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56 | Giro 2022 de notícias bizarras

Se você não teve que reler alguma notícia de 2022 duvidando se o que estava escrito era mesmo verdade, então você não viveu esse ano direito. O ano das eleições mais decisivas desde a redemocratização começou com a invasão da Rússia na Ucrânia antes mesmo do carnaval e desde então não economizou no bizarro e no inusitado. Em um formato mais leve e descontraído, o último episódio do Pauta da temporada retoma algumas situações incomuns e até mesmo bizarras que marcaram esse ano intenso. Deixamos de lado tragédias, crimes de ódio e fatos que não tenham ligação direta com o clima político no Brasil e nos focamos naquilo que provoca risadas – ainda que do absurdo. Preparem-se para paraquedistas pendurados em árvores, expedições desastradas e “patriotadas” Brasil afora nesse giro com Andrea Dip, Clarissa Levy e Ricardo Terto.

O Pauta entra de férias, mas em janeiro volta com episódios especiais no feed. O formato tradicional, com Andrea Dip e Clarissa Levy gravando entrevistas que ajudam a explicar o Brasil, volta em fevereiro.


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E MAIS:

A Pública precisa de você pra abrir a caixa-preta do Bolsonaro

Nos últimos quatro anos, o governo Bolsonaro ​​empurrou o Brasil para o abismo. Ele nos devolveu para o Mapa da Fome, ignorou uma pandemia, atrasou a compra de vacinas, desmatou a Amazônia, sucateou o país e atacou a democracia por todos os lados. Só que muitos desses crimes ainda não foram descobertos, porque eles também se especializaram em mentir. Os segredos desse governo estão guardados a sete chaves por trás do sigilo de 100 anos e de outras táticas de sonegação de informação. A Pública não quer que tudo isso fique esquecido sob o argumento de uma “pacificação” que para bons ouvidos significa apenas “impunidade”. Por isso precisamos de apoio para fazer o trabalho que mais sabemos fazer, investigar os poderosos e ir aonde ninguém quer ir. Quer saber como você pode nos ajudar? Acesse https://aliados.apublica.org/ e veja como fazer parte dessa investigação crucial, juntos vamos revelar o que Bolsonaro quis tanto esconder.


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PARCERIA RÁDIO GUARDA CHUVA
E o podcast Finitude que é parceiro nosso na rádio guarda chuva tá com uma temporada imperdível sobre como lidar com questões difíceis sobre saúde mental. Apresentado por Juliana Dantas e Renan Sukevicius, essa temporada já falou sobre como lidar com burnout, depressão, transtornos alimentares, bipolaridade, enfim, tudo isso com conversas francas e sensíveis que eles sempre trazem. Então ouçam lá o Finitude ou assistam porque agora o programa também tem versão em vídeo. Depois do Pauta passa lá no feed do Finitude que a gente tem certeza que vai valer a pena.


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Apresentação: Clarissa Levy e Ricardo Terto||
Produção: Ricardo Terto ||
Assistência de produção e pesquisa: Beatriz Monteiro ||
Pauta e Entrevista: Andrea Dip e Clarissa Levy ||
Roteiro, Edição e Mixagem Final: Ricardo Terto ||
Identidade visual e Artes: Cíntia Funchal ||
Coordenação de Redes Sociais: Ravi Spreizner ||
Chamadas e teasers: Breno Andreata ||
Trilha original composta por Pedro Vituri
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Este episódio usou áudio de TV Band, canal O Povo, rádio 96FM Natal, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense.

Saiba que você pode ser aliado da Agência Pública e colaborar com esse trabalho. Saiba mais em apoie.apublica.org ou faça um pix de qualquer valor para contato@apublica.org.
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#77 - Pagu, presente!

Grande escritora e feminista, Patrícia Galvão continua a inspirar — Martha Nowill interpreta Pagu nos palcos e Adriana Armony lançou o romance "Pagu no metrô". A atriz e a pesquisadora, ambas escritoras, conversam sobre a militância de Pagu, seus escritos, sua relação com teatro, sexualidade e morte.

