitoral, o TSE já veiculou quase duas vezes mais vídeos (34) com esses conteúdos nos primeiros seis meses deste ano do que todo o ano passado (18). O volume de publicações coincide com o avanço da tramitação da PEC do voto impresso no Congresso.

O maior número de vídeos publicados no canal do YouTube do TSE ocorreu em maio (17), seguido de julho (10). Na soma total, 65% dos vídeos de defesa da segurança das urnas eletrônicas foram publicados este ano. Há meses sem qualquer publicação entre janeiro de 2020 e julho de 2021, por isso eles não aparecem no gráfico.

Aparentemente, a estratégia do TSE é pulverizar vídeos mais curtos quando comparado a 2020. No ano passado, os vídeos de defesa da urna somaram 270 minutos. Já este ano, que inclui ainda alguns vídeos com crítica ao voto impresso, somam, até agora, 106 minutos. A atenção para o debate sobre o voto impresso e a segurança das urnas repercutiu nas redes. Os vídeos deste ano já somam mais de 1,9 milhão de visualizações, contra 810 mil dos vídeos com conteúdo semelhante veiculados ao longo do ano passado.

O vídeo com o maior número de visualizações este ano foi publicado no dia 13 de maio. Trata-se de uma mensagem curta, informando que o TSE iria lançar a campanha “Na urna eletrônica você poda confiar”. Até agora, já foram mais de 655 mil visualizações. De longe, este também foi o vídeo com maior número de likes (8.836) e dislikes (158.924) simultaneamente. Este vídeo também lidera o total de comentários, cerca de 40 mil, indicando que a postagem gerou uma forte mobilização das redes sobre o tema.

Quem são os eleitores do Rio que aprovam Cláudio Castro e Bolsonaro

O instituto Atlas Intel finalizou esta semana a primeira pesquisa de cenário eleitoral no Estado do Rio. Nesse momento, as sondagens de intenções de voto têm pouca precisão sobre a disputa que ocorrerá somente no próximo ano, quando as campanhas estarão oficialmente na rua.

Os cenários testados agora ajudam mais os partidos e lideranças na construção das estratégias. Se olharmos com essa devida cautela, as várias combinações de possíveis candidaturas mostram o deputado Marcelo Freixo (PSB) liderando a disputa, com índices que vão de 32% a 33%. O atual governador do Rio, Cláudio Castro (PL), aparece em segundo lugar, variando entre 19% e 20%.

Como o Atlas também mediu a avaliação do governador e do presidente Bolsonaro no Estado do Rio, reuni esses dois dados em um conjunto de gráficos interativos.

Como sabemos, o presidente deve apoiar Castro ao Governo do Rio e espera que isso também resulte em apoios locais. A comparação das avaliações ajuda a verificar qual faixa do eleitorado apresenta proporções parecidas ou muito diferentes sobre Castro e Bolsonaro.

Esses cruzamentos, no entanto, têm alguma imprecisão porque a margem de erro geral da pesquisa (+ ou – 3 pontos percentuais) costuma ser mais que o dobro, sobrepondo, muitas vezes, os percentuais das categorias como escolaridade, renda, faixa etária, entre outros. Por conta disso, é mais interessante considerar quando há mais diferenças em pontos percentuais entre as categorias.

O primeiro dado que chama atenção é que Bolsonaro tem uma avaliação positiva no Rio bem superior ao registrado por Castro. Cerca de 46% dos eleitores aprovam Bolsonaro, enquanto o governador tem apenas 24%. Ou seja, aparentemente Castro tem mais a ganhar colando com o presidente do que o contrário. Sua desaprovação é bem superior também que a de Bolsonaro no Rio.

O recorte por escolaridade mostra uma distribuição da avaliação de Castro e Bolsonaro muito parecida no grupo que tem apenas o ensino fundamental: aprovação maior que a desaprovação. Entre aqueles que têm o ensino médio, o comportamento é parecido, mas com sentido invertido. Mais reprovação que aprovação. No caso de Bolsonaro, esse dado é um pouco mais equilibrado (45% aprovam e 54% desaprovam). Essa distribuição é parecida entre os eleitores com ensino superior. Tanto Castro como Bolsonaro são mais reprovados que aprovados nesse grupo.

Já avaliação do governador e do presidente por faixa de renda do eleitor mostra que Castro é reprovado entre aqueles que ganham até R$ 2 mil (51%), enquanto Bolsonaro tem mais aprovação (53%) nesse grupo do que reprovação (36%). Tanto Bolsonaro quanto Castro são mais reprovados do que aprovados na faixa que ganha entre R$ 2 mil e R$ 3 mil.

A maior reprovação de Castro e Bolsonaro ocorre entre aqueles que ganham acima de R$ 10 mil. Castro é reprovado por 80% desses eleitores, enquanto Bolsonaro, 70%.

Cláudio Castro e Bolsonaro são reprovados entre os eleitores de 16 a 24 anos (64% e 53%). Bolsonaro, no entanto, tem um percentual elevado de aprovação nesse grupo: 43%. O governador e o presidente registram aprovação maior que a reprovação no grupo que tem entre 25 e 44 anos (42% e 60%). A maior reprovação de Castro por faixa etária do eleitorado ocorre entre aqueles que têm entre 35 e 44 anos (75%), já Bolsonaro entre os que têm de 16 a 24 anos (53%)

A religião costuma ser um recorte importante no Rio, especialmente no grupo dos evangélicos. Aparentemente, Castro pode se beneficiar colando sua imagem em Bolsonaro. Ele é aprovado por 67% dos evangélicos do Rio, enquanto Castro é mais reprovado (41%) do que aprovado (32%). Entre os católicos, tanto Castro (64%), quanto Bolsonaro (62%) são amplamente reprovados.

Estado do RJ tem R$ 3 bi em obras paralisadas

O Estado do Rio tem hoje um conjunto de 106 obras paralisadas em áreas como urbanização, saneamento e transporte. Esses projetos somam mais de R$ 3,2 bilhões, dos quais mais de 71% já foram desembolsados pelo governo.

É um canteiro com obras iniciadas, na maior parte das vezes, há mais de dois anos (98% dos casos), e que pararam pelos mais diversos motivos. Quanto mais tempo paradas, maiores os prejuízos: sem o serviço, deterioração do material e maior custo para reiniciar as obras.

Os dados organizados neste post fazem parte de um levantamento produzido pelo Tribunal de Contas do Estado do RJ (TCE-RJ). O estudo demostra bem uma das dimensões da crise pela qual passa o Rio.

Pelo dados, o maior pico de obras paradas ocorreu em 2015, quando 21 foram suspensas. Aquele ano expressou uma tendência iniciada em 2013, quando houve um aumento substantivo das obras paralisadas (total 17 e 19/ano) . Esse período coincide com a crise política no Estado do Rio, início da Operação Lava-Jato e a crise política e econômica em nível federal.

Além da perda de tempo e do serviço, os projetos paralisados já custaram R$ 2,3 bilhões do total de R$ 3,2 bilhões contratados. Ou seja, em média, para cada R$ 10 reais do projeto, R$ 7 já foram repassados para as empresas contratadas.

Do total contratado, 50% tem como principal financiador o “contratado de financiamento”; outros 26% são resultado de convênios assinados com o Governo Federal; enquanto 22% são diretamente contratados pelo Governo do Rio.

Chama atenção as obras da “administração” e “transporte” que, embora paralisadas, já tiveram mais desembolsos que o restante dos projetos.

Há tantos motivos de paralisação que a base do TCE precisou criar uma categoria “Outro” para designar o maior conjunto de justificativas para a suspensão dos projetos. Nesse grupo, estão mais de R$ 2,2 bilhões do valor total dos contratos.

Em segundo lugar, vem “fatores vinculados à gestão/administração”, com um total de R$ 520 milhões dos projetos. O terceiro maior motivo de paralisações, segundo o valor dos contratos, foi o “bloqueio do repasse de convênios”, com R$ 167 milhões.

Já as paralisações das obras segundo seu objeto principal e o valor dos contratos indicam que a maior parte foi de ações voltadas para “urbanização”, com mais de R$ 1,4 bilhão. O abastecimento de água vem em segundo lugar com R$ 523 milhões, seguido de mobilidade urbana com R$ 335 milhões. Há também obras do setor de saúde, com R$ 61,7 milhões em projetos paralisados.

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