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Sismo en Venezuela ¿Por qué colapsaron tantos edificios?

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Muchos edificios colapsaron por la cantidad de ciclos o numero de veces que el edificio osciló durante el sismo que en realidad se volvió un doblete sísmico y duplicoó el tiempo del movimiento, acá les explico todo al respecto, un abrazo para mis amigos de Venezuela en este duro momento.



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Acontece que no es poco | El Muro de Berlín: la vida partida en dos

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Nieves Concostrina explica cómo en 1961 las autoridades de la Alemania oriental levantaron por sorpresa el Muro de Berlín para frenar la fuga masiva de ciudadanos hacia el bloque occidental.

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TECNOPOLÍTICA #272 - Flávia Lefèvre - Por que a Anatel quer o controle da Internet?

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Neste episódio do Tecnopolítica, gravado durante o Fórum da Internet no Brasil (FIB 2026), em Belém do Pará, Sérgio Amadeu entrevista Flávia Lefèvre, advogada, especialista em direitos digitais e telecomunicações, integrante do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e uma das mais reconhecidas vozes na defesa do interesse público nas políticas de comunicação e internet no país. Sua trajetória é marcada pela atuação em temas relacionados à regulação das telecomunicações, neutralidade da rede, proteção de dados e governança democrática da internet.

Durante a conversa, eles discutem as recentes movimentações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para ampliar sua influência sobre a regulação da internet brasileira. O debate aborda os diferentes modelos de governança da rede e as disputas institucionais em torno de quem deve formular, implementar e fiscalizar as políticas relacionadas ao ambiente digital no Brasil.

Lanza Atelier apunta a serpentine

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Después del Premio Pritzker, la selección del Serpentine Pavilion es uno de los momentos más señalados del año para los aficionados a la arquitectura. Cada año, concurso mediante, se erige un nuevo pabellón frente a la Serpentine Gallery, ubicada en los Kensington Gardens, en el poniente de Londres. En sus inicios, los Serpentine Pavilion fueron diseñados por grandes firmas, tales como Álvaro Siza, Oscar Niemeyer, Sanaa o Rem Koolhaas. En los últimos años se percibe que la iniciativa se ha convertido en una oportunidad para impulsar a despachos arquitectónicos emergentes. En 2018, Frida Escobedo Studio fue el primer despacho mexicano en ganar el concurso; este año, otro estudio mexicano, Lanza Atelier —conformado por Isabel Abascal y Alessandro Arienzo—, fue seleccionado.

La sincronización es afortunada: este año, la iniciativa Serpentine Pavilion cumple su 25.o aniversario, mientras que este pabellón se inscribe como una suerte de síntesis de los 10 años de trayectoria de Lanza Atelier.

Esta y otras historias en la edición 235 de Gatopardo.

Realización: Jeoffrey Guillemard
Entrevista: Romain Roy-Pinot

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The Anti Trampoline Effect

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When you combine a bouncy surface with a bouncy ball, you might kill the bounce! You have to tune their vibrations!

Dr Andy Wright at the University of St Andrews contacted me after watching the atomic trampoline video (https://youtu.be/QpuCtzdvix4) because some of the questions I had in the video had been answered by a couple of final year projects he had run (completed by undergraduates Connor Richardson and Sam Edwards). They found they could tune their model of a golf ball and club to give a perfect bounce or a rubbish bounce. Andy kindly shared the simulation code from these projects, and my animations were built animations on top of that.

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Estarmos nus

Espelho quarto-escuro estúdio, de Paul Sepuya, 2022


O encontro entre corpos é uma soma de reflexos. Na fotografia de Paul Sepuya, a natureza eminentemente reflexiva e refratária do encontro, e da própria fotografia, são disparadores de um trabalho de mais de duas décadas.

O artista estadunidense Paul Sepuya (San Bernardino, 1982) se dedica a uma produção que escolhe a fotografia como linguagem e como objeto de constante provocação. Ele faz uma espécie de cacofonia visual ao revelar a foto da foto da foto; o reflexo do reflexo; a moldura da moldura da moldura; a parte da parte da parte.

É uma repetição incessante que nos mobiliza enquanto espectadores. O corpo de trabalho, body of work, assume uma ética própria, em que é inegociável a presença fixa e fluída do autor no fazer da imagem. Recusa o estar atrás da câmera, convoca o estar junto. O desejo é estar ao lado, de mãos dadas, a amigos e amores.

Nos encontros, os olhares de carinho e ternura irradiam um ambiente de conforto e maciez à cena. A luz marcadamente dura de um estúdio fotográfico é vista, então, como outra coisa. Desde o início da sua produção, no Brooklyn dos anos 2005, até suas imagens mais recentes, pairam sobre as fotografias uma forma de relação que tem como base o compartilhamento de poder. “Eu sempre quis, e sigo querendo, que o meu processo fotográfico seja mediado e compartilhado com os meus amigos”, destaca ele, que nos últimos anos teve seu trabalho adquirido por coleções de instituições como a Baltimore Museum of Art, os Museus Getty e Guggenheim, o MoMA, o Studio Museum, a Tate e o Whitney Museum of American Art.

O fotógrafo está presente e não é ele o diretor supremo da captura. É uma imagem produzida de sujeito com sujeito, e não de sujeito com objeto. Observa-se isso no registro dos corpos, entrelaçados, acarinhados, relaxados e que, em muitas vezes, compartilham o próprio momento do disparo.

Tudo está visível e, isso, ele conta, é proposital. A confiança é um pressuposto do jogo, erótico e imagético, e é a partir dela que Sepuya desenrola sua prática. Como ponto zero, ele parte da decisão radical de que não há nada que esconder. Radical porque, tratando-se de um corpo negro, queer, e dissidente, mostrar é inscrever-se em uma moldura importante.

Embora pareça revelar segredos, ao abrir portas de uma intimidade e subverter o branco esterilizado do estúdio clássico, as imagens do fotógrafo vão por um outro caminho, que não mira o enigmático. É no visível, no refletido, no repetido, que se consolida a poética. É no teatral que tateia o real — e o virtual.

Na produção de Sepuya, há sempre o corpo em cena. Se são dois, há ainda um terceiro: a fotografia. Não pela presença literal da câmera, da luz, do estúdio, do tripé, embora a materialidade seja de grande importância ao artista, mas é um outro corpo convocado ao jogo. É o ato de fotografar e, com ele, todos os já-ditos e tensões que o envolvem historicamente. A fotografia não pode ser descorporificada e, assim, Sepuya faz uma nudez do meio.