Responda à nossa pesquisa de perfil do ouvinte em http://bit.ly/pesquisa451MHz

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Female Perspectives Take Centre Stage

This week, Breeze Barrington takes us through a history of art with a difference - there are no men; and Larry Wolff talks us through the diva-rich operatic event of the season, the world premiere of The Hours at the Met in New York.


'The Story of Art Without Men' by Katy Hessel


'The Hours' by Kevin Puts

Metropolitan Opera, New York, until December 15. Live transmission in various cinemas, December 10


Produced by Charlotte Pardy


Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.

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Stegouros - Paleocarton - Tagua Tagua 2022

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Durante el 2do Congreso Chileno de Paleontología hacemos un modelo de cartón de Stegouros, un pequeño ankilosaurio hallado en el sur de Chile y que tiene mucho para contarnos sobre la historia de estos linajes del sur de Gondwana.
Alexander Vargas Milne y Sergio Soto Acuña trabajan en:
https://www.facebook.com/anillovertebradosfosileschile

Página del congreso:
https://taguatagua2022.cl/

Episodio 4 de Paleocarton en Tagua Tagua
https://www.youtube.com/watch?v=1XCT44Q3M4E

Links de la Fundación Añañuca
https://www.facebook.com/ananuca.ecologia/
https://www.instagram.com/fundacionananuca/
https://twitter.com/FAnanuca

55 | Neofascismo em campo (mais uma vez) - com Odilon Caldeira

Houve um tempo em que demonstrações de simpatia por símbolos fascistas era algo restrito ao submundo envergonhado de pequenos eventos de neonazistas e neofascistas. Agora, vivemos um momento que acende alertas sobre a presença e organização desses grupos nas redes, na política, na cultura e nas instituições de forma cada vez mais explícita – dentro e fora do Brasil. Foram inúmeros casos de demonstrações neofascistas no Brasil dos últimos anos, alguns inclusive dentro da estrutura pública, como quando um secretário de Cultura de Bolsonaro colocou em rede nacional um vídeo em que emula o discurso e a estética do Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha Nazista. Na conta das referências diretas, também entraram recentemente imagens de pessoas carregando suásticas; pixações em escolas e universidades, manifestantes golpistas em Santa Catarina fazendo saudações nazistas enquanto pediam intervenção militar, entre tantas outras. Para questionar sobre a simbiose desses grupos com movimentos de extrema-direita e o bolsonarismo, o Pauta recebe o historiador Odilon Caldeira professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que desenvolve, há anos, pesquisas com foco no neofascismo.



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E MAIS: A Pública precisa de você pra abrir a caixa-preta do Bolsonaro

Nos últimos quatro anos, o governo Bolsonaro ​​empurrou o Brasil para o abismo. Ele nos devolveu para o Mapa da Fome, ignorou uma pandemia, atrasou a compra de vacinas, desmatou a Amazônia, sucateou o país e atacou a democracia por todos os lados. Só que muitos desses crimes ainda não foram descobertos, porque eles também se especializaram em mentir. Os segredos desse governo estão guardados a sete chaves por trás do sigilo de 100 anos e de outras táticas de sonegação de informação. A Pública não quer que tudo isso fique esquecido sob o argumento de uma “pacificação” que para bons ouvidos significa apenas “impunidade”. Por isso precisamos de apoio para fazer o trabalho que mais sabemos fazer, investigar os poderosos e ir aonde ninguém quer ir. Quer saber como você pode nos ajudar? Acesse https://aliados.apublica.org/ e veja como fazer parte dessa investigação crucial, juntos vamos revelar o que Bolsonaro quis tanto esconder.


