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Reading view

Gutenberg Changelog #24 – Gutenberg 8.5, WordPress 5.5, JavaScript for WordPress Conference and Block Directory

In this episode, Birgit Pauli-Haack and Mark Uraine discuss the Gutenberg 8.5 release, the upcoming WordPress 5.5 release, JavaScript for WordPress conference, Block Directory Live Q&A, Community Contributions and what’s new in Active Development. Enjoy! And write a review 🙂 Music: Homer Gaines Editor: Sandy Reed Logo: Mark Uraine Production: Pauli Systems Show Notes / Transcript […]

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Romance versus realism

Min Wild on recent attempts to get to grips with that most slippery of beasts, the history of the novel (expect a lively cast, including Frances Burney, Daniel Defoe, Laurence Sterne and Jane Porter); Declan Ryan on where writing overlaps with boxing and the story of the eighteenth-century boxer Daniel Mendoza, known as The Fighting Jew, who made of the sport an art form 


Books

Without the Novel: Romance and the history of prose fiction by Scott Black

Revising the Eighteenth-Century Novel: Authorship from manuscript to print by Hilary Havens

Public Vows: Fictions of marriage in the English Enlightenment by Melissa J. Ganz

Born Yesterday: Inexperience and the early realist novel by Stephanie Insley Hershinow

Captain Singleton by Daniel Defoe, edited by Manushag Powell

Tristram Shandy by Laurence Sterne, edited by Judith Hawley

Thaddeus Of Warsaw by Jane Porter, edited by Thomas McLean and Ruth Knezevich


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#21 - Luiz Gama no campo de batalha

Não há como falar em pensamento brasileiro e antirracismo sem citar Luiz Gama. O professor e jurista Silvio Almeida e a professora de literatura Ligia Fonseca Ferreira, organizadora de novo livro de Gama, debatem a atualidade desse pioneiro dos direitos humanos que se libertou da escravidão e defendeu os desvalidos com as armas do direito e do jornalismo. Participação especial: Antônio Pitanga.

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Q & A with David

We got lots and lots of excellent questions from listeners about the themes and ideas in this series of talks. In this extra episode

David will do his best to answer some of them, from Hobbes to Weber, and from Gandhi to feminism. Plus he talks about what's missing from this series and where we might start next time.


Go to https://www.talkingpoliticspodcast.com/history-of-ideas for the full collection of reading lists.


Quentin Skinner on the state:


(Video) Quentin Skinner, ‘What is the state? The question that will not go away’


Orwell on Gandhi:


https://www.orwellfoundation.com/the-orwell-foundation/orwell/essays-and-other-works/reflections-on-gandhi/


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Gutenberg Changelog #23 – Gutenberg 8.4, Features for WordPress 5.5, Block Directory, Global Styles and Full-site Editing

In this episode, Mark Uraine and Birgit Pauli-Haack discuss the big Gutenberg 8.4 release, WordPress 5.5 features, Block Directory, Global Styles, Full-site Editing, and many Enhancements and what’s in Active Development. Music: Homer Gaines Editor: Sandy Reed Logo: Mark Uraine Production: Pauli Systems Show Notes / Transcript Show Notes Live Q & A Block-Based Themes […]

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The Pet Shop Boys paradox

Lynsey Hanley on the Pet Shop Boys and how a music duo that has always refused to play the pop game just keeps winning; The TLS’s history editor David Horspool talks us through a selection of articles on medieval history, including a compelling account of Henry III, a pious and peculiar king, who, against the odds, reigned for more than half a century 


‘Pet Shop Boys, Literally’ and ‘Pet Shop Boys Versus America’, both by Chris Heath 

Blood Royal: Dynastic politics in medieval Europe by Robert Bartlett 

Henry III 1207–1258: The rise to power and personal rule by David Carpenter 

Westminster Abbey: A church in history, edited by David Cannadine


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Bernardine Evaristo wins again

When, last year the writer and activist Bernardine Evaristo, won the Booker Prize for fiction – becoming in fact, the first black British person to do so – we at the TLS were not surprised. Evaristo has written for us for some years now, and ‘Girl, Woman, Other’, the novel for which the prize was awarded, was only the latest in a run of novels full of life and questions and challenges. And the recognition keeps coming. This week brought two more prizes at the British Book Awards; 'Girl, Woman, Other' won in the Fiction category and Evaristo was named Author of the Year. In this reissued episode of the TLS podcast, recorded just after winning the Booker Prize, the author speaks to our fiction editor Toby Lichtig

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#30 – Polícia para quem?