Autorretrato segurando a mão de Joshua, de Paul Sepuya, 2006

No início do seu trabalho, você trabalhava com o formato de fotozines, queer zines, certo? Em especial, o SHOOT. Pensei em começarmos a conversa por aí, quando já era possível ver muito de raiz da sua produção imagética atual, mas em outro formato. Como foi esse momento, o seu começo?

Paul Sepuya: Então, os zines começaram na primavera de 2005. Pensando agora em retrospecto, aquele talvez tenha sido o início de um primeiro projeto. Ou talvez tenha sido alguns anos mais tarde, não sei, por volta de 2007 ou 2008, quando um conjunto inicial de retratos tomou forma como uma série. Mas, claro, não é um momento tão marcado e definido assim, porque, [no processo criativo], a gente começa algo e, em paralelo, faz várias outras coisas.

Eu comecei fazendo retratos, mas também experimentava vários outros formatos, cenas e imagens naquele tempo. Os zines não eram os únicos trabalhos que eu estava produzindo — havia muitos chapbooks [publicações artísticas de tiragem pequena, feitas à mão ou com impressão simples], tiragens únicas, pequenas cenas, porque foram jeitos que encontrei de trabalhar com múltiplas imagens. E então, sim, com o tempo, elas acabaram se tornando uma série. Os projetos simultâneos foram crescendo, mudando, e em 2008, publiquei o SHOOT. Mas, sim, foi bem assim, no começo de tudo.

Ainda sobre esse período, eu adoraria voltar no tempo com você. As pessoas que você fotografava já eram pessoas próximas, da sua intimidade, como amigos, afetos e parceiros fotografados em um ambiente do âmbito privado, o quarto. Como era seu pensamento e sentimento ao retratá-los?

PS: Era muito sobre estar passando tempo com os meus amigos. Eu estava, simplesmente, fotografando amigos, sabe? Era muito, muito casual. Eles vinham, a gente ficava junto e eles posavam. Eu fotografava, inicialmente, na minha sala. Às vezes, era na sala e na cozinha, e depois fui para o quarto, porque assim eu não precisava ficar arrumando tudo. Podia deixar as coisas espalhadas e não precisava me preocupar em guardar tudo por causa dos meus colegas de apartamento. Mas o princípio era esse:  se divertir e tirar muitas fotos.


Uma conversa em torno de fotografias, de Paul Sepuya, 2019

E como você foi percebendo um corpo de trabalho?

PS: É um pouco difícil lembrar, mas eu lembro que estava fazendo muitos retratos e os agrupava de formas diferentes. Essa é uma questão, penso que o projeto em si só define em retrospecto. Eu não planejei. Eu sabia o que estava fazendo, que eu estava retratando amigos, mas isso não me impedia de retratar alguns desconhecidos também, e que então eu conhecia.  Então, eu pensei “ah, tá, tem algo aqui”. Eu separava um conjunto de retratos, agrupava e chamava de um jeito. Pegava outro grupo, agrupava, e dava outro nome. Essas definições iam mudando e se transformando porque nada estava definido, sabe?. Então, quer dizer que é sempre um momento no futuro quando as pessoas examinam, reconstroem. No momento da fotografia, é quase impossível de saber.

A ideia de projeto é uma espécie de moldura que se coloca para entender um processo, assim como acontece com um período histórico ou uma época. Geralmente, me dou conta, vários anos depois de que determinada sequência virou um projeto. No momento, você apenas vive. Você está tipo tem isso acontecendo, e aquilo, e aquele outro.

É bastante interessante o que você destaca do retrospecto. Primeiro, viver. Depois, apreender. Então, partindo para o que você faz agora, o seu trabalho acontece, e ao mesmo tempo que é, em si mesmo, o estúdio fotográfico. Aparecem, então, elementos centrais, os espelhos, a Gazing Ball, todo setting fotográfico. Esse recorte da sua produção estava em evidência na 14ª Bienal do Mercosul, Estalo, no ano passado. Ao mesmo tempo, esse encontro dos corpos, e a sua presença como sujeito da imagem, aparecem desde o começo, como na fotografia Self-portrait holding Joshua ‘s hands (2006). O que, na sua perspectiva, permanece te interrogando ao longo do tempo?

PS: As imagens mais recentes com a Gazing Ball, realmente, estabelecem uma espécie de linha direta, ou, quer dizer, uma linha com as minhas fotografias mais antigas. Tem algo que surge aí que é o fato de que mesmo quando eu enfoco em um único objeto ou sujeito, o espaço, e a própria repetição do espaço se tornam parte do enquadramento, para além de ser o ambiente da fotografia final. O espaço enquadra e é enquadrado. Acho que as pessoas assumem que o fotógrafo está sempre atrás da câmera, mas o que acontece é que às vezes sim, outras não.

Nessa fotografia que você mencionou, estou sentado ao lado. Em muitos dos retratos, onde parece que há apenas uma pessoa presente, eu posso estar sentado à esquerda ou à direita da imagem. É um movimento de vai e vem. Essa ação, de me colocar, está sempre presente, mesmo que não seja necessariamente visível.

As mudanças [como a entrada da Gazing Ball] são bem orgânicas, vêm da observação. Digo, uma coisa leva a outra. Inicialmente, os meus retratos eram bem mais convencionais, o ambiente não se destacava. Essas imagens já eram, de alguma forma, uma resposta ao que eu estava fazendo antes delas, porque eu cheguei a lidar com retratos com pessoas de figurino, roupas, cenários. Quando eu me livrei disso, de imagens mais excessivas, passei a fotografar com poucos elementos. Nesse momento, as pessoas começaram a achar que já eram retratos de estúdio.

Então, percebi que o ambiente do estúdio era importante, e comecei a revelar um pouco mais disso. Ao longo do tempo, aquele ambiente e a própria repetição se tornaram importantes para mim. Depois de algumas residências [artísticas], me dei conta de que “ok, posso usar o espaço do estúdio e ver o que acontece quando ele se expande”. Você tenta, observa, depois tenta de novo, e assim vai indo.

A Gazing ball remonta à exposição de 2023, The Lost Way, e também a um estudo e reflexão que comecei sobre a prata e a história da prata na fotografia. Ao mesmo tempo que remete à grande angular que a superfície do globo nos dá e até mesmo me leva até aquelas distorções que as câmeras de iPhone faziam em 2017 e 2019.


