José Miguel Wisnik, Renato Braz - Se Meu Mundo Cair

Renato Braz, voz
José Miguel Wisnik, piano
Gravado, mixado e masterizado no estúdio Space Blues, por Alexandre Fontanetti


A DeepSeek acaba de lançar um novo modelo de inteligência artificial, o DeepSeek-V4; ele conta com duas versões e, como de costume, seu grande destaque para os usuários finais é a relação custo-benefício, com um desempenho equivalente ao das soluções de ponta estadunidenses, mas por uma fração do valor cobrado por elas. Mas a importância dessa novidade é também geopolítica: o modelo é otimizado para chips da Huawei – o que deve diminuir a dependência chinesa de chips dos EUA e consolidar o posicionamento do país na disputa pela liderança do setor. Como explica este artigo do MIT Technology Review, com esse lançamento, a IA chinesa ainda não se livrou totalmente da Nvidia, mas o caminho está traçado – e o CEO da fabricante de chips já deixou claro que isso seria “um desfecho horrível” para os Estados Unidos. Como já contamos por aqui, em 2024 a China era responsável por 13% das vendas da empresa.
A conta chegou para parceiros da Evergrande. A PricewaterhouseCoopers (PwC) fechou um acordo para encerrar as investigações sobre sua atuação como auditora da Evergrande em Hong Kong. A negociação foi encerrada com a bagatela de HK$1,3 bilhão, cerca de R$800 milhões, divididos entre uma multa de HK$ 300 milhões aplicada pelo regulador de contabilidade de Hong Kong e HK$ 1 bilhão destinado a um fundo de compensação para acionistas. A firma ainda deve cumprir uma suspensão de seis meses, ficando impedida de aceitar novos clientes de auditoria listados na bolsa. O acordo encerra o caso “de forma plena e definitiva”, sem admissão de culpa por parte da PwC – mas a lista de problemas da firma na China é longa: em 2024, Pequim já havia multado a PwC em ¥ 441 (R$ 312) milhões e aplicado outra suspensão de seis meses no continente, após concluir que a empresa havia “fechado os olhos” para a fraude da Evergrande, que inflou receitas em mais de ¥ 560 bilhões. O escândalo derrubou clientes, sócios e a reputação da firma na região, e ainda não terminou: há uma ação movida pelos liquidantes da Evergrande contra a PwC, cuja primeira audiência está marcada para maio.