A morte do norte-americano George Floyd, assassinado pela polícia de Minneapolis no dia 25 de maio de 2020, causou protestos de proporções globais. Atos contra a violência policial e contra o racismo. Em algumas cidades, os protestos foram tão intensos que deram início a processos de desmantelamento de departamentos de polícia.

Mas o que ocorre nos EUA é pouco em comparação com a realidade das polícias brasileiras. Enquanto por lá policiais mataram 1.099 pessoas no ano de 2019, por aqui foram 5.804. Quando se fala em racismo, os números daqui também são piores.

Ainda em 2019, nos Estados Unidos, 24% das pessoas mortas pela polícia eram negras. Por aqui, essa porcentagem sobe para 75%.

É um genocídio em curso.

Num intervalo de poucas semanas em relação à morte de George Floyd, tivemos por aqui dois assassinatos semelhantes. Dois adolescentes. João Pedro Matos e Guilherme Silva Guedes. Em nenhum dos casos houve manifestações tão massivas quanto as provocadas pela morte de George Floyd.

Para entender por que isso acontece, mergulhamos fundo na estrutura das nossas polícias militares.

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– Entrevistados do episódio:

– Coronel José Vicente da Silva Filho

Coronel reformado da Polícia Militar, secretário nacional de segurança pública durante o governo FHC.

– Coronel Adilson Paes de Souza

Tenente coronel da reserva da Policia Militar do Estado de São Paulo. Bacharel em direito, mestre em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.  Membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo.  Autor do livro O Guardião da Cidade.

– Fausto Salvadori

Jornalista, especialista em justiça, segurança e direitos humanos, cofundador da Ponte Jornalismo.

– Cecília Olliveira

Jornalista, pós graduada em Criminalidade e Segurança Pública e em Administração Pública com ênfase em Gestão Sociais. Foi consultora da Anistia Internacional, onde desenvolveu a plataforma de dados sobre violência armada Fogo Cruzado.

– Dina Alves

Advogada e coordenadora do Departamento de Justiça e Segurança Pública do IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), cofundadora do coletivo autônomo de mulheres pretas, Adelinas.

– Ficha técnica:

Produção, apresentação e edição: Tomás Chiaverini

Trilha sonora: Paulo Gama

Mixagem: Vitor Coroa

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#20 - Jornalismo independente: a Pública e o Fluxo

Enquanto o noticiário pega fogo, o jornalismo nunca despertou tanto interesse e debate. Este episódio reúne criadores de projetos sem fins lucrativos que oxigenam a imprensa brasileira e inspiram a sustentação de iniciativas independentes. Natália Viana, da Agência Pública, e Bruno Torturra, do Fluxo, falam sobre política, fake news, ética e estética do jornalismo.

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Don’t forget Edward Earl Johnson

The death row lawyer Clive Stafford Smith certainly can’t, especially as this week should have seen Edward Earl Johnson turn sixty. Instead, in 1987, he was executed at the Mississippi State Penitentiary for a crime nobody thinks he committed; Harry Sidebottom considers the ancients’ view on the plague, a serious outbreak of which occurred somewhere around the Mediterranean every ten to twenty years; “If oil is the blood of the global economy, shipping is the circulatory system”, say Tom Stevenson, who describes how the world’s economic and diplomatic relationships play out at sea

 

Fourteen Days in May – BBC Storyville, on BBC iPlayer

Sinews of War and Trade: Shipping and capitalism in the Arabian peninsula by Laleh Khalili


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Finding art in lockdown

What art have we been enjoying in lockdown? What are we most missing? And what is the future of art institutions? The TLS's arts editor Lucy Dallas joins us to discuss; Edith Hall tells us about Artemidorus, the author of an ancient dream manual now finally available in English; David Bromwich on democracy and the rise of the strongman

 

A symposium on art in lockdown by the TLS , plus commentary by Nicholas Kenyon

The Interpretation of Dreams by Artemidorus, translated by Martin Hammond

An Ancient Dream Manual – Artemidorus’ The Interpretation of Dreams, by Peter Thonemann

See David Bromich’s round-up of books on the TLS website.