Modelo estúdio, de Paul Sepuya, 2022
Estúdio luz diurna, de Paul Sepuya, 2022

É como se, assim como as suas imagens, o seu processo também fosse indicial. Sempre há uma coisa apontando para outra em uma espiral que nos faz ir e voltar. Você mencionou a questão da prata, das lentes, e o seu trabalho fala o tempo todo sobre a fotografia em si. O estúdio, a moldura, a luz, a composição, o espelho. Ao mesmo tempo que existe uma sensação de controle, e de certa consciência extrema da linguagem fotográfica e da história do meio, há também um erótico constitutivo, que denota o encontro, o conforto, a maciez, a fluidez. Como você navega entre o controle e o fluxo na sua prática fotográfica? Como essas duas palavras ressoam para você?

PS: Acho que isso se dá a partir de certos parâmetros. Talvez eu mostre isso na própria titulação das imagens, porque me interessa pensar como as imagens acontecem dentro de configurações já estabelecidas. Os limites, quando claros, estabelecem uma quantidade menor de possibilidades. Digamos, por exemplo, que você vai fotografar uma encruzilhada.

Você tem uma quantidade de opções limitadas de quantas imagens é possível fazer de um cruzamento. Você pode decidir: olho para cima, olho para baixo; fotografo de dia ou fotografo de noite, sabe? Depois, você escolhe “ok, vou olhar desde esse ângulo“, e dentro desse setting, pode ver como as pessoas transitam e usam o espaço. Basicamente, você precisa escolher uma configuração, um modo de olhar.

Quando você define, as variáveis podem acontecer. É eliminar o aleatório, sair daquela posição de fotógrafo que registra o imprevisível ou que quer registrar “qualquer coisa que possa acontecer”. Você tem um parâmetro, escolhe a câmera, desenha a luz, e a partir daí surge um espaço para a bagunça. Acho que a resposta para a sua pergunta vai nessa direção: primeiro, você precisa ter um conjunto de parâmetros, delimitações. Dentro de um contorno, o acaso acontece.


Um retrato, de Paul Sepuya, 2021

É bastante interessante a forma como você pensa e executa o trabalho, porque é também um trânsito pelo lugar do desejo, do jogo, em que tudo isso que você está comentando tem lugar. Também é nítida uma preocupação formal, refinada, com a imagem, mas uma liberdade em experimentar.

PS: Sim, exatamente. Esses parâmetros podem mudar — há sempre aquilo que escapa deles e você pensa: Ah, ok, agora existe essa forma de fazer a imagem, esse enquadramento, esse ângulo — dentro disso, se eu mudar, o que acontece?. Mas não é como se estivesse mudando tudo o tempo todo.

Sim, você tem o seu próprio setting, muito particular das suas imagens. Falando sobre elas, dois verbos me atravessam quando olho suas fotografias: deleitar e decifrar. Existe um deleite, um tempo estendido, porque parece que tem sempre algo mais a ver no seu jogo de espelhos, corpos e posições. Ao mesmo tempo, já ouvi que você não tem a intenção de criar imagens enigmáticas. Poderia contar mais sobre isso?

PS:  Eu vejo o espaço refletido como uma presença. O ato de refotografar me interessa porque entendo as imagens com os elementos que já preexistem naquele lugar. Dentro de uma cena, aparecem camadas de coisas que já estão lá.

O que quero dizer é que, ao invés de criar enigmas, quero criar confiança. Para mim é importante que o espectador possa confiar naquilo que vê. Não vejo propósito em trair isso, porque sem confiança, nada se sustenta.

Eu iria até além: Por que ter um estúdio, então? Por que estar em um espaço físico? Por que trabalhar com materiais concretos, quando você pode simplesmente falsificar tudo, não é? Ou, sei lá, usar Photoshop para recortar, colar. O que eu falo aqui se trata de poder confiar apenas em uma imagem — confiar numa fotografia. Porque há muitas imagens que parecem fotografias e usam a linguagem da fotografia, mas não são fotografias. Então, toda cada imagem que faço é uma fotografia. É uma exposição, feita através de uma câmera, apontada para algo.


Espelho estúdio, de Paul Sepuya
Figura, de Paul Sepuya, 2017

Gostaria de destacar essa palavra que você trouxe: confiança. Acho que é uma palavra-chave que o seu trabalho também carrega, porque está muito relacionada a um consentimento, né? Você poderia contar mais sobre a relação que você propõe nas suas séries, em que você troca de posições, saindo da dicotomia “modelo” e “fotógrafo”, dividindo o disparo, o clique, o encontro, com esses afetos e pessoas que figuram em suas imagens?

PS: Acho que essa pergunta remonta ao início, quando eu dizia que existe um imaginário de que para fotografar você precisa estar atrás da câmera. Você pode estar ao lado e usar um disparador remoto. Isso pode acontecer mesmo que o espectador, ainda assim, só veja a outra pessoa retratada.

É um deslocamento do papel do fotógrafo como aquele que está sempre olhando. Imagino que se você vai ser diretor de cinema, deveria aprender a atuar, deveria experimentar ser ator — para que não haja uma divisão rígida entre a pessoa que está no controle e a outra que está ali apenas sendo dirigida. Acho importante entender como é estar na posição ao lado das pessoas. E tem uma questão prática também, de que não estou fotografando pessoas o tempo todo. Na maior parte do tempo, se estou produzindo imagens, é apenas do espaço em si. Às vezes testo coisas comigo mesmo, que de repente tomam alguma outra forma. Mas é isso, nunca estou fora da imagem, não tenho interesse em simplesmente fazer uma imagem.


Negativo, de Paul Sepuya, 2024
Negativo, de Paul Sepuya, 2024

Acho que o que você traz é, justamente, o corpo implicado. Um corpo que se presentifica e que contrapõe, tensiona, todo um histórico da fotografia e do sujeito com a câmera, como aquele, no masculino, que apenas olha. O histórico branco e cis heteronormativo também é embaralhado pelo que você reflete (com imagens no trabalho, com palavras aqui). De que forma você pensa que existe uma forma que incorpora uma queernessno olhar fotográfico?