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PARCERIA RÁDIO GUARDA CHUVA
E hoje é dia de indicar mais um mergulho da Rádio Escafandro, podcast comandando por Tomás Chiaverini e que é nosso parceiro na Rádio Guarda Chuva.
No episódio 81, o Escafandro aborda a relação entre chacinas e milícias no Rio de Janeiro. O episódio se baseia em um levantamento do Instituto Fogo Cruzado que mostra que mil pessoas foram mortas em chacinas desde 2016. E que essas chacinas tendem a ocorrer em territórios ocupados pelo comando vermelho e por outras facções. Mas, raramente, em áreas dominadas por milícias. Se você já conhece o trabalho do Tomás sabe que vem aí uma reportagem muito aprofundada sobre esse tema tão complexo. Se você ainda não conhece, está perdendo tempo, depois do Pauta já passa lá no feed da Rádio Escafandro para conferir esse e outros episódios disponíveis.



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Apresentação: Clarissa Levy e Ricardo Terto||
Produção: Ricardo Terto ||
Assistência de produção: Beatriz Monteiro ||
Pauta e Entrevista: Andrea Dip e Clarissa Levy ||
Roteiro, Edição e Mixagem Final: Ricardo Terto ||
Identidade visual e Artes: Cíntia Funchal ||
Coordenação de Redes Sociais: Ravi Spreizner ||
Chamadas e teasers: Breno Andreata ||
Trilha original composta por Pedro Vituri
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contato: podcasts@apublica.org

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A regra impossível

O futebol aderiu tarde às tecnologias de verificação. Mas quando aconteceu, as consequências foram metafísicas. Esqueça as intermináveis discussões sobre o toque de mão involuntário ou a violência de uma falta. Todas as polêmicas do “árbitro assistente de vídeo” (ou VAR) empalidecem perante o fato de que uma das regras do esporte dito bretão é tornada inviável, desprovida de sentido, ontologicamente absurda, quando aplicada graças à imagem. Trata-se da lei do impedimento, criada há mais de 150 anos, sempre contestada e nunca abandonada, irritante, mas tenaz. Em casos de impedimento, seja para acertar ou errar, o VAR está sempre mentindo.

Deve ser um caso único. O uso da tecnologia para garantir decisões mais precisas e justas é coisa antiga no esporte. Já nos anos 80, aquele jogo americano da bola oval contava com juízes vendo as partidas pela televisão. Modalidades tradicionais, como atletismo e natação, instalam sensores nas linhas de chegada há tempos. Sem falar do turfe, com seu célebre photo finish. O futebol, esnobe que só, fez fama de refratário à modernidade, recusando-se a ouvir falar em dispositivos tecnológicos quando até mesmo as redes de televisão já se valiam de replay, câmera lenta, linha de impedimento e outras distrações para entreter o espectador.

Até que chegou o VAR, recebido como a salvação para os infindáveis erros de arbitragem. Foi em 2018, já valendo na Copa do Mundo da Rússia. Ironicamente, a IFAB, que estabelece as regras do futebol, escolheu como lema “mínima interferência, máximo benefício”. Como vamos ver, é por definição um mote inviável.

A novidade trouxe alguns pequenos problemas. Uma queixa comum é a frustração de esperar pela confirmação de um gol, desinflando a alegria de torcer. Mas em geral os vitupérios contra o VAR dizem respeito a erros de decisão; justamente o que se esperava que ele resolvesse, quem diria. Mas até aqui não temos nada de surpreendente: a esperança de que o vídeo fosse uma panaceia, que daria fim às brigas com a arbitragem, sempre foi exagerada.

Impactante mesmo é perceber que essa tecnologia, só por existir, inviabiliza a aplicação de uma regra específica, tal como está enunciada. Simplesmente porque o texto tem uma base metafísica com a qual a lógica do dispositivo bate de frente. Pois é isso que acontece no impedimento. Tão logo está disponível o recurso ao vídeo, ele se revela como a ficção que é. Isso, por si só, não seria um problema: regras são mesmo ficções, sem as quais todo jogo é impossível. Mas o VAR impõe tratá-la como uma realidade quase natural.