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#29 – E se a gente fosse índio?

Em 2011, um arqueólogo parte por conta própria para o interior da Amazônia. O objetivo é redescobrir um sítio arqueológico abandonado, no sudoeste de Rondônia. Um antigo cemitério, com sepultamentos que remontam há mais de quatro mil anos.

Ele descobre o local do sítio: o Sambaqui de Monte Castelo. Mas, por meio de mensagens gravadas nas árvores pelos índios Tuparis, descobre também que, ao contrário do que se imaginava, aquele lugar não está desocupado.

Dessa constatação, nasce uma parceria entre arqueólogos brancos e pesquisadores indígenas, que começou a vigorar no começo de 2020.

Nesse episódio, partimos desse encontro inusitado para falar sobre o encontro dessas duas civilizações.

Quais são as diferenças fundamentais entre elas? O que o mundo branco, numa crise tão profunda, pode aprender com o modo de viver dos índios? E o que seria desse modo de viver hoje se os brancos não tivessem chegado aqui mais de quinhentos anos atrás?

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– Entrevistados do episódio:

Eduardo Goes Neves

Graduado em História pela Universidade de São Paulo, Mestre e Doutor em Arqueologia pela Universidade de Indiana e Livre-Docente pela Universidade de São Paulo. Professor Titular de Arqueologia Brasileira do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.

Francisco Pugliese

Pesquisador Colaborador do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília. Pós-doutorado em Geologia pelo IG/UnB. Doutor e Mestre em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo. Bacharel em História pela Universidade de São Paulo.

Ailton Krenak

Ambientalista e escritor, autor do livro “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”. É um dos maiores nomes da luta indígena no Brasil. Pertence à etnia do povo Krenak.

Marcos de Almeida Matos

Possui graduação em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003), mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2006) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2018). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Acre.

– Ficha técnica:

Concepção, produção, apresentação e edição: Tomás Chiaverini

Trilha sonora original: Paulo Gama

Mixagem: Vitor Coroa

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#19 - Ferrante, Starnone: as mentiras e os segredos dos escritores

Que mentiras Elena Ferrante nos conta? Que segredos Domenico Starnone nos esconde? A crítica Eliane Robert Moraes e o tradutor Maurício Santana Dias conversam sobre a genial escritora que levou a literatura italiana para as listas de mais vendidos e o hábil narrador dos impasses amorosos de nosso tempo. Participação especial: Antonio Fagundes

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Slave driver, the table is turn

Colin Grant on several hundred years of Jamaican excellence and dysfunction; fifty years since the death of E. M. Forster, Michael Caines considers Forster’s legacy as a novelist and critic; the poet A. E. Stallings on an Athens slowly emerging from lockdown

 

The Confounding Island: Jamaica and the postcolonial predicament by Orlando Patterson


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Imagens que não fizeram história (5): a caixa térmica e a máscara

[Prelúdio: escrevi o que segue abaixo entre domingo (31/5) e segunda-feira (1/6). De lá para cá, boa parte do assunto que motivou o texto perdeu relevância, soterrado por eventos mais impactantes e relevantes, como a mobilização anti-racista que ecoa a partir de Minneapolis. Eis aí mais uma maneira pela qual uma imagem pode não fazer história: quando é surpreendida por uma avalanche de estímulos – coisa que, de uns anos para cá, não tem faltado…]

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Manifestações em geral sempre rendem um bom número de imagens interessantes, por bem ou por mal – quer dizer, pelas bandeiras agitadas ou pela fumaça das bombas. Desde 2011, tivemos tantos protestos que pareceria impossível surgir algo digno de nota. Tolice: o campo de possibilidades para que emerja algo capaz de ressoar conosco está sempre em expansão. Considerando a infinita redundância de imagens que nos inundam, seria de se esperar que o universo daquelas que são significantes e informativas estivesse em contração; mas é justamente da atmosfera sufocada em redundância que pode saltar o relevante. Parece que isso ocorreu domingo em São Paulo.