PS: Então, acho que há várias coisas aí. Tem um entrelaçamento de questões de gênero, claro, e também de sexualidade e raça. Para ser honesto, vejo uma certa ambivalência nisso. Algo que considero importante, ou que sempre foi de alguma forma importante para mim, é que, sabe, ao fazer retratos de amigos, você precisa de uma certa sensação de conforto, de afeto, de gentileza, sabe? Há muitas fotografias que podem ser cruéis e objetificantes.

Acho também que não é porque um fotógrafo é gay ou queer que isso significa, naturalmente, que as imagens produzidas por ele não serão objetificantes. Uma pessoa sempre corre o risco de objetificar — um homem pode estar objetificando outros homens da mesma forma que um homem pode objetificar mulheres. Não significa que seja necessariamente melhor ou mais correto.

Sim, não existe uma garantia, não é?

PS: Exato, não há garantia. Eu sempre quis, e sigo querendo, que o meu processo fotográfico seja mediado e compartilhado com os meus amigos.Isso tudo está ligado à minha posição em relação à câmera. Sabe aquela ideia de “senta aqui, eu tiro a sua foto e, então, ela é minha e posso fazer o que eu quiser com ela”. É uma remoção total da agência. Pensar sobre isso continua sendo importante para mim.

Eu fotografo amigos como se não houvesse diferença entre fotografar um amigo e alguém com quem você está em um relacionamento. Em uma perspectiva queer, fotografar um amigo é como fotografar um amor ou um parceiro.

A última questão relacionada ao fato de eu me tornar visível no trabalho, em muitas imagens antigas, mas especialmente nas mais recentes, é a ambivalência. Não há um limite sobre quem pode ser fotografado. Claro, isso levanta outras questões, e até cria uma confusão, sobre como a racialidade aparece no encontro, como as pessoas se conectam a partir da racialidade e, como isso tudo se relaciona ou não com uma fotografia de autoria negra.

Então, sempre achei muito mais interessante, simplesmente, estar presente no trabalho. O que não significa, obrigatoriamente, estar em cada imagem. Junto com isso — talvez eu poderia fotografar flores, ou poderia fotografar, quem sabe, uma pessoa asiática, ou uma pessoa que é uma mulher e negra, seja quem for. Mas o que mais me interessa é olhar para todas as imagens em relação à possibilidade e à presença de um autor negro, de um autor negro na posição de sujeito.


Scan, de Paul Sepuya
Posição, de Paul Sepuya

Falamos dos diferentes sujeitos envolvidos em suas imagens. E o espectador, quem ele é para você?

PS: O espectador não faz parte delas de forma alguma. O espectador das imagens é a pessoa que está dentro da imagem — porque você está vendo ela se ver. Então esse é o espectador.

Quer dizer, se você está vendo meu trabalho pela primeira vez, você vai ter a impressão de que há uma câmera apontada para você. Me interessa esse tipo de experiência. Mas então, quando você olha novamente, percebe que é um espelho — que está olhando para o reflexo de um espelho — e que o espectador da imagem é a própria pessoa fotografada.

O que você está vendo é, na verdade, algo muito mais íntimo — porque você está vendo, naquele momento, alguém apreciando a própria imagem, se vendo.


Estudo para B. H., de Paul Sepuya
Venha (algumas fotos recentes – um diário), de Paul Sepuya

Paul, essa é para encerrarmos. A audiência da ZUM é formada por um grupo significativo de fotógrafos, artistas e pessoas que criam de modo geral. Você poderia dar um conselho especialmente para jovens artistas que se identificam com você e desejam desenvolver uma prática na fotografia?

PS: O que eu diria — e que também remonta a outras partes da nossa conversa— é que, em retrospecto, é fácil nomear quando um projeto já está estabelecido. Isso traz a sensação de que fotografar se resume a: ‘ah, eu planejei isso, só fiz e tudo funcionou’. Mas não é assim que as coisas realmente acontecem.

Se eu voltar às minhas caixas, encontro todas as coisas que estava tentando e fazendo ao mesmo tempo e que poucas pessoas viram, ou, então, que meio que caíram no esquecimento. Eu diria: não se preocupe demais.

O conselho é, simplesmente — se possível — não se preocupe em ter que ser muito polido. Agora todo mundo imprime as imagens de modo muito profissional e, tudo mais, mas eu fico pensando, no início eu usava uma máquina de fotocópia, sabe?

Então, acho que é realmente sobre fazer o que é acessível — e fazer muito, fazer o máximo possível. Assim, você descobre muita coisa. Depois, vem o processo: você faz as coisas, volta nelas, se dá um tempo, olha de novo, fala sobre elas — e isso vai te ajudar a descobrir qual é a próxima coisa que você quer fazer, sabe? É mais ou menos assim que as coisas funcionam. E também — tanto quanto possível — guarde o que você produzir, porque a gente aprende ao voltar e conseguir revisar. ///


Anna Ortega é repórter, interessada na escuta e escrita de processos artísticos. Trabalha com jornalismo cultural e cobre temas relacionados a direitos humanos, educação e crise climática. Colaborou em diversas publicações jornalísticas, como The Guardian, Piauí, UOL, Nexo, Portal Colabora, Lunetas, Dialogue Earth, Nonada Jornalismo e outros. É também artista visual, fotógrafa e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRGS.


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What are the best Crime Fiction books? | Ask Penguin Podcast with Abir Mukherjee

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Has modern forensics taken away the thrill in murder mystery books? How does a career in corporate finance prepare you to write crime novels? Is narrative voice more important than plot? And is there really such a thing as a reliable narrator?

In this episode of the Ask Penguin Podcast, Rihanna Dillon sits down with bestselling crime fiction author Abir Mukherjee to discuss his new novel, The Pinnacle, who's the best on-screen Hercule Poirot, and how to write crime novels. Plus, Abir joins Penguin Books colleagues to answer questions and give out brilliant book recommendations.

About The Pinnacle:

George Abercrombie, a washed-up American heart-throb, hates India, even from the rarified heights of his apartment on the 68th floor of the Pinnacle, Mumbai’s grandest luxury skyscraper. When George wakes from a drunken stupor to find his wife Sweety murdered in their bedroom, he knows he will be the prime suspect. Welcome to the Pinnacle. A place where murder meets luxury and the world’s most privileged depend on the most desperate.

About the author:

Abir Mukherjee is the bestselling author of the award-winning Wyndham & Banerjee series of crime novels set in 1920s India and the British Book Awards Crime Thriller of the Year 2025 Hunted. His books have been translated into sixteen languages and won various awards including the CWA Dagger for best Historical Novel, the Prix du Polar Européen, and the Wilbur Smith Award for Adventure Writing.