11a regra

Todo amante do futebol conhece sua 11a regra. Está impedido o jogador que, no momento em que o companheiro lhe passa a bola, tem menos de dois adversários à sua frente, ou seja, mais perto da linha de fundo; o goleiro costuma ser um deles, mas nem sempre. Isto só vale no campo de ataque e passes “para trás” estão excluídos. Mãos e braços não contam e “na mesma linha” não é posição irregular. Diz o livro de regras que deve ser considerado como momento do passe “o primeiro ponto de contato da ‘jogada’ ou ‘toque’ da bola”.

Uma fonte de controvérsias é o adendo de que a infração só é marcada se o jogador “em posição de” impedimento interfere ou participa do lance. São expressões difíceis de definir, deixando ao bom senso do juiz decidir quem participou do quê na jogada. Mas o verdadeiro problema, o que pode mesmo dar briga, é que a regra sempre exigiu da arbitragem uma atenção e um olho clínico a toda prova, sobretudo na velocidade em que o jogo é jogado hoje. É facílimo errar um impedimento. Justamente essa falha humana era o que se esperava resolver com o VAR. Em boa medida, funcionou, ainda que imperfeitamente.

Já se questionou de tudo na 11a regra: o jogador “em posição irregular” participou ou não do lance? O atleta bloqueou o campo de visão do goleiro? Seria o caso de restringir o impedimento para espaçar o jogo, ou quem sabe abrir mão dele, legalizando a “banheira”? E por aí vai. Mas uma coisa nunca foi posta em dúvida: o sentido da interessante expressão “momento do passe”. Jamais foi preciso perguntar o que é esse momento, nem tampouco o que quer dizer um momento, questão ainda mais obscura e, bem, metafísica.

Leve em conta a vigilância da câmera e o cenário muda. Um exemplo concreto ocorreu em 2019 na Inglaterra. Um gol do Manchester City sobre o Tottenham foi anulado, provocando uma breve celeuma. O jogo terminou empatado e a anulação decorreu de um impedimento, como se diz, milimétrico. Acontece que a câmera que capta as imagens da partida gera 50 quadros por segundo, acima do dobro dos 24 tradicionais do cinema, mas bem abaixo da câmera “ultra-lenta”, que produz nada menos que 10 mil imagens nesse piscar de olhos.

A liga inglesa explicou que o encontro entre pé e bola, no “momento do passe”, ocorreu entre dois quadros, ou seja, no intervalo de 0,02 segundo. Porém, ponta-de-lança, atacante e zagueiro corriam a toda velocidade, o que implica um deslocamento de até 38 centímetros nesse vazio da imagem. Para uma decisão milimétrica, essa centimetragem é uma distância quase planetária. Os juízes, na sala do VAR e no campo de jogo, tiveram que escolher entre dois quadros congelados: no primeiro, não havia impedimento. No segundo, sim. Ficaram com o último. Acerto ou erro?

“Ora (direis), se pelo menos fossem mais quadros por segundo!” Ledo engano. Essa resposta erra o alvo completamente. O problema não está em determinar o instante do contato entre pé e bola; longe disso. Mesmo que fosse, ainda assim não tem velocidade da câmera que resolva. Toda a embrulhada está na noção do momento do passe. Quando fizeram a regra, ninguém podia prever que a tecnologia nos obrigaria a perguntar: que momento é esse?

O momento

Se agora, depois de tantas gerações, passa a fazer sentido perguntar o que é o momento do passe, é porque existe um aparelho que diz exibi-lo, explicitá-lo, para além da dúvida razoável. Esse objeto é a imagem congelada em um quadro. Nela se aplicam as linhas que, conforme aceitamos por convenção, marcam a posição do atacante e do defensor. Com isso, acreditamos piamente que está bem definida a condição de impedimento.

A primeira pergunta que vem à cabeça de qualquer um é a mesma que foi feita pela imprensa inglesa em 2019: como se chega a esse quadro? Por que não o quadro imediatamente anterior, ou posterior?