O embate entre neofascistas e antifascistas de 31/5 produziu tudo que costuma se produzir em termos de iconografia de protesto. Bandeiras, punhos erguidos, gente segurando microfone, policial apontando arma, escudos, bandanas, fumaça. Tivemos até algumas novidades bem desagradáveis, como a exibição de tacos de beisebol (velho símbolo anglo-saxão de agressividade) e bandeiras ucranianas de inspiração neonazi. Do ponto-de-vista iconográfico, porém, nada seria novo, a princípio; editores de jornais e revistas poderiam escolher qualquer das imagens corriqueiras de seus fotógrafos ou das agências para ilustrar suas capas.

Mas no próprio domingo, quando os envolvidos mal tinham voltado para casa, em plena indignação pela repressão policial (e o tratamento amistoso à fascista com o taco de beisebol), as redes sociais já tinham elegido uma fotografia como favorita: esta com o entregador de aplicativo (bicicleta? moto?), com a caixa térmica nas costas, máscara de hospital no rosto, prestes a lançar uma pedra, provavelmente contra a polícia.

O gesto, o movimento, a postura do corpo, nada disso tem qualquer coisa de novo e é provavelmente por esse exato motivo que o fotógrafo (Nelson Almeida, da AFP) abriu o obturador nesse momento preciso – e depois escolheu esse clique em particular para editar no computador. De relance, a memória de quem estudou semiótica e a história do fotojornalismo captou a possibilidade de produzir uma imagem relevante não pela novidade, mas pela citação, isto é, pela inserção numa trajetória canônica. Mas é claro que o interesse não se encerra aí: a partir dessa inserção, aí sim, e por causa dela, poderão emergir as diferenças, que tornam essa imagem significativa a ponto de ter conquistado a atenção, mesmo que por poucas horas, das redes sociais – tão inundadas, tão sufocadas por imagens.

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Talvez tenha sido com o maio de 1968 francês que a figura de manifestantes atirando pedras se tornou canônica. Por sinal, a sublevação estudantil da rive gauche forneceu uma série de padrões tanto para protestos urbanos quanto para sua representação nas décadas seguintes. Mas frequentemente capas de livros ou cartazes de filmes sobre o episódio trazem a escolha de alguma das fotografias de jovens se fazendo de catapulta humana, apertados em seus paletós “dandy”.

Desde então, a personagem do jovem que arranca o calçamento e o atira contra policiais ou soldados se tornou uma espécie de ícone do conflito social deflagrado. São abundantes as imagens de rapazes palestinos prestes a lançar uma pedra contra armamentos vastamente superiores – inclusive com o uso de fundas, o que traça um vínculo estranho, que começa no estético e o ultrapassa, entre nosso tempo e o Antigo Testamento.

Gênova, Primavera Árabe, Occupy, praça Taksim, junho, sempre fornecem algumas imagens nessa linha, às vezes muitas. Talvez a consagração do gesto do lançador como síntese da manifestação de rua esteja no mural de Banksy em Jerusalém (“Love is in the Air, or: Rage, the Flower Thrower”), em que o manifestante, de rosto coberto por uma bandana e boné virado para trás, se prepara para lançar flores: o corpo em preto-e-branco, as flores coloridas. Graças à agilidade do estêncil, a imagem se espalhou por paredes e cartões postais de todo o planeta, empapada com o mesmo tipo de ironia que acomete aquele retrato do Che feito por Alberto Korda, hoje quase uma logomarca.

É, de toda forma, um gesto como poucos para atiçar o interesse de fotógrafos e todo tipo de artista fascinado pelo corpo. Rodin, se tivesse vivido um século mais tarde, sem dúvida ficaria encantado com os braços esticados, o peito aberto, as pernas dispostas de modo a lembrar vagamente o “Gong Bu” (posição do arqueiro), e teria esculpido de alguma maneira o manifestante com o petardo engatilhado. Não foi à toa que a personagem se consolidou no imaginário da iconografia política. Se quisermos voltar ainda mais longe, dá para dizer que a figura remete também à antiguidade clássica: o atirador de lança da escultura grega, como no célebre “bronze de Artemísio” do período austero. E foi também uma das personagens escolhidas pelo pioneiro Eadweard Muybridge para suas fotografias quase cinematográficas de decomposição do gesto.