For more information about the National Year of Reading, check out https://goallin.org.uk

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Chapters:
0:00 Intros
0:43 The new podcast studio
01:12 Did you always want to write thrillers?
02:45 Which author inspired you to write?
05:08 What are the best crime novels?
07:44 Who is the best fictional detective?
08:00 Who is the best Poirot actor?
11:55 What is The Pinnacle about?
15:30 How to write a believable setting?
21:26 How to write multiple character POVs?
23:10 How do you plot out a novel?
31:00 What book tropes do you avoid?
34:00 How has technology changed the way we write crime?
38:09 When do you hear character voices?
43:24 How do you build a reading habit?
45:50 Ask Penguin questions
1:06:26 Outros

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SISMO EN VENEZUELA | Por qué fallan estructuras y sus fachadas

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El sismo que se presentó en Venezuela este 24 de junio de 2026 nos muestra por qué fallan tantas estructuras y sus fachadas, acá les explico las principales razones y como debemos corregir estos errores, toda mi solidaridad con mis amigos venezolanos, este video lo hice a las pocas horas del sismo y con muy poca información, dejen abajo su comentario o aporte.


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Despedir a los glaciares: las ceremonias con las que los pueblos del mundo se despiden del hielo | 🎙 PODCAST

TÍTULO GLACIARES PIEZA LARGA ABIERTA | 🎙 PODCAST CATÁSTROFE ULTRAVIOLETA

Mientras en Islandia o Venezuela certificamos la defunción de masas de hielo milenarias, en las remotas montañas de Baltistán los habitantes "casan" glaciares para combatir la sequía. Si aún no eres socio y quieres escuchar completo este nuevo episodio, primero hazte socio en este enlace

Puedes escuchar el cuarto episodio completo del mítico podcast de ciencia y humor en este enlace de elDiario.es

Cada año, la Tierra pierde 273.000 millones de toneladas de hielo, el equivalente a tres piscinas olímpicas derritiéndose cada segundo. Para visibilizar este drama, el ser humano ha comenzado a oficiar melancólicos funerales, como el celebrado en 2019 para despedir al glaciar islandés Okjökull, o la creación de un cementerio simbólico con lápidas talladas en hielo para recordar a los colosos caídos. La tragedia avanza de forma implacable en todo el planeta: la reciente práctica desaparición del glaciar de La Corona, en el pico Humboldt, ha convertido a Venezuela en el primer país de los Andes en quedarse sin una sola de sus cumbres heladas.

Esta pérdida irreparable trasciende los meros datos científicos y nos golpea profundamente a nivel emocional, ya que tendemos a percibir a los glaciares casi como entidades vivas. La investigadora Alejandra Melfo señala la “coincidencia cósmica” que supone que, tras decenas de miles de años de existencia, sea precisamente la actual generación la que deba presenciar el fin de estas nieves eternas. Su reflexión, llena de poesía y desolación frente a un territorio climático inexplorado, sirvió de inspiración para que el músico Jorge Drexler compusiera una canción dedicada a honrar estas heridas y encontrar la manera de despedir a los glaciares.

Frente a esta desolación, surgen respuestas asombrosas como las de Baltistán, en el Himalaya, donde los habitantes combaten la sequía celebrando insólitas “bodas” entre hielos distintos para engendrar pequeños glaciares que les garanticen agua. Y, en los Pirineos, el glaciar del Monte Perdido agoniza y pierde grosor a tal velocidad que los expertos calculan que podría desaparecer por completo en apenas una década. Acompáñanos en este recorrido por las diferentes formas de despedir a los glaciares a lo largo y ancho del planeta.

Puedes escucharlo completo en nuestra web. Si no eres socio, puedes suscribirte en este enlace

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Agradecimientos: Alejandra Melfo (doctora en astrofísica e investigadora del glaciar de La Corona), Jorge Drexler (cantante), Sebastián (guía local en los Andes), Eñaut Izaguirre Estíbaliz (geógrafo, glaciólogo e investigador del Instituto Pirenaico de Ecología del CSIC), Sergio Henrique Faria (director del Laboratorio de Hielo del Centro Vasco para el Cambio Climático), Nicolás González (investigador del Laboratorio de Hielo), Tehzeeb Bano (investigadora de la Universidad de Guelph), Ahmnad Nazir (supervisor del programa de sembrado de glaciares de la agencia Aga Khan), Zakir Hussain (profesor de la Universidad de Baltistán y asesor de la ONU), Lisa Kranz (miembro de la expedición)

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¿Qué es Catástrofe Ultravioleta? Catástrofe Ultravioleta es un podcast de Antonio Martínez Ron, Javier Peláez y Javi Álvarez que trata de acercar el mundo de la ciencia a través de los más diversos ámbitos de conocimiento. El programa de ciencia ganador de un Ondas regresa con 10 episodios monotemáticos que se publicarán los jueves, cada dos semanas. Cada episodio es una experiencia sonora que ofrece una aproximación a la realidad desde perspectivas inesperadas y una buena dosis de humor.

Por que não se pode dizer "NÃO" na China? (Ruas de Xian)

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Viaje com a Karina para a China: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfHHLNPjdB8hprirFQ4-JJ7dfwuAqex9VTkMASNcs-v6Xs0nw/viewform?usp=header

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Quem sou eu?
Karina Cunha é tradutora profissional e professora de mandarim. Com 15 anos de vivência na China, adquiriu nível máximo (6) no teste HSK. Voltou para o Brasil em 2012 após se formar em administração e desde então trabalha diariamente em contato com a língua chinesa.

Contato:
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A criptografia que promete esconder dados até da nuvem

Toda vez que você envia um prompt ao ChatGPT, suas palavras são transformadas em um código indecifrável antes de atravessar fibras ópticas e cabos submarinos rumo aos data centers da OpenAI no estado do Texas, nos Estados Unidos – ou em algum outro lugar do mundo. É assim que boa parte da informação do planeta trafega: criptografada. Mas proteger dados em trânsito não resolve tudo. Em algum momento, o servidor precisa decifrar a informação para processá-la — e é justamente aí que surgem as brechas.

Em 1995, o pioneiro da segurança digital Gene Spafford resumiu o problema dizendo que “criptografia sem um sistema íntegro equivale a investir em um carro-forte para levar dinheiro de alguém que mora em uma caixa de papelão para outra pessoa fazendo negócios em um banco de parque”. Ou seja, proteger os dados no caminho não adianta se emissor e destinatário continuam vulneráveis.

