Desfile da Acadêmicos de Niterói (Luiza Monteiro/Riotur).
Plutão (bradando):
Alegria! É o reinado da alegria! Amanhã é Cinzas! Hoje é o ultimo dia! E viva Morno! E viva a folia!…
(…)
As Mulheres (acompanhando o bumbo e a cuíca em ritmo de marcha):
Ciranda, cirandinha Vamos todos cirandar Já bateu a meia-noite Carnaval vai acabar.
Orfeu (os braços para o alto):
Não, não morreu!
(…)
Plutão e Prosérpina riem e se abraçam, já meio dormindo.
As Mulheres:
O anel que tu me deste Era vidro e se quebrou…
Orfeu (que se pôs a beber de uma garrafa, exaltado):
Não! Era o maior amor do mundo! Era a vida, era a estrela, era o céu! Era o maior amor do mundo, maior que o céu, maior que a morte! Eurídice, querida, acorda e vem comigo…
As Mulheres:
Nessa rua, nessa rua tem um bosque Que se chama, que se chama solidão…
Orfeu (clamando):
Eurídice, vem comigo!
As libações continuam, gerais. Vários casais já dormem pelo chão. Alguns ainda dançam sambas caprichados, sem música. Um casal de malandros dança um em frente ao outro, jogando capoeira.
(…)
A aurora raia, pouco a pouco, entre as sombras rubras. Orfeu, voltado para fora, exclama.
Orfeu:
É a madrugada, Eurídice. Lembra, querida, quantas madrugadas eu vi nascer no morro ao teu lado? Lembra, Eurídice, dos passarinhos que vinham aceitar o desafio do violão de Orfeu? Lembra do sol raiando sobre o nosso amor? (Ergue os braços para a aurora) Eurídice, tu és a madrugada! A noite passou, a escuridão passou. Espera, minha Eurídice! Eu vou, me espera…
***
Niterói, terça-feira gorda de 2026. Aqui, o amor venceu o medo, depois de descer ao Hades.
Ali, do outro lado da baía, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, acontecia há 70 anos — em 1956 — a primeira encenação de Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes, com músicas de Tom Jobim e cenários de Oscar Niemeyer.
“Nós ainda estamos aqui no Brasil de Rubens Paiva”.
Some of us just yearn for the mines.
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A little exploration into modern tunnel construction methods used in public infrastructure and how those lessons can be applied to endeavors of the more homemade variety.
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The Early Bird from Epidemic Sound
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Woodland Expedition composed by Caleb Winters (https://beacons.ai/calebwinters)
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This ironware was started in the mid-17th century with artisans who were invited from Kyoto. The technique incolves pouring molten iron into a sand mold, whereby a kettle or a teakettle is casted. The sand lold with dots creates a tiny knobbed body on the kettle.
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While the recent ICE surge in Minnesota may be winding down, the damage it has left behind is not. The organizations doing the long work of repair, protection, and care remain and they need sustained support. We invite you to stand with the Women’s Foundation of Minnesota Immigrant Rapid Response Fund (IRRF), a coalition of 32 philanthropic leaders rooted in communities most impacted by immigration-related harm.
Produced in collaboration with Sister Black Press, it pairs an inkjet photograph by Alec Soth with letterpress text by Brad Zellar.
I wanted to make a cool stand for a 60 year old bandsaw I recently bought, but give it the look of old workshop furniture. The legs are designed to look like cast iron, even though they're actually made from plywood. This video is more about the design and process and just enjoying a fun project.
As always I'm happy to answer any questions.
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In this episode, Birgit Pauli-Haack welcomes Carolina Nymark back to discuss recent Gutenberg releases (22.3, 22.4, 22.5) and preview features coming in WordPress 7.0. Birgit Pauli-Haack shares her recovery journey and emphasizes the value of Carolina Nymark’s expertise. Carolina Nymark introduces herself as a long-time WordPress core committer and theme bundle maintainer, explaining her role in triaging, testing, and updating default themes. They highlight […]
For the first in a new series of conversations exploring the future that faces us all, David talks to S. M. Amadae about what nuclear weapons and the prospect of nuclear war have done to the human condition. Was 1945 the decisive watershed in the history of humanity? What made the possibility of nuclear conflict different from previous ideas of catastrophe? How did we reconcile ourselves to the horrifying consequences of what we had built?
Out now on PPF+: a bonus episode to accompany our recent series What’s Wrong With Political Philosophy? in which David and Paul talk about how personal experience shapes our political and philosophical outlook – a conversation exploring luck, accidents, human frailty and human connection. To get this and all our bonus episodes plus ad-free listening sign up to PPF+ now https://www.ppfideas.com/join-ppf-plus
Next Time: M.A.D. and N.U.T.S.
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Uma realização Circus Produções Culturais em parceria com a Uns Produções e Filmes
Caetano Veloso - voz
Tom Veloso - violão
José Miguel Wisnik - Direção artística
Gravado no Estúdio de Caetano Veloso, Rio de Janeiro, agosto de 2025.
Lucas Nunes - produção musical, mixagem e masterização
Elaine Ramos - design
Gal Oppido - foto (acervo Grupo Corpo)
Gabriel Baiano e Piky Candeias - assessoria de imprensa
Beatriz Grassi - edição do lyric video
CIRCUS Produções Culturais
Lucas de Avelar - assistência
Guto Ruocco - direção de produção
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Cena do documentário Estou me guardando para quando o Carnaval chegar.
Em Toritama, cidade de 45 mil habitantes do agreste pernambucano que produz 20% das calças jeans nacionais, uma trabalhadora autônoma chega para trabalhar na facção (pequena confecção de fundo de quintal) às sete da manhã. Às onze e meia, vai para casa, para almoçar. Volta ao trabalho à uma e meia da tarde. Às seis e meia, volta para casa, para fazer e engolir o jantar. Às sete e meia está de volta à facção, onde trabalha até as 10 da noite.
E quando chega em casa às 10 da noite? Faz o quê? Faz como Janaína, que acorda todo dia às quatro e meia e já na hora de ir pra cama Janaína pensa que o dia não passou, que nada aconteceu.
Na “capital nacional do jeans”, paga-se 10 centavos por cada boca de bolso costurada. Se você fizer 100 bocas de bolso, ganha R$ 10. Se costurar mil, ganha R$ 100. A confiar no Google — desculpe, no Gemini —, uma costureira profissional munida de equipamento adequado consegue fazer até 50 bocas de bolso por hora. Em Toritama, que em tupi significa “terra da felicidade”, a jornada tem de ser de 20 horas para ganhar R$ 100 em um dia de trabalho na facção.
A “vida” dos trabalhadores das mais de três mil facções de jeans de Toritama foi retratada no documentário Estou me guardando para quando o Carnaval chegar, de Marcelo Gomes, que confessa: “o barulho ensurdecedor das máquinas me causa ansiedade. Essa repetição de movimentos me causa angústia”. A “vida” desses trabalhadores que, como ressalta o documentarista, “só têm tempo para conversar quando falta luz e o trabalho é paralisado”. A “vida” desses trabalhadores que dizem que é melhor ser autônomo porque “se a gente for trabalhar fichado tinha hora pra gente sair”. A “vida” desses trabalhadores que só param de trabalhar no Carnaval, quando Toritama fica deserta porque vão todos para a praia.
“E as pessoas que não têm dinheiro para viajar — conta Marcelo Gomes no filme — vendem o que têm e o que não têm e correm desesperadas para a praia. O desespero de ver todo mundo ir embora ou de passar a vida trabalhando?”