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O entregador de aplicativo não é um estudante da Sorbonne ou de Nanterre, nem um soldado das falanges gregas, nem um esportista. Ou, para dizer a mesma coisa de maneira um pouco mais direta: o entregador de aplicativo é uma figura paradigmática da nossa década. Precarizado, sujeito ao controle algorítmico da economia de plataformas (ou, mais amplamente, a “gig economy”), tratado como empreendedor individual pelo patrão e pela Justiça, serpenteia pela cidade da “big data” atomizada, em busca de boas avaliações e uma remuneração fundada sobre baixas porcentagens do preço das entregas.

A bem dizer, o entregador de aplicativo é praticamente o oposto do estudante da Sorbonne. Mas se uma foto sua, congelado em pleno gesto de preparar o lançamento da pedra, se conecta com essas figuras icônicas e canônicas, sejam históricas ou ficcionais, justamente essa dissonância é que chama nossa atenção. Esta é, digamos assim, a diferença que resulta da repetição, como o isótopo que escapa do átomo. É difícil determinar se a estereotipia do lançador irrompe na nossa realidade ou se é a nossa realidade que irrompe na linhagem estereotípica. O resultado no espectador, em todo caso, é algo da ordem do abalo afetivo, na linha do envolvimento subjetivo que Barthes denominou o “punctum” da fotografia, e que se destaca do contexto objetivo (“scriptum”) em que está representado um episódio ocorrido durante um domingo de protestos.

O abalo afetivo serve para trazer à superfície da consciência e do discurso essa personagem social contemporânea do entregador de aplicativo. Ela possui alguns traços que a tornam particularmente significativa neste momento. Ao longo dos últimos dois anos, tempo em que acompanhamos a chegada da extrema direita ao governo, essa categoria foi frequentemente analisada como sendo a porção da classe trabalhadora que não se abalou com a destruição de seus próprios direitos tradicionais, como classe. Motoristas, entregadores e outros braços da economia de plataforma teriam, supostamente, adotado a ideia de que são de fato pequenos empresários, que mandam em si mesmos e não dependem de ninguém.

É claro que o problema é bem mais profundo. Se a própria perspectiva de emprego com alguma segurança e direitos se esfacela, como tem sido a tendência e não só no Brasil, é natural que quem está tendo que se virar no precariado demonstre pouco interesse em lutar pela manutenção de direitos aos quais nem sequer teve acesso. A desconexão entre trabalhadores tradicionais e membros do precariado tem razão de ser e, além disso, caberia às instituições da classe trabalhadora organizada expandir suas pautas para abraçá-los, em vez de lhes apontar o dedo. Se os precarizados frequentemente acabaram adotando discursos incompatíveis com seu próprio interesse, se muitos chegaram a abraçar o bolsonarismo em algum momento, se não poucos ainda o abraçam apesar de tudo, é um efeito da posição que ocupam nas relações de trabalho e sociais em geral; algo que, pensando bem, não deveria surpreender.

Ao mesmo tempo, esses trabalhadores continuam sendo o que sempre foram, no essencial, aqueles trabalhadores que década após década tiveram que circular nas grandes cidades em situação mais ou menos precária, mas sem ter, efetivamente, acesso à cidade. Gente que vai de portaria em portaria, e não mais longe; ou que entrega documentos importantes na avenida Paulista, sem espiar o que dizem, e passa na frente de seus cinemas, livrarias e centro culturais, sem poder tomar um minuto que seja para visitá-los. O precário circula pela cidade como o sangue por um corpo, mas fora dos horários de trabalho é confinado à sua quebrada. No tempo da economia da informação e da comunicação, uma economia detalhada e instantaneamente logística, este personagem é mais decisivo para o metabolismo social e urbano do que os próprios produtores.

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Esta é a figura que conseguimos ver, tacitamente que seja, quando olhamos para um entregador de aplicativo, de máscara, atirando uma pedra. Do fato de estar carregando a caixa térmica nas costas, podemos deduzir que não foi à avenida, originalmente, para protestar, mas para trabalhar. É claro que uma imagem como esta esconde pelo menos tanto quanto mostra, o que significa que mil outras possibilidades existem: que tenha pensado em trabalhar depois de sair da manifestação, que tenha esticado seu tempo de trabalho para protestar, aproveitando que já estava ali, ou que tenha carregado a mochila consigo só para reduzir o risco de ser abordado de modo truculento pela polícia. Ainda assim, a associação entre seu trabalho – precário, algorítmico, urbano etc. – e a manifestação salta aos olhos: o trabalho foi o passaporte para a cidade, a manifestação e a fotografia.

Vale lembrar também que as manifestações políticas da última década foram reiteradamente criticadas, com razoável dose de razão (mas não toda), por atraírem um público sobretudo da classe média e das regiões centrais da cidade. Como se dizia, as classes mais baixas, os moradores das periferias etc., no geral, permaneciam indiferentes; não tinham acesso ao espaço, nem compravam a narrativa.

Nesse contexto, outra explicação para o abalo afetivo, para o “punctum” do entregador de aplicativo, é que ele seria, graças à representação inscrita na história iconográfica, a exceção ou, melhor ainda, o indício de que as circunstâncias mudaram. Uma correção de rumos, talvez. Em outras palavras: agora, sim, é o povo, o trabalhador, o precário, que está nas ruas contra o governo opressor, e com disposição para enfrentar a polícia e as maltas fascistas… Exagero? Talvez, mas estamos falando de uma sensação, não de um raciocínio.

Seja como for, no dia em que esta fotografia foi feita, tratava-se de uma manifestação em nome da democracia, contra apoiadores do presidente de extrema-direita, que vinham ocupando sozinhos aquele espaço, à sua maneira: com bandeiras do Brasil misturadas a emblemas neonazistas ucranianos, padrões da bandeira americana e da israelense, carros de som, tacos de beisebol (não me conformo com esse taco), gritos por cloroquina. Do lado anti-fascista, a liderança estava nas mãos de torcidas organizadas, sobretudo a do Corinthians – mas também se verificou uma dessas ocasionais confraternização de seguidores de clubes que sempre nos emocionam um tiquinho.

Nesse cenário tão insólito, a imagem que tocou, afinal, o coração dos espectadores foi a do entregador de aplicativo, caixa térmica nas costas, atirando uma pedra. Uma imagem, portanto, com implicações que transbordam a confrontação política ela mesma. E essa é a importância da figura do entregador, percebida subliminarmente por quem se encantou com a foto: está em jogo mais do que a relação entre estado democrático e perigo fascista, entre a população livre e as forças repressivas – não que isso não seja crucial, claro; mas importa muito perceber que estamos tratando das tensões das relações de classe do país como um todo; o destino daqueles que trabalham, ocupam as cidades, tiram delas seu sustento, e carecem do reconhecimento jurídico, institucional, de sua função no tecido social. A imagem é lembrete “do” político, além “da” política, e conclama ao reconhecimento de que é preciso ampliar não só a presença de grupos sociais nas manifestações, mas as próprias pautas. Enfim: é preciso tratar do destino que estamos traçando, enquanto população.

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Há outros pontos, porém. Uma imagem se deixa apreender e analisar por elementos, combinados no seu próprio quadro, ao contrário da cadência linear de um texto. Temos aí a caixa térmica e a pedra (na verdade, dá para ver que ele segura outras pedras, já pronto para iniciar – ou continuar – um bombardeio), que já foram tratadas. Poderíamos também engrenar uma especulação um pouco anódina, mas nem por isso menos interessante, sobre a ausência de um capacete, o que parece sugerir que é um entregador ciclista, não um “motoboy”.

Mas um outro elemento é mais fecundo e instigante, graças à sua ambivalência: a máscara.

Este é um tempo em que a máscara se tornou obrigatória; e pensar que a proibição de cobrir o rosto andava em voga já faz alguns anos (vide a lei anti-véu na França). Mas há pelo menos duas vertentes interessantes para a simbologia política desta máscara específica, nesta fotografia em particular. A primeira é que um objeto de proteção, de cuidado pessoal, de cunho médico, profilático, acabou sendo revestido de um caráter político surpreendente, a partir do momento em que passou a configurar uma expressão de adesão ao isolamento social, à luta contra o coronavírus – por oposição à parcela tresloucada da população, seduzida pelo fascismo, que pretende negar seja a pandemia, seja sua gravidade.

A segunda é que cobrir o rosto se tornou prática recorrente entre manifestantes há algum tempo, tanto para se proteger dos efeitos do gás lacrimogêneo lançado pela polícia, quanto para evitar a identificação pelo Estado. Hoje, por sinal, a vigilância se dá também por algoritmos, constantemente aperfeiçoados, de reconhecimento facial. A máscara, digamos assim, tomou o lugar da bandana. De modo que, nesse objeto simples, feito de pano, dois vetores de proteção se cruzam, dois vetores de sentido político se cruzam, e esses dois cruzamentos também se cruzam entre si.

Mas há mais cruzamentos: como entregador que circula pela cidade cuja população se recolhe – ou deveria se recolher –, o trabalhador se expõe ao vírus. A máscara que o protege da contaminação, tanto quanto possível, também o protegerá, tanto quanto possível, contra o gás que eventualmente será lançado (e foi). A máscara que em outros tempos, em outras situações, poderia levar policiais a tomá-lo por um ladrão, possivelmente com consequências trágicas, hoje são a marca do “cidadão consciente” (não confundir com “pessoa de bem”).

Será que a máscara o protege de ser reconhecido, caso a imagem seja vista por algum representante da empresa-aplicativo em que se inscreveu para ser entregador, e que lhe cedeu (vendeu? alugou?) a caixa térmica? Será que, ao fotografá-lo, o profissional da France Presse o colocou sob risco de dispensa, comprometendo talvez o sustento de seus familiares, o pagamento de uma faculdade ou de um tratamento médico? É tão mais fácil escrever sobre uma imagem, especular sobre seus sentidos, quando não conhecemos a personagem, quando não sabemos nada sobre ela! No mínimo, podemos ver na máscara um punhado de significados possíveis, mas é a própria possibilidade, quando a evocamos, que nos esclarece algo sobre o real.

Também poderíamos nos concentrar no próprio fato de ele estar portando a caixa térmica. Vamos imaginar por um momento que se tratasse de uma mochila comum, contendo roupas e chuteiras usadas, ou livros e cadernos, ou um tripé dobrado e várias lentes. Ele continuaria com ela nas costas, atrapalhando seu movimento, fazendo peso? Será que ele tem medo de deixar a caixa térmica no chão e ser roubado ou ter que sair correndo, arriscando-se a ficar sem ela? Será que, perdendo a caixa térmica, ele é obrigado a ressarcir a empresa?

Cada elemento da imagem informa algo, não porque assevere ou demonstre qualquer coisa, mas porque conduz a lançar perguntas como essa. Lançar como lança o lançador? Provavelmente não, já que do outro lado não está nenhum batalhão de choque. Mas, em todo caso, a motivação de transformar os elementos da fotografia em questões que a ultrapassam vem das inquietações que já temos, com o que já conhecemos ou intuímos de nosso mundo e das condições de vida que nele vigoram. Esta é provavelmente a diferença mais relevante entre a redundância das imagens repetidas, que nos afogam, e a ressonância da imagem viva, vibrante, que nos afeta.

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Comecei com essa série sobre imagens falando em “fazer história”, e agora me vejo preso a uma espécie de obrigação auto-imposta – dessas que, supostamente, poderíamos deixar de lado sempre que quiséssemos – de ficar falando em história, quando tropeço em uma imagem que me chama a atenção e quero escrever algo sobre ela neste espaço. E no entanto, como leitor de Flusser, não posso evitar de concordar com a sentença de que a invenção da fotografia inaugurou uma era progressivamente pós-histórica. O tempo das imagens técnicas, diz ele, não é linear como o tempo histórico do texto escrito; tampouco é circular como o tempo mítico da imagem tradicional, à qual voltamos para recordar aquilo que é fixo.