Nos últimos 15 anos, passamos a terceirizar cada vez mais funções à nuvem, do streaming ao armazenamento de arquivos e e-mails. A banda larga permite delegar nossas demandas computacionais a esses servidores remotos, mas isso exige enviar muitos dados para empresas com termos e condições de uso intermináveis. 

O número do cartão de crédito é apenas a ponta de um iceberg de informações sensíveis que não devem estar na nuvem. Imagine, por exemplo, uma IA da área médica que analisa o prontuário dos pacientes e sugere diagnósticos: uma seguradora de saúde poderia usar esses dados para investigar o histórico de quem tenta contratar o plano — e, assim, negar clientes com doenças crônicas. 

Por isso, um dos grandes objetivos da criptografia contemporânea é desenvolver um tipo de cifra que permita a um data center processar dados cifrados “às cegas” e dar o resultado correto sem precisar bisbilhotar o conteúdo. O nome dessa ideia é criptografia completamente homomórfica (fully homomorphic encryption, ou FHE, na sigla em inglês). Ela já é possível na prática — mas, no estágio atual de desenvolvimento, ainda é uma opção de milhares a milhões de vezes mais lenta do que processar a mesma informação abertamente. 

Hilder Pereira é professor do Departamento de Teoria da Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e uma referência nacional nessa área. Em 2025, a FAPESP aprovou uma bolsa Jovem Pesquisador de cinco anos, sob sua coordenação, para avançar na teoria e nas aplicações da FHE. Pereira está na vanguarda mundial dos esforços para transformar a FHE de um campo acadêmico em algo mais próximo de uma tecnologia aplicada no dia a dia. 

Fazer com que a FHE vire realidade envolve dois desafios. O primeiro é que pressionar grandes empresas por avanços em segurança digital não depende apenas de legislação ou de agências reguladoras: segundo o pesquisador, é necessário também um grau de conscientização coletivo que ainda não existe. “Quando alguém aponta uma arma para você, o perigo está na sua frente. Diferente de falar para as pessoas que empresas coletam dados da população e os usam para manipular eleições. Isso ainda soa abstrato”, diz. 

O segundo é que fazer a FHE funcionar está longe de ser trivial. Do ponto de vista do computador, lidar com uma cifra completamente homomórfica equivale a resolver um cubo mágico de olhos vendados. Para entender como é possível uma máquina processar dados sem enxergá-los (e até que ponto é possível tornar esse processo mais rápido), precisamos voltar algumas casas na história da criptografia — e começar na época em que o homomorfismo ainda era entendido como uma propriedade indesejável pelos criptógrafos. 

Glauco Lara

A brecha que virou solução

A criptografia moderna se apoia em operações matemáticas simples de executar, mas extremamente difíceis de desfazer — como fatorar números gigantescos gerados pela multiplicação de dois números primos. Esse é o princípio por trás do RSA, um dos métodos de criptografia mais influentes, criado em 1977. A sigla representa os sobrenomes dos criptógrafos que inventaram a técnica: Rivest, Shamir e Adleman.

Os números gigantescos da RSA são inquebráveis na prática. Mas a estrutura matemática dessa cifra é frágil de outra forma: ela permite manipular os criptogramas sem que percam seu significado no processo, ou seja, a equivalência matemática com o conteúdo que deu origem a eles. 

Uma metáfora ajuda a entender. Imagine duas palavras. Uma é “pão”, a outra é “manteiga”. Em RSA, cada uma é representada por um criptograma gigante e difícil de fatorar. Porém, se um servidor multiplicar “pão” e “manteiga”, ele vai obter um criptograma que significa “pão com manteiga”. O servidor não consegue ler o conteúdo, mas a operação continua fazendo sentido. Isso é o homomorfismo: o comportamento das multiplicações realizadas em texto claro (ou plaintext, em inglês) se mantém ao ser mapeado para o conjunto de dados cifrados (ciphertext).

No caso da RSA, apenas uma operação matemática é homomórfica: a multiplicação. Por isso, a RSA é classificada como uma cifra parcialmente homomórfica. Para computar às cegas, porém, era preciso ir além e construir uma cifra completamente homomórfica — que, além das multiplicações, permitisse também fazer somas sem mudar o conteúdo. 

Nas décadas seguintes à invenção da RSA, pesquisadores tentaram ampliar esse princípio para permitir múltiplas operações matemáticas sobre dados cifrados. Em 2005, o criptógrafo israelense Dan Boneh chegou perto: criou uma cifra homomórfica para as duas operações, mas que permitia apenas uma multiplicação, embora suportasse infinitas adições. O avanço decisivo veio em 2009, quando o americano Craig Gentry, então funcionário da IBM, publicou sua tese de doutorado orientada pelo próprio Boneh, apresentando a primeira cifra completamente homomórfica funcional. 

Os limites físicos e teóricos da FHE

O problema é que as cifras homomórficas acumulam “ruído” matemático a cada operação realizada. Depois de muitas contas, esse ruído cresce tanto que pode corromper o resultado. É como a poluição por mercúrio nos oceanos: cada peixe pequeno tem um pouco desse elemento tóxico no organismo. Mas quando um tubarão come todos eles, acaba concentrando uma quantidade muito maior do metal (processo chamado de bioacumulação).

O que Gentry fez foi encontrar um jeito de limpar o ruído a cada ciclo de processamento de dados, técnica que batizou de bootstrapping. O nome vem da expressão inglesa “puxar a si mesmo pelas alças das próprias botas”, usada para descrever um procedimento recursivo. 

Neste caso, o criptograma ruidoso é processado pelas próprias técnicas de FHE para produzir um criptograma equivalente, mas com ruído menor. “Isso abre portas para um número ilimitado de operações. Esse foi o grande problema que Gentry resolveu há pouco mais de 15 anos”, diz Diego Aranha, professor brasileiro que trabalha na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e ex-orientador de Pereira. O bootstrapping é, ao mesmo tempo, o segredo da FHE e sua limitação: limpar o ruído das cifras é uma tarefa pesada, e é a razão de esse tipo de criptografia demorar tanto.