O desespero da jovem Gisele, que às vésperas do Carnaval de 2018 pôs sua geladeira na calçada, à venda, por R$ 200, para poder viajar, sair um pouquinho dali. E depois do Carnaval? Depois do Carnaval a gente trabalha para comprar outra geladeira — e outra TV, e outro fogão e até outra máquina de costurar —, a gente ali do bairro de Gisele, Nova Canaã. E o documentarista lembra que, na Bíblia, Canaã é a “terra prometida”. E em uma facção mostrada no documentário a única cor além do azul do jeans é o verde de um “Jesus” grafitado na parede.
Por falar nisso, em tudo isso, nesta quinta-feira, 12, o ministro “terrivelmente evangélico” do STF cassou uma decisão da 4ª vara do Trabalho de Cuiabá que reconhecia vínculo empregatício de um pedreiro com um construtora para a qual o reclamante tinha trabalhado em regime 6x1. Para tanto, André Mendonça evocou a ADPF 324, com a qual em 2018, enquanto Gisele vendia sua geladeira em Toritama, o STF mandou pelos ares direitos fundamentais e catapultou a precarização ao considerar constitucional a terceirização das atividades-fim, com os votos de Barroso, Moraes, Fux, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cármen Lúcia. E de Dias Toffoli, que também nesta quinta finalmente abriu mão do caso Master e foi sucedido por… André Mendonça.
“O barulho ensurdecedor das máquinas me causa ansiedade. Essa repetição de movimentos me causa angústia”.
Em Estou me guardando para quando o Carnaval chegar, o Seu João, morador da zona rural do Toritama, é a única pessoa da cidade que ainda tem tempo de olhar para o céu e esperar a chegada da chuva. E ele diz que, entra ano, sai ano, o que não muda em Toritama é a chuva que cai depois do Carnaval.
Come Ananás deseja um bom Carnaval, tanto quanto possível, a todos os trabalhadores do Brasil, especialmente os mais precarizados: as Janaínas, Giseles e todos e todas que fazem bocas de bolso, fazem este país e acreditam que um dia a gente ainda há de ser feliz.
Em clima de carnaval, o Pauta Pública da semana recebe a cantora Eliana de Lima, que foi uma das primeiras intérpretes e puxadoras de samba no Carnaval de São Paulo. Ela conta sobre sua trajetória nas escolas de samba e na carreira solo, marcada pela persistência e pelo enfrentamento do machismo. Com hits como “Volta Pra Ela” e “Desejo de Amar”, a cantora ganhou destaque dentro e fora do Brasil, com mais de dois milhões de discos vendidos e cantando ao lado de nomes como Jorge Aragão, Aldir Blanc, Luiz Carlos do Raça Negra e muitos outros.
Na conversa com Andrea Dip, Eliana de Lima fala sobre preconceitos que persistem até os dias atuais, a profissionalização no carnaval e as transformações do samba e da indústria da música ao longo das décadas. Entre memórias e reflexões sobre o que faz uma música atravessar o tempo, ela também relembra os sucessos que a fizeram emocionar na Avenida.
Ouça o episódio completo e compartilhe suas memórias de carnaval nos comentários.
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This ironware was started in the mid-17th century with artisans who were invited from Kyoto. The technique incolves pouring molten iron into a sand mold, whereby a kettle or a teakettle is casted. The sand lold with dots creates a tiny knobbed body on the kettle.
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O historiador Luiz Antonio Simas, autor de vários livros sobre o Carnaval carioca e uma voz ativa nos debates sobre a folia, discute neste episódio as ligações das escolas de samba com o universo literário e os diversos setores da sociedade. Simas diz que não vê as escolas como instituições de resistência, mas de negociação — com os poderes públicos, o mercado, as comunidades e o crime. O convidado, que lança nova edição de Pra Tudo Começar na Quinta-feira: o Enredo dos Enredos (Mórula), escrito com o jornalista Fábio Fabato, também comenta a escolha da Acadêmicos de Niterói de homenagear o presidente Lula em seu enredo. Para Simas, foi uma estratégia para criar polêmica e chamar atenção para a estreia da escola na elite do Carnaval do Rio.
Apoio: Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais