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Giganotosaurus - Tutorial cráneo de cartón - Paleocarton

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Tutorial para hacer una versión a escala de cartón del cráneo del Giganotosaurus. Hablamos con Juan Canale, especialista en estos dinosaurios, para ue nos cuente más sobre este carnívoro gigante

Link plantillas:
https://eltallerdeltioapo.blogspot.com/2022/06/blog-post.html

Juan Canale
https://www.instagram.com/canalejuani/?hl=es-la

Museo Ernesto Bachmann
https://www.facebook.com/%C3%81rea-Laboratorio-e-Investigaci%C3%B3n-Museo-Paleontol%C3%B3gico-Ernesto-Bachmann-1089465137803353
https://www.instagram.com/laboratoriomeb/?hl=es-la

Tutorial diente de Giganotosarus que hicimos con La Liga de la Ciencia de la TV pública argentina
https://www.youtube.com/watch?v=XZ6-rruMlmc

Mis links
https://www.instagram.com/paleocarton
https://www.facebook.com/paleocarton
https://www.instagram.com/santiagoreuil

Gutenberg Changelog #68 – WordCamp Europe, Gutenberg 13.4 and WordPress 6.1

Birgit Pauli-Haack, and Mary Job talk with this week’s special guest Dave Smith about WordCamp Europe, WordPress 6.1 and Gutenberg 13.4. You also learn what in the works via the GitHub repo. Show Notes / Transcript Show Notes Special Guest: Dave Smith, JavaScript Engineer and full-time Core Contributor on the Gutenberg project, sponsored by Automattic […]

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Como criar uma conexão de Internet realmente confiável e estável

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Um dos maiores desafios dos profissionais de TI hoje em dia, não importa o tamanho da rede, é manter uma conexão Internet estável.

Entre as várias opções o VRRP é relativamente simples de usar e está disponível em uma grande quantidade de roteadores.

Neste vídeo vamos ver, de maneira bastante simples, como ele funciona, que problemas ele ajuda a resolver e quais são algumas duas suas deficiências. Além disso vamos ver como ele trabalha em conjunto com o Spannig Tree Protocol (STP) para aumentar a confiabilidade da conexão Internet.

★ ★ Para saber mais:

O que é ARP (Address Resolution Protocol): https://youtu.be/E4M7ntI2Rls
O que é MAC Address e como ele pode ser usado em uma LAN: https://youtu.be/w7EhSVk4B9g
Quais os tipos de problemas que o Spanning Tree pode causar na rede: https://youtu.be/sZJMObnI7wE
O que são protocolos de roteamento (RIP, OSPF, BGP4, STP): https://youtu.be/VJLI41ht2pQ
O que é Netmask (Máscara de Rede) e como isso ajuda na resolução de problemas de LAN: https://youtu.be/JRQuR0SNdYM
Para que servem as VLANs: https://youtu.be/bfAlsLZgOG8
O que é VLAN Trunk: https://youtu.be/9C9TEmf1TkQ
Como funciona um switch Ethernet: https://youtu.be/j-IxVKsudDw
Como funciona um switch Layer 3: https://youtu.be/WxGU4lOb9PU
Como funciona o Spanning Tree: https://youtu.be/7kVemWNDUIo

★ ★ Se você tem sugestão de assunto para apresentarmos, nos diga nos comentários abaixo, que talvez a gente consiga criar um vídeo sobre ele.

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Contato: simplificandoti@gmail.com

On Filmmaking and Photography #2 (sequencing)

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Alec Soth discusses sequencing in filmmaking and still photography using the following books:

Der Film Im Westen nichts Neues in Bildern (1931)
A Way of Seeing by Helen Levitt (1965)
Film-Photos Wie Noch Nie (1929)
The Blood of a Poet by Jean Cocteau (1949)
Close-Cropped Tales by John Baldessari (1981)
A Fine Day by Kishin Shinoyama (1975)

38 | Tragédia para além das chuvas

Segundo um levantamento da Conferência Nacional dos Municípios, 25% das mortes por chuvas dos últimos 9 anos aconteceram somente nesses primeiros meses de 2022. Embora as mudanças climáticas sejam uma realidade, pelo perfil de pessoas afetadas por tragédias como as de Recife, que até o fechamento deste episódio contabilizaram 129 mortos e milhares de desabrigados, surgem outros questionamentos. Qual é o perfil das pessoas geralmente mais afetadas por esse problema? Que fatores as fazem ter que morar em locais de risco? O que fazem as autoridades que deveriam criar formas de prevenção para esse tipo de situação, num cenário cada vez mais evidente de emergência climática? Para conversar sobre isso, o Pauta recebe em seu episódio 38 novamente a jornalista da Pública Mariama Correia, que cresceu em Olinda e recentemente publicou uma reportagem contando que o Chefe da Defesa Civil do Recife é réu por corrupção em desvio de verbas para vítimas de enchentes. Também entrevistamos Socorro Leite, da ONG Habitat, que aponta como a situação local diz muito sobre as falhas e os desafios do Brasil em enfrentar as origens deste problema.

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Quando você apoia a Pública, sua contribuição se transforma em jornalismo investigativo sério e corajoso, com impactos reais. R$ 10 por mês já fazem uma grande diferença. Nos ajude a revelar as injustiças, abusos de poder e violações de direitos que se agravam em meio à pandemia. Seja nosso Aliado(a)!
E MAIS:
|| No quadro de dicas A BOA DO PAUTA confira uma seleção de conteúdos relacionados ao tema do episódio. No episódio 38 as dicas são:
Ler: Cão Sem Plumas, poema de João Cabral de Melo Neto.
Ver: Espetáculo Cão Sem Plumas, inspirado no poema, realizado pela companhia Deborah Colker, disponível online.
Ouvir: Da Lama Ao Caos, disco clássico de Chico Science e Nação Zumbi.

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E não esqueça de seguir o Pauta Pública nos agregadores.
Ouça agora no Amazon Music, Apple Podcasts, Castbox, Deezer, Google Podcasts, Spotify ou no seu tocador favorito.
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PARCERIA RÁDIO GUARDA CHUVA

E a Rádio Escafandro, parceira do Pauta Pública na Rádio Guardachuva, em seu episódio 67 mergulha na lei de cotas. Quais são as suas origens, quais foram os efeitos práticos e simbólicos, quais as chances de a revisão ocorrer este ano, o que acontece se ela não ocorrer e por que, uma década depois, ainda há a necessidade de brigar para que as cotas sejam efetivamente usadas por quem tem direito a elas?
A história de uma aluna negra que teve de desmascarar alunos fraudadores para garantir a própria vaga em um curso de medicina da Universidade Federal da Bahia, ajuda a responder estas questões. Passa lá no feed da Rádio Escafandro e mergulhe em mais essa história

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Apresentação: Andrea Dip e Clarissa Levy ||
Produção: Ricardo Terto ||
Pauta e Entrevista: Andrea Dip e Clarissa Levy ||
Roteiro, Edição e Mixagem Final: Ricardo Terto ||
Identidade visual e Artes: Cíntia Funchal ||
Coordenação de Redes Sociais: Ravi Spreizner ||
Trilha original composta por Pedro Vituri
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contato: podcasts@apublica.org

Saiba que você pode ser aliado da Agência Pública e colaborar com esse trabalho. Saiba mais em apoie.apublica.org ou faça um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.
Contamos com seu apoio!

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#65 – Olhar feminino, ancestralidade e negritude — Yara Nakahanda Monteiro e Adriana Ferreira Silva

A escritora angolana Yara Nakahanda Monteiro, autora de "Essa dama bate bué!", conversa com a jornalista Adriana Ferreira Silva sobre contação de histórias a partir do olhar feminino, trocas culturais do triângulo atlântico, descoberta da negritude no Brasil, desilusão com o racismo institucionalizado do país e o que esperam para os próximos dias, em que participam d'A Feira do Livro em São Paulo (8 a 12 de junho de 2022). Assine a revista e apoie o podcast 451 MHz: https://bit.ly/Assine451

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Afinal qual a diferença entre Interpretadas e Compiladas? (Linguagens de Programação)

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Mesmo quem não desenvolve software precisa, muitas vezes, lidar com questões relacionadas à linguagem de programação que foi usada para criar um determinado programa.

Neste vídeo analisamos, de maneira bastante simples, qual a diferença entre as duas principais formas de classificação de uma linguagem de programação: compilada ou interpretada.

★ ★ Para saber mais:

Qual a diferença CISC x RISC: https://youtu.be/lt4Ito_Jsy0
Qual a diferença entre Cores e Threads em Processadores: https://youtu.be/YbTb-EgSGyM
Afinal como funciona a virtualização?: https://youtu.be/FLhv_JcnYlU

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The TLS podcast at the Hay Festival

Join Alex Clark, Lucy Dallas and Toby Lichtig as they chat to the BBC correspondents Lyse Doucet and Sana Safi, and to the legendary documentarian Norma Percy, in a special conversation recorded live at the Hay Festival.


‘My Pen is the Wing of a Bird: New Fiction by Afghan Women’, compiled by Lucy Hannah, with an introduction by Lyse Doucet

‘Afghanistan and Me: A Female Perspective’, an audio documentary by Sana Safi


Produced by Sophia Franklin


Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

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How Much Does GPU Heat Affect The CPU?

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In this video I set out to find out how much the heat generated by a GPU will affect the temperatures of a CPU cooled by an AIO CPU cooler.

Support us on Patreon :)
https://www.patreon.com/techilliterate

Or you can hit the easy buttons, just LIKE and SUBSCRIBE. It really helps a lot!

0:00 Does GPU Heat Significantly Affect the CPU
0:53 Test Procedure
1:56 Cinebench R23 Test Results
2:40 Forza Horizon 5 Test Results
3:18 Are the Effects significant Enough?
4:13 Remedies If You Can't Move The Radiator
5:56 Bloops

Music: Plucked, Downfall by Chris Doerksen
https://soundcloud.com/chris-doerksen-1

How Much Does GPU Heat Affect The CPU?

The Ebb and Flow of Power

This week, Lucy Dallas and Alex Clark are joined by Lucy Hughes-Hallett to discuss two books about Mussolini’s Italy, and train buff extraordinaire Andrew Martin gets on board with a history of British Rail.


‘Blood and Power: The Rise and Fall of Italian Fascism’ by John Foot

’Mussolini Also Did a Lot of Good: The Spread of Historical Amnesia’ by Francesco Filippi

‘British Rail: A New History’ by Christian Wolmar


Produced by Sophia Franklin


Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

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#68 – Lindinês e a década das cotas

Em agosto deste ano, a lei 12.711, mais conhecida como lei de cotas, vai completar uma década de existência. A lei causou uma revolução no ensino superior, ao estipular que 50% das vagas em universidades públicas federais fossem destinadas a cotistas. Negros, indígenas, pessoas com deficiência e estudantes de baixa renda estão entre as populações contempladas.

A medida se mostrou eficaz em diminuir a desigualdade no acesso ao ensino superior – hoje aproximadamente metade dos universitários brasileiros são negros. O temor dos críticos à lei, de que ela facilitaria o acesso à universidade e de que isso diminuiria a qualidade dos cursos, não se concretizou.

Apesar do sucesso, hoje a sociedade vive um dilema diante da lei de cotas. Porque no texto original há um artigo que prevê a revisão da lei após uma década de vigência – ou seja, neste ano.

Ao mesmo tempo, os dados necessários para essa revisão não existem. Não foram produzidos e reunidos pelo Ministério da Educação. E o clima polarizado em ano eleitoral dificulta o debate sobre o assunto.

Neste episódio, mergulhamos na lei de cotas. Quais são as suas origens, quais foram os efeitos práticos e simbólicos, quais as chances de a revisão ocorrer este ano, o que acontece se ela não ocorrer e por que, uma década depois, ainda há a necessidade de brigar para que as cotas sejam efetivamente usadas por quem tem direito a elas?

A história de uma aluna negra que teve de desmascarar alunos fraudadores para garantir a própria vaga em um curso de medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA ajuda a responder estas questões.

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Entrevistado do episódio

Lindinês de Jesus Sousa

Estudante de medicina da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

José Vicente

Advogado, mestre em direito, doutor em educação, fundador e reitor da Universidade Zumbi dos Palmares.

Roberta Viegas

Advogada, consultora legislativa do Senado Federal, especialista em direitos-humanos.

Juliana Marta Santos De Oliveira 

Pedagoga, assistente social, coordenadora dos Programas de Assistência ao Estudante da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

Ficha técnica

Pauta, produção e reportagem: Gabriela Mayer

Trilha sonora tema: Paulo Gama

Mixagem: João Victor Coura

Design das capas: Cláudia Furnari

Trilha incidental: Blue Dots

Concepção, roteiro, e edição: Tomás Chiaverini

 

 

 

 

 

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Mapa da edição — Rádio

Mapa da edição — Rádio

A Zumbido voltou com uma nova edição temática! A frequência desta edição está sintonizada no rádio. Como objeto guardado com muito afeto ou como tecnologia que alcança lugares distantes dos grandes centros, os textos nos trazem o que há de histórico e contemporâneo neste canal de comunicação.

Aqui você confere quem fez o quê nesta edição da publicação digital do Selo Sesc. Da primeira transmissão oficial cem anos atrás à efervescência dos podcasts, o rádio é o protagonista nas histórias em cada uma das seções da Zumbido. E, por falar em seções, estreamos duas novas nesta edição: Fonte primária e ZumZumZum. Na primeira delas, um texto em primeira pessoa que narra as vivências de quem "estava lá pra ver". Já a ZumZumZum é uma coleção de referências sobre o tema que a equipe do Selo Sesc quer passar adiante para outros interessados.

Sintonize seu dial e vem com a gente!

Textão

No seu radinho

Nina Rocha é jornalista freelancer e escritora em Belo Horizonte, Minas Gerais. Nesta edição da Zumbido, ela é responsável pelo Textão que faz um passeio através das frequências radiofônicas do Brasil. Em No seu radinho, a gente conhece entende por que o rádio ainda é um meio de comunicação importantíssimo — mesmo com sempre ter sido considerado a próxima vítima das mudanças tecnológicas.

Especiais

A complexa existência (e resistência) das rádios comunitárias

No Especial A complexa existência (e resistência) das rádios comunitárias, Dora Guerra apresenta a natureza das rádio comunitárias, livres, locais, não-oficiais e, às vezes, ilegais. A autora é redatora publicitária por um lado e pesquisadora musical por outro. Nessa segunda ocupação, é criadora e editora da newsletter Semibreve e colunista nos portais Popload e Tangerina (UOL).

A Jamaica brasileira nas ondas do rádio

Graduada em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal do Maranhão, Karla Freire assina o Especial A Jamaica brasileira nas ondas do rádio. Na reportagem, ela investiga a relação entre radiolas de reggae de São Luís e as rádios da região. Sobre o reggae no Maranhão, ela escreveu o livro Onde o reggae é a lei (Edufma, 2012), fruto da sua dissertação de mestrado.

Perfis

A irreverência tem seu lugar no dial

Marcos Lauro é jornalista, podcaster, produtor de conteúdo e comunicador multimídia. No Perfil A irreverência tem seu lugar no dial, o personagem é Alexandre Hovoruvski, o diretor artístico que imprimiu seu estilo (muitas vezes "zoeiro") em diferentes rádios do Brasil. Sempre convicto, porém, de que a rádio é uma mídia local.

A Maldita que entrou para a história

Em A Maldita que entrou para a história, o Perfil não é de uma pessoa. Mas de uma rádio que mudou — ou moldou — o rock brasileiro dos anos 1980. O texto que investiga o legado da Fluminense FM foi escrito por Fabiane Pereira, jornalista e radialista. Apresentadora e idealizadora do canal Papo de Música no YouTube, e dos programas Faro e Rádio Retrato transmitidos pela Nova Brasil FM.

Ruído interno

Rebobinando

Jean Paz é Editor de Conteúdo Web no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo. No Ruído Interno — o espaço da Zumbido para inquietações sonoras dos funcionários do Sesc — , esse gaúcho gremista que apresenta o programa Baixaria Sonora na Internova Rádio Web conta a história do seu primeiro walkman e como ele mudou a sua vida.

Fonte Primária

O velho (rádio) e eu

Matias Pinto, formado em História pela Universidade de São Paulo (USP), atua como apresentador, editor e produtor de podcasts desde 2013 sempre pela Central3. E é um pouco dessa história que ele conta no texto de estreia da seção Fonte Primária. Em O velho (rádio) e eu, Matias revela como a locução e os esportes se encontraram na sua vida até chegar a uma das principais produtoras de podcast do país.

ZumZumZum

ZumZumZum — Rádio

Na primeira edição da ZumZumZum, a equipe do Selo Sesc compartilha o que ouviu, leu, assistiu e acessou e tem a ver com as ondas do rádio.

Ilustrações

Os textos dessa edição foram ilustrados por Bruna Kater e Xiloceasa.

Bruna Kater é formada em Comunicação Social pela ECA-USP e atualmente trabalha como designer gráfica e ilustradora em São Paulo. Seu trabalho tem cores vibrantes, uma essência artesanal e percorre temas como a brasilidade e representação da mulher nas artes visuais.

Xiloceasa, do Instituto Acaia, é um grupo formado em 2005 por adolescentes da oficina de xilogravura que na sua maioria residiam nas redondezas da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP). Nesta edição da Zumbido, Fernando Mariano, Denis Araújo e João Amorim colaboraram com suas xilogravuras.


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Rebobinando

Divagações sobre um certo aparelho que ajudou a escrever uma história de amor entre um adolescente e a rádio. Por Jean Paz

Colagem revela um homem caminhando em perfil no sentido esquerda para a direita. A sua cabeça é um walkman antigo amarelo e acima dela há vários corações vermelhos. O fundo da imagem traz riscos e padrões abstratos. A ilustração é de Alexandre do Amaral.
(Para ler ao som de “Radinho” música de Pipo Pegoraro)

Era década de 90.