Glauco Lara

Foi apenas em meados de 2016 que as coisas começaram a parecer “razoavelmente praticáveis”, nas palavras de Pereira. O GPS é um exemplo ilustrativo do tipo de coisa que a FHE ainda não consegue fazer. O aplicativo precisa recalcular a rota em segundos quando você entra em uma rua errada, e realizar essa computação com uma cifra homomórfica poderia levar dias. 

Ao problema computacional se soma um problema econômico. O mundo vive uma crise de disponibilidade de chips de silício causada pela construção acelerada de data centers para inteligência artificial (IA). Grande parte do poder computacional previsto para ser instalado em 2026 já está comprometida com as big techs. 

“A parte infeliz é que, do ponto de vista de hardware, acelerar a FHE ou usá-la para delegação segura de computação compete pelo mesmo hardware que a IA”, diz Aranha. “Empresas de internet que operam infraestrutura de nuvem — Amazon, Google, Microsoft — têm seu ganha-pão exatamente nisso: rodar seu código nos servidores delas. Do ponto de vista do cliente, seria muito melhor ter uma garantia matemática do que assinar um papel em que a Amazon promete não bisbilhotar.”

Uma possibilidade é reaproveitar gerações antigas de GPUs (microprocessadores) descartadas pela corrida da IA. O hardware que deixa de ser competitivo para treinar modelos de fronteira pode ajudar a acelerar pesquisas em FHE. Há também startups produzindo chips dedicados à FHE. Na mesma direção, a KU Leuven — que abriga um dos grupos de hardware para criptografia mais respeitados do mundo, onde Pereira fez pós-doutorado — mantém um projeto financiado pela União Europeia.

Da teoria à indústria

Além de trabalhar com o chão de fábrica da FHE — o que significa, por exemplo, aperfeiçoar o bootstrapping para torná-lo menos dispendioso —, o trabalho de Pereira também tem uma faceta teórica. 

Toda cifra é construída sobre a premissa de que um problema matemático é difícil de resolver. A RSA, por exemplo, aposta que fatorar o produto de dois números primos enormes é computacionalmente inviável. Mas Pereira lembra que essa dificuldade não é necessariamente eterna. “Talvez alguém encontre um novo algoritmo de fatoração muito mais eficiente e rápido, que reduza o tempo de fatoração”, explica. Um de seus objetivos no projeto apoiado pela FAPESP é justamente investigar se é possível construir FHE com menos pressupostos matemáticos. Apoiar a segurança num conjunto menor de suposições reduz a vulnerabilidade da cifra caso alguma delas se revele falsa. 

Para a academia, essa é a diferença entre um prédio com fundações construídas para o grau exato de estabilidade do solo e um prédio com precauções extras, que permanece em pé mesmo que o solo se mostre menos firme do que se pensava. Os acadêmicos estão sempre se antecipando, como na criptografia pós-quântica. “Estamos nos preparando para que, se um dia existir o computador quântico, essas novas cifras pós-quânticas já sejam seguras”, explica Pereira. 

A FHE é um campo de estudo bem estabelecido no mundo acadêmico. Do lado da indústria, o movimento é mais fragmentado, mas já perceptível. A startup francesa Zama, por exemplo, trabalha em aplicações de machine learning e blockchain com FHE, tentando ocultar não apenas a identidade dos usuários, mas também os próprios fluxos financeiros. 

A Zama quer cifrar essas transações com FHE, de modo que nem mesmo quem opera a infraestrutura saiba quem mandou quanto para quem. Para Nigel Smart, professor da KU Leuven que também ocupa o cargo de diretor acadêmico da empresa, esse é um momento equivalente à passagem do protocolo HTTP para o HTTPS na internet, em 1994  — uma camada de privacidade que reconfigura o que é possível fazer online. Foi o ‘S’ de ‘seguro’ que permitiu o uso de cartões de crédito na internet.

Smart, porém, faz questão de desfazer uma ilusão comum sobre as possibilidades da FHE. Esse tipo de cifra não é “uma poeira mágica que se polvilha sobre sistemas existentes para torná-los privados. Elas devem ser vistas como tecnologias que habilitam novos modelos de negócio e novas oportunidades que antes simplesmente não existiam”, diz ele. Um exemplo concreto é o combate à lavagem de dinheiro: bancos precisam cruzar dados de clientes para identificar fluxos suspeitos, mas não querem — e muitas vezes não podem, legalmente — entregar esses dados a concorrentes. Com FHE, a colaboração se torna possível.

Já existem outras aplicações de cifras homomórficas saindo do papel. O Microsoft Edge emprega FHE para verificar se senhas foram comprometidas em vazamentos sem revelar as senhas ao servidor. Craig Gentry, criador da primeira FHE viável, hoje trabalha na startup Cornami, com foco no gargalo mais relevante para a IA: tornar a multiplicação de matrizes mais rápida sob cifra homomórfica, já que essa operação é importantíssima para Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs, do inglês) como o GPT.

Não existe milagre: é pouco provável que a FHE se torne uma tecnologia amplamente disseminada ainda nas próximas décadas. Mas chegar mais perto desse grau platônico de segurança não é apenas uma questão de avanço científico-tecnológico: é algo que exige uma mudança de mentalidade que também está distante. “As pessoas não estão acostumadas a se preocupar com isso”, resume Pereira. À medida que a vida contemporânea passa a depender cada vez mais de computação delegada, é urgente que o trabalho de pesquisadores como Pereira se traduza em aplicações práticas. 

Acontece | 24 de junio de 1948: "Operación víveres", la respuesta humanitaria al bloqueo de Berlín

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Nieves Concostrina narra cómo en 1948 las potencias aliadas superaron el bloqueo terrestre y fluvial de Stalin sobre Berlín Occidental mediante un masivo e ininterrumpido puente aéreo que abasteció a dos millones de ciudadanos.

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Edição 397 – Rodada de investimento para o DeepSeek

Política e economia

Esse foi fundo. Segundo relatos (não confirmados pela Reuters), a startup queridinha da galera DeepSeek fez história na sua primeira rodada de captação externa – conhecida como Série A. No começo de junho, a estimativa divulgada na NeoFeed falava em expectativa de captação de 50 bilhões de yuan (em torno de 7,4 bilhões de dólares) – o que, segundo o Pandaily, foi o que de fato ocorreu na conclusão da rodada no dia 16. Ela se torna a startup de IA chinesa mais bem avaliada, no caso em 400 bilhões de yuan (51 bilhões de dólares). Os valores “normais” de uma Série A nos EUA, em média, ficam nos 20 milhões de dólares, ainda que os hypados do mundo de IA sejam outro universo. Por exemplo, a OpenAI recebeu 1 bilhão de dólares na Série A há alguns anos atrás e quebrou alguns recordes nas fases seguintes. A matéria da NeoFeed também conta como a DeepSeek ainda não anunciou planos para abrir um IPO e como a sua fama surfou na lógica de baixos custos – e agora há maior demanda por altos gastos com o desenvolvimento de IA agêntica.

Além do valor altíssimo, chamou atenção no relato a estrutura de governança desses fundos. Sob a liderança do fundador Liang Wenfeng, o dinheiro não vai diretamente para a DeepSeek, mas sim um novo ente jurídico. Ademais, boa parte dos investidores não terá poder de voto de forma a proteger a empresa (e Liang) de futuras mudanças. As matérias relatam que o fundador colocou 20 bilhões de yuan do seu próprio dinheiro. E o destaque fica que o Fundo Nacional de Indústria de IA – do estado chinês – que colocou 1 bilhão de yuan na startup. Os principais investidores são a Tencent Holding, JD.com, NetEase e surpreendentemente a CATL (de baterias).

Internacional

Sem cabo para você. Em uma história muito surreal, o ministro do transporte e das comunicações do Chile perdeu o visto para os Estados Unidos por conta de negociações com a China sobre um cabo submarino, conta esta matéria da Rest of World. O plano era conectar a América do Sul a Hong Kong de forma direta com um novo cabo submarino, algo que estava em negociação no último ano. Contudo, em fevereiro de 2026, o então ministro Juan Carlos Muñoz e mais dois funcionários de alto nível foram informados que os seus vistos diplomáticos para os EUA foram cancelados sob o argumento de atividades que ofereciam perigo à infraestrutura crítica na região. Eles estavam analisando uma proposta da estatal China Mobile de um cabo de 500 milhões de dólares, que avançava nos trâmites. O ex-presidente Gabriel Boric deu um basta na proposta após tensões com o governo dos EUA. O desafio agora é do novo governo de José Antonio Kast, que assumiu a presidência em março. No discurso, Kast é bastante alinhado à Trump, ainda que queira manter boas relações com a China. 

O Reino Unido condenou dois homens por espionagem para a China. Os cidadãos sino-britânicos Chung Biu “Bill” Yuen, e Chi Leung “Peter” Wai, ex-trabalhadores do serviço de fronteiras britânico, teriam monitorado as atividades de exilados honconguenses pró-democracia entre 2023 e 2024. A prisão de ambos ocorreu após uma tentativa frustrada de sequestrar Monica Kwong em sua casa em maio de 2024, operação que envolveu um terceiro cidadão britânico, Matthew Trickett, que foi encontrado morto no mesmo ano; Kwong é acusada em Hong Kong de desvio de fundos da empresa para a qual trabalhava. Yuen deve cumprir oito anos de prisão; Wai cumprirá dez anos, condenado também por usar suas credenciais profissionais para acessar dados pessoais dos alvos da espionagem. Esse é o primeiro caso de condenação de pessoas acusadas de espionagem para a China em solo britânico. Segundo a Embaixada chinesa em Londres, as acusações britânicas são caluniosas.

Sociedade

Aqui e na China, a vida das mulheres não é fácil. O jornal britânico The Guardian publicou uma série de quatro reportagens sobre as dificuldades enfrentadas por meninas e mulheres chinesas, mas também sobre as formas como elas mesmas têm respondido e tomado a agência de suas vidas. Um dos tópicos presentes na série de reportagens, como tinha de ser, é a questão dos casamentos forçados e dos abusos. O texto, o terceiro da série, fala sobre como ativistas chinesas têm agido nas sombras para proteger e resgatar vítimas de casamentos forçados. O primeiro dos quatro textos adota um tom de esperança, com foco na agência das mulheres e na história de Chengdu, que tem, cada vez mais, espaços exclusivos para elas. Sem dourar a pílula, mas apontando para saídas, a última publicação da série fala sobre como o humor tem sido um bálsamo para lidar com dificuldades. 

Uma agulha no palheiro. Num momento em que as condições climáticas e ambientais nos enchem de ansiedade e apreensão, sinais positivos vêm da recuperação do rio Yangtze, na China, um dos mais importantes do país e um dos mais longos do mundo. Há um ano, o TV Al-Jazeera tinha feito uma reportagem sobre esse processo. Estudos independentes e, claro, o próprio governo chinês, mostram que a situação melhorou em 2026, sobretudo graças ao banimento de pesca. Mas vale lembrar que mora no rio a usina das Três Gargantas, projeto de mega hidrelétrica que coleciona críticas ambientais. Para quem quer entender melhor a importância e os problemas do Yangtze para além do factual, o diretor chinês Jia Zhangke fez dois filmes brilhantes que contam as mudanças que a usina trouxe à região e à sua população em Still Life (2006) e Caught by the Tides (2025).

Zheng He

Chá ou café: este longo texto no Elephant Room vai até a província de Yunnan – terra do café na China e do chá pu’er – para aprender sobre plantações e origens do mundo do chá e do café. Prepare um chá ou um cafezinho para ler.

Devagar: em terra de trens rápidos, quem ainda pega os trens antigos e demorados (e baratos) na China? Este pequeno documentário entrevista pessoas durante o feriadão do Ano Novo Lunar. A versão transcrita para o inglês está aqui.

IAIAIAI: Um artigo recém-publicado por pesquisadores de Hong Kong e Estocolmo indicou que o uso de inteligência artificial acelerou e melhorou a execução de lição de casa de estudantes chineses – mas chegou a derrubar as notas nas provas em até 20%.

Análise: este artigo do Made in China Journal traz uma reflexão sobre a história da cientista Joan Hinton, que nasceu nos EUA e se mudou para a China em 1948 e se tornou uma grande amiga do regime maoísta. A figura de Hinton foi usada como garota propaganda do comunista e o texto reflete sobre quão integrada de fato foi a experiência dela e sua família no país.

 

Vídeo da Folha de S. Paulo sobre a história em quadrinhos Meus Fantasmas, uma autobiografia de Tessa Hulls. Apesar do nome, a premiada HQ de Hulls conta a história da avó chinesa que fugiu para Hong Kong durante a Revolução Cultural, da sua mãe que emigrou para os EUA e dela própria. O livro acaba de ser lançado no Brasil.

 

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