A imagem técnica, diz o filósofo tcheco, emerge da irrupção a-histórica das equações matemáticas no universo da produção de imagens. Flusser se referia à química e à ótica necessárias para produzir uma chapa, mas essa afirmação é infinitamente mais válida para a imagem digital, que é integralmente algorítmica, da fotometria à compressão – sem falar na pós-produção. Ora, a equação está à parte da história, é uma igualdade matemática que, notação à parte, se supõe eterna e universal.

Isto não significa, porém, que a história desaparece com a imagem técnica. Mas significa que a imagem técnica é capaz de manipular, suspender, desviar a história. Pode ser usada tanto para desaparecer com elementos centrais de seu movimento (que Stalin o diga) como para realçar figuras marginais de seu processo, como nas imagens que celebram vitórias post factum: bandeira americana em Iwo Jima, soviética no Reichstag.

Tudo isso para dizer que cabe a quem opera o aparelho definir a relação com a história, assim como lhe cabe determinar entre a redundância sufocante, entrópica, e o sentido informativo, ressonante. Quem aponta uma lente ou monta uma estrutura gráfica define o retorno, o falseamento, o esquecimento, a perpetuação, naquela chapa a-histórica, de um sentido de história.

Esse poder, essa responsabilidade, transparece na imagem do entregador de aplicativo porque com ela o fotógrafo, em frações de segundo, injeta no ato de um trabalhador precário uma carga de significado que vem do cânone, ou seja, da história. O corpo esticado do manifestante sintetiza as tendências do mercado de trabalho, a trajetória dos movimentos trabalhistas, as aspirações dos protestos do nosso tempo, o contraste com a memória de 1968, o tensionamento da democracia brasileira. Mas isto tudo só ocorre porque sua imagem, por um breve instante, rebateu na lente de um aparelho fotográfico, nas mãos de alguém que tinha a bagagem necessária para saber quando disparar o obturador.

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Outras imagens:

Alguém que não consegui identificar tirou uma foto do lado oposto – quem sabe, da mesma pedra? Ao fundo, vemos uma pessoa tirando foto. Seria o profissional da France Presse?

O bronze de Artemísio (Zeus ou Poseidon, a princípio)

A disposição dos pés na posição do arqueiro (Gong Bu)

Banksy em Jerusalém

O savoir-faire de um sorbonnard

Jovem palestino e sua funda

Muybridge e sua série da “locomoção animal”: 1887

How to be alone

The poet and novelist Adam Foulds on the evolution of loneliness and its traditionally privileged cousin, solitude; Sam Leith on thrills, spills and racism in Willard Price’s children’s Adventure series; Molly Guinness dips into 300-odd years of children’s books and finds leaden instruction, radical ideas and pure nonsense



A History of Solitude by David Vincent

A Biography of Loneliness: The history of an emotion by Fay Bound Alberti

Discovering Children’s Books, the British Library online

British Literature Catalogue, Peter Harrington


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#28 – Como a Netflix dominou o mundo

Você sabia que a Netflix provavelmente começou por causa de uma multa por um DVD atrasado? Sabia que a plataforma é responsável pela maior fatia de tráfego de internet?

Sabia que ela monitora tudo o que todo mundo faz lá dentro? E que usa isso pra planejar em que tipo de produção investir?

Sabia que House of Cards e Stranger Things só são do jeito que são porque um sistema de inteligência artificial previu que aqueles ingredientes juntos fariam sucesso?

Quer saber mais? Quer saber qual é o impacto da Netflix na forma com a gente produz e consome filmes e séries?

Pois é só dar o play.

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– Entrevistados do episódio:

Pedro Strazza

Jornalista, editor do portal B9, um dos apresentadores do podcast Cinemático.

Isabel Wittmann

Crítica de cinema, antropóloga, pesquisadora e apresentadora do podcast Feito por Elas.

Maurício Cardoso

Historiador, professor do departamento de História da USP, tem pesquisas sobre produção audiovisual brasileira, indústria cultural e história pública.

– Mergulhe mais fundo

– Como o algoritmo da Netflix funciona (revista Wired, em inglês)

– As origens de House of Cards (New York Times, em inglês)

– Ficha técnica:

Concepção, produção, apresentação e edição: Tomás Chiaverini

Trilha sonora original: Paulo Gama

Mixagem: Vitor Coroa

 

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