A internet ainda era acessível a poucos e smartphones eram objetos imagináveis apenas como artigo de luxo em algum filme futurista distópico.

Recém-chegado do interior, eu estudava em uma escola pública que ficava a uns 2km da minha casa. Além de gostar de estudar, também gostava de ficar na escola depois da aula, para ver pessoas e para fazer o dinheiro da condução valer a pena.

Num desses dias, enquanto me preparava para ir embora já com a sala vazia, reparei algo embaixo de uma das carteiras da classe.

Era um Walkman amarelo, com detalhes azuis, uma antena de alumínio e botões pretos emborrachados, que também tocava fitas K7 e era alimentado por um par de pilhas AA.

Fiquei surpreso e empolgado com o achado, pois voltaria para casa ouvindo música, no único lado do fone que funcionava.

O aparelho era acompanhado por um par de fones intra auriculares nada confortáveis, que possuíam uma capa de espuma e um fio extremamente fino, que era capaz de romper com o mínimo movimento.

Na manhã seguinte, ao chegar na escola perguntei para minha colega que sentava naquele lugar se ela havia esquecido algo no dia anterior, pois como eu me considerava muito honesto, pretendia concluir o Ensino Médio sem nenhum delito no meu currículo.

Senti um certo alívio quando ela disse que não havia esquecido nada, e após questionar outras pessoas que se sentavam ao seu redor, sorri aliviado, pensando no que ouviria no retorno para casa.

No meio do caminho as pilhas acabaram, e minha distração nos minutos seguintes foi explorar todos os detalhes daquele aparelho que cruzou meu destino por acaso.

Em pouco tempo ficamos íntimos.

E ele me ensinou, sem pudores, que uma das relações mais sinceras que existem é a de uma fita K7 com uma caneta esferográfica.

E a curtir o efeito pitch shifter, que surgia ao natural quando as pilhas ficavam fracas no meio da audição de uma fita.

Dali em diante, aquele radinho de pilha, que já havia viajado o mundo e agora havia encontrado um lar, se tornou meu companheiro noturno, visto que a única tv da casa era disputada por 3 pessoas, e eu estava em larga desvantagem por ser o mais jovem.

(Era comum as pilhas me deixarem na mão. Nessas horas era preciso recorrer à tradicional técnica familiar de ferver as pilhas para aumentar suas vidas úteis).

Durante o dia, quando as pilhas permitiam, ele me acompanhava no retorno para casa e nos afazeres domésticos.

E uma simples lavagem de louça ou de banheiro se tornava uma deliciosa viagem pela Tropicália, por garagens de Seattle e pela Jovem Guarda.

Logo nas primeiras noites em sua companhia descobri um programa chamado “Pijama Show”, que me tocou de um jeito diferente.

Transmitido por uma das maiores rádios do estado, o programa misturava música, misticismo e filosofia e era apresentado por um radialista de voz grave, de senso de humor sagaz e capaz de sinapses geniais chamado Everton Cunha ou simplesmente Mr. Pi.

Suas histórias me levavam a lugares inimagináveis para um jovem estudante que morava na periferia de uma grande cidade do sul do país e que até bem pouco tempo atrás passava o dia jogando futebol de botão e colando figurinhas em álbuns nunca completados.

Suas reflexões nada convencionais, acompanhadas por uma trilha sonora impecável, me faziam viajar por cidades europeias, praias desertas e montanhas pouco exploradas, e que a grande maioria, provavelmente eu nunca vá conhecer.

E me faziam querer estar do outro lado, naquele ambiente que criei em minha cabeça, com luzes em tons de roxo, com incensos espalhados pelos cantos e garrafas térmicas com chá ao meu dispor.

Não foram poucas as vezes em que desejei, durante a transição do estado de vigília para o sono leve, estar no comando de um programa radialístico, fazendo minhas próprias seleções musicais, recebendo convidados famosos e contando histórias relacionadas àquelas canções.

Esse dispositivo que me fazia viajar sem sair da cama também me acompanhou em jornadas futebolísticas heróicas e em outras nem tanto, marcando presença em conquistas históricas e derrotas vexatórias, porque nem tudo são flores.

E como diz o ditado, “O futebol é uma caixinha de surpresas”.

E foi responsável pela trilha sonora de diversas histórias de amor que só existiram na minha cabeça e que encheram folhas de cadernos que se perderam com o tempo.

Meses mais tarde, quando enfim a tal da obsolescência programada decidiu agir, meu velho companheiro precisou ser substituído em grande estilo por um aparelho mais moderno, com fones mais anatômicos e que me acompanhou em inúmeras aventuras.

Mas isso já é outra história.

Esta é uma obra de autoficção e qualquer semelhança entre pessoas ou situações não é mera coincidência.

Jean Paz é um gaúcho gremista que queria ser um Novo Baiano. Baixista autodidata, é formado em Publicidade e Propaganda e possui especialização em Assessoria de Comunicação e Mídias Sociais. É autor do livro “Manual Prático para Pais de Primeira Viagem”, que reúne crônicas e causos sobre a sua experiência com a paternidade e apresenta o programa Baixaria Sonora, que vai ao ar todas às sextas, às 21h, através das ondas da Internova Rádio Web. Desde 2016 atua como Editor de Conteúdo Web no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.

Ilustrações por Ale Amaral . Ale é paulistano e pai da Laura. Trabalha no Sesc São Paulo desde 2004, atualmente como designer gráfico no Selo Sesc. Toca bateria no barulhento duo Bugio e colabora musicalmente com diversos artistas nacionais da cena experimental e de improvisação livre.


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A irreverência tem seu lugar no dial

Os 37 anos de carreira de Alexandre Hovoruski têm como marcas o rádio feito com bom humor e os ótimos resultados de audiência. Por Marcos Lauro

Ilustração por Bruna Kater
Ilustração: Bruna Kater

Se puxar pela memória, assim, de bate-e-pronto, seu ano de 2003 teve um dia marcante? Um acontecimento especial? Para o ouvinte de rádio, especialmente o que curte rock and roll, essa resposta é das mais fáceis, com um dia desse ano gravado na mente: 1º de abril.

O dia amanheceu e tudo ia bem até às 6h da manhã na 89 FM, tradicional emissora de rádio de São Paulo, voltada para o público do rock. Música tocando, locutores dando informes do trânsito, sol surgindo… até que começam a desfilar pela programação nomes como Earth, Wind & Fire, KC & The Sunshine Band, As Frenéticas e Abba. Artistas totalmente desalinhados com a programação habitual da emissora. Pronto, foi o momento de desespero. Os fãs roqueiros, sem entender absolutamente nada e revoltados, começaram a ligar para a rádio. Os locutores que iam entrando no ar demonstraram extremo profissionalismo. Nem todos sabiam o que estava acontecendo e estavam tão no escuro quanto os ouvintes, mas apresentavam as músicas como se nada estivesse acontecendo. Em vez de um Rancid, Gloria Gaynor. Em vez de Titãs, Sylvester. A disco music, o funk e a soul music dominaram a programação roqueira e o desespero dos ouvintes foi aumentando, ao ponto de uma viatura adesivada da 89 ser fechada em plena Avenida 23 de Maio, uma das mais movimentadas de São Paulo, por um ouvinte que queria satisfações. Caos. E ninguém se atentou à data: 1º de abril, o famoso Dia da Mentira.

"Você não tem noção. Tinha funcionário desesperado, gente chorando. Cliente do comercial que não tinha sido avisado ligando na rádio. Um absurdo!"

O radialista Alexandre Henrique Hovoruski foi o responsável por essa travessura. Anos antes, numa conversa com amigos também radialistas dos Estados Unidos, surgiu o assunto: uma rádio de Miami havia mudado sua programação num 1º de abril e fez barulho. Hovoruski ficou com aquilo na cabeça. Em 2003, ele levou a ideia à emissora, para pouquíssimas pessoas, e, mesmo cheio de dúvidas, colou. Apenas a alta direção e a diretoria comercial— que, por sua vez, avisou apenas aos principais e maiores clientes, pedindo sigilo — sabiam da pegadinha. “No dia anterior, tiramos o site do ar e colocamos um 'em breve, novo site', cheio de coloridos, aquele globo espelhado de discoteca”, conta Hovoruski. O diretor artístico acordou às 5h30 e quase teve um ataque de pânico, pensou em desistir. Mesmo assim — e com uma baita dor de pescoço causada pela tensão — foi para a rádio e fez a virada de programação às 6h em ponto. “Você não tem noção. Tinha funcionário desesperado, gente chorando. Cliente do comercial que não tinha sido avisado ligando na rádio. Um absurdo!”.

Alguns poucos ouvintes também foram cúmplices. Pela manhã, foi ao ar o programa Dobalacobaco, que dependia (e ainda depende, pois está no ar) muito da participação dos ouvintes por telefone. Então, conseguiram combinar com poucos deles pra que entrassem no ar sem nem tocar no assunto. E funcionou! Em vez de ouvintes raivosos reclamando da “nova” programação, gente de bem com a vida falando de amenidades.