Balanço semanal. A coletiva de imprensa semanal do Ministério das Relações Exteriores da China virou um bom termômetro do momento diplomático do país, e a de 21 de abril não foi diferente. Em poucos minutos, o porta-voz Guo Jiakun teve que comentar sobre quase todos os pontos quentes do momento, de conflito no Oriente Médio até Japão, Hong Kong e a agenda regional da China no Sudeste Asiático. Sobre o Oriente Médio, Guo reafirmou a proposta de quatro pontos de Xi Jinping para a região: coexistência pacífica, soberania, direito internacional e equilíbrio entre desenvolvimento e segurança; ele pediu que todas as partes aproveitassem a janela de cessar-fogo antes que ela se feche. Sobre o Japão, o tom foi bem mais duro, criticando tanto a flexibilização das regras de exportação de armas japonesas quanto o envio de uma oferenda ao Santuário Yasukuni pela primeira-ministra Takaichi, ambos os gestos interpretados como sinais de “neomilitarismo”. No meio disso tudo, Guo ainda anunciou a visita do chanceler Wang Yi ao Camboja, Tailândia e Mianmar, onde será inaugurado um inédito mecanismo de diálogo “2+2” com o Camboja, que estabelece um mecanismo de diálogo estratégico entre os ministros das Relações Exteriores e da Defesa dos dois países, e rebateu um relatório do Departamento de Estado americano sobre Hong Kong. Uma semana movimentada para a diplomacia chinesa.
Sem passagem. O líder taiwanês Lai Ching-te tinha uma viagem marcada para Eswatini, o único país africano que reconhece oficialmente Taiwan, para participar das comemorações do dia nacional do país. Porém, segundo o gabinete de Lai, Seychelles, Maurício e Madagascar revogaram a autorização de voo sob pressão de Pequim, inviabilizando a rota e forçando o cancelamento da visita. Lai denunciou publicamente o episódio, chamando as ações chinesas de “coercitivas” e afirmando que nenhuma pressão vai abalar a determinação de Taiwan de se relacionar com o mundo. O Comitê sobre China da Câmara dos Representantes dos EUA foi na mesma direção, condenando a manobra com uma frase direta: “Isso não é diplomacia, é pressão econômica para isolar um parceiro democrático.” Do lado chinês, o Ministério das Relações Exteriores não admitiu a pressão sobre os países africanos, mas deixou o recado: todos os países do continente, exceto Eswatini, reconhecem o princípio de uma só China, e assim deve continuar. O episódio ilustra bem como a batalha diplomática em torno de Taiwan acontece cada vez mais longe do Estreito, em salas de reunião de Nairobi, Antananarivo e Vitória.
Juntos. O Brasil foi o país convidado de honra do China Space Day 2026, realizado em Chengdu no último dia 24, e a participação serviu para reforçar a parceria de desenvolvimento conjunto de satélites de observação da Terra, que já dura 38 anos, o programa CBERS. A delegação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação apresentou iniciativas que vão além dos satélites já em operação, entre elas, um laboratório sino-brasileiro de clima espacial, experimentos com radiotelescópios e a articulação para uma constelação de satélites no âmbito do Brics. Também foram discutidos os próximos passos dos programas CBERS-5 e CBERS-6; este último será o primeiro satélite geoestacionário da cooperação. Para o Brasil, o interesse é de maior autonomia tecnológica no monitoramento de biomas como a Amazônia, com menos dependência de dados externos. Lula enviou uma carta a Xi Jinping para a abertura do evento, um gesto protocolar, mas que sinaliza que a cooperação espacial entre os dois países segue como prioridade na agenda bilateral, mesmo em um cenário internacional de tensões.

A Literatura sempre se adapta ao seu tempo, e o Prêmio Nobel Mo Yan não fica para trás. Neste mês, ele lançou seu novo livro, Ren Na (Oh, Humanidade, em tradução livre para o português), inspirado em sua própria experiência de vício em vídeos curtos. Segundo o autor, a ideia é tentar prender a atenção dos leitores da mesma forma, por meio 81 textos breves, que contém “mais de 70 anos de insights e reflexões sobre a vida e a natureza humana”, cada um demandando não mais que 10 minutos de dedicação. Este é o seu primeiro lançamento em seis anos.

Seja água: Este artigo do pesquisador Joseph Clarke investiga os motivos pelos quais Bruce Lee ainda é referência meio século após sua morte. TL;DR: ele redefiniu a linguagem do movimento no cinema e representa uma imagem de autoconfiança e espírito desafiador para novas gerações.
Feminismo: As pesquisadoras Angela Xiao Wu e Yige Dong destrincham os diferentes feminismos que circulam na sociedade chinesa em meio à repressão política e o reacionarismo masculino.
É o caos: O empresário Dee Zheng relatou sua experiência como investidor no mercado de tecnologia limpa na China. Ele descarta a visão do “estado engenheiro chinês” como fator determinante e aponta que o sucesso nacional no setor veio do caos.
O que é que Chongqing tem de especial que tornou a cidade uma febre nas redes sociais? O South China Post foi investigar.
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This week, Russell Williams on the French writers laying down their pens; and John-Paul Stonard hails a bravura production of Bertolt Brecht.
The Resistible Rise of Arturo Ui, Swan Theatre, Stratford-upon-Avon, until May 30
Produced by Charlotte Pardy
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We round up the best new features of the upcoming fedora 44 workstation edition release. Fedora 44 is released on April 28, 2026. This significant release brings the latest and greatest GNOME 50 to Workstation, Linux kernel 6.19, and many practical updates across desktops and tools. It balances new technology with excellent usability, making it...
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