Antes do VAR, o momento não tirava o sono de ninguém. Não havia contradição entre a imprecisão da regra e o caráter arbitrário da decisão. Porque o passe não é um ponto no tempo, mas um movimento, ainda que rápido. Mesmo que se convencione determinar o primeiro toque do pé na bola como momento do passe, ainda falta explicar que primeiro toque é esse, em que escala devemos procurá-lo, se é a tangente geométrica, uma fricção molecular, um contato claramente visível na imagem, a deformação da bola. É o retorno do velho problema da lógica: quantos grãos de areia configuram um monte?

Mas a verdadeira crise não é lógica, é metafísica. Olhando mecanicamente para o momento do passe, supondo que seja um chute, o que vemos? Uma perna que se ergue, avança, impõe sua força à bola; cujo couro se deforma, cujo ar se comprime, enquanto o pé segue avançando impulsionado pela musculatura; até que o material da pelota reage, volta a se expandir, e as trajetórias do pé e da esfera se separam. Tudo isso é o passe, realizado em frações de segundo.

Não é à toa que usamos termos tão imprecisos: “momento”, “instante”, “hora”. Tempo curto, porém espesso. E durante esse intervalo, os demais jogadores também se movimentam. Não se trata de nenhum ponto no tempo, coisa que aliás não existe, exceto como recurso que inventamos para facilitar nossos cálculos.

A definição do “momento do passe” como “primeiro contato” é uma admissão velada de que o enunciado da regra tem uma imprecisão intrínseca. Talvez isso explique por que, no livro das “leis do jogo”, está expresso em uma mísera nota de rodapé. O “primeiro contato” não só não corresponde ao momento do passe, como não é nem sequer o que diz ser, seu “início”. Com a mesma validade, poderíamos considerar que o passe nasce antes: quando o jogador começa a tomar a atitude de chutar, levantando a perna; ou depois: quando a bola já se desgarrou do pé e o gesto já não pode mais ser outra coisa senão um passe, descartando o drible e o arremate. Qualquer uma dessas definições seria convencional e insuficiente.

Não adianta. O passe é um movimento, ainda que rápido. Aliás, é um gesto, movimento humano. No mais das vezes, o atacante que pretende receber a bola e o defensor que quer evitar o perigo também estão se movendo. Assim como o bandeirinha, cujo dever é fiscalizar as posições. Sua percepção, que é humana, deve captar os deslocamentos e coordenar suas temporalidades, para tirar uma conclusão sobre a adequação das trajetórias à 11a regra.

Parece impreciso, prenhe de erros. No entanto, tudo vai bem enquanto todos os envolvidos estão no mesmo plano de realidade: o da capacidade humana de agir, reagir, perceber e relacionar. O momento do passe, então, é uma coisa só, captada em sua duração, junto com a duração dos outros jogadores e a do próprio bandeirinha. O impedimento é imperfeito, mas viável. Faz sentido para todos, porque é da mesma natureza de qualquer experiência que temos do simultâneo. Podemos aceitar, com falha humana e tudo.

O VAR implode essa naturalidade porque lança por terra a coerência do mover-se, questionando a essência do movimento. O vídeo congelado trata como realidade e concretude o que é convenção, ferramenta do pensamento: a decomposição do tempo em pedaços ou, em outras palavras, a divisão do deslocamento em uma série de etapas, todas imóveis. Esquecemos que fatiar o tempo é um recurso intelectual, talvez porque costuma ser eficaz, talvez porque com a câmera em alta velocidade não chegamos a ver a imagem borrada.

Mas continua sendo um recurso mental. Há um século, o filósofo Henri Bergson já insistia que o deslocamento, como tal, é indecomponível: cada parte do movimento é também um movimento. Ainda contém algum passado e já envolve algum futuro. A imagem congelada promete o impossível: ao decompor o gesto do atleta, deveria revelar milagrosamente o momento do passe, o instante fixo, um “T0” que não aceita se limitar a ser uma abstração, exigindo a condição de prova definitiva no julgamento do lance. Quando vemos a imagem congelada, acreditamos nesse instante fixo, esquecendo que o quadro anterior e o seguinte mostrariam algo um pouco diferente, sem deixar de ser também momento do passe.