12 horas depois, às 18h, Hovoruski voltou à emissora e desfez o “mal-entendido”: a locutora Luka Salomão, que após idas e vindas ainda ocupa os microfones da 89, leu um texto explicando a molecagem e soltou Smells Like Teen Spirit, do Nirvana. “Cara, foi um alívio! A música é pesada, mas caiu leve, deu um descarrego”, brinca Hovoruski. A medição de audiência de rádio não tem essa precisão de registrar o aumento de relevância de uma emissora em um dia e as mídias sociais não eram fortes ainda, mas a repercussão entre o público e o mercado foi gigantesca, o que reforçou a imagem da 89 FM como uma rádio jovem e dada ao bom humor — mesmo que ele assuste a audiência por algumas horas.

Mas essa não foi a primeira molecagem de Hovoruski no ar — e nem a primeira vez em que o grupo Earth, Wind & Fire se mostrou presente em sua trajetória. Por volta de 1981, 1982, com 15 anos, Hovoruski ouviu a música Let’s Groove no rádio e se apaixonou — por música e pelo veículo. Com o pai, ouvia Herb Alpert e outros instrumentais aos domingos e com a mãe comprou um gravador, onde registrava a programação das rádios (e ficava impaciente com os locutores que falavam em cima das músicas). “Eu ouvia tanto rádio que eu sabia a programação, o que tocava, o que não tocava. E numa época eu montava em casa programação de rádio. Eu mesmo fazia, como se eu tivesse uma rádio imaginária na cabeça. Eu era um locutor, meu irmão era outro, aí misturava com locutores que eu gostava”, lembra Hovoruski.

Ilustração por Bruna Kater
Ilustração: Bruna Kater

Estamos falando sobre o início da popularização do FM, entre o fim dos anos 1970 e início dos 1980. Como ainda era um campo desconhecido, as rádios eram muito parecidas entre si. Elas exploravam apenas a então nova possibilidade de transmitir em som estéreo e tocavam música, ainda tateando o éter e sem saber exatamente que público atingir. “Até que veio a Band FM com um som mais black, tocando break. Tinha um locutor na hora do almoço, o Pablo Pablo, uma voz mais fina, gritada… não tinha isso antes. Eles quebraram algumas barreiras”, conta Hovoruski sobre o início do que pode ser chamado de “rádio jovem” em São Paulo, com emissoras que fugiam dos vozeirões clássicos aproximando ainda mais a figura do locutor do público e dialogavam com pessoas mais jovens que focavam em novidades musicais. Nessa época, a Band FM foi a responsável, por exemplo, pela estreia no Brasil do hit We Are The World, composição de Lionel Richie e Michael Jackson, com produção de Quincy Jones e Michael, que reuniu um elenco milionário nos vocais, com Stevie Wonder, Tina Turner, Cyndi Lauper e Bob Dylan, entre muitos outros.

A primeira ida de Hovoruski a um estúdio profissional de rádio foi em 1985, nessa mesma Band FM. Ele montou com o irmão uma dupla de DJs, a Hovoruski Brothers, e participou de um concurso na emissora, o que dava direito a gravar um programa. “Chegamos muito cedo lá e eu estava saboreando tudo aquilo. O locutor Binho Palli estava no ar e eu perguntava tudo pra ele, cada equipamento. A ideia era: se eu aprender tudo aqui, eu melhoro a minha rádio fictícia”, brinca o radialista. Dias depois, em contato com Carlos Racy, o coordenador da rádio na época, Hovoruski recebeu uma proposta de trabalho: discotecário. “Era quase que um office-boy interno, eu pegava os discos que seriam usados, guardava os que já tinham sido tocados, catalogava os novos que chegavam etc.” Isso durou dez dias, porque uma programadora musical da madrugava faltava e ele assumia o posto, acumulando as funções — e deixando alguns discos pelo caminho. “Eu morava na Zona Norte e a Band é no Morumbi, muito longe. Eu dormia na rádio. Compensava mais, até, mas eu adorava também… fiquei amigo do cara que cuidava dos estúdios à noite. Eu ficava ali, cheguei a dormir duas noites seguidas”, relembra.

Quando houve uma mudança na programação da rádio e ela se voltou para o rock adulto, Hovoruski não se adaptou — ele, que entendia tudo de black music e era fã de Michael Jackson, tinha de adaptar a uma nova programação que incluía rock progressivo e afins. Não colou: “Eu fiquei triste e o trabalho parou de render. Fui mandado embora. Hoje, com 37 anos de carreira, eu fiquei só duas vezes sem trabalho. Essa foi a primeira”.

Depois de fazer de tudo um pouco na Band, Hovoruski conheceu um amigo de Campinas e, com ele, fez uma proposta para trabalhar na Educadora FM, que não ia bem. Em 1987, como programador, ele adotou uma linha popular, parecida com a que a Jovem Pan e a Cidade praticavam em São Paulo. “Eu considero que aqui virei radialista, porque começou aquela coisa de ter de dar resultado, ser cobrado e tal. E essa programação musical popular estourou!”, conta Hovoruski. No começo de 1989, a rádio estava estabelecida na primeira colocação e Hovoruski deu sua missão como cumprida. Era hora de respirar novos ares. Band e Educadora foram a iniciação, a base.

"A rádio se empolgou com esses ‘ao vivo’ e quis implementar uma rede, juntar todas as emissoras que já existiam. Não dá! O rádio é local!"

Hovoruski fez teste a passou na Transamérica. Aos 20 anos, foi o momento de aprender técnica: “Ali a gente recebia um livro, um manual de instruções da rádio. Aprendi marketing, pesquisa de mercado, RH e técnicas do dia a dia, como e por que a rádio dá hora certa, por que não pode colar duas músicas com vozes femininas na sequência… tudo!”. Muita coisa que se ouve no rádio hoje vem dessa época, como as vinhetas de identificação da rádio entre músicas e a hora certa a cada duas músicas. São padrões que foram estabelecidos e pegaram: “Existe hoje uma geração de coordenadores e diretores artístico de rádio, na qual eu me incluo, que eu chamo de Filhotes da Transamérica”.

O radialista assumiu a Transamérica Curitiba. E aí veio a primeira das molecagens no ar. “Tinha uma rádio lá chamada Caiobá, considerada brega, mas que pegava um público jovem muito grande. Eu comecei a fazer vinhetas brincando com essa e outras rádios, inventava apelido, ‘Caiobrega’. Mexi com o mercado. As rádios começaram a responder, mudar a programação. A Caiobá chegou a tocar José Augusto e The Clash. Aí brinquei mais, falava que a ‘Caiobrega’ tava perdida”, relembra, comemorando a segunda colocação no IBOPE.

Com a mesma irreverência, que já tinha se tornado um traço da carreira, Hovoruski foi chamado para assumir a Transamérica Rio de Janeiro. E lá também havia uma rádio popular a ser batida: a 98 FM, do grupo Globo, que fazia promoções valendo dinheiro — com divulgação no intervalo da novela das oito, na TV, o que fazia a audiência explodir. Contra um grupo desse tamanho e com esse poder, só indo para a brincadeira: “A 98 fez uma promoção que dava 500 mil cruzeiros. Nós tínhamos um dinheiro em caixa, que vinha dos shows que a gente fazia com os locutores e tal. Tinha um milhão de cruzeiros. Aí a gente criou um personagem, um locutor chamado Jota Jota Breguentaeoito e tinha uma vinheta assim:

Você tem que ouvir aquela rádio brega para ganhar 500 mil cruzeiros? Agora você não precisa mais, porque a Transamérica vai te dar um milhão de cruzeiros e você não vai ter que ouvir aquelas músicas pavorosas.

E aí o Breguentaeoito aparecia no meio da programação dando dicas, as pessoas acertavam e participavam do sorteio”, relembra Hovoruski.

No Rio, existiam os famosos Estúdios Transamérica, que serviam à rádio e também à indústria musical. Muitos artistas, dos mais diversos, como Azymuth, Milton Nascimento, Guilherme Arantes e Leci Brandão, gravaram seus discos por lá. Em 1991, na segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã, a Transamérica anunciou a primeira transmissão ao vivo por satélite com uma atração internacional do festival, a cantora Lisa Stansfield. Por um problema de horário causado por uma escala em aeroporto, a rádio teve de trocar de atração: em vez de Lisa, parte do grupo RPM. “Nunca vi tanto equipamento naquele estúdio, era muita coisa. Paulo Ricardo foi o primeiro ao vivo da rádio, Lisa acabou sendo a segunda”, conta Hovoruski, que explica o por que não concorda com esse conceito de rede de rádio por satélite: “Aí que veio o erro. A rádio se empolgou com esses ‘ao vivo’ e quis implementar uma rede, juntar todas as emissoras que já existiam. Não dá! O rádio é local!”. Isso provocou sua ida da Transamérica para a Rádio Cidade do Rio de Janeiro, uma rádio, na época, pop.

O rádio é local!

“Uma coisa é você ter uma rádio no interior, cidade pequena, sem estrutura… aí você retransmite parte da programação de uma emissora maior. Mas não tem cabimento você retransmitir a Transamérica de São Paulo no Rio de Janeiro, que é uma praça forte, com milhões de ouvintes! A audiência da rede caiu no Brasil todo… praticamente só a de São Paulo que ia bem”, explica Hovoruski sobre o meio rádio ser, por definição, local e conversar com aquele público específico — que não vai ser igual ao público de outra cidade. A época da Rádio Nacional e dessa busca por uma identidade única brasileira já havia passado tinha muito tempo.

Depois de uma rápida passagem pela Cidade, chegou a vez de encarar a Jovem Pan como programador musical em 1993 — e, logo depois, como diretor artístico: “Ali eu era diretor de uma rádio muito grande, aprendi a lidar com negociações, com dinheiro mesmo. Em dezembro de 1994, passamos a Transamérica já com a programação de eurodance”. Depois de uma instabilidade, em maio de 1995 a Jovem Pan passou novamente a Transamérica e, desde então, nunca mais foi ultrapassada de novo, segundo os números do IBOPE.

Ilustração por Bruna Kater
Ilustração: Bruna Kater

E aí surge o karma de Hovoruski: a rádio quer se tornar uma rede, assim como a Transamérica. Já com o conceito de “rádio é local!” impregnado na mente, o radialista convence a emissora a montar a rede da forma como ele acredita que funciona: você tem dois estúdios funcionando simultaneamente, um transmitindo pra frequência local, São Paulo, e outro transmitindo em horários determinados para as outras emissoras da rede. Dessa forma, você não toca na rádio que está consolidada e, ao mesmo tempo, gera conteúdo para as retransmissoras locais de outras cidades. Hovoruski já havia tentado implementar essa ideia na Cidade do Rio de Janeiro, mas não conseguiu, a empresa não topou. Na Jovem Pan, deu certo: “Se você pega a retransmissora de Catanduva, por exemplo, o cara precisa de quatro minutos de intervalo comercial pra pagar as contas, enquanto aqui em São Paulo a rádio precisa de um minuto. Separando as transmissões, você atende as duas demandas. Diferente da Transamérica, na época, que operava em rede total durante o dia. Então, enquanto a Transamérica precisava de quatro minutos para atender a rede, nós, na Jovem Pan São Paulo, fazíamos nosso intervalo de um minuto e botávamos música. Todo mundo vinha pra gente enquanto eles estavam ainda no intervalo”. E assim, nesse exemplo, a emissora fictícia de Catanduva continuava com seus quatro minutos de break comercial, como é chamado o intervalo no rádio, sem prejuízo à operação.

“O programador musical tem uma sensibilidade e passei a usar isso pra fazer música pra tocar na rádio, uma rádio MPB pop, com músicas que tivessem um apelo um pouco mais popular. (…) E eu sou chato com isso, mando música de volta, peço pra abaixar voz, subir não sei o quê…”

Hovoruski viveu o auge da Jovem Pan, além do nascimento do programa Pânico e da febre dos CDs de coletânea que a rádio lançava — além da revista Jovem Pan, que chegou a bater 500 mil exemplares vendidos por edição. Hovoruski era o responsável por negociar e licenciar as músicas junto às gravadoras. Ele era o responsável, também, pela série de CDs Ritmo da Noite, que era o nome de um programa da rádio e tinha os sucessos do momento nas pistas — a noite de São Paulo ganhou novos ares e um público muito jovem com a chamada eurodance. Depois de sete anos de convivência com a Pan, chegou a vez de um novo momento na virada dos anos 2000: um convite para dirigir a rádio JB do Rio de Janeiro. O radialista sairia de uma rádio jovem, pop e irreverente para uma das mais tradicionais de Rio de Janeiro, com uma programação adulta e que não permitia brincadeiras no ar.

Nessa época, as rádios cariocas estavam investindo em programações mais alternativas, com artistas menos conhecidos ou ainda em ascensão. Quando perguntado sobre qual ideia tinha para a JB, Hovoruski respondeu: “Vou tocar o óbvio!”. A rádio estava estacionada. E à base de Phil Collins, Elton John, Madonna e Michael Jackson, a JB cresceu 25% de audiência em poucos meses. Nesse momento, por conta de acordos com os grupos proprietários das emissoras, Hovoruski trabalhava ao mesmo tempo na JB, na Cidade do Rio e na 89 FM. “Eu só não dormia na rádio como antigamente porque minha esposa me matava”, brinca Hovoruski. Assim, se tornou comum o trabalho de direção em mais de uma emissora simultaneamente. Da JB, por exemplo, Hovoruski saiu apenas em 2015 para encarar o desafio da Nova Brasil FM. Da 89, ele saiu antes: ficou até 2006.

Durante a permanência na Nova Brasil, Hovoruski descobriu um novo caminho: o da produção musical. “O programador musical tem uma sensibilidade e passei a usar isso pra fazer música pra tocar na rádio, uma rádio MPB pop, com músicas que tivessem um apelo um pouco mais popular. Foram várias versões — e algumas delas foram lançadas pelos próprios artistas depois. Teve Titãs, Rubel… várias. E eu sou chato com isso, mando música de volta, peço pra abaixar voz, subir não sei o quê…”, conta Hovoruski. Com essa expertise, o radialista também produz hoje as chamadas “trilhas brancas” — fundos musicais para serem utilizados em transmissões ao vivo no streaming sem risco de ter a transmissão encerrada por conta de direitos autorais.

Depois de uma passagem importante pela rádio A Tarde, onde também conseguiu um bom resultado de IBOPE, o radialista se divide entre a Alvorada FM, de Belo Horizonte, e a SulAmérica Paradiso, do Rio de Janeiro, rádio que faz parte do Grupo Dial Brasil, empresa que administra emissoras — além da Paradiso, a Dial Brasil é responsável pela MixRio.

“O rádio musical tem um tripé: é local, tem o companheirismo e repete conteúdo. É o único veículo de massa que repete conteúdo e não tem problemas. Se você gosta de uma música, você ouve. Se tocar ‘Billie Jean’ agora, você ouve. Diferente de uma notícia, que envelhece em seis horas, em média”, explica o radialista, que enxerga um bom momento para o rádio, mesmo com as instabilidades causadas pela pandemia. Enquanto grandes veículos tiveram quedas expressivas de faturamento e relevância, o rádio, segundo ele, ficou estável, mantendo o público. “Seria bom se os mídias se conscientizassem disso”, aponta o radialista sobre os profissionais de agências de publicidade que praticamente escolhem onde o dinheiro das campanhas será aplicado. “O cara gasta R$ 50 mil num tiro só para alcançar 150 mil pessoas numa rede social. Com esse dinheiro, no rádio, eu alcanço muito mais gente e mais de uma vez”, finaliza Hovoruski.

Marcos Lauro é jornalista, podcaster, produtor de conteúdo e comunicador multimídia. Fundador da Orfeu Digital, cujo objetivo é unir a experiência em redação à experiência no ambiente digital. Atualmente é responsável pelas redes sociais do cantor e compositor Chico César (desde 2019), além de já ter criado conteúdo online para bandas e artistas independentes como Versa Libertália, Oito Mãos, Hyldon e 509-E.

Ilustrações por Bruna Kater — Formada em Comunicação Social pela ECA-USP, atualmente trabalha como designer gráfica e ilustradora em São Paulo. Seu trabalho tem cores vibrantes, uma essência artesanal e percorre temas como a brasilidade e representação da mulher nas artes visuais.


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O velho (rádio) e eu

De ouvinte fanático de rádio a apresentador de podcast, Matias Pinto conta sua trajetória entre as ondas e a internet

Ilustração por Bruna Kater
Ilustração: Bruna Kater

Desde que eu me entendo por gente, o rádio está presente na minha vida. Hábito que eu herdei indiretamente do meu pai. Nascido e criado na fronteira entre Brasil e Uruguai, no começo dos anos 50, ele utilizava as ondas curtas para saber o que acontecia no Rio de Janeiro ou no Rio da Prata. Ao se mudar para São Paulo no final da década de 1970, o que era diversão virou profissão, tendo trabalhado nos bastidores de diversos veículos de comunicação sediados na capital paulista ou em sucursais locais. Como vendedor de espaço publicitário, passava horas do seu tempo livre escutando rádio, seja em casa ou no carro, para checar se os reclames haviam ido ao ar no horário combinado com os clientes.

Lembro da primeira vez que eu o acompanhei à “cidade”, mais precisamente no então escritório da Rádio Transcontinental FM, emissora de Mogi das Cruzes que se tornou a principal referência do pagode — variante mais comercial do samba. Aos meus 7 anos, próximo da aurora da minha vida, foi lançado o LP Raio-X do Brasil dos Racionais MC’s, em 1993, e eu fiquei bastante impressionado com a segunda faixa Fim de Semana no Parque, que contava com a participação de Netinho de Paula, do Negritude Junior. A música chegou a tocar algumas vezes na Trans por conta deste “feat”. Meu velho me confidenciou, quando eu já tinha mais idade para compreender estas questões, que por conta da duração e da temática abordada por Edi Rock e Mano Brown, o hit foi motivo de debate interno e subsequentemente cortado da programação por ordens de cima.