Mentira

Com as demais regras para as quais a tecnologia tem sua contribuição a dar, nada parecido acontece. A diferença entre o impedimento e infrações como a falta violenta ou o toque de mão é de natureza, não de grau. Por exemplo, a introdução do VAR provocou uma enxurrada de pênaltis por bola na mão. É provável que acabem fazendo algum ajuste na interpretação dessas infrações, antes que o jogo se torne uma sucessão de penalidades “braçogênicas”. Mas casos como esse são um mero problema de adequação, talvez incômodo, mas circunstancial: ajustada a orientação dos árbitros, segue o jogo.

Ou então: pode um sensor nas traves julgar se a bola entrou inteira ou não no gol? Perfeitamente. Não é preciso determinar em escala nanométrica onde terminam a bola e a linha no gramado. A convenção basta: se o dispositivo no poste captou a passagem da pelota, então o tento será validado. Para todos os efeitos, isso é uma regra, talvez a nova definição de gol, levando em conta a existência da tecnologia.

Mas o caso do impedimento não é de convenção. Não está em jogo o limite espacial em que ocorre o primeiro contato do pé com a bola. O problema é, de fato e de direito, metafísico: o que é o momento do passe? Como lidamos com a duração? Que violência podemos fazer ao tempo e seu modo de fluir? E, de fato, decompô-lo dessa maneira, postulando uma noção vaga como o primeiro contato do pé para especificar o momento do passe, é uma violência.

A lei do impedimento foi criada tendo em vista a sensibilidade humana. Não no sentido de que leva em conta as suas limitações, mas no de que corresponde à sua estrutura, ou melhor, ao seu funcionamento. Enquanto não surgisse um aparelho que operasse segundo o princípio específico da decomposição do tempo, o problema metafísico jamais teria emergido.

Mas o dispositivo veio, o problema emergiu. O VAR abala o impedimento na essência. O enunciado faz perfeito sentido quando o passe é um movimento, ocorrendo no meio de uma série de outros: atacantes, defensores, árbitros. Mas é absurdo quando ele é um ponto, um quadro fixo, uma imagem congelada. Não pode haver mínima interferência se a própria natureza da regra é posta em xeque. A interferência é absoluta, para o bem e para o mal. O VAR é enganador quando dá a crer que captou o momento do passe. O que ele fez foi decompor o movimento em quadros estáticos, decretando um deles como matriz de uma determinação que é toda sua, pouco tem a ver com o texto da regra e colide com a matéria do jogo. Isso não quer dizer que ele não funcione, não cumpra seu papel. A máquina, para funcionar, não precisa dizer verdades. Só precisa dar um resultado que nos sirva – ou que aceitemos, ao fim e ao cabo. E isso, em geral, o VAR faz, graças à sua falsidade metafísica.

Roman Coins And Radical Rosa Bonheur

This week, Mary Beard talks us through coins and emperors, real and fake, and the hidden networks beneath the Roman Empire; and Norma Clarke discusses the life and work of Rosa Bonheur, a celebrated female artist who kept her radical private life to herself.


Produced by Charlotte Pardy


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#81 – Sobre chacinas e milícias

Desde 2016, mais de mil pessoas foram mortas em chacinas ocorridas em operações policiais na região metropolitana do Rio de Janeiro. Foram, ao todo, 250 operações com 3 ou mais mortos, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Isso equivale a uma chacina por semana, em média.

Essa truculência policial, além de matar crianças, mães a pais de família, e de deixar partes da cidade totalmente sitiadas, tem se mostrado ineficiente. Em 2008, 8,7% da região metropolitana do Rio de Janeiro era dominada por algum grupo armado. Hoje em dia, esse número saltou para mais de 20%.

Mas, de todos esses dados, existe um que é especialmente interessante. A maioria das chacinas policiais, 72% delas, ocorreu em território ocupado pelo Comando Vermelho. Apenas 9% ocorreram em território de milícias. Ao mesmo tempo, enquanto o território total ocupado por algum grupo armado aumentou 131%, o território das milícias em especial aumentou 387%.

Episódios relacionados

#30 – Polícia para quem?

#40 – Mil dias de Marielle presente

Entrevistadas do episódio

Cecília Oliveira

Jornalista especialista em segurança pública e violência armada, foi colunista do El País e do The Intercept Brasil. É diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado.

Maria Isabel Couto

Mestre e doutora em sociologia pela Universidade Estadual do Rio De Janeiro, especialista em sociologia urbana, principalmente estudos sobre desigualdades, favelas e segurança pública. É diretora de programas do Instituto Fogo Cruzado.

Ficha técnica

Trilha sonora tema: Paulo Gama,

Mixagem: João Victor Coura

Design das capas: Cláudia Furnari

Concepção, produção, roteiro, edição e apresentação: Tomás Chiaverini

Trilha incidental: Blue Dot

 

 

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How to add typographic fonts to WordPress block themes

TL;DR: Use the Create Block Theme plugin to bundle fonts in your theme with just a few clicks.

WordPress block themes allow you to add fonts to a theme by adding the font file assets to the theme folder and referencing them in the theme.json. Editing a JSON file manually does not deliver the best user experience. The good news is you can use the plugin to make this task much simpler without technical trade-offs.

Disclaimer: The plugin is for development only and is not intended for live production websites because it modifies the currently active theme. It was conceived as a tool to create new production-ready themes.

Step by Step

  1. Install the Create Block Theme plugin.
  2. Activate the theme you want to manage.
  3. Go to Appearance -> Manage Theme Fonts.
  4. Add/Remove the font faces you want.

FAQS

How are the fonts bundled in my theme?

The plugin stores the font assets in a sub-folder of your theme ( <your-current-theme>/assets/fonts/ ) and adds font family definitions to your theme.json file. This is the case no matter if you upload a local font asset or use the Add Google Font option.

The plugin removes both the theme.json definition and the font assets if you remove a font face.

How are the fonts enqueued?

WordPress takes the font faces you added using the plugin, which are listed in your theme.json, and automatically converts them to CSS font face definitions which are included in the HTML page downloaded by the user browser.

Will adding many fonts make my theme too heavy?

Yes and no, or not necessarily. That can be counter-intuitive so let’s explore it in more detail. 

WordPress references all the font files needed in your site CSS to let the browser know what font assets may need to download.

Even though WordPress references many fonts, modern browsers are optimized to only download the fonts that are used in the page being loaded. It is important to note that browsers calculate this considering just the current page loaded and not on a site-wide basis.

For example, if you include an ultra-thin variant of the Inter font family, but there is not a single element (ex: paragraphs, links, etc.) using Inter ultra-thin variant, the browser will not download this font asset. In this case, the performance penalty for including this font is nearly zero.

Should I add a massive quantity of font faces to my theme “just in case”?

No, both from a performance and design perspective, having a good font pair is always advisable over a proliferation of too many different fonts. Also, if the font is not in use, what’s the point of including it?

There is no magical number of font faces you can or should include. But usually, less is more. Sticking to the minimal quantity required to implement the aesthetics you are looking for is always a good idea.

Can I include variable fonts in my theme?

As with any other font file, you can add variable font assets using the “Add Local Font” option. The plugin will add the font definition and asset just like any other type of font. You can use it just like that or adjust more options related to variable fonts by editing the theme.json file.

Is this solution GDPR compliant?

Yes, because the plugin bundles the font files in your theme, and your WordPress instance will serve them. No third-party servers or tracking technologies are involved in serving the fonts to your users. You don’t need to request extra permissions from your users to include the fonts.

More info

Do you need a more detailed step-by-step guide? No worries! Check out this great video tutorial about how to use the plugin.

Follow up

Have any questions about fonts and themes? Ask in the comments!

Gutenberg Changelog #76 – The new developer blog’s public beta, Gutenberg 14.5 and 14.6, and what’s coming up in 6.2. 

Ryan Welcher and Birgit Pauli-Haack discuss the new developer blog’s public beta, Gutenberg 14.5 and 14.6, and what’s in the works for the block editor. Show Notes / Transcript Show Notes Connect with Ryan Welcher Announcements WordPress Developer Blog What’s released Gutenberg Plugin Documentation What’s in active development or discussed Transcript Birgit Pauli-Haack: Hello and […]

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54 | Uma década de cotas - com Luiz Augusto de Campos

Esse ano tem sido decisivo por inúmeros motivos e entre seus marcos está o da chegada de uma década da Lei de Cotas, criada em agosto de 2012. Vitória histórica dos movimentos sociais, seu objetivo era o de reduzir a enorme desigualdade de acesso entre pessoas brancas e pessoas pretas, pardas e indígenas ao ensino superior. Durante todo esse tempo a lei nunca deixou de ser alvo de discussões, polêmicas e debates, mas com tudo isso, revolucionou o perfil das universidades e dos cursos de graduação no Brasil, com resultados positivos bem expressivos. Para falar sobre a importância dessa lei, no mês da consciência negra o Pauta Pública recebe Luiz Augusto de Campos, professor de Sociologia e Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Politicos, coordenador do GEMAA - núcleo de pesquisa que desenvolve estudos sobre ação afirmativa e a representação de raça e gênero em instituições e mídias - e editor-chefe de revista DADOS. Essa conversa foi gravada em agosto deste ano, o mês em que a lei completou 10 anos.




E MAIS:
Quando você apoia a Pública, sua contribuição se transforma em jornalismo investigativo sério e corajoso, com impactos reais. R$ 10 por mês já fazem uma grande diferença. Nos ajude a revelar as injustiças, abusos de poder e violações de direitos que se agravam em meio à pandemia. Seja nosso Aliado(a)!

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PARCERIA RÁDIO GUARDA CHUVA
A dica de hoje é ouvir o Ciência Suja, que traz histórias de fraudes científicas que geraram grandes prejuízos para a sociedade e mostra como a própria ciência resolveu essas situações. Em seu episódio mais recente o Ciência Suja fala da República das Cesáreas. Quando engravidou no ano passado, a apresentadora Thaís Manarini se deparou com muitas informações desencontradas sobre o parto. E com duas perguntas: por que o Brasil é um dos países com maior número de cesáreas? E por que há tantas queixas de violência obstétrica? Neste episódio, ela mescla sua experiência pessoal com o que há de ciência suja por trás desses pontos. E conta como o machismo e o modelo de negócio que envolve os partos inflam interesses que não tem nada a ver com o bem-estar da mãe e do bebê. O Ciência Suja é nosso parceiro da Rede Guarda Chuva de podcasts.

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Apresentação: Clarissa Levy e Ricardo Terto||
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#76 - Erótica: uma conversa sobre aquilo — Eliane Robert Moraes e Paulo Werneck

A crítica literária Eliane Robert Moraes conversa com Paulo Werneck sobre a presença do sexo na literatura brasileira do último século. A partir de contos de escritores clássicos e contemporâneos, eles debatem múltiplas formas de erotismo, jogo de palavras, sexualidade na identidade nacional, moralismo e liberdade criativa. Pesquisadora de literatura erótica, Robert Moraes está lançando a antologia "O corpo desvelado: contos eróticos brasileiros (1922-2022)" pela Editora Cepe.

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“It Is An Astonishment To Be Alive”

This week, Baillie Gifford Prizewinner Katherine Rundell describes how John Donne’s life force captivated her; and celebrated actor and playwright Wallace Shawn surveys a lifetime of writing essays.


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