Dois anos depois, o seu Zeca estava trampando em uma nova estação: a Jovem Pan. Como o próprio nome indica, este era o braço mais jovial do grupo adquirido por Paulo Machado de Carvalho e comandado pelo seu neto, mais conhecido como Tutinha — hoje um dos principais aliados midiáticos do governo federal. O carro-chefe da programação regada à dance music era o humorístico Pânico, que segue no ar desde então, e curiosamente foi a primeira vez que eu visitei um estúdio, um pouco assustado com adultos gritando impropérios, que certamente seriam repreendidos pela minha mãe em casa.

Mas o que marcou definitivamente minha relação com o rádio eram as jornadas esportivas, sempre acompanhando o narrador José Silvério, o “pai do gol”, em qualquer emissora em que ele estivesse. Em uma era em que a internet e a TV a cabo estavam engantinhando, o dial do AM era o principal aliado de um pequeno torcedor que não possuía os meios de ir frequentemente aos estádios. Passava horas no banco traseiro do Opala 73 da família acompanhando a transmissão antes, durante e depois dos jogos do meu clube e dos rivais. Foi essa conexão que despertou meu interesse pelo jornalismo esportivo, que depois seria complementado pela imprensa escrita.

Quando concluí o Ensino Médio, ainda tinha dúvidas sobre qual carreira escolher no vestibular. Por orientação materna me inscrevi em um curso de locução oferecido gratuitamente pela Oficina Cultural Oswald de Andrade, localizada no Bom Retiro. Eu era um dos mais novos da turma, formada majoritariamente por atrizes e atores em formação, o que me ensinou a perder um pouco o medo de falar em público.

Desde que eu me entendo por gente, o rádio está presente na minha vida. Hábito que eu herdei indiretamente do meu pai.

Em uma das tantas quartas-feiras à noite, em que eu voltava pela Linha Azul do Metrô, estava ouvindo em um radinho de pilha a partida entre São Paulo x São Caetano, válida pelo Brasileirão, quando os repórteres direto do Morumbi tiveram a dura de missão de relatar os últimos minutos de vida do zagueiro Serginho, que defendia a equipe do ABC Paulista. O atleta teve um mal súbito durante o 2º tempo e morreria cerca de uma hora depois no Hospital São Luiz. Este talvez seja o principal exemplo que eu vivenciei do dinamismo da informação através do rádio em comparação as demais mídias até então.

Aconselhado por alguns amigos dos meus pais que trabalhavam com comunicação, acabei optando pelo curso de História, pois a maioria deles era taxativo de que uma formação na área de humanidades seria um diferencial para o mercado de trabalho. Como pano de fundo havia um debate sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista para atuar no meio, situação que chegou ao ponto final com a resolução do STF em 2009.

Nesta época eu estava no 7º semestre da graduação e participava desde o ano anterior do programa Futebol & Resistência veiculado pela Rádio Livre Várzea do Rio Pinheiros, que operava em uma sala do Espaço Aquário, centro de convivência estudantil do prédio de História & Geografia da Universidade de São Paulo. A Várzea, como era mais conhecida, questionava o oligopólio midiático e ocupava o dial das FMs sempre procurando frequências improdutivas na região da Cidade Universitária. O alcance não era tão grande, dada à precariedade dos equipamentos que eram constantemente apreendidos pelas autoridades de dentro e fora do campus do Butantã.

Além da pauta macro sobre o questionamento do acesso aos meios de comunicação, restrito a uma pequena casta social, no plano micro estava a própria extensão universitária. No caso uspiano e na maioria das universidades públicas, esse costuma ser o pilar menos desenvolvido do tripé universitário, composto ainda por ensino e pesquisa. Sendo assim, as dezenas de estudantes que colaboravam direta ou indiretamente com a Rádio Várzea organizavam diversos eventos e oficinas para além do feudo que se transformou a USP.

Em meio ao ciclo de megaeventos esportivos que teve início com os Jogos Panamericanos sediados no Rio de Janeiro, em 2007, o Futebol & Resistência se focava mais nas movimentações do COI e FIFA do que dos atletas nos campos, quadras, pistas etc. O tom do programa era bastante informal, mas tinha um acúmulo de dados e pesquisa que não era nada desprezíveis. E por mais que travássemos uma batalha praticamente perdida em todas as frentes que lutávamos, foi uma grande escola de comunicação para mim e meus colegas, que pela própria natureza do curso seguiram em sua maioria para o ensino.

Ironicamente, minha experiência “profissional” no rádio — as aspas são por conta da falta de pagamento — foi em uma emissora sazonal criada por um dos patrocinadores masters dos Jogos Olímpicos de 2016, que durou praticamente entre o ciclo de Londres ao Rio de Janeiro. Nesta breve experiência, comentei meu primeiro jogo ao vivo, no segundo semestre de 2012, mas, como não tinha o credenciamento da Associação de Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, tive que fazê-lo do estúdio, enquanto narrador e repórteres estavam no Pacaembu. Por conta do delay entre a transmissão da televisão em que eu acompanhava a partida e dos meus colegas na cabine do Estádio Municipal, tive que comentar um lance duvidoso da arbitragem quase concomitante ao ocorrido.

O alcance não era tão grande, dada à precariedade dos equipamentos que eram constantemente apreendidos pelas autoridades de dentro e fora do campus do Butantã.

Depois de mais três partidas comentadas — em uma delas tendo encontrado meu ídolo José Silvério nos corredores do estúdio — e algumas entradas ao vivo — a última delas em pleno Natal — perguntei sobre um eventual cachê, que havia ficado no ar, e não obtive mais resposta.

Algumas semanas depois, a Várzea me botou pra jogo novamente! Mas não a rádio uspiana e sim um companheiro de zaga do Autônomos FC, equipe varzeana de São Paulo formada por punks e anarquistas em 2006. Eu fazia parte dos quadros do Auto desde 2010 e o Leandro Iamin, que jogava à minha esquerda, estava dando o pontapé inicial da Central3, uma web rádio de olho no crescimento dos podcasts mundo afora. “Pod o quê?” foi minha primeira reação.

Ilustração por Bruna Kater
Ilustração: Bruna Kater

Nesta época, meu aparelho de celular mal fazia ligação e eu não tinha quase nenhuma afinidade com as novas mídias. Mas o Iamin não estava me chamando pelos meus conhecimentos tecnológicos, mas sim para ajudar na pesquisa do Som das Torcidas (SDT), programa autoral que seria o abre-alas da nova empreitada, mesclando música e futebol em um formato original no Brasil.

No estúdio Sócrates Brasileiro, eu encontrei o melhor das minhas duas experiências anteriores na radiodifusão: o espírito anárquico da rádio livre e a estrutura profissional de uma produtora de conteúdo.

A Central3 surgiu da iniciativa do Francisco Pati, que tocava o SDT comigo e o Leandro, e que pagou o meu primeiro cachê como jornalista. Nas duas primeiras temporadas da firma, eu atuava como freelancer e também ajudei na concepção do Conexão Sudaca, podcast bilíngue que tratava do noticiário sul-americano a partir do futebol, somado aos jornalistas Felipe Bigliazzi Dominguez e Gabriel Brito — este também jogador do Auto — e que trazia todas as sextas-feiras convidados de diversas partes do nosso subcontinente.

No terceiro ano, eu pedi demissão do meu emprego anterior e passei a fazer parte da equipe fixa da Central3, que já contava com o cineasta Paulo Junior nos seus quadros, outro companheiro de Autônomos.

Foi neste momento que eu fiz um convite para o Filipe Nobre Figueiredo, meu amigo e colega de gestão da Associação Atlética Acadêmica Oswald de Andrade, que tocava desde o fatídico junho de 2013 o blog sobre política Xadrez Verbal. O Filipe sempre deixou o espaço aberto para eu escrever, mas com a minha rotina de então eu não tinha tempo suficiente para produzir algo da qualidade que ele já havia imprimido no site e que começava a se arriscar em seu canal de YouTube.

Matias Pinto e Filipe Figueiredo, os apresentadores do podcast Xadrez Verbal
Matias Pinto e Filipe Figueiredo, os apresentadores do podcast Xadrez Verbal | Fonte: Xadrez Verbal

Depois de mapear a incipiente podosfera em meados da década passada, constatamos que não havia nenhum produto dedicado exclusivamente à política internacional. Sendo assim, sugeri que transformássemos o Xadrez Verbal em podcast e ocupássemos este vazio, além de uma crítica conjunta à cobertura dos grandes veículos ao noticiário fora do eixo EUA-Europa Ocidental.

O programa começou de forma bastante despretensiosa, pois não achávamos que haveria uma resposta imediata dos ouvintes. Ledo engano, já na primeira temporada do XV ele se tornou um dos podcasts mais ouvidos do Brasil — forçando inclusive uma troca de servidor por parte da Central3 — e logo virou uma referência do debate político na internet, sendo compartilhado por diplomatas, divulgadores científicos e jornalistas, que muitas vezes serviam de fonte para nós dois.

O sucesso de audiência quase que instantâneo serviu de catalisador para criamos um novo programa ainda em 2015: o Fronteiras Invisíveis do Futebol, podcast que surgiu a partir da série de textos Fronteiras Invisíveis da Europa — sobre os movimentos separatistas europeus — publicada pelo Filipe no blog do Xadrez Verbal, e tendo o esporte bretão como fio condutor neste novo formato.

Apesar da resposta positiva do público e crítica, tanto a Central3 quanto o Xadrez Verbal não eram procurados por anunciantes como outras produtoras e podcasts, que tratavam de temas mais amenos, em sua maioria sobre cultura pop e correlatos. A forma de subsistência encontrada foi a do financiamento coletivo recorrente, ferramenta imprescindível para criadores independentes de conteúdo neste novo momento da comunicação, na qual inclusive os grandes veículos lançaram mão de assinaturas digitais. Contudo, o nosso material segue disponibilizado integralmente de forma gratuita.

Hoje o podcast já é uma realidade no Brasil, saindo dos nichos e alcançando milhões de ouvintes, sendo o nosso país um dos maiores mercados mundiais. Os grandes players entraram em cena também, o que não significou uma dispersão da audiência, acostumada a um modelo mais intimista, sendo bastante fidelizada e crescendo de forma orgânica, principalmente durante a pandemia do Coronavírus, que continua um período bastante desafiador para todos nós.

Matias Pinto, formado em História pela Universidade de São Paulo (USP), atua como apresentador, editor e produtor de podcasts desde 2013 sempre pela Central3.

Ilustrações por Bruna Kater. Formada em Comunicação Social pela ECA-USP, atualmente trabalha como designer gráfica e ilustradora em São Paulo. Seu trabalho tem cores vibrantes, uma essência artesanal e percorre temas como a brasilidade e representação da mulher nas artes visuais.


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A complexa existência (e resistência) das rádios comunitárias

Uma breve análise da história das rádios comunitárias — e os interesses que atravessam suas existências legais. Por Dora Guerra

Ilustrações por Denis Araújo
Ilustração: Xiloceasa/Denis Araújo

Do surgimento e popularização na década de 20 até hoje, as rádios seguem compondo uma parte significativa do dia a dia dos brasileiros. É um meio de comunicação de massa que, atualmente, chega a ser subestimado: outras tecnologias e possibilidades tomaram conta da nossa vida desde então — os iPods, os celulares com streamings, o YouTube, os podcasts, dentre outros –, mas existe algo do nosso DNA que ainda se apega ao formato. Se vale de referência, segundo estudo de 2021 da Kantar IBOPE Media, a rádio é ouvida por 80% da população do país, com um crescimento de dois pontos percentuais com relação ao ano anterior.

Nunca foi um exagero afirmar que há um caráter profundamente popular na rádio — que, por décadas, esteve fisicamente presente dentro da casa dos brasileiros. Ao contrário do jornal e dos discos, a rádio era o oposto do isolamento; por natureza, uma forma de comunicação que conecta pessoas, criando um repertório em comum.

Muito antes da interação instantânea e frenética da internet, a rádio permitiu pontos de contato essenciais entre locutores e ouvintes, considerando a resposta imediata que era possível dar às ligações ao vivo. Entre programas informativos, radionovelas, esportes e demais, havia uma conversa cultural acontecendo de casa em casa — uma conversa formadora de opiniões e consumo, também.

“Não é à toa que, no Brasil, as rádios têm um histórico claro de passar pelo Estado como a única entidade controladora e capaz de conceder permissões: o controle da rádio é de interesse de muita gente.”

E se forma opiniões, isso significa que é um veículo de comunicação de interesse de muita gente. Leia-se: um poderoso instrumento de propaganda política. Não é à toa que, no Brasil, as rádios têm um histórico claro de passar pelo Estado como a única entidade controladora e capaz de conceder permissões: o controle da rádio é de interesse de muita gente. Basta conhecer a história de Getúlio Vargas para compreender que, como qualquer meio de comunicação de grande adesão, a rádio tem uma relação profunda e intrínseca com a política brasileira.

Mas isso vai muito além de Vargas. Um caso mais contemporâneo é o da Rádio Jovem Pan, que em sua proposta específica mesclada de radiojornalismo, entretenimento humorístico e discussões políticas entre personagens conservadores, nutriu um público de extrema-direita no Brasil. Ainda que seja difícil precisar a influência direta da rádio no resultado da eleição de 2018 e no crescimento do bolsonarismo no país, é inegável que a popularidade de programas como o Pânico tenham uma participação no fenômeno.

Estar na rádio significa ter um espaço de visibilidade, rotineiro e perene; um lugar para provocações, estímulos culturais e inúmeras possibilidades. No entanto (ou talvez justamente por isso), o fazer legalizado da rádio — mesmo que comercial — nunca foi de acesso aberto ou simples.

Afinal, mesmo hoje, abrir uma rádio comercial depende de diversas obrigações legais, bem como a seleção em um processo licitatório no Ministério das Comunicações. Resumidamente: além da documentação em ordem, é necessário entrar em um edital e ser aprovado; em seguida, entrar com um projeto de aprovação do local, em que constará toda a estrutura da rádio; pagar a outorga, assinar contratos e, por fim, aguardar a deliberação do Congresso Nacional. Tamanha burocracia — com prazo indefinido — não é à toa; trata-se de mais uma forma de regulação por parte do Estado, fazendo com que a existência legal de uma rádio necessite de investimento contínuo, insistência e alinhamento ao que mais o Ministério considerar “necessário” para a outorga.

Essa inflexibilidade inicial não se traduz necessariamente uma vez que a rádio é legal. Curiosamente, segundo levantamento do ECAD a pedido da UBC (2018), cerca de 42% das emissoras comerciais é inadimplente com o pagamento de direitos autorais pela execução de canções. Trata-se de uma atividade ilegal — que fere a lei 9610/98, por exemplo –, mas não suficiente para que o governo interfira na existência de tais rádios. Portanto, é difícil não sentir que a exigência do Estado para com as emissoras é, como em muitos outros casos, seletiva.

Levando tudo isso em consideração, torna-se claro porque muitas rádios surgiram clandestinamente nos anos 70, como aconteceu em outras partes do mundo. Buscava-se um espaço de fala democrática, livre de regulação, que atendesse à voz de quem até então apenas ouvia. Foi na década seguinte, portanto, que começaram a surgir as primeiras rádios ditas comunitárias no Brasil.

O surgimento das rádios comunitárias

“O ar não tem dono, companheiro (…). O ar é de todos” — Uma Onda no Ar (Helvécio Ratton, 2002)

Falar em rádios é falar em dar voz; em abrir conversas, ser ouvido. Portanto, pensar em rádios comunitárias envolve entender que, além de novos canais de comunicação, o surgimento das rádios livres foi um movimento de democratização.

Entende-se rádio livre como aquela que entra no ar “fora da lei”, ou seja, sem um canal concedido por um órgão governamental. Originalmente organizadas por jovens, a história dessas rádios foi marcada pela tentativa de expor opiniões e vozes que, de outra forma, não seriam ouvidas em mídias convencionais — com propostas políticas, sociais e/ou educativas diferentes das tradicionais.

Diversas vertentes originaram as rádios livres da época; sobretudo juvenis e universitárias, mas não menos políticas. Da Rádio Favela, fundada em 1981 na região periférica de Belo Horizonte, à Rádio Xilik, criada (e escondida) no Centro Acadêmico de Ciências Sociais da PUC-SP em 1985, diversos grupos se organizaram para fundar rádios nas quais você podia sintonizar e ouvir um pouco menos do convencional.

O transmissor da Rádio Xilik foi montado dentro de uma panela. A rádio chegou a emitir seus sinais de frequência para os bairros de Perdizes, Sumaré, Pompeia e Pinheiros, alcançando um raio de 2 quilômetros | Foto: Reprodução/Facebook Rádio Xilik

E é dessas rádios livres que surgem as rádios comunitárias — nome dado àquelas que se associam, respondem, dialogam e dão visibilidade a comunidades específicas. Vale ressaltar que, assim como suas antecessoras “livres”, estas não eram legalizadas: existiam fora do radar, externas às legislações, cada uma à sua forma. Isso implicava tanto em uma possível liberdade criativa, de expressão e funcionamento, quanto em um risco para a própria existência das rádios. E é com a lei 9612, no ano de 1998, que esse processo começa a mudar.

A tal da regulação das rádios comunitárias — e o que de fato se sucedeu

Na aparente tentativa de atender à demanda crescente pelo acesso às ondas, bem como a possibilidade de legalizar as rádios, promulga-se a lei 9612/98:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Denomina-se Serviço de Radiodifusão Comunitária a radiodifusão sonora, em frequência modulada, operada em baixa potência e cobertura restrita, outorgada a fundações e associações comunitárias, sem fins lucrativos, com sede na localidade de prestação do serviço.
§ 1º Entende-se por baixa potência o serviço de radiodifusão prestado a comunidade, com potência limitada a um máximo de 25 watts ERP e altura do sistema irradiante não superior a trinta metros.
§ 2º Entende-se por cobertura restrita aquela destinada ao atendimento de determinada comunidade de um bairro e/ou vila.

Até então, rádio livre e/ou comunitária era rádio ilegal; repreendida, silenciada até, sob o pretexto muitas vezes disfarçado de criminalidade — quando se trata de uma comunidade ou um povo marginalizado, sabemos que outras questões atravessam esse tópico; raciais, sociais e econômicas. Como aponta Peruzzo (2009), “​​as rádios comunitárias não querem ser ilegais, são as circunstâncias que as levam ou as mantém nessa situação”. Simples assim.

Aos poucos, estas rádios começaram a ser entendidas como expressões mais legítimas, passíveis de existência perante a lei. A rádio comunitária enfim foi reconhecida pelo Ministério das Comunicações como “um tipo especial de emissora de rádio FM, de alcance limitado a, no máximo, 1 km a partir de sua antena transmissora, criada para proporcionar informação, cultura, entretenimento e lazer a pequenas comunidades”. E seguindo essa linha, a legislação número 9612 para regularização das rádios comunitárias poderia ter sido compreendida como uma vitória: na teoria, se tornariam espaços livres com o direito de existir dentro da lei, pluralidade de opinião e atendendo a determinadas comunidades como um exercício de cidadania.

Mas não foi bem por aí: 70% dos membros da Comissão no Congresso eram donos ou tinham interesses indiretos em empresas de rádio e televisão; e somente 10% da proposta de projeto de lei do movimento organizado foi aprovada (COSTA e HERMANN, 2002).

Na prática, o resultado foi mais complicado — e obedeceu a uma lógica bastante comum a diversos processos burocráticos no Brasil. Ao depender de um processo complexo regulado por órgãos políticos (e, em contrapartida, sem a possibilidade de captar recursos publicitários para se manter, por exemplo), as rádios comunitárias passaram a estar à mercê de ajuda política, fato que altera fundamentalmente o propósito de existência dessas rádios.

De repente, o que deveria ser uma proposta democrática e livre dos interesses econômicos que de certa forma moldam as rádios comerciais, se tornou também mais um refém do coronelismo que paira sobre nosso país até hoje. Não é necessariamente uma realidade que se aplica à totalidade absoluta das rádios comunitárias legalizadas (difícil afirmar, não?) — mas, pensando na maioria, estas existem graças à influência política e/ou religiosa sobre o Ministério das Comunicações (LUZ, citado por ARAUJO, 2012).

Existem ainda milhares de rádios comunitárias funcionando sem licença, seja pela dificuldade de atender a esses requisitos ou por não obedecerem à tendência de clientelismo político. Mapeá-las (são 5.000? 7.000? 10.000?), entendê-las em suas particularidades e legalizá-las se tornou uma missão praticamente impossível; entre diversos governos estaduais e federais, pouco se resolve para facilitar a existência dessas rádios no país.

Ilustração: Xiloceasa/Denis Araújo

A situação relativa das rádios hoje

Mesmo com esses empecilhos, tanto é eficaz e necessário o papel das rádios comunitárias que, no ano de 2020, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2750 — que previa a concessão de licenças temporárias para emissoras com operação suspensa, restrita ou revogada. O projeto escancara a importância de meios de comunicação “alternativos” aos oficiais, especialmente em um momento delicado como o início da pandemia e, sobretudo, a desinformação difundida pelo próprio Governo Federal.

A justificativa dada na época — similar à que foi utilizada em 2021 com a aprovação da PL 2805/20, que concedia subsídio de R$10 mil às rádios comunitárias — era de que estas rádios ocupavam um lugar importantíssimo na comunicação; sendo, afinal, um dos poucos canais que chegavam com sucesso às comunidades.

Segundo a relatora, deputada Perpétua Almeida: “A radiodifusão comunitária, por sua proximidade com a população, encontra-se em posição privilegiada para exercer esse papel de disseminação de informações corretas e oportunas sobre ações de prevenção, vacinação e tratamento da doença. No entanto, por seu caráter não-comercial, necessita de apoio para uma cobertura mais eficaz.”

A fala em questão entrega, sem muitos rodeios, os desafios das rádios comunitárias: ainda que estejam em uma posição única, não têm apoio o suficiente — pelo que a relatora afirma ser “um caráter não-comercial”; na prática, entram aqui as questões relacionadas por exemplo à impossibilidade de veicular anúncios publicitários, dificultando o sustento das rádios. E se estas necessitam de apoio — e têm questões legais que foram contornadas à época da PL 2805/20 –, porque o apoio só surge em situações extremas? Não há nenhuma outra forma de valorizar e cuidar dessas mídias que se provam tão importantes?

Em suma: rádios invisíveis, possíveis somente quando convém

É curioso que, por mais voltas que o processo dê, as rádios comunitárias acabem por resistir às mais diversas ameaças: entidades tentam controlá-las — e por vezes, conseguem; mas se não tivessem ainda alguma importância, não sobreviveriam sem apoio até hoje. Em muitos casos, as rádios comunitárias vivem de si mesmas e das comunidades em torno, em um constante exercício de autocuidado e automanutenção.

Frente ao poder público, essas rádios são somente visíveis quando são convenientes — em nome do interesse político ou, no caso dos últimos anos, pela saúde do povo. Pensando nos casos de 2020 e 2021, por exemplo: a informação sobre as vacinas era necessária e deveria ser difundida? Claro, mas é difícil não questionar a necessidade real de tantos obstáculos para que uma rádio comunitária exista legalmente, visto que estes são contornados quando surgem outras questões de interesse dos governantes.

Em suma — e como sempre –, as rádios comunitárias sobrevivem “apesar de”, não “graças ao” nosso país. Mas servem mais ao Brasil que muitas das instituições oficiais, eleitas, reguladas, imponentes.

Não é novidade: na falta do oficial, o alternativo e comunitário tendem a ser o que nos salva.

ARAÚJO, Manuel João Simões de. Rádios Comunitárias: da Legislação à Prática. 2012. Acesso em fevereiro de 2022.

BERTI, Orlando Maurício de Carvalho. Vinte e um anos da lei das rádios comunitárias no Brasil. Pontos e contrapontos. Revista Rádio — Leituras, Mariana-MG, v.10, n. 02, pp. 150–171, jul./dez. 2019.

CAMARA LEGISLATIVA. Comissão aprova benefício emergencial de quase R$10 mil para rádios comunitárias durante pandemia. 2021. Acesso em fevereiro de 2022.

COSTA, M. J. S. R.; HERMANN, Wallace. Rádios livres, rádios comunitárias: outras formas de fazer rádio e política. Lugar Comum (UFRJ), Rio de Janeiro, v. 16‐17, 2002.

KANTAR IBOPE MEDIA: Inside Radio. Brasil, 2021.

MANSANO, Fábio Augusto. Para uma leitura crítica das rádios comunitárias. 2004. Acesso em fevereiro de 2022.

MUNDO DA MÚSICA. Dívida de Rádios inadimplentes com Ecad é de R$ 7,309 milhões; saiba mais. 2019. Acesso em março de 2022.

PERUZZO, Cicilia. Rádios Comunitárias no Brasil: da desobediência civil e particularidades às propostas aprovadas na CONFECOM. 2009.

SANTOS, Eliene; PRATA, Nair; MEDEIROS, João. Rádios comunitárias no Brasil: entre a clandestinidade e a relevância social. 2019. Acesso em fevereiro de 2022.

SILVA, Fabiano P. Rádios livres e a luta pela democratização da comunicação: o caso da Diversidade FM tendo o cotidiano como fio condutor. UFPE, 2009. Acesso em fevereiro de 2022.

UMA Onda No Ar. Direção de Helvécio Ratton. Belo Horizonte: Quimera Filmes, 2002.

Dora Guerra é formada em Comunicação Social pela UFMG, sendo redatora publicitária por um lado, pesquisadora musical por outro. Nessa segunda ocupação, é criadora e editora da newsletter Semibreve e colunista nos portais Popload e Tangerina (UOL). Fala também no podcast Queijo Quente, com o comunicador e produtor cultural Lohan Abdala e o jornalista Guilherme Guedes. E escreve com alguma frequência para outros portais, cobrindo música da mineira à internacional.

Ilustração por Denis Araújo/Xiloceasa. Xiloceasa, do Instituto Acaia, é um grupo formado em 2005 por adolescentes da oficina de xilogravura que na sua maioria residiam nas redondezas da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).


A complexa existência (e resistência) das rádios comunitárias was originally published in Zumbido on